Num momento em que a guerra na Ucrânia já consumiu anos de vidas e territórios, Donald Trump propõe o que chama de solução racional: que Kiev ceda terras à Rússia e abandone a aspiração de entrar na OTAN em troca de paz imediata. A declaração, feita após um encontro com Putin no Alasca, coloca os Estados Unidos em rota de colisão com os aliados europeus, que reafirmam seu apoio incondicional a Zelensky. O mundo observa, às vésperas de um encontro em Washington que pode revelar se o Ocidente ainda fala com uma só voz.
Trump diz que Zelensky pode encerrar guerra cedendo territórios e desistindo da OTAN
A Ucrânia pode acabar com a guerra quase imediatamente
Por que Trump está tão focado em pressionar Zelensky a desistir da OTAN? Qual é o cálculo dele?
Trump vê a OTAN como um compromisso que os EUA não deveriam manter — especialmente com um país em guerra. Para ele, se a Ucrânia entra na OTAN enquanto em conflito, os americanos ficam automaticamente obrigados a defender Kiev contra a Rússia. Desistir da OTAN remove essa obrigação.
Mas precisamos ser claros: Trump está falando de uma posição de força americana, não de fraqueza. Ele está dizendo que pode negociar com Putin porque Putin o ouve. Isso é uma caracterização, não um fato verificado.
E quanto aos territórios? Trump está pedindo que Zelensky simplesmente entregue terras que a Rússia ocupou?
Exatamente. Trump argumenta que a Ucrânia já perdeu tanto que aceitar as perdas agora é melhor do que continuar perdendo mais. É uma lógica de minimização de danos — mas do ponto de vista de quem está cedendo.
A fonte não especifica quais territórios Trump está mencionando além da Crimeia. Sabemos que a Rússia controla partes do Donbás e outras regiões. Trump não detalhou o tamanho da cessão que ele considera aceitável.
Como os europeus estão reagindo a isso?
Os europeus estão fazendo exatamente o oposto. No mesmo fim de semana, eles se reuniram com Zelensky para reafirmar apoio. Eles veem a OTAN como a garantia de que isso não aconteça novamente — nem com a Ucrânia, nem com ninguém mais.
Verdade, mas a fonte diz que eles "reafirmaram apoio" em uma reunião online. Não sabemos o que foi dito especificamente, se houve discordâncias privadas, ou qual é o limite do compromisso europeu se Trump mantiver essa posição.
Il Polso
- Trump pressiona Zelensky a aceitar perdas territoriais permanentes e a renunciar à OTAN como único caminho para encerrar o conflito rapidamente.
- A proposta americana surge logo após uma cúpula com Putin no Alasca que não produziu cessar-fogo, mas que Trump e o líder russo celebraram como avanço diplomático.
- Enquanto Trump publicava suas condições nas redes sociais, líderes europeus se reuniam virtualmente com Zelensky para reafirmar apoio — criando uma fratura visível no bloco ocidental.
- Uma reunião de alto nível em Washington, com Macron, Merz, Starmer, Meloni e o secretário-geral da OTAN, torna-se o palco onde a divisão transatlântica pode se aprofundar ou ser contida.
- Para a Europa, aceitar a proposta americana significaria validar uma esfera de influência russa e reverter décadas de expansão da OTAN como instrumento de segurança coletiva.
Num momento em que a guerra na Ucrânia já consumiu anos de vidas e territórios, Donald Trump propõe o que chama de solução racional: que Kiev ceda terras à Rússia e abandone a aspiração de entrar na OTAN em troca de paz imediata. A declaração, feita após um encontro com Putin no Alasca, coloca os Estados Unidos em rota de colisão com os aliados europeus, que reafirmam seu apoio incondicional a Zelensky. O mundo observa, às vésperas de um encontro em Washington que pode revelar se o Ocidente ainda fala com uma só voz.
No domingo passado, Donald Trump usou sua plataforma Truth Social para defender uma tese direta: a Ucrânia deveria aceitar perder território à Rússia para encerrar a guerra. Seu argumento era pragmático — quanto mais o conflito se prolongar, mais terra ucraniana será perdida. Horas depois, foi além: Zelensky poderia acabar com a guerra quase imediatamente, escreveu, se aceitasse duas condições — desistir da Crimeia e abandonar qualquer aspiração de ingresso na OTAN.
A declaração não surgiu no vácuo. Dias antes, Trump havia se encontrado com Putin no Alasca numa cúpula que ambos celebraram publicamente, mas que não resultou em nenhum acordo concreto de cessar-fogo. O encontro foi apresentado como esforço de paz, mas saiu sem avanços tangíveis — apenas com a aparência de diálogo.
No mesmo dia das declarações de Trump, líderes europeus reuniram-se online com Zelensky para reafirmar seu apoio a Kