Trump pressiona Fed por redução de juros antes de reunião crucial

Nenhum país deveria ter juros mais baixos que os EUA
Trump argumenta que a política do Fed beneficia outros países em detrimento da economia americana.
Mark

Por que Trump está pressionando o Fed justamente agora, dias antes da reunião?

Mimi

Porque o timing é perfeito para ele. A inflação subiu na sexta-feira, o que aumenta as chances de o Fed elevar juros. Mas as eleições de meio de mandato estão chegando, e juros mais altos prejudicam a aprovação presidencial. Trump está tentando evitar isso.

Luke

Mas qual é a base econômica do argumento dele? Ele diz que os EUA deveriam ter os menores juros do mundo, mas por quê? A inflação americana está alta.

Mimi

Ele argumenta que juros altos beneficiam outros países. Mas isso não é exatamente como funciona a política monetária. O Fed define juros baseado na economia americana, não em comparações globais.

Mark

E quanto à independência do Fed? Hassett disse que Trump a defenderá.

Mimi

Sim, mas depois Hassett também deixou claro que Trump não ficará satisfeito se houver aumento. Então é uma independência com ressalvas.

Luke

Warsh é indicação de Trump, certo? Então há uma questão real de pressão política aqui, mesmo que velada.

Mimi

Exatamente. Trump tem mais influência sobre Warsh do que tinha sobre Powell. E Warsh sabe disso.

Mark

Então qual é o resultado mais provável?

Mimi

O Fed provavelmente elevará os juros porque os dados justificam. Mas Trump terá deixado claro seu descontentamento, e isso pode afetar a dinâmica política nos próximos meses.

Luke

E se o Fed não elevar? Então Trump terá vencido essa rodada, mas a inflação continuará sendo um problema político para ele.

  • Trump exigiu, de um campo de golfe na Irlanda, que o Fed reduza os juros — ignorando dados recentes que apontam na direção oposta.
  • O Índice de Preços ao Consumidor registrou sua maior alta em quatro meses na véspera da declaração, reforçando a expectativa de aumento de juros pelo mercado.
  • Há duas semanas, Trump já havia ameaçado nas redes sociais parar de comercializar com países deficitários caso o Fed não cortasse as taxas — agora o tom se repete com a reunião iminente.
  • Com as eleições de meio de mandato a poucas semanas, uma alta de juros pode ampliar a preocupação dos eleitores com o custo de vida e corroer ainda mais a aprovação presidencial.
  • O assessor Kevin Hassett tentou equilibrar o discurso ao defender a independência do Fed, mas deixou claro que Trump 'não ficará nem um pouco satisfeito' se os juros subirem.

Enquanto o Federal Reserve se prepara para sua reunião de política monetária, Donald Trump — falando de um torneio de golfe na Irlanda — reafirmou que os Estados Unidos deveriam ter as menores taxas de juros do mundo, independentemente do que os dados econômicos indiquem. A pressão chega num momento delicado: um indicador de inflação subjacente acaba de registrar sua maior alta em quatro meses, e as eleições de meio de mandato se aproximam. É o eterno atrito entre o poder eleito que enxerga a economia pelo prisma político e a instituição que, ao menos em teoria, deveria guiar-se apenas pelos números.

Donald Trump escolheu o Irish Open, na Irlanda, para reiterar uma de suas convicções mais firmes: nenhum país deveria ter taxas de juros menores que as dos Estados Unidos. A declaração veio poucos dias antes de o Federal Reserve se reunir para decidir sobre política monetária, e ignorou deliberadamente os dados mais recentes — o Índice de Preços ao Consumidor havia registrado, na sexta-feira anterior, seu maior aumento em quatro meses, alimentando expectativas de alta nos juros.

A pressão não é inédita. Duas semanas antes, Trump já havia publicado uma ameaça direta nas redes sociais, vinculando a política comercial americana à decisão do Fed. Agora, com a reunião iminente, ele voltou ao tema com clareza: não sabe o que o banco central fará, mas espera que não eleve as taxas. Segundo ele, os juros atuais beneficiam outros países em detrimento dos americanos.

O cenário político torna tudo mais urgente. As eleições de meio de mandato se aproximam, e as maiorias republicanas no Congresso são estreitas. Pesquisas indicam que uma alta de juros poderia intensificar a preocupação dos eleitores com o custo de vida — exatamente o tipo de pressão que desgasta um partido no poder. Os índices de aprovação de Trump já vinham caindo com a persistência da inflação.

