Trump pressiona Powell por corte nos juros e reclama de desvantagem econômica dos EUA

O banco central não será pressionado por considerações políticas
Powell reafirma a independência do Fed após encontro tenso com Trump sobre política de juros.
Mark

Por que Trump acha que o Fed está cometendo um erro ao manter os juros onde estão?

Mimi

Na visão dele, juros mais altos prejudicam a competitividade dos EUA frente à China. Ele acredita que cortes nos juros estimulariam o crescimento econômico e colocariam o país em melhor posição na disputa global.

Luke

Mas o Fed tem uma razão técnica para não cortar: as tarifas de Trump estão criando instabilidade. O banco central teme que essas tarifas prejudiquem o crescimento e aumentem a inflação. Então há uma contradição aqui que vale a pena notar.

Mark

A Suprema Corte impediu Trump de demitir Powell, certo?

Mimi

Exatamente. A Corte determinou que o presidente não pode destituir presidentes de agências independentes. Isso protege Powell legalmente, mas não impede Trump de continuar pressionando publicamente.

Luke

E é importante notar que Trump já havia descartado essa possibilidade antes da decisão da Corte. Então não sabemos se ele realmente considerava fazer isso ou se era apenas retórica.

Mark

O que Powell disse depois do encontro?

Mimi

Ele reforçou que as decisões do Fed serão baseadas em análises técnicas e isentas de motivação política. Basicamente, ele está dizendo que não será influenciado pela pressão de Trump.

Luke

Mas aqui está o ponto: Powell não pode ser demitido, e o Fed tem independência legal. A questão real é se essa independência vai resistir à pressão política contínua. Ainda é cedo para saber.

Mark

Os juros vão cair em breve?

Mimi

Não há indicação disso. O Fed mantém os juros congelados em 2025 e diz que qualquer mudança dependerá dos dados econômicos.

Luke

E aqui está o detalhe que importa: o Fed está esperando ver como as tarifas de Trump afetam a economia. Se prejudicarem o crescimento e aumentarem a inflação, o Fed pode ter razão em ser cauteloso. Mas se a economia permanecer forte, a pressão de Trump por cortes pode crescer.

  • Trump convocou Powell à Casa Branca e pressionou diretamente pelo corte de juros, tornando público o que já dizia nos bastidores — que o Fed comete um erro ao manter as taxas congeladas.
  • O encontro reuniu o vice-presidente, o secretário do Tesouro e outros membros do alto escalão, sinalizando que a pressão sobre o banco central é uma estratégia coordenada do governo, não apenas retórica presidencial.
  • O Fed mantém os juros inalterados em 2025 justamente por causa das tarifas comerciais impostas pelo próprio Trump, criando um paradoxo em que a política do presidente bloqueia a resposta que ele exige do banco central.
  • A Suprema Corte já determinou que Trump não pode destituir Powell legalmente, mas isso não silenciou a retórica presidencial — a pressão continua, agora por outros meios.
  • Powell reafirmou que o Fed não cederá a motivações políticas, consolidando uma postura de resistência institucional que coloca os dois poderes em rota de colisão crescente.

Na quinta-feira passada, Donald Trump e Jerome Powell se encontraram pessoalmente na Casa Branca pela primeira vez desde o início do segundo mandato presidencial — um encontro que revelou, mais do que qualquer declaração pública, a profundidade da tensão entre o poder político e a autonomia do banco central americano. Trump pressionou Powell a reduzir os juros, argumentando que a postura cautelosa do Fed enfraquece os Estados Unidos diante da China. Powell respondeu com a linguagem da independência institucional: as decisões serão guiadas por dados, não por pressão política. O impasse entre os dois homens é, no fundo, um impasse sobre quem, afinal, governa a economia.

Donald Trump encontrou Jerome Powell pessoalmente na Casa Branca na quinta-feira passada — o primeiro encontro entre os dois desde o início do segundo mandato — e a mensagem foi direta: os juros precisam cair. Trump argumentou que manter as taxas onde estão coloca os Estados Unidos em desvantagem frente à China. A secretária de imprensa Karoline Leavitt confirmou que o tom da reunião espelhava as críticas que Trump já fazia publicamente ao Fed.

A reunião contou com a presença do vice-presidente JD Vance, do secretário do Tesouro Scott Bessent, do secretário de Comércio Howard Lutnick e do diretor do Conselho Econômico Nacional, Kevin Hassett. Leavitt negou que Trump tenha discutido a possibilidade de demitir Powell — cujo mandato vai até maio de 2026 —, mas a própria necessidade de negar o assunto revelou o peso que ele carrega nas relações entre o Executivo e o banco central.

