Ucrânia assegura caças Rafale, mísseis e força multinacional em cimeira de Paris

Nos próximos 12 meses, podemos desenvolver este míssil antibalístico
Zelenskiy sobre o Projeto Freya, a alternativa europeia mais barata aos sistemas americanos e franco-italianos.

Em Paris, mais de vinte nações reuniram-se em torno de um compromisso que vai além do apoio imediato: pela primeira vez, a França autorizou a Ucrânia a produzir armamento europeu de ponta, enquanto nove países europeus se uniram para conceber um míssil antibalístico próprio. É um momento em que a Europa deixa de ser apenas doadora e passa a ser parceira industrial de uma nação em guerra — reconhecendo que a soberania de defesa se constrói também nas fábricas.

  • A Ucrânia assegurou 16 caças Rafale e baterias antiaéreas SAMP/T NG, mas a urgência real está nos céus do inverno: Zelenskiy pediu cem mísseis Patriot por mês para os meses mais frios.
  • Pela primeira vez, Paris abriu mão do controlo exclusivo sobre tecnologia sensível, licenciando à Ucrânia a produção de bombas AASM, mísseis Aster e mísseis de cruzeiro Scalp — uma rutura com décadas de cautela estratégica francesa.
  • Nove países europeus lançaram o Projeto Freya, liderado pela empresa ucraniana Fire Point, com a promessa de desenvolver um míssil antibalístico integrado em doze meses a custo inferior às alternativas americanas ou franco-italianas.
  • Exercícios militares multinacionais serão realizados nos países vizinhos da Ucrânia para preparar o destacamento de uma força de garantia assim que houver cessar-fogo — sinalizando que os aliados já planeiam o dia seguinte à guerra.
  • O Reino Unido e a União Europeia comprometeram-se com apoios de noventa mil milhões de euros, enquanto Portugal sinalizou interesse em integrar o Projeto Freya, segundo o ministro Paulo Rangel.

Em Paris, na terça-feira, representantes de mais de vinte países saíram de uma cimeira com acordos que redefinem a natureza do apoio ocidental à Ucrânia. O presidente Emmanuel Macron, ao lado de Volodymyr Zelenskiy, anunciou a entrega de dezasseis caças Rafale até 2028 ou 2029, baterias de mísseis antiaéreos SAMP/T NG e, sobretudo, algo inédito: a autorização para que Kiev produza em massa armamento europeu avançado, incluindo bombas guiadas AASM, mísseis Aster e mísseis de cruzeiro Scalp. Foi a primeira vez que a França deu este passo, reconhecendo tanto a urgência do conflito como a capacidade industrial ucraniana.

O acordo mais ambicioso veio de um grupo de nove países europeus que se comprometeram a desenvolver conjuntamente o Projeto Freya — um míssil antibalístico integrado liderado pela empresa ucraniana Fire Point, concebido como alternativa mais acessível aos sistemas Patriot americanos ou ao Aster franco-italiano. Zelenskiy afirmou que o míssil poderia estar desenvolvido em doze meses e produzido em massa a baixo custo. Portugal sinalizou interesse em participar.

Os aliados acordaram ainda realizar exercícios militares nos países vizinhos da Ucrânia para preparar o destacamento de uma força multinacional assim que houver cessar-fogo com a Rússia — um sinal de que o planeamento já contempla o período pós-conflito. Apesar dos ganhos históricos, Zelenskiy sublinhou que as necessidades imediatas permanecem críticas, pedindo cem mísseis Patriot por mês para o inverno. O Reino Unido e a União Europeia comprometeram-se com apoios de noventa mil milhões de euros. Ao encerrar a conferência de imprensa, Zelenskiy chamou a este "um dia histórico" — o dia em que a Europa passou de doadora a parceira industrial de uma nação em guerra.

Em Paris, na terça-feira, representantes de mais de vinte países — a maioria europeus — saíram de uma cimeira com um acordo que redefine o apoio militar à Ucrânia. O resultado foi concreto: dezasseis caças Rafale franceses que sobrevoarão os céus ucranianos até 2028 ou 2029, baterias de mísseis antiaéreos franco-italianos SAMP/T NG, e algo ainda mais significativo — a primeira autorização da França para que Kiev produza em massa armamento europeu avançado.

