Uso sem controle de canetas emagrecedoras preocupa médicos e ameaça saúde de adolescentes

Adolescentes, incluindo menores com autismo, estão expostos a efeitos colaterais desconhecidos e riscos ao desenvolvimento físico sem acompanhamento médico adequado.
O medicamento não está avaliado, não tem controle, pode ter contaminação
Médica explica os riscos de produtos importados sem registro na Anvisa.
Mark

Por que os médicos insistem tanto que isso não é como uma caneta normal?

Mimi

Porque o nome é perigoso. Uma caneta você testa, empresta, troca. Esses medicamentos alteram o metabolismo de um adolescente em crescimento. O dano pode ser invisível por anos.

Mark

E se a mãe está monitorando a filha constantemente, como você viu no vídeo?

Mimi

Monitorar é importante, mas não é suficiente. A menina tem autismo e não consegue falar. Como a mãe sabe se há dor, tontura, ou algo mais grave acontecendo internamente? E mesmo que ela percebesse, o medicamento não tem registro — ninguém sabe exatamente o que está sendo injetado.

Mark

Qual é o risco mais imediato para um adolescente?

Mimi

A desnutrição. Esses medicamentos reduzem drasticamente o apetite. Um corpo em crescimento precisa de calorias e nutrientes. Sem eles, os ossos não se formam direito, a massa muscular não se desenvolve, o crescimento para.

Mark

E depois, quando a pessoa fica adulta?

Mimi

Aí aparecem as consequências que poderiam ter sido evitadas. Osteoporose precoce, fraqueza muscular crônica, deficiências nutricionais que afetam tudo — imunidade, cognição, saúde reprodutiva.

Mark

Por que vem do Paraguai?

Mimi

Porque lá não há a mesma regulação que no Brasil. E sem registro na Anvisa, ninguém está verificando se o produto é puro, se tem a dose certa, se tem contaminação. É um vácuo regulatório que as redes sociais exploram.

Mark

O que os médicos querem que aconteça?

Mimi

Prescrição rigorosa. Indicações claras. Acompanhamento contínuo por especialista. E que as pessoas entendam que isso não é um atalho — é um medicamento que exige supervisão séria, especialmente em adolescentes.

  • Vídeos nas redes sociais mostram pais aplicando canetas emagrecedoras em filhos adolescentes sem qualquer prescrição médica, normalizando um uso que especialistas classificam como perigoso.
  • Medicamentos trazidos do Paraguai sem registro na Anvisa podem conter contaminações, concentrações erradas ou substâncias desconhecidas — riscos invisíveis para quem os usa como se fossem suplementos.
  • Para adolescentes em fase de crescimento, a redução drástica de calorias e nutrientes pode comprometer a formação óssea, o desenvolvimento muscular e interromper o crescimento normal de forma irreversível.
  • Casos como o de uma menina de 17 anos com autismo — incapaz de comunicar verbalmente o que sente — expõem a vulnerabilidade extrema de quem não pode sinalizar efeitos colaterais.
  • A Sociedade Brasileira de Pediatria emitiu alerta formal e exige prescrição rigorosa, indicações precisas e acompanhamento especializado contínuo como condição mínima para qualquer uso desses medicamentos.

Em um tempo em que a imagem corporal se tornou moeda social nas redes, medicamentos potentes para emagrecimento chegam às mãos de adolescentes brasileiros sem prescrição, muitos vindos do Paraguai sem qualquer controle regulatório. Pediatras e endocrinologistas alertam que o corpo em crescimento não tolera atalhos: a privação de nutrientes nessa fase pode comprometer ossos, músculos e o próprio curso do desenvolvimento. O que as telas apresentam como solução simples carrega, em silêncio, o peso de consequências que podem durar uma vida inteira.

Há alguns meses, um vídeo circulou nas redes sociais mostrando uma mãe aplicando uma injeção em sua filha de 17 anos com autismo. O medicamento havia sido buscado no Paraguai. Como a adolescente não consegue comunicar verbalmente o que sente, a mãe diz monitorar qualquer reação. O episódio ilustra um padrão que está deixando pediatras brasileiros em estado de alerta: o uso descontrolado de canetas emagrecedoras por crianças e adolescentes, sem prescrição médica.

O apelido "caneta emagrecedora" banaliza o que são, na prática, medicamentos potentes. Nas redes sociais, comentários mostram pais relatando viagens ao Paraguai para buscar o produto para os filhos, como se fosse algo corriqueiro. A Sociedade Brasileira de Pediatria emitiu um alerta formal diante desse padrão crescente de uso sem supervisão.