O Fed divulgou nota confirmando o encontro e descrevendo uma agenda centrada em crescimento, emprego e inflação. Powell deixou claro que qualquer decisão dependerá da evolução dos dados econômicos e será tomada com base em critérios técnicos, sem interferência política. A mensagem era uma resposta velada, mas inequívoca, à pressão presidencial.

Os juros permanecem congelados ao longo de 2025. O Fed justifica a cautela pela instabilidade gerada pelas próprias tarifas comerciais de Trump, que ameaçam pressionar a inflação e frear o crescimento. Trump, porém, inverte a lógica: para ele, é a resistência do Fed que mina a competitividade americana. Já chamou Powell de 'um grande perdedor' e insiste que o banco central falha em apoiar o país diante das pressões externas.

A Suprema Corte determinou neste mês que o presidente não pode destituir presidentes de agências independentes como o Federal Reserve, reforçando a proteção institucional de Powell. Mas a decisão judicial não arrefeceu a retórica presidencial. A tensão entre o Executivo e o banco central segue se aprofundando, em meio às incertezas globais e à disputa de influência entre as grandes potências econômicas.

Donald Trump entrou na Casa Branca na quinta-feira passada com uma mensagem clara para Jerome Powell: os juros precisam cair. Foi o primeiro encontro entre o presidente e o chefe do Federal Reserve desde a posse de Trump para seu segundo mandato, e a conversa não foi uma troca de cortesias. Trump pressionou Powell pessoalmente, argumentando que manter as taxas onde estão é um erro que coloca os Estados Unidos em desvantagem econômica frente à China e outras potências. A secretária de imprensa Karoline Leavitt confirmou o tom da reunião durante uma coletiva na quinta-feira, revelando que o que Trump havia dito publicamente — críticas ao Fed — ele também reforçava nos bastidores.

O encontro reuniu figuras-chave do governo. Além de Trump e Powell, estavam presentes o vice-presidente JD Vance, o secretário do Tesouro Scott Bessent, o secretário de Comércio Howard Lutnick e o diretor do Conselho Econômico Nacional, Kevin Hassett. Leavitt negou que Trump tenha discutido a possibilidade de destituir Powell — cujo mandato se estende até maio de 2026 — mas o simples fato de negar a questão revela o peso que ela carrega nas negociações entre o Executivo e o banco central.

O Federal Reserve, em nota divulgada no mesmo dia, confirmou a reunião e descreveu uma agenda focada em crescimento, emprego e inflação. Powell, segundo o comunicado, não apresentou projeções ou planos sobre política monetária. Em vez disso, reforçou que qualquer decisão dependerá da evolução dos dados econômicos e que as escolhas serão baseadas em análises cuidadosas, objetivas e isentas de motivação política. A mensagem era clara: o banco central não será pressionado por considerações políticas. Leavitt endossou a versão do Fed sem contestações.

Esta pressão não é nova. Trump vem criticando Powell desde seu primeiro mandato, frequentemente acusando o Fed de agir lentamente diante de mudanças no cenário econômico. Em abril, Trump reacendeu rumores sobre a intenção de demitir Powell — possibilidade que ele mesmo depois descartou e que foi legalmente inviabilizada quando a Suprema Corte determinou, neste mês, que o presidente não pode destituir presidentes de agências independentes como o Federal Reserve. A decisão reforçou a proteção institucional do banco central, mas não arrefeceu a retórica presidencial.

Os juros estão congelados ao longo de 2025. O Fed justifica essa postura pela instabilidade provocada pelas medidas protecionistas de Trump, especialmente a intensificação do uso de tarifas comerciais. A instituição espera que essas tarifas prejudiquem o crescimento e pressionem a inflação, razão pela qual adota uma postura mais cautelosa. Trump, porém, vê a situação de forma inversa: para ele, a resistência do Fed em cortar juros mina a competitividade dos EUA. Já chamou Powell de um grande perdedor e insiste que o banco central falha em oferecer o suporte necessário para enfrentar pressões externas, especialmente da China.

Por seu lado, Powell tem insistido na defesa da independência do Fed. Após o encontro com Trump, reforçou que a função da instituição é estabelecer a política monetária conforme exige a lei, para apoiar o máximo de empregos e a estabilidade de preços, sempre com base em critérios técnicos e sem interferência política. A postura contrasta com as tentativas reiteradas do governo Trump de interferir em uma das instituições mais sensíveis da economia americana. A tensão entre Executivo e banco central, que já vinha se acentuando, ganha novos contornos em meio às incertezas globais e à disputa de poder entre as potências econômicas.

Isso está nos colocando em desvantagem econômica frente à China e outros países, e o presidente tem sido muito claro quanto a isso — publicamente e, agora posso revelar, também em conversas privadas
— Karoline Leavitt, secretária de imprensa da Casa Branca
As decisões serão baseadas única e exclusivamente em análises cuidadosas, objetivas e isentas de motivação política
— Federal Reserve, em comunicado oficial
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