O presidente francês Emmanuel Macron, ao lado de Volodymyr Zelenskiy, anunciou estes compromissos após a conclusão da Cimeira da Coligação de Boa Vontade. A França vai licenciar a produção de três sistemas críticos: as bombas ar-terra guiadas AASM, os mísseis de defesa aérea Aster, e os mísseis de cruzeiro de longo alcance Scalp. Esta foi a primeira vez que Paris tomou este passo — permitir que a Ucrânia fabrique armamento europeu de ponta — uma medida que reconhece tanto a urgência da situação como a capacidade industrial ucraniana de responder a ela.

Mas o acordo mais ambicioso veio de um grupo de nove países europeus que se comprometeram a desenvolver conjuntamente um novo míssil antibalístico integrado, batizado Projeto Freya. A iniciativa é liderada pela empresa ucraniana Fire Point e foi concebida como uma alternativa mais acessível aos sistemas americanos Patriot ou ao franco-italiano Aster. Macron descreveu-a como uma forma de "unir as nossas forças e conhecimentos para desenvolver novas capacidades". Zelenskiy, na conferência de imprensa conjunta, reconheceu que a Ucrânia possuía apenas os componentes necessários para o desenvolvimento, mas afirmou que "nos próximos 12 meses, podemos desenvolver este míssil antibalístico" e que seria "produzido em massa" a "baixo custo". Portugal já sinalizou interesse em integrar este projeto, segundo o ministro dos Negócios Estrangeiros Paulo Rangel.

O acordo inclui ainda um componente de preparação militar de longo prazo. Os aliados da Ucrânia concordaram em realizar exercícios militares nos países vizinhos nos próximos meses, como parte de um plano para destacar uma força multinacional assim que houver um cessar-fogo com a Rússia. Macron explicou que estes exercícios servirão para "validar os nossos planos de destacamento e demonstrar que estamos prontos, determinados e fiáveis". Sistemas de radar também serão cedidos à Ucrânia como parte do pacote.

Apesar destes ganhos significativos, Zelenskiy deixou claro que as necessidades imediatas continuam urgentes. Num comunicado no Telegram, pediu um pacote específico de mísseis de defesa aérea para o inverno que se aproxima: cem mísseis Patriot por mês, totalizando trezentos para os meses mais frios. A Ucrânia continua dependente dos sistemas americanos para as necessidades de curto prazo, enquanto os projetos europeus de longo prazo se desenvolvem. O Reino Unido e a União Europeia, entretanto, comprometeram-se com apoios orçados em noventa mil milhões de euros. Zelenskiy encerrou a conferência chamando a este "um dia histórico para todos nós" — um reconhecimento de que, pela primeira vez, a Europa estava a mobilizar-se não apenas com doações, mas com transferência de tecnologia e produção conjunta.

Decidimos hoje sobre os exercícios que terão lugar nos próximos meses. Serão realizados nos países vizinhos da Ucrânia para validar os nossos planos de destacamento e demonstrar que estamos prontos, determinados e fiáveis.
— Emmanuel Macron, presidente francês
Este é um dia histórico para todos nós.
— Volodymyr Zelenskiy, presidente ucraniano
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Inventor

O que torna este acordo diferente dos anteriores? Parece haver muitos compromissos, mas qual é o ponto de viragem?

Model

A licença de produção. Até agora, a Ucrânia recebia armamento. Agora, vai fabricá-lo. Isso muda tudo — significa que a Europa confia na capacidade industrial ucraniana e que Kiev não fica dependente de entregas externas quando a guerra intensifica.

Inventor

E o Projeto Freya? Por que é que nove países se unem para desenvolver um míssil que a Ucrânia diz que pode fazer em doze meses?

Model

Porque é mais barato do que as alternativas americanas ou franco-italianas, e porque a Europa quer uma solução que seja sua, não importada. Se funcionar, muda o equilíbrio de poder na defesa europeia.

Inventor

Mas Zelenskiy pediu trezentos mísseis Patriot para o inverno. Isso não contradiz a ideia de que a Europa está a tomar conta da defesa?

Model

Não. Os Patriot são para agora. O Freya é para depois. A Ucrânia precisa de sobreviver ao inverno com o que tem — sistemas americanos — enquanto constrói a capacidade europeia para o futuro. São duas estratégias em paralelo.

Inventor

Os exercícios militares multinacionais — quando é que começam?

Model

Nos próximos meses, em países vizinhos da Ucrânia. Mas o verdadeiro teste é quando há cessar-fogo. Aí, a força multinacional é destacada. É um plano para o dia depois da guerra.

Inventor

Portugal está envolvido?

Model

Sinalizou interesse no Projeto Freya. Ainda não é um compromisso formal, mas a porta está aberta. É um sinal de que isto não é apenas francês ou alemão — é europeu.

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