Em meio a uma guerra que já dura mais de três anos, a Ucrânia busca reconfigurar sua posição no tabuleiro geopolítico: não apenas como receptora de apoio militar ocidental, mas como parceira produtora de tecnologia de defesa. Zelensky apresentou a Trump uma agenda de dois acordos — um de compra de armamento avaliado em US$ 90 bilhões e outro de venda de drones ucranianos aos Estados Unidos — que, se concretizados, transformariam a natureza da relação entre os dois países. Por trás dos números, há uma nação que construiu uma indústria bélica sob bombardeios e agora tenta converter essa resiliên
Ucrânia negocia pacote de US$ 90 bi em armas e produção de drones nos EUA
A Ucrânia deve tomar as medidas apropriadas em relação à Rússia
Por que Zelensky está tão focado em drones agora? Não seria mais direto pedir mais aviões de combate?
Os drones são mais baratos, mais rápidos de produzir e a Ucrânia já tem expertise real neles. Aviões de combate levam anos para treinar pilotos. Drones podem ser fabricados em semanas.
Mas o número de US$ 90 bilhões — de onde vem? É um pedido formal ou uma lista de desejos?
É uma lista que a Ucrânia preparou. Zelensky a apresentou a Trump. Não sabemos ainda quanto desses US$ 90 bilhões será realmente aprovado ou financiado.
E o "Drone Deal" — os EUA realmente vão comprar drones ucranianos?
Zelensky diz que sim. Grupos técnicos já estão trabalhando nos detalhes. É uma forma de a Ucrânia gerar receita enquanto expande sua produção.
Mas a Ucrânia tem capacidade de produção para vender para os EUA E continuar abastecendo suas próprias forças?
Essa é exatamente a razão pela qual o acordo faz sentido para eles — eles precisam de financiamento para expandir. Sem isso, não conseguem aumentar a produção.
Qual é o risco aqui? Que Trump diga não?
Ou que os recursos não cheguem rápido o suficiente. A Rússia está intensificando ataques com centenas de drones por noite. A defesa aérea é urgente.
Zelensky mencionou dois sistemas Patriot chegando no outono. Isso é suficiente contra o que a Rússia está enviando?
Não. Ele está pedindo mais. Mas sabemos que Israel forneceu um sistema recentemente. Não sabemos quantos mais estão confirmados.
El Pulso
- A Rússia intensificou ataques noturnos com centenas de drones e mísseis, tornando a defesa aérea uma necessidade existencial para cidades e civis ucranianos.
- Zelensky retornou da ONU com dois acordos em pauta: um 'Mega Deal' de US$ 90 bilhões em armamento americano e um 'Drone Deal' inédito de venda reversa de drones ucranianos aos EUA.
- A Ucrânia construiu do zero uma indústria de drones com centenas de fabricantes e milhões de unidades produzidas, mas carece de capital para expandir e sustentar o ritmo da guerra.
- Grupos técnicos já trabalham nos detalhes dos acordos, com autoridades ucranianas previstas para visitar os EUA em setembro ou outubro.
- Kyiv responde aos ataques russos com drones próprios contra infraestrutura energética e petroleira, enquanto Zelensky descarta qualquer expectativa de gestos conciliatórios de Moscou.
Em meio a uma guerra que já dura mais de três anos, a Ucrânia busca reconfigurar sua posição no tabuleiro geopolítico: não apenas como receptora de apoio militar ocidental, mas como parceira produtora de tecnologia de defesa. Zelensky apresentou a Trump uma agenda de dois acordos — um de compra de armamento avaliado em US$ 90 bilhões e outro de venda de drones ucranianos aos Estados Unidos — que, se concretizados, transformariam a natureza da relação entre os dois países. Por trás dos números, há uma nação que construiu uma indústria bélica sob bombardeios e agora tenta converter essa resiliência em sustentabilidade.
Volodymyr Zelensky deixou a Assembleia Geral da ONU em Nova York com uma agenda concreta: transformar o diálogo com Donald Trump em dois acordos que poderiam redefinir a capacidade militar ucraniana. Autoridades viajarão aos Estados Unidos em setembro ou outubro para negociar a compra de cerca de US$ 90 bilhões em armamento americano e para estruturar um arranjo inédito de produção de drones.
