Nos dias finais de uma disputa presidencial acirrada, o tempo de televisão tornou-se campo de batalha jurídica: uma ministra do TSE suspendeu 164 direitos de resposta concedidos a Lula, após recurso da campanha de Bolsonaro, que veria sua presença na TV reduzida a uma fração do habitual. O plenário da Corte, reunido em votação virtual no sábado, carregava nas mãos uma decisão capaz de remodelar os últimos dias de campanha — lembrando que, em democracias jovens, as regras do jogo ainda se escrevem enquanto o jogo acontece.
TSE julga no sábado suspensão de 164 direitos de resposta concedidos a Lula
Bolsonaro cai de 25 para 3,7 inserções diárias
Por que essa suspensão de direitos de resposta importa tanto? Parece uma questão técnica.
Porque muda o tempo de TV que cada candidato tem para falar com o eleitor. Lula passaria de 25 para 46 inserções por dia. Bolsonaro cairia para 3,7. É uma diferença enorme na reta final.
Mas vale notar que a ministra Bucchianeri já havia votado contra a concessão original. Ela só concedeu porque a maioria da Corte havia decidido que os comerciais de Bolsonaro eram falsos. Então não é claro que ela concordava com a medida.
Entendi. E agora o plenário todo vai votar de novo?
Sim. Bolsonaro recorreu, e Bucchianeri suspendeu os direitos até o plenário analisar. O julgamento é virtual, no sábado, 24 horas de votação.
O que é importante: a suspensão já está em vigor. Lula não vai ter essas inserções enquanto o plenário não decidir. Então mesmo que o plenário vote a favor dele depois, o tempo já passou.
Então Bolsonaro ganha tempo só com a suspensão, mesmo que perca o julgamento?
Exatamente. A suspensão já muda a campanha. E faltam poucos dias para a eleição.
Também vale dizer que Bucchianeri concedeu 8 direitos de resposta a Bolsonaro no espaço de Lula, e 2 minutos e 8 segundos em propaganda de bloco. Então não é que Lula fica sem nada, mas o saldo muda bastante.
Qual é o saldo final agora, com a suspensão?
Lula perde 2 inserções de 30 segundos em tempo de TV. Mas o grande ponto é que os 164 direitos estão suspensos até o plenário decidir.
The Pulse
- A concessão de 164 inserções televisivas a Lula ameaçava reduzir o tempo diário de Bolsonaro de 25 para apenas 3,7 aparições — uma inversão radical na correlação de forças na TV.
- A ministra Bucchianeri, que havia votado contra a medida anteriormente, concedeu os direitos por deferência à maioria do tribunal, apenas para suspendê-los horas depois diante do recurso bolsonarista.
- No centro da disputa estão comerciais que associam Bolsonaro ao aborto e a milícias — conteúdos classificados pela maioria dos ministros como portadores de informações sabidamente falsas.
- A suspensão deixou Lula com apenas 2 inserções a menos no saldo final, mas a questão de fundo — manter ou cancelar os 164 direitos — seguia sem resposta.
- O TSE agendou julgamento virtual de 24 horas para o sábado, sem debate entre ministros, com votos depositados eletronicamente — e o resultado poderia redesenhar a campanha nos dias decisivos antes da eleição.
Nos dias finais de uma disputa presidencial acirrada, o tempo de televisão tornou-se campo de batalha jurídica: uma ministra do TSE suspendeu 164 direitos de resposta concedidos a Lula, após recurso da campanha de Bolsonaro, que veria sua presença na TV reduzida a uma fração do habitual. O plenário da Corte, reunido em votação virtual no sábado, carregava nas mãos uma decisão capaz de remodelar os últimos dias de campanha — lembrando que, em democracias jovens, as regras do jogo ainda se escrevem enquanto o jogo acontece.
Na noite de quinta-feira, a ministra Maria Claudia Bucchianeri, do TSE, suspendeu os 164 direitos de resposta que ela própria havia concedido a Lula horas antes — uma reviravolta que expôs as tensões internas da Corte na reta final do segundo turno. A decisão original havia sido tomada em deferência à maioria dos ministros, que entendeu que comerciais da campanha de Bolsonaro continham informações falsas. A campanha do presidente recorreu imediatamente, e Bucchianeri determinou que os direitos ficariam suspensos até o plenário se pronunciar.
