Quando a Capes revelou os vencedores de sua premiação de teses em 2026, o Nordeste brasileiro afirmou, com dezoito trabalhos reconhecidos, que sua produção intelectual não é exceção — é constância. À frente dessa afirmação estava a Universidade Federal da Bahia, com cinco representantes premiados, entre eles Bruno Moreira, cujo estudo sobre o exílio de Milton Santos sob a ditadura civil-militar lembra que compreender o passado é também um ato de responsabilidade pública. O reconhecimento chega em outubro, mês do Dia do Nordestino, como um lembrete de que a identidade da região se constrói não
Ufba lidera reconhecimento nordestino no Prêmio Capes de Tese 2026 com cinco trabalhos
A produção científica no Nordeste tem sido cotidiana e de qualidade
Por que esse resultado da Ufba importa além do reconhecimento institucional?
Porque mostra que pesquisa de ponta não é monopólio do Sul e Sudeste. Cinco prêmios em uma região que historicamente recebe menos financiamento é um dado concreto.
Mas precisamos ser precisos: um vencedor e quatro menções honrosas. São categorias diferentes. O vencedor é o destaque real.
Verdade. Mas mesmo assim, entre dezoito trabalhos nordestinos reconhecidos, cinco virem da Ufba é significativo.
E o trabalho de Bruno Moreira — por que a ditadura e Milton Santos importam agora, em 2026?
Porque entender como regimes autoritários penetram instituições ajuda a sociedade a reconhecer padrões. Moreira não está apenas fazendo história — está oferecendo ferramentas para compreender o presente.
Ele diz isso explicitamente na matéria. Mas a tese em si — qual era a descoberta central? A matéria não detalha o argumento novo que ele trouxe.
É uma limitação do texto. Sabemos que ele consultou fontes ricas — acervo pessoal, documentos da ditadura, registros franceses — mas não sabemos qual foi a interpretação inovadora.
Os outros quatro da Ufba em Menção Honrosa — em que áreas estavam?
A matéria não diz. Só lista os nomes. Isso é uma falha de cobertura.
Concordo. Mas o padrão é claro: a Ufba tem capacidade de pesquisa distribuída em múltiplas áreas, não é um pico isolado.
El Pulso
- A Ufba emergiu como a instituição nordestina mais premiada do Capes 2026, liderando uma região que frequentemente tem sua produção científica subestimada.
- Dezoito teses nordestinas foram reconhecidas entre vencedores e menções honrosas, distribuídas por seis estados — uma amplitude que desafia a narrativa de concentração acadêmica no Sul e Sudeste.
- A tese vencedora de Bruno Moreira mergulha nos arquivos da repressão para revelar como a ditadura de 1964 não apenas exilou intelectuais, mas penetrou e deformou instituições inteiras.
- O prêmio chega em um momento simbólico — o mês do Dia do Nordestino — amplificando seu significado para além da academia e tornando-o um gesto de reconhecimento cultural e histórico.
- Para Moreira e seus pares premiados, a distinção não encerra uma trajetória, mas acende o desejo de avançar em novos passos científicos, especialmente na história política brasileira.
Quando a Capes revelou os vencedores de sua premiação de teses em 2026, o Nordeste brasileiro afirmou, com dezoito trabalhos reconhecidos, que sua produção intelectual não é exceção — é constância. À frente dessa afirmação estava a Universidade Federal da Bahia, com cinco representantes premiados, entre eles Bruno Moreira, cujo estudo sobre o exílio de Milton Santos sob a ditadura civil-militar lembra que compreender o passado é também um ato de responsabilidade pública. O reconhecimento chega em outubro, mês do Dia do Nordestino, como um lembrete de que a identidade da região se constrói não apenas pela cultura, mas pela rigorosa e contínua busca pelo conhecimento.
Quando a Capes divulgou os resultados do Prêmio de Tese 2026, a Universidade Federal da Bahia se destacou como a instituição nordestina mais premiada da edição. De um total de dezoito trabalhos da região contemplados entre vencedores e menções honrosas, cinco vieram da Ufba — um resultado que ganha peso adicional por coincidir com outubro, mês em que se celebra o Dia do Nordestino.
O destaque individual da premiação foi Bruno de Oliveira Moreira, professor de História no Instituto Federal da Bahia, campus Santo Amaro. Sua tese, desenvolvida no Programa de Pós-Graduação em História da Ufba sob orientação da professora Lucileide Cardoso, investiga a trajetória do geógrafo Milton Santos durante o exílio imposto pela ditadura civil-militar de 1964. Para construir a pesquisa, Moreira percorreu acervos do Instituto de Estudos Brasileiros da USP, do Arquivo Nacional, de universidades francesas e do Judiciário baiano — fontes que lhe permitiram mapear não apenas uma biografia, mas os mecanismos de repressão que moldaram toda uma geração de intelectuais brasileiros.