Quando prescritos corretamente, esses medicamentos são efetivos e seguros. O problema começa sem a indicação profissional: a redução drástica de calorias e nutrientes pode comprometer o desenvolvimento ósseo, a formação muscular e o crescimento normal de adolescentes. A médica Cristiane Kochi, do Departamento de Endocrinologia da Sociedade Brasileira de Pediatria, é direta: é necessária prescrição rigorosa e acompanhamento por especialista. Muitas doenças da vida adulta têm raízes nessa fase crítica.

Há ainda um risco menos visível. A maioria desses medicamentos vem do Paraguai sem registro na Anvisa, o que significa ausência de avaliação regulatória e controle de qualidade. Segundo Maria Edna de Melo, da Abeso, produtos não registrados podem conter contaminações, variações perigosas na concentração ou substâncias completamente diferentes. Para adolescentes que não conseguem expressar o que sentem, a vulnerabilidade é ainda maior.

O que preocupa os especialistas não é apenas cada caso isolado, mas o padrão que se consolida: as redes sociais vendem a ideia de uma solução simples para o peso, enquanto os médicos insistem que esses não são produtos de prateleira. São medicamentos que exigem prescrição séria e acompanhamento contínuo. Sem isso, o que parece um atalho pode deixar marcas permanentes no corpo que ainda está se formando.

Há alguns meses, uma mãe postou um vídeo nas redes sociais mostrando como aplicava uma injeção em sua filha de 17 anos. O medicamento havia vindo do Paraguai. A adolescente, que tem autismo, não consegue comunicar verbalmente o que sente, mas a mãe diz que monitora constantemente qualquer reação adversa. O que ela estava fazendo — aplicando uma caneta emagrecedora sem prescrição médica — é exatamente o que está deixando pediatras brasileiros em alerta.

Essas injeções ganharam o apelido de "canetas emagrecedoras" porque são aplicadores que lembram canetas comuns. O problema é que o nome banaliza o que são, na verdade, medicamentos potentes. Ninguém empresta uma caneta emagrecedora para um amigo testá-la, mas é exatamente isso que está acontecendo nas redes sociais. Comentários em posts mostram pais dizendo que foram ao Paraguai buscar o medicamento para seus filhos. A Sociedade Brasileira de Pediatria emitiu um alerta formal sobre esse padrão de uso descontrolado entre crianças e adolescentes.

Quando prescritos corretamente, com acompanhamento médico contínuo e como parte de um tratamento estruturado, esses medicamentos são efetivos e seguros. O problema começa quando são usados sem indicação profissional. Reduzem drasticamente a ingestão de calorias e nutrientes essenciais. Para um adolescente ainda em fase de crescimento, as consequências podem ser graves: comprometimento do desenvolvimento ósseo, prejuízo na formação muscular, e interrupção do crescimento normal. Cristiane Kochi, médica do Departamento de Endocrinologia da Sociedade Brasileira de Pediatria, é clara sobre o que é necessário: prescrição rigorosa com indicações precisas e acompanhamento por especialista. Muitas doenças que aparecem na vida adulta têm raízes nessa fase crítica do desenvolvimento.

Mas há um segundo risco, talvez ainda mais invisível. A maioria desses medicamentos vem do Paraguai e não possui registro na Anvisa. Sem registro, não há avaliação regulatória, não há controle de qualidade. Maria Edna de Melo, médica coordenadora de Advocacy da Abeso, explica que produtos não registrados podem conter contaminações, variações perigosas na concentração do princípio ativo, ou até substâncias completamente diferentes. Os efeitos colaterais e a eficácia tornam-se imprevisíveis. Uma adolescente como a do vídeo, que não consegue comunicar o que está sentindo, fica especialmente vulnerável.

O que preocupa os médicos não é apenas o risco individual de cada caso, mas o padrão emergente. As redes sociais amplificam a ideia de que essas canetas são uma solução simples para o peso, quando na verdade são medicamentos que exigem supervisão médica rigorosa. Para adolescentes em crescimento, essa supervisão é ainda mais crítica. A Sociedade Brasileira de Pediatria está pedindo que a sociedade entenda: esses não são produtos de prateleira. São medicamentos que precisam de prescrição séria, indicações precisas, e acompanhamento contínuo por especialista. Sem isso, o que parece ser uma solução rápida pode deixar marcas permanentes no corpo em desenvolvimento.

A gente tem que ter uma prescrição muito séria com relação a essas medicações, com indicações precisas e com acompanhamento por especialista
— Cristiane Kochi, médica do Departamento de Endocrinologia da Sociedade Brasileira de Pediatria
Quando o produto não está registrado, ele não está avaliado, ele não tem controle. Então, esse produto pode ter contaminação, ele pode ter variação da concentração da medicação nele
— Maria Edna de Melo, médica coordenadora de Advocacy da Abeso
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