O chamado 'Mega Deal' reúne a lista de equipamentos que a Ucrânia deseja adquirir. Já o 'Drone Deal' inverte a lógica habitual: seriam os Estados Unidos comprando drones diretamente da Ucrânia. Grupos técnicos já iniciaram os trabalhos. A urgência tem raiz clara — em mais de três anos de guerra, a Ucrânia ergueu uma indústria de drones praticamente do zero, com centenas de fabricantes e milhões de unidades produzidas. O problema é que o país não dispõe de recursos para expandir essa produção nem para financiar um conflito que consome equipamento em ritmo acelerado.
A defesa aérea segue como prioridade máxima. A Rússia tem enviado centenas de drones em uma única noite, além de mísseis contra cidades e infraestrutura. Zelensky informou que um sistema Patriot recebido de Israel já foi implantado, e dois sistemas adicionais devem chegar antes do outono.
A Ucrânia também responde com seus próprios drones, atingindo instalações de energia e petróleo em território russo. Zelensky foi direto: 'É inútil esperar que a Rússia tome medidas conciliatórias. Portanto, a Ucrânia deve tomar as medidas apropriadas.' O que está em jogo vai além de compras militares — trata-se de consolidar a Ucrânia como fornecedora de tecnologia de defesa para seus aliados, convertendo a resiliência construída sob bombardeios em uma fonte de financiamento para uma guerra sem fim à vista.
Volodymyr Zelensky saiu de sua visita à Assembleia Geral da ONU em Nova York com uma agenda clara: transformar conversas com Donald Trump em dois grandes acordos que poderiam reconfigurar a capacidade militar da Ucrânia. Autoridades ucranianas viajarão aos Estados Unidos em setembro ou outubro para negociar a compra de aproximadamente US$ 90 bilhões em armamento americano e para estruturar um acordo inédito de produção de drones, disse o presidente ucraniano no sábado, 27 de setembro.
O que Zelensky chamou de "Mega Deal" é a lista de equipamento militar que a Ucrânia espera adquirir. Mas o segundo acordo — o "Drone Deal" — representa algo diferente: um arranjo em que os Estados Unidos comprariam drones diretamente da Ucrânia. Grupos técnicos já começaram a trabalhar nos detalhes. A lógica é simples e urgente. Durante mais de três anos e meio de guerra, a Ucrânia construiu uma indústria de drones praticamente do zero. Centenas de produtores agora fabricam milhões de unidades. Mas o país não tem recursos financeiros para expandir essa produção ainda mais — nem para financiar a guerra que continua consumindo equipamento em ritmo acelerado.
A defesa aérea permanece a prioridade mais crítica. A Rússia intensificou seus ataques nos últimos meses, enviando às vezes centenas de drones em uma única noite, além de mísseis direcionados contra cidades e infraestrutura. Zelensky informou que a Ucrânia já implantou um sistema de defesa antimísseis Patriot recebido recentemente de Israel e espera receber dois sistemas adicionais antes do outono. Esses equipamentos são essenciais para proteger populações civis dos bombardeios contínuos.
A Ucrânia também está respondendo aos ataques russos com seus próprios drones, atingindo instalações de energia e petróleo do lado russo. Zelensky deixou claro que outras medidas estão sendo consideradas. "É inútil esperar que a Rússia tome medidas conciliatórias em relação à Ucrânia. Portanto, a Ucrânia deve tomar as medidas apropriadas em relação à Rússia", disse ele aos repórteres.
O que torna esses acordos significativos é que eles reconhecem uma realidade que emergiu da guerra: a Ucrânia não é apenas um consumidor de armas ocidentais, mas também um produtor. Sua indústria de drones, nascida da necessidade e desenvolvida sob pressão constante, tornou-se um ativo que pode ser monetizado e expandido. As negociações que começarão em breve não são apenas sobre compras — são sobre transformar a Ucrânia em um fornecedor de tecnologia militar para seus aliados. Se bem-sucedidas, essas conversas poderiam significar tanto mais capacidade defensiva quanto uma fonte de financiamento para sustentar uma guerra que mostra poucos sinais de término próximo.
Citas Notables
Além do grande acordo de armas, que chamamos de 'Mega Deal', também discutimos o 'Drone Deal'. Grupos técnicos já estão começando a trabalhar neste acordo— Volodymyr Zelensky
É inútil esperar que a Rússia tome medidas conciliatórias em relação à Ucrânia. Portanto, a Ucrânia deve tomar as medidas apropriadas em relação à Rússia— Volodymyr Zelensky