O que estava em jogo era concreto: com as concessões de quarta-feira, Lula passaria a ter 46 inserções diárias de 30 segundos, enquanto Bolsonaro veria seu tempo despencar de 25 para uma média de 3,7 inserções por dia. Os comerciais contestados associavam o presidente ao aborto — chegando a sugerir que ele cogitaria abortar o próprio filho — e o vinculavam a milícias. Em contrapartida, Bucchianeri também concedeu a Bolsonaro 8 direitos de resposta no espaço de Lula e mais de dois minutos em propaganda de bloco.
No saldo imediato da suspensão, Lula perdeu apenas 2 inserções. Mas a questão central permanecia aberta. O TSE marcou para o sábado um julgamento virtual de 24 horas — sem debate entre os ministros, com votos depositados individualmente no sistema eletrônico da Corte. O resultado definiria se os 164 direitos de resposta seriam mantidos ou extintos antes da eleição, com poder real de alterar o equilíbrio da campanha televisiva nos dias finais.
Na quinta-feira à noite, a ministra Maria Claudia Bucchianeri do Tribunal Superior Eleitoral suspendeu 164 direitos de resposta que havia concedido ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A decisão chegou horas depois que a campanha de Jair Bolsonaro recorreu da concessão original, argumentando que as inserções televisivas prejudicavam drasticamente o tempo de propaganda do presidente na reta final do segundo turno. Bucchianeri determinou que os direitos permaneceriam suspensos até que o plenário da Corte analisasse o recurso.
O contexto dessa disputa é o tempo de TV. Na quarta-feira, Bucchianeri havia concedido a Lula 164 inserções de 30 segundos nos espaços que seriam destinados à propaganda de Bolsonaro. Ela própria havia votado contra a medida em discussão anterior, mas se curvou à orientação da maioria dos ministros, que havia decidido que os comerciais questionados pelo petista continham informações sabidamente falsas. Naquele mesmo dia, o ministro Paulo de Tarso Sanseverino havia concedido mais 20 direitos de resposta a Lula e 14 a Bolsonaro. O resultado era que Lula teria direito a 170 inserções de 30 segundos em programas que seriam do presidente — um número que mudaria radicalmente a correlação de forças no tempo de TV.
O impacto era concreto. Normalmente, cada candidato recebe 25 inserções de 30 segundos por dia. Com as decisões de quarta-feira, Lula passaria a ter 46 inserções diárias, sendo 21 delas para rebater acusações de Bolsonaro. Bolsonaro, por sua vez, veria seu tempo cair de 25 para uma média de 3,7 inserções por dia. As inserções começariam a ser divulgadas na sexta-feira.
A campanha de Bolsonaro questionava dois tipos de comerciais. Um associava o presidente ao aborto e sugeria que ele cogitaria abortar seu próprio filho, Jair Renan. Outro ligava Bolsonaro a milícias. Além de suspender os 164 direitos de resposta, Bucchianeri concedeu a Bolsonaro 8 direitos de resposta no espaço de Lula, além de 2 minutos e 8 segundos em propaganda de bloco.
O resultado líquido da suspensão é que Lula perdeu 2 inserções de 30 segundos em tempo de TV. Mas a questão maior permanecia em aberto: o que decidiria o plenário do TSE?
O tribunal marcou o julgamento para o sábado, 22 de outubro, em formato de votação virtual com duração de 24 horas, da meia-noite às 23h59. Nesse modelo, não há debate entre os ministros. Cada um deposita seu voto no sistema eletrônico da Corte. A decisão do plenário determinaria se os 164 direitos de resposta seriam mantidos ou cancelados antes da eleição — uma questão que poderia alterar significativamente a campanha na televisão nos últimos dias antes do voto.
Notable Quotes
Tendo eu ficado vencida quanto à legalidade desta peça publicitária, curvo-me à orientação colegiada desta Corte Eleitoral, que assentou que o conteúdo de todas as inserções de 30 segundos ora questionadas é sabidamente inverídico— Ministra Maria Claudia Bucchianeri, ao conceder os direitos de resposta na quarta-feira