Trump e Delcy se encontrarão informalmente durante a Assembleia-Geral da ONU na próxima semana, marcando o primeiro encontro desde a captura de Maduro em janeiro. Os EUA e Venezuela estreitaram relações, incluindo um acordo de petróleo que dá aos americanos participação em 17 campos petrolíferos com reservas de 65 bilhões de barris.
Trump se encontrará com Delcy Rodríguez em NY enquanto Maduro aguarda julgamento
Maduro preso em Nova York enquanto Trump negocia com sua sucessora
Por que esse encontro com Delcy Rodríguez importa tanto? Não é apenas uma conversa de corredor?
Tecnicamente é informal, mas o contexto muda tudo. Maduro está preso em Nova York, e Trump está se encontrando com a mulher que o substituiu. É um sinal de que Washington reconhece e apoia essa transição.
Mas precisamos ser claros: o encontro é descrito como "informal", não bilateral. Isso significa que não há agenda oficial, não há comunicado conjunto esperado. É uma conversa de recepção.
E o acordo de petróleo? Quanto isso vale realmente?
Os EUA ganham participação e controle sobre 17 campos com 65 bilhões de barris em reservas. É um ativo estratégico enorme, especialmente num contexto de tensão global.
Mas o acordo foi anunciado em agosto. Esse encontro não é para negociar os termos — é para consolidar uma relação que já foi fechada. Precisamos não confundir o timing.
Trump está criticando a ONU ao mesmo tempo que negocia lá. Como isso funciona?
Ele usa a Assembleia como palco diplomático enquanto pressiona por mudanças estruturais. Cortou mais de um bilhão do orçamento, está reduzindo operações de paz.
Embora a ONU diga que a redução nas missões de paz vem principalmente da falta de pagamento dos EUA — eles devem 1,3 bilhão. Trump pagou 725 milhões esta semana, mas ainda há uma dívida significativa. A narrativa de "enxugar a ONU" precisa dessa nuance.
E quanto ao Irã? Por que é tão importante nesta Assembleia?
Porque há uma guerra em andamento. Washington está controlando até o tamanho da delegação iraniana que pode participar.
Isso é um detalhe importante: não é apenas diplomacia, é controle sobre quem pode estar na sala. Mostra o peso que Trump tem neste momento.
Le Pouls
- Trump se encontrará com Delcy Rodríguez durante a Assembleia-Geral da ONU em Nova York, na próxima semana
- Nicolás Maduro foi capturado em janeiro deste ano e permanece preso em Nova York aguardando julgamento
- Acordo de petróleo dá aos EUA participação em 17 campos venezuelanos com reservas de 65 bilhões de barris
- Governo Trump aprovou redução de mais de US$ 1 bilhão no orçamento da ONU e corte de cerca de 3 mil postos
Trump e Delcy se encontrarão informalmente durante a Assembleia-Geral da ONU na próxima semana, marcando o primeiro encontro desde a captura de Maduro em janeiro. Os EUA e Venezuela estreitaram relações, incluindo um acordo de petróleo que dá aos americanos participação em 17 campos petrolíferos com reservas de 65 bilhões de barris.
Donald Trump terá seu primeiro encontro com Delcy Rodríguez, líder interina da Venezuela, durante a Assembleia-Geral da ONU em Nova York, enquanto Nicolás Maduro permanece preso aguardando julgamento.
Donald Trump chegará a Nova York na próxima semana para a Assembleia-Geral das Nações Unidas com uma agenda que coloca a Venezuela no centro das conversas diplomáticas. Durante sua passagem pela cidade, ele terá seu primeiro encontro com Delcy Rodríguez, a líder interina do país, numa conversa reservada que ocorrerá à margem de uma recepção com líderes mundiais. O encontro marca um momento significativo: Nicolás Maduro, o ditador que Rodríguez substituiu, permanece preso em Nova York aguardando julgamento, capturado numa operação militar americana em janeiro deste ano.
