Vacina da gripe reduz internações em pacientes asmáticos, aponta especialista

Asma é quarta maior causa de hospitalizações no Brasil, com complicações potenciais incluindo pneumonia viral/bacteriana e insuficiência respiratória aguda.
A vacina reduz consideravelmente o número de crises dos asmáticos
Pneumologista explica o impacto direto da imunização contra gripe em pacientes com asma.

Para os milhões de brasileiros que vivem com asma, a temporada de gripe não é apenas um inconveniente — é uma ameaça concreta à saúde pulmonar já fragilizada. Especialistas em pneumologia reafirmam que a vacina contra influenza não é uma escolha opcional para esse grupo, mas uma medida preventiva capaz de evitar crises graves, complicações sérias e internações hospitalares. Em um país onde apenas 12% dos asmáticos têm a doença controlada e a cobertura vacinal permanece baixa, a distância entre o conhecimento médico e a prática cotidiana continua custando vidas.

  • O vírus influenza pode transformar uma crise asmática comum em uma emergência respiratória grave, levando pacientes à UTI com pneumonia ou insuficiência respiratória aguda.
  • A asma já é a quarta maior causa de hospitalizações no Brasil, e a baixa adesão à vacina da gripe amplia esse risco de forma evitável.
  • Em São Paulo, após quase um mês de campanha, menos de 30% das crianças do público-alvo foram imunizadas — um sinal de que a adesão geral segue preocupante.
  • Pneumologistas recomendam vacinação anual para todos os asmáticos em bom estado de saúde, com a vacina disponível gratuitamente na rede pública de saúde.
  • O verdadeiro desafio não é científico, mas comportamental: converter a recomendação médica em ação concreta para os milhões que ainda não se vacinaram.

Para quem tem asma, a gripe raramente é banal. Quando o vírus influenza alcança pulmões já comprometidos — especialmente em pacientes com doença mal controlada — pode desencadear uma sequência de complicações sérias: pneumonia viral ou bacteriana, insuficiência respiratória aguda e internação hospitalar. É nesse contexto que especialistas em pneumologia reforçam que a vacina contra a gripe é uma ferramenta essencial, não uma escolha.

O cenário brasileiro torna a questão ainda mais urgente. Apenas 12% dos brasileiros com asma têm a doença adequadamente controlada, segundo a Comissão de Asma da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia. Ao mesmo tempo, a adesão às campanhas de vacinação permanece baixa: em São Paulo, após quase um mês de campanha, somente 29,6% das crianças do público-alvo haviam sido imunizadas. O padrão se repete entre gestantes e profissionais de saúde, e há razões para acreditar que os asmáticos seguem a mesma tendência.

Elie Fiss, pneumologista do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, é direto: a vacina reduz infecções, diminui crises asmáticas e, consequentemente, evita hospitalizações. A asma já figura como a quarta maior causa de internações no país, segundo o DATASUS, e grande parte desses casos está associada à falta de controle adequado da doença.

A recomendação é simples: asmáticos em bom estado de saúde devem se vacinar anualmente. A exceção fica para alérgicos aos componentes do imunizante ou pacientes com febre ativa, que devem consultar um médico antes. O imunizante está disponível na rede pública. O desafio que permanece é humano — convencer quem ainda não se vacinou de que essa dose pode ser a diferença entre um ano estável e uma internação evitável.

O vírus da gripe não é apenas um incômodo sazonal para quem tem asma. Quando o influenza entra nos pulmões de um asmático, especialmente um com a doença mal controlada, pode desencadear uma cascata de complicações que termina em internação hospitalar. É por isso que especialistas em pneumologia estão insistindo: a vacina contra a gripe é uma ferramenta essencial para este grupo de pacientes, não uma opção.

No Brasil, o cenário é preocupante. Enquanto o país coordena campanhas simultâneas contra COVID-19 e influenza, a adesão à vacina da gripe permanece fraca, especialmente entre os grupos que mais precisam dela. Em São Paulo, após quase um mês de campanha, apenas 978,4 mil crianças haviam sido imunizadas — o equivalente a 29,6% do público-alvo de 3,3 milhões. A cobertura geral no estado ainda não ultrapassava 30%. O padrão se repete entre gestantes e profissionais de saúde. E embora não seja possível afirmar com certeza que os asmáticos acompanham essa tendência de baixa adesão, a probabilidade é alta: apenas 12% dos brasileiros com asma têm a doença adequadamente controlada, segundo a Comissão de Asma da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia.

