Num gesto que confunde autoafirmação com história, Donald Trump publicou em sua própria rede social uma lista que o consagra como o melhor presidente americano de todos os tempos, sem revelar quem a elaborou. A classificação rebaixa democratas como Biden e Obama ao nível de 'fracassos', enquanto trata com mais generosidade figuras historicamente condenadas, como James Buchanan e Andrew Johnson. O episódio ocorre precisamente quando pesquisas indicam que 65% dos eleitores americanos desaprovam sua gestão — um abismo entre a narrativa que Trump constrói para si e o julgamento contemporâneo de se
Trump publica lista colocando a si mesmo como melhor presidente dos EUA
A lista coloca presidentes historicamente fracassados acima de seus rivais políticos
Por que Trump publicaria uma lista assim agora, especialmente quando sua desaprovação está em recorde?
Provavelmente porque a lista reforça uma narrativa que ele quer manter viva — a de que ele foi um grande presidente e que seus críticos políticos foram fracassos. É uma forma de falar direto para seus apoiadores.
Mas a gente não sabe quem fez a lista. Pode ser dele, pode ser de alguém na equipe dele, pode ser de um apoiador que ele só compartilhou. Isso importa para entender se é uma avaliação pessoal ou propaganda.
Verdade. E o fato de estar na Truth Social, uma rede que ele controla, significa que não há verificação externa ou contexto histórico oferecido.
E quanto àquelas ausências — Eisenhower, Reagan, Kennedy? Isso muda o significado da lista?
Muda bastante. Se a lista fosse completa e sistemática, seria uma coisa. Mas seletiva assim, parece mais um exercício de reafirmação do que uma avaliação genuína.
E há algo estranho em colocar Buchanan e Andrew Johnson acima de Biden e Obama, considerando o que historiadores dizem sobre esses dois.
Então a lista não segue critérios históricos estabelecidos?
Não parece. Buchanan é quase universalmente visto como um desastre — falhou em evitar a Guerra Civil. Johnson bloqueou direitos civis. Mas Trump os classifica melhor que seus rivais políticos recentes.
É mais sobre política atual do que sobre história presidencial.
E isso importa porque?
Porque mostra que a lista não é uma análise histórica legítima. É uma ferramenta política. E quando a desaprovação de alguém está em 65%, publicar algo assim pode parecer desconectado da realidade que os eleitores estão vivendo.
O Pulso
- Trump se proclama o maior presidente da história americana em postagem anônima, sem revelar se criou, encomendou ou apenas compartilhou a classificação.
- Biden e Obama são rebaixados à categoria de 'fracassos', enquanto presidentes historicamente reprovados por especialistas recebem notas mais altas na mesma lista.
- A ausência de nomes como Reagan, Kennedy e Eisenhower sugere que a lista foi construída de forma seletiva, levantando dúvidas sobre sua credibilidade.
- A publicação contrasta diretamente com uma pesquisa Reuters/Ipsos que registra 65% de desaprovação de Trump — o pior índice de sua carreira política.
- A postagem amplifica a voz presidencial numa plataforma que o próprio Trump controla, tornando difícil separar propaganda institucional de opinião pessoal.
Num gesto que confunde autoafirmação com história, Donald Trump publicou em sua própria rede social uma lista que o consagra como o melhor presidente americano de todos os tempos, sem revelar quem a elaborou. A classificação rebaixa democratas como Biden e Obama ao nível de 'fracassos', enquanto trata com mais generosidade figuras historicamente condenadas, como James Buchanan e Andrew Johnson. O episódio ocorre precisamente quando pesquisas indicam que 65% dos eleitores americanos desaprovam sua gestão — um abismo entre a narrativa que Trump constrói para si e o julgamento contemporâneo de seus governados.
