Trump impõe tarifas a 8 países europeus por oposição à compra da Groenlândia

É uma maratona, não uma corrida de curta distância
Deputada groenlandesa Aaja Chemnitz reflete sobre a pressão americana que persiste desde 2019.
Mark

Por que Trump está tão determinado em adquirir a Groenlândia? Parece uma obsessão.

Mimi

Para ele, é uma questão de segurança nacional. A Groenlândia fica entre a América do Norte e o Ártico, é crucial para sistemas de alerta precoce contra mísseis. Os EUA já têm uma base lá desde a Segunda Guerra Mundial.

Luke

Mas os EUA já têm autoridade para enviar quantos soldados quiserem para lá, conforme acordos com a Dinamarca. Então qual é o problema real que a anexação resolveria?

Mimi

Trump argumenta que os EUA precisam "assumir o controle" para se defender adequadamente contra ataques russos ou chineses. Ele vê a China como uma ameaça à região.

Mark

E quanto aos europeus? Por que enviaram tropas agora?

Mimi

Eles enviaram um pequeno contingente em uma suposta missão de reconhecimento esta semana. Trump vê isso como oposição ao seu plano e retalhou com tarifas.

Luke

Mas ninguém confirmou que as tropas foram enviadas especificamente em resposta aos planos de Trump. Pode ter sido uma coincidência de timing.

Mark

As tarifas são realmente sobre a Groenlândia ou sobre algo maior nas relações transatlânticas?

Mimi

Provavelmente ambas. Trump sempre questionou o valor da Otan. Isso é uma forma de pressionar os europeus a cederem.

Luke

Um funcionário dinamarquês disse que a possibilidade de anexação nunca foi levantada nas reuniões na Casa Branca. Então há uma diferença entre o que Trump diz publicamente e o que está sendo negociado nos bastidores.

Mark

Qual é a chance real de os EUA conseguirem a Groenlândia?

Mimi

Praticamente nenhuma. A Groenlândia quer autonomia, a Dinamarca recusa vender, e os europeus ameaçam que ação militar encerraria a Otan.

Luke

Mas Trump disse "por bem ou por mal". Ninguém sabe se ele está falando sério sobre força militar ou apenas usando isso como alavanca de negociação.

  • Tarifas de 10% a partir de 1º de fevereiro, aumentando para 25% em 1º de junho
  • Oito países atingidos: Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Reino Unido, Holanda e Finlândia
  • EUA mantêm 100+ soldados permanentemente em Pituffik, base de monitoramento de mísseis desde a Segunda Guerra Mundial
  • Delegação bipartidária de 11 parlamentares americanos visitou a Groenlândia na sexta-feira

Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Reino Unido, Holanda e Finlândia enfrentarão tarifas escalonadas sobre exportações aos EUA como retaliação. Trump justifica as medidas alegando que a Groenlândia é vital para segurança americana e que a China ameaça a região, enquanto europeus reafirmam que a defesa ártica deve ser responsabilidade conjunta da Otan.

Trump anuncia tarifas de 10% a partir de fevereiro e 25% em junho contra oito países europeus que enviaram tropas à Groenlândia, condicionando sua revogação à venda completa da ilha aos EUA.

Donald Trump anunciou neste sábado a imposição de tarifas sobre oito países europeus — Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Reino Unido, Holanda e Finlândia — em resposta direta à sua oposição ao plano americano de adquirir a Groenlândia. As tarifas começarão em 10% sobre todos os produtos exportados para os Estados Unidos a partir de 1º de fevereiro, aumentando para 25% em 1º de junho. Trump deixou claro que essas medidas permanecerão em vigor até que os EUA consigam um acordo para a compra completa da ilha ártica.

Em mensagem publicada em sua rede social Truth Social, o presidente americano argumentou que "depois de séculos, é hora de a Dinamarca nos pagar". Ele também acusou os oito países de terem enviado tropas à Groenlândia "para fins desconhecidos" esta semana, em uma suposta missão de reconhecimento, e afirmou que estão jogando um "jogo muito perigoso". Trump invocou preocupações de segurança nacional, alegando que a China deseja a Groenlândia e que a ilha está protegida apenas por "dois trenós puxados por cães", sugerindo que medidas enérgicas são necessárias para evitar uma "situação potencialmente perigosa".

