Unicamp sediará seis novos centros de pesquisa financiados pela Fapesp

O envelhecimento não começa na velhice, mas é um processo contínuo desde o nascimento
Premissa central do novo Centro de Pesquisa em Envelhecimento que orientará investigações sobre fatores que aceleram ou desaceleram esse processo.
Mark

Por que a Unicamp recebeu tantos centros de pesquisa de uma vez? Isso é comum?

Mimi

Não é comum. A Fapesp selecionou apenas trinta e duas propostas em todo o estado com duzentos milhões de reais. A Unicamp conquistou seis delas — um centro de envelhecimento e cinco centros de desenvolvimento. Representa reconhecimento da qualidade da pesquisa aqui.

Luke

Mas quantas propostas a Unicamp submeteu? Sem saber isso, não dá para avaliar se foi uma aprovação excepcional ou apenas proporcional.

Mark

Entendi. E esses centros — eles já existem ou estão sendo criados agora?

Mimi

Estão sendo criados agora. Cada um tem um coordenador e parceiros públicos obrigatórios. O de envelhecimento, por exemplo, vai reunir dados de até cinco milhões de brasileiros ao longo do tempo.

Luke

Cinco milhões é uma estimativa ou um número confirmado? Porque "até cinco milhões" é bem diferente de "cinco milhões".

Mimi

É uma meta. O centro "pretende" reunir esses dados. É um objetivo do projeto, não algo já alcançado.

Mark

E quanto ao dinheiro — dez milhões por ano para o centro de envelhecimento é muito?

Mimi

Para um centro de pesquisa de ponta que vai coordenar múltiplas disciplinas e acompanhar pessoas ao longo de anos, é um investimento significativo mas não extraordinário. Outros centros recebem até dois milhões anuais.

Luke

Mas esses outros centros têm contrapartida obrigatória das instituições parceiras, certo? Então o investimento real é o dobro.

Mimi

Exato. A lei exige que as instituições participantes aportem contrapartidas financeiras equivalentes ao valor solicitado à Fapesp.

Mark

Qual é o impacto esperado? Quando vamos ver resultados?

Mimi

Varia por centro. O de envelhecimento vai produzir conhecimento sobre mecanismos biológicos e desenvolver estratégias de longevidade. Os de energia vão gerar dados para políticas públicas. O de IA vai criar ferramentas para educação a distância.

Luke

Mas nenhum desses resultados tem prazo definido no que você descreveu. Cinco anos é o período de financiamento, mas quando esperamos que as descobertas se transformem em soluções reais?

Mimi

Boa pergunta. O centro de IA, por exemplo, já tem parceria com a Universidade Virtual do Estado de São Paulo, então há uma via direta de implementação. Mas para o de envelhecimento, é pesquisa de longo prazo.

Mark

E a questão da desinformação que o centro de envelhecimento vai combater — como exatamente?

Mimi

Através de difusão de conhecimento científico confiável sobre envelhecimento saudável, cuidados com idosos e prevenção de doenças. Vai produzir conteúdo para contrapor pseudociência.

Luke

Mas não há detalhes sobre como isso vai funcionar — quais plataformas, qual público-alvo, como medir efetividade. É um objetivo declarado, não um plano operacional.

  • Seis novos centros de pesquisa aprovados na Unicamp com financiamento da Fapesp
  • Centro de Envelhecimento receberá R$ 10 milhões anuais; cinco CCDs receberão até R$ 2 milhões anuais cada
  • Setor de transportes responde por mais de 30% das emissões de gases de efeito estufa em São Paulo
  • Centro de Envelhecimento pretende reunir dados retrospectivos de até cinco milhões de brasileiros
  • Chamada da Fapesp distribuiu R$ 200 milhões entre 32 propostas selecionadas

Cinco CCDs focam em descarbonização, IA generativa, governança energética e políticas de inovação, com financiamento de até R$ 2 milhões anuais por projeto. Centro de Envelhecimento no Instituto de Biologia receberá R$ 10 milhões anuais para estudar mecanismos biológicos e desenvolver estratégias de longevidade saudável.

A Unicamp foi selecionada para sediar cinco Centros de Ciência para o Desenvolvimento e um Centro de Pesquisa em Envelhecimento, com investimento total de R$ 200 milhões da Fapesp para pesquisas com impacto em políticas públicas e desenvolvimento econômico.

A Unicamp conquistou aprovação para sediar seis novos centros de pesquisa financiados pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo, marcando um investimento significativo em iniciativas que pretendem transformar descobertas científicas em soluções práticas para problemas públicos. Cinco desses centros — chamados Centros de Ciência para o Desenvolvimento — receberão até dois milhões de reais anuais cada um durante cinco anos, enquanto um sexto centro, dedicado ao estudo do envelhecimento, contará com dez milhões de reais por ano. A seleção faz parte de uma chamada da Fapesp que distribuiu duzentos milhões de reais entre trinta e duas propostas em todo o estado.

O Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão sediado no Instituto de Biologia, coordenado pelo professor Marcelo Alves Mori, representa uma aposta na compreensão dos mecanismos biológicos do envelhecimento. A proposta reúne especialistas em biologia, medicina, matemática, estatística e educação para investigar por que o corpo envelhece e como é possível estender o período de vida com saúde. Diferentemente da visão comum que associa envelhecimento apenas à velhice, o centro parte da premissa de que esse processo é contínuo, começando desde o nascimento. Os pesquisadores pretendem identificar fatores que aceleram ou desaceleram o envelhecimento e desenvolver estratégias para intervir nesse processo.

A metodologia do centro combina abordagens variadas: estudos pré-clínicos, análises moleculares e bioquímicas, pesquisas computacionais e acompanhamento longitudinal de indivíduos. Uma iniciativa concreta envolve formar grupos de acompanhamento que incluem servidores da própria Unicamp, oferecendo aos participantes análises clínicas e informações sobre seus resultados enquanto os pesquisadores utilizam esses dados para compreender trajetórias individuais de envelhecimento. O centro também pretende reunir dados retrospectivos de até cinco milhões de brasileiros, com abrangência nacional, usando ferramentas computacionais e inteligência artificial para identificar padrões relacionados ao envelhecimento da população. As pesquisas abordarão temas específicos como envelhecimento do sistema nervoso, alterações nutricionais e metabólicas, relação entre envelhecimento e infecções virais, e possíveis efeitos de medicamentos sobre esse processo. Além da pesquisa, o centro atuará na difusão de conhecimento científico e no combate à desinformação, ampliando o acesso da população a informações confiáveis sobre envelhecimento saudável em uma área frequentemente marcada por conteúdos pseudocientíficos.

Os cinco Centros de Ciência para o Desenvolvimento aprovados na Unicamp cobrem áreas estratégicas para o desenvolvimento do estado. O Centro Paulista de Inteligência Estratégica para a Descarbonização do Transporte Rodoviário, coordenado pela professora Flávia Consoni no Instituto de Geociências, responde a um desafio concreto: o setor de transportes responde por mais de trinta por cento das emissões de gases de efeito estufa em São Paulo. O centro funcionará como um observatório permanente de inteligência estratégica, integrando dados e apoiando o monitoramento de políticas públicas de descarbonização, em parceria com a Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do Estado. No Instituto de Computação, o professor Julio Cesar dos Reis coordena um centro dedicado a inteligência artificial generativa aplicada à avaliação no ensino superior, em parceria com a Universidade Virtual do Estado de São Paulo. O projeto investigará como automatizar a geração de atividades educacionais, rubricas de avaliação, correção de respostas e produção de feedback formativo para estudantes de educação a distância.

Na Faculdade de Engenharia Elétrica e de Computação, o professor Luiz Carlos Pereira da Silva coordena o Laboratório de Programas e Projetos Integrados para a Governança Energética Municipal, reconhecendo que entraves à transição energética em nível municipal não decorrem apenas da falta de tecnologias, mas da capacidade de governança necessária para converter oportunidades técnicas em resultados públicos sustentáveis. No Núcleo Interdisciplinar de Planejamento Energético, o professor Marcelo Pereira da Cunha desenvolve o Centro Paulista de Planejamento Energético Integrado, uma plataforma computacional inédita que simula impactos econômicos, sociais e ambientais de diferentes escolhas de matriz energética. O diferencial dessa ferramenta está na integração de modelos energéticos, econômicos, ambientais e de transportes em uma única plataforma, permitindo avaliar como decisões sobre energia afetam custos, preços, atividade econômica, geração de empregos e emissões de gases de efeito estufa. Na Faculdade de Ciências Aplicadas em Limeira, o professor Rafael de Brito Dias coordena o Centro de Evidências e Governança para Políticas Públicas de Inovação, que produzirá e organizará evidências para apoiar políticas de inovação em regiões metropolitanas, com foco em Campinas, Jundiaí, Piracicaba, Vale do Paraíba e Litoral Norte.

Para a pró-reitora de Pesquisa da Unicamp, Ana Frattini, a aprovação de um Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão representa uma tarefa de alta complexidade em um processo altamente competitivo. Ela destaca que o foco no envelhecimento é altamente relevante para uma sociedade cuja expectativa de vida só aumenta, e que a aprovação trará impulso necessário para que a equipe multidisciplinar desenvolva inovações com alto impacto futuro. Frattini também ressalta que o potencial para atração de empresas interessadas nessas novas tecnologias é enorme. Ela aponta exemplos de centros já implantados na Unicamp que desenvolvem tecnologias assistivas para pessoas com deficiência auditiva, incluindo materiais didáticos bilíngues e sistemas de tradução automática entre libras e português usando inteligência artificial, financiados pela Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência. Entre os cinco centros recém-aprovados, três contribuirão fortemente para a governança e planejamento energético do estado e do país, com foco no respeito à sociedade e sustentabilidade ambiental.

Uma das premissas do projeto é que o envelhecimento não começa na velhice, mas é um processo contínuo, que se inicia desde o nascimento
— Professor Marcelo Alves Mori, coordenador do Centro de Pesquisa em Envelhecimento
A proposta parte do reconhecimento de que entraves à transição energética em nível municipal não decorrem apenas da disponibilidade de tecnologias, mas da capacidade de governança necessária para converter oportunidades técnicas em resultados públicos sustentáveis
— Professor Luiz Carlos Pereira da Silva, coordenador do LAPPI-GOVe
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