Donald Trump publicou em sua rede social Truth Social uma lista de presidentes americanos que o posiciona no topo, como 'o melhor' de todos os tempos. A postagem não identifica quem elaborou a classificação — permanece em aberto se Trump a criou, encomendou ou simplesmente a compartilhou. O que é certo é que ela circula agora amplificada pela conta presidencial.
A lista organiza os presidentes em categorias que vão do melhor ao pior. Democratas como Joe Biden e Barack Obama aparecem na categoria 'fracassos'. Já figuras historicamente mal avaliadas por especialistas recebem tratamento mais generoso: James Buchanan, considerado por historiadores como um dos responsáveis pela eclosão da Guerra Civil, é classificado apenas como 'abaixo da média'. Andrew Johnson, criticado por obstruir direitos civis após a abolição da escravidão, aparece como 'na média' — avaliação mais alta do que a reservada a Biden e Obama. A lista também omite nomes relevantes de ambos os partidos, como Reagan, Kennedy e Eisenhower, o que sugere uma construção seletiva.
O momento escolhido para a publicação é politicamente significativo. Uma pesquisa Reuters/Ipsos divulgada dias antes mostrou que a desaprovação de Trump entre eleitores americanos atingiu 65%, um recorde. Sua aprovação ficou em apenas 33%. O contraste entre a autoavaliação que Trump promove publicamente e o julgamento de seus próprios governados é, por si só, um retrato do momento político americano.
Donald Trump publicou nesta quinta-feira uma lista de presidentes americanos em sua rede social Truth Social, colocando a si mesmo no topo como "o melhor" de todos os tempos. A postagem não identifica quem realizou a classificação, deixando em aberto se Trump ordenou a lista, a criou pessoalmente ou simplesmente a compartilhou de outra fonte. O que é claro é que a imagem circula agora em sua plataforma, amplificada pela conta presidencial.
A classificação organiza os presidentes em categorias que vão de "o melhor" até "fracassos". Nela, os democratas Joe Biden e Barack Obama — ambos descritos como "notórios desafetos" de Trump — aparecem na categoria mais baixa. A lista, porém, apresenta ausências significativas. Não incluem avaliações de Dwight Eisenhower, Ronald Reagan, George H. W. Bush e George W. Bush entre os republicanos, nem Harry Truman, John F. Kennedy e Lyndon Johnson entre os democratas. Essas omissões sugerem que a lista pode ser incompleta ou seletiva em sua construção.
O que chama atenção é como a classificação desvia do consenso histórico em pontos específicos. James Buchanan, presidente de 1857 a 1861, é amplamente considerado por historiadores como um líder fraco que falhou em impedir a secessão dos estados do Sul, precipitando a Guerra Civil Americana. Apesar dessa reputação devastadora, Trump o coloca apenas na categoria "abaixo da média". Andrew Johnson, que assumiu após o assassinato de Abraham Lincoln em 1865, enfrentou críticas históricas por se opor aos direitos civis iguais para ex-escravos e por permitir que estados do Sul implementassem leis discriminatórias que persistiram até os anos 1960. Historiadores também o responsabilizam pelo fracasso da recuperação econômica dos estados confederados após a guerra. Ainda assim, Trump o classifica como "na média" — uma avaliação mais generosa do que a que reserva a Biden e Obama.
A publicação chega num momento particularmente delicado para Trump politicamente. Uma pesquisa Reuters/Ipsos divulgada na segunda-feira anterior mostrou que sua desaprovação entre eleitores americanos atingiu 65%, um novo recorde. A aprovação ficou em 33%. O levantamento ouviu 1.215 norte-americanos entre 21 e 24 de agosto, com margem de erro de três pontos percentuais. A lista, portanto, emerge quando muitos americanos parecem não ter Trump em boa conta — um contraste notável com a autoavaliação que ele agora promove publicamente.
Citações Notáveis
Seus notórios desafetos, os democratas Joe Biden e Barack Obama, são classificados como 'fracassos'— Reportagem sobre a lista publicada por Trump