Além de Moreira, outros quatro pesquisadores da Ufba — Jorge Luiz Alencar Sampaio, Marimeire Morais da Conceição, Caroline Silva Araujo e Giovanna de Carli Lopes — receberam Menção Honrosa. Os premiados na categoria principal vieram de seis estados nordestinos: Paraíba, Ceará, Rio Grande do Norte, Bahia, Maranhão e Sergipe. Na Menção Honrosa, o reconhecimento alcançou Bahia, Pernambuco, Sergipe e Maranhão.
Para Moreira, o prêmio reforça uma convicção que merece ser mais amplamente reconhecida: no Nordeste, a produção científica não é episódica. É cotidiana, diversificada e de qualidade — e o Capes 2026 ofereceu mais uma evidência disso.
Quando a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior divulgou os resultados do Prêmio Capes de Tese 2026, a Universidade Federal da Bahia emergiu como a instituição nordestina mais premiada da edição. Entre os cinquenta trabalhos vencedores da categoria principal, oito vieram de universidades e centros de pesquisa do Nordeste. Na categoria Menção Honrosa, dez teses adicionais da região receberam reconhecimento. No total, dezoito trabalhos nordestinos foram contemplados — e cinco deles saíram das dependências da Ufba.
Esse resultado ganha peso especial quando considerado no contexto do mês de outubro, quando se celebra o Dia do Nordestino, comemorado no dia 8. A região, formada por nove estados e aproximadamente 55 milhões de habitantes, carrega uma identidade marcada por manifestações culturais e profundidade histórica. Mas há também, menos visível nas narrativas convencionais, uma produção científica contínua e rigorosa que emerge de suas universidades e institutos de pesquisa.
Bruno de Oliveira Moreira, professor de História no Instituto Federal da Bahia, campus Santo Amaro, foi o responsável pela tese vencedora na área de História. Seu trabalho, intitulado "O exílio da memória: Milton Santos e a ditadura civil-militar", foi desenvolvido no Programa de Pós-Graduação em História da Ufba sob orientação da professora doutora Lucileide Cardoso. A pesquisa examina a trajetória do geógrafo e cientista baiano Milton Santos (1926-2001), figura considerada um dos intelectuais brasileiros mais significativos do século vinte, particularmente durante o período em que foi forçado ao exílio pela ditadura instaurada em 1964.
Para construir sua análise, Moreira consultou fontes diversas: o acervo pessoal de Milton Santos preservado no Instituto de Estudos Brasileiros da Universidade de São Paulo, documentos sobre a ditadura reunidos no projeto Memórias Reveladas do Arquivo Nacional, registros de universidades francesas onde o intelectual esteve durante o exílio, e documentos do Judiciário baiano. Essa abordagem multifacetada permitiu ao historiador traçar não apenas a biografia de um homem, mas as estruturas de repressão que moldaram uma geração de pensadores brasileiros.
Em reflexão sobre seu trabalho, Moreira observou que examinar esse passado recente serve a um propósito público: ajudar a sociedade a compreender os impactos sociais de modelos autoritários. A ditadura de 1964, conforme seu estudo demonstra, não apenas encarcerou e exilou intelectuais públicos — ela também penetrou instituições, levando muitas delas a fazer ajustes conformativos ao regime. Entender esses mecanismos, segundo o pesquisador, contribui para compreender as repercussões duradouras na vida das pessoas.
Além de Moreira, a Ufba teve quatro pesquisadores reconhecidos na categoria Menção Honrosa: Jorge Luiz Alencar Sampaio, Marimeire Morais da Conceição, Caroline Silva Araujo e Giovanna de Carli Lopes. Esses cinco representantes colocaram a instituição à frente de outras universidades nordestinas na edição 2026 do prêmio.
Os pesquisadores premiados na categoria principal estavam vinculados a instituições de seis estados nordestinos — Paraíba, Ceará, Rio Grande do Norte, Bahia, Maranhão e Sergipe. Na Menção Honrosa, o reconhecimento se estendeu a quatro estados — Bahia, Pernambuco, Sergipe e Maranhão. Essa distribuição geográfica reflete uma realidade que frequentemente passa despercebida: a produção acadêmica de qualidade no Nordeste não é episódica nem concentrada em um único ponto. É contínua, diversificada e enraizada em múltiplas instituições.
Para Moreira, o prêmio representa mais do que uma validação externa. Ele reforça, em suas palavras, o desejo de prosseguir em novos passos científicos, particularmente na história política do Brasil. E sublinha uma convicção que merecia ser mais amplamente reconhecida: no Nordeste, a produção científica, a inovação e as publicações acadêmicas têm sido cotidianas e de qualidade.
Citas Notables
O reconhecimento com o prêmio me estimula a seguir pesquisando, reforça o desejo de percorrer novos passos científicos, interessado especialmente na história política do Brasil— Bruno de Oliveira Moreira, historiador vencedor do prêmio
Visitar esse passado recente é um exercício que contribui para que a sociedade compreenda os impactos sociais de modelos autoritários— Bruno de Oliveira Moreira, sobre a importância de sua pesquisa