O anúncio foi confirmado na sexta-feira pelo embaixador americano junto à ONU, Mike Waltz. Segundo o cronograma divulgado pela Casa Branca, Trump discursará na Assembleia na manhã de terça-feira, dia 22, e participará de uma série de reuniões bilaterais e de uma recepção com líderes mundiais naquele mesmo dia. A conversa com Delcy será informal, não uma reunião bilateral oficial, mas sua inclusão na agenda reflete a importância crescente que Washington atribui aos assuntos venezuelanos.
A aproximação entre os governos americano e venezuelano se intensificou desde que Delcy assumiu o poder. Ela passou a negociar diretamente com Trump e com o secretário de Estado Marco Rubio, consolidando uma relação que antes era marcada por tensão. O ponto mais concreto dessa aproximação é um amplo acordo no setor de petróleo, anunciado no fim de agosto. O arranjo concede aos Estados Unidos participação e direitos de controle sobre uma estrutura ligada à exploração de 17 campos petrolíferos venezuelanos, cujas reservas são estimadas em mais de 65 bilhões de barris. Essa transação representa uma mudança fundamental na dinâmica geopolítica da região.
A passagem de Trump por Nova York vai além da Venezuela. Ele terá reuniões bilaterais com o premiê britânico Andy Burnham e com a primeira-ministra japonesa Sanae Takaichi. Também participará de uma reunião multilateral com líderes do Conselho de Cooperação do Golfo, que reúne Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Bahrein, Kuwait e Omã. Segundo autoridades do governo Trump, o Irã deverá ser um dos principais temas das conversas ao longo da semana, especialmente porque a Assembleia ocorre em meio a uma guerra contra o país persa. Washington autorizou a entrada de uma delegação iraniana menor do que a de anos anteriores.
Trump retorna a Washington na terça-feira à noite. Na quarta-feira seguinte, receberá o líder chinês Xi Jinping para uma visita de Estado. Waltz afirmou que o governo americano pretende usar a Assembleia-Geral como espaço para ampliar negociações diplomáticas, ao mesmo tempo em que pressiona por mudanças na organização. Uma alta autoridade do governo americano revelou que a gestão Trump ajudou a aprovar uma redução de mais de um bilhão de dólares no orçamento da ONU e que cerca de três mil postos na sede estão sendo cortados. As operações de paz também sofreram redução superior a 25% de seu efetivo.
A ONU, porém, atribui a redução nas missões de paz sobretudo à crise de liquidez provocada pelo atraso e pela falta de pagamento de contribuições de países-membros, entre eles os próprios Estados Unidos. O governo Trump fez um pagamento de 725 milhões de dólares ao orçamento regular da ONU nesta semana, mas os EUA ainda acumulam mais de 1,3 bilhão em contribuições pendentes. Trump deverá abordar em seu discurso a política americana para o Irã, o plano para Gaza e ações dos EUA no hemisfério Ocidental, apresentando sua atuação como uma tentativa de resolver conflitos que, segundo o governo, foram deixados de lado por administrações anteriores.
Waltz descreveu a Assembleia-Geral como uma oportunidade diplomática extraordinária, pela concentração de presidentes, primeiros-ministros, chanceleres, empresários e diplomatas em poucos quilômetros de Manhattan. Integrantes do governo passaram a chamar informalmente a reunião de "MUNGA", sigla para "Make the UN Great Again", uma adaptação do slogan político de Trump. O presidente, porém, mantém sua postura crítica em relação à organização, afirmando que a ONU nunca foi capaz de resolver ou acabar com nenhuma guerra. Na sexta-feira, ele voltou a reclamar de problemas técnicos ocorridos durante sua passagem pela organização no ano anterior, sugerindo que teriam sido intencionais, incluindo uma escada rolante que parou enquanto ele e a primeira-dama Melania se dirigiam ao plenário.
Citations marquantes
A concentração de presidentes, primeiros-ministros, chanceleres, empresários e diplomatas em poucos quilômetros de Manhattan cria uma oportunidade diplomática extraordinária— Mike Waltz, embaixador dos EUA na ONU
Não existe nada parecido com a Assembleia-Geral da ONU— Mike Waltz, embaixador dos EUA na ONU