Kevin Hassett, diretor do Conselho Econômico Nacional, foi à televisão tentar moderar o discurso, afirmando que Trump defende a independência do novo presidente do Fed, Kevin Warsh — indicado pelo próprio presidente no início do ano. Mas Hassett também foi honesto sobre a preferência de Trump: uma alta de juros deixaria o presidente longe de satisfeito. A tensão entre o poder político e a autonomia do banco central permanece no centro do debate — e o Fed, na semana seguinte, teria que decidir de que lado da equação ficaria.

Donald Trump estava na Irlanda no domingo passado, no torneio de golfe Irish Open, quando decidiu falar sobre o que realmente o preocupa: as taxas de juros americanas. Poucos dias antes de o Federal Reserve se reunir para decidir sobre política monetária, o presidente deixou claro sua posição: nenhum país deveria ter juros mais baixos que os Estados Unidos. Não importa o que os dados digam sobre inflação ou saúde econômica. Não importa o que os dirigentes do Fed acreditem ser correto. Os EUA, na visão de Trump, deveriam pagar a menor taxa de juros do mundo.

O timing da declaração não é casual. Na sexta-feira anterior, um indicador crucial de inflação subjacente — o Índice de Preços ao Consumidor do Departamento do Trabalho — havia registrado seu maior aumento em quatro meses. Esse número reforçou as expectativas de mercado de que o Fed elevaria as taxas na reunião que se aproximava. Trump, porém, argumenta que essa lógica está errada. Segundo ele, os patamares atuais de juros americanos beneficiam outros países em detrimento dos EUA. "Entendo de fórmulas mais do que qualquer pessoa e, mesmo com o melhor crédito do mundo, enriquecemos outros países", disse ele aos jornalistas.

A pressão não é nova, mas ganhou tom mais explícito. Há duas semanas, Trump havia publicado nas redes sociais uma ameaça direta: "REDUZAM A TAXA OU VOU PARAR DE COMERCIAR COM OS PAÍSES COM OS QUAIS TEMOS DÉFICIT". Agora, com a reunião do Fed iminente, ele voltava ao tema, deixando claro que não sabe se o banco central elevará as taxas, mas que espera que não o faça.

O contexto político amplifica a pressão. A reunião do Fed ocorre poucas semanas antes das eleições de meio de mandato, que determinarão se os republicanos manterão suas maiorias no Congresso — maiorias que são estreitas. Pesquisas recentes da Reuters/Ipsos mostram que uma alta de juros poderia aumentar a preocupação dos eleitores com o custo de vida, exatamente o tipo de preocupação que prejudica um partido no poder. Os índices de aprovação de Trump já caíram com a persistência da inflação. Uma decisão do Fed que elevasse os juros poderia piorar ainda mais esse cenário político.

A relação de Trump com o Fed é complicada e em evolução. Ele foi crítico feroz do ex-presidente Jerome Powell. Mas desde que Kevin Warsh, indicado pelo próprio Trump, assumiu o comando no início deste ano, o presidente demonstrou mais apoio à instituição. Ainda assim, suas exigências ficam cada vez mais claras. Kevin Hassett, diretor do Conselho Econômico Nacional, apareceu na Fox News Sunday para tentar equilibrar as coisas. Ele afirmou que Trump "defenderá acima de tudo a independência de Kevin Warsh", independentemente do que o Fed decidir sobre as taxas. Mas Hassett também deixou explícita a preferência do presidente: "se houver uma alta dos juros... tenho certeza de que ele não ficará nem um pouco satisfeito".

O que está em jogo é a tensão fundamental entre dois poderes: um presidente eleito que vê a política monetária através da lente da economia política e das eleições, e um banco central que teoricamente deveria agir baseado em dados econômicos e independência institucional. Trump argumenta que os números justificam juros mais baixos. O Fed, na semana seguinte, teria que decidir se concorda — ou se mantém seu próprio julgamento sobre o que a economia realmente precisa.

Entendo de fórmulas mais do que qualquer pessoa e, mesmo com o melhor crédito do mundo, enriquecemos outros países
— Donald Trump
Se houver uma alta dos juros, tenho certeza de que ele não ficará nem um pouco satisfeito
— Kevin Hassett, diretor do Conselho Econômico Nacional
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