A Groenlândia, pouco povoada mas rica em recursos naturais, ocupa uma posição estratégica entre a América do Norte e o Ártico, servindo como ponto crucial para sistemas de alerta precoce contra ataques com mísseis e para monitoramento de navios na região. Os Estados Unidos já mantêm mais de 100 soldados permanentemente locados em Pituffik, uma estação de monitoramento de mísseis no noroeste da ilha, operada pelos americanos desde a Segunda Guerra Mundial. Segundo acordos existentes com a Dinamarca, os Estados Unidos têm autoridade para enviar quantos soldados desejarem para a Groenlândia, mas Trump insiste que os EUA precisam "assumir o controle" da região para defendê-la adequadamente contra potenciais ataques russos ou chineses.

A resposta europeia foi firme. A Dinamarca alertou que uma ação militar significaria o fim da Organização do Tratado do Atlântico Norte, a aliança de defesa transatlântica da qual os Estados Unidos são o membro mais influente. Os aliados europeus juntaram-se à Dinamarca, afirmando que a região do Ártico é igualmente importante para eles e que a segurança deve ser uma responsabilidade conjunta da Otan, com participação americana. França, Alemanha, Suécia, Noruega, Finlândia, Países Baixos e Reino Unido enviaram tropas para a Groenlândia esta semana, e o presidente francês Emmanuel Macron anunciou o iminente destacamento de "recursos terrestres, aéreos e marítimos".

Na sexta-feira, uma delegação bipartidária do Congresso dos EUA visitou a Groenlândia para demonstrar apoio ao território. O grupo de 11 parlamentares incluía senadores democratas como Chris Coons, que liderou a delegação, e senadores republicanos moderados como Thom Tillis e Lisa Murkowski. Embora muitos sejam opositores declarados de Trump, todos são defensores da Otan. A deputada groenlandesa Aaja Chemnitz disse que o encontro lhe deu esperança, declarando à BBC: "Precisamos de amigos. Precisamos de aliados." Quando questionada sobre a grande diferença entre a visão da Casa Branca e a posição da Groenlândia e da Dinamarca, ela respondeu: "É uma maratona, não uma corrida de curta distância", observando que a pressão americana vem desde 2019.

As negociações continuam sem sinais de acordo próximo. Os ministros das Relações Exteriores da Dinamarca e da Groenlândia se reuniram com o Vice-Presidente J.D. Vance e o Secretário de Estado Marco Rubio na Casa Branca na quarta-feira. Segundo um funcionário dinamarquês que falou à BBC sob condição de anonimato, Vance propôs encontrar um meio-termo que satisfizesse Trump, a Dinamarca e a Groenlândia, mas a possibilidade de uma anexação não foi levantada na reunião. O funcionário afirmou que a Dinamarca leva a sério o objetivo declarado de Trump, concluindo: "Nossa premissa é que, neste assunto, o que ele diz é o que ele pensa".

Jeff Landry, enviado de Trump à Groenlândia, disse à Fox News na sexta-feira que os Estados Unidos deveriam conversar com os líderes da Groenlândia, não com os da Dinamarca. "Acredito firmemente que um acordo será alcançado assim que essa situação for resolvida", afirmou, acrescentando que "o presidente está falando sério" e que cabe a Rubio e Vance chegarem a um acordo. Murkowski é uma das patrocinadoras de um projeto de lei bipartidário que visa bloquear qualquer tentativa de anexação da Groenlândia, enquanto um congressista republicano apresentou um projeto de lei concorrente que apoia a anexação da ilha.

Depois de séculos, é hora de a Dinamarca nos pagar
— Donald Trump, em mensagem no Truth Social
Nossa premissa é que, neste assunto, o que ele diz é o que ele pensa
— Funcionário dinamarquês anônimo à BBC
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