O risco é concreto. A gripe ataca diretamente as células pulmonares, e um asmático grave — alguém cujo sistema respiratório já está comprometido — sofre complicações muito mais severas do que uma pessoa sem a condição. Um paciente sem controle adequado da asma pode desenvolver pneumonia viral ou bacteriana, insuficiência respiratória aguda, e necessitar de internação em unidade de terapia intensiva. A asma é a quarta maior causa de hospitalizações no Brasil, segundo dados do DATASUS, e grande parte desses casos está ligada à falta de tratamento e controle apropriado.

Elie Fiss, pneumologista do Hospital Alemão Oswaldo Cruz e professor titular de Pneumologia da Faculdade de Medicina do ABC, é direto sobre o que a vacina oferece: ela reduz significativamente o número de infecções, diminui consideravelmente as crises asmáticas e, consequentemente, reduz hospitalizações. A vacina é segura e apresenta alta taxa de proteção. "Precisamos incentivar cada vez mais a vacinação de pacientes com asma e outras doenças crônicas", afirma.

Para quem tem asma, a recomendação é clara: receba a vacina anualmente, desde que esteja em bom estado de saúde. A única exceção são pessoas alérgicas aos componentes do imunizante. Se o paciente estiver com febre ou apresentando sintomas de uma crise asmática, o ideal é consultar um médico antes de se vacinar. Mas em circunstâncias normais, a dose anual deve ser buscada em qualquer serviço de saúde. O desafio agora é transformar essa recomendação em ação — convencer os milhões de asmáticos brasileiros que ainda não se vacinaram de que essa proteção extra pode ser a diferença entre um ano tranquilo e uma internação hospitalar.

Precisamos incentivar cada vez mais a vacinação de pacientes com asma e outras doenças crônicas. A vacina contra influenza é segura, apresenta alta taxa de proteção, diminui consideravelmente o número de infecções e, consequentemente, reduz a quantidade de crises dos asmáticos
— Elie Fiss, pneumologista do Hospital Alemão Oswaldo Cruz
O paciente que não tem um bom controle da asma ou não realiza o tratamento adequado pode ter sérias complicações, como pneumonia viral ou bacteriana e insuficiência respiratória aguda, e necessitar de internação e cuidados intensivos
— Elie Fiss, pneumologista
The Hearth Conversation Another angle on the story
Inventor

Por que a gripe é tão perigosa especificamente para quem tem asma?

Model

O vírus da gripe ataca as células dos pulmões. Um asmático já tem as vias respiratórias inflamadas e sensíveis. Quando o vírus chega, o sistema respiratório já fragilizado não consegue responder bem, e as complicações podem ser graves — pneumonia, insuficiência respiratória.

Inventor

E a vacina consegue prevenir isso?

Model

Não previne completamente, mas reduz muito o risco. A vacina diminui a gravidade da infecção, melhora a imunidade geral e, o mais importante, reduz significativamente o número de hospitalizações em asmáticos.

Inventor

Então por que tão poucos asmáticos estão se vacinando?

Model

Muitos ainda têm dúvidas se devem receber a vacina. Além disso, apenas 12% dos asmáticos brasileiros têm a doença controlada, então muitos estão lidando com crises constantes e talvez não estejam acompanhando campanhas de vacinação.

Inventor

Qual é o risco real de não se vacinar?

Model

Asma é a quarta maior causa de hospitalizações no Brasil. Um asmático sem controle adequado que pega gripe pode desenvolver pneumonia viral ou bacteriana, insuficiência respiratória aguda, e precisar de cuidados intensivos.

Inventor

Existe alguma razão para não tomar a vacina?

Model

Apenas se a pessoa for alérgica aos componentes. Se estiver com febre ou em plena crise asmática, é melhor consultar um médico primeiro. Mas em bom estado de saúde, todo asmático deveria se vacinar anualmente.

Inventor

E quanto à segurança? A vacina é realmente segura para asmáticos?

Model

Sim. Os especialistas são claros: a vacina é segura e tem alta taxa de proteção. O risco de não se vacinar é muito maior do que qualquer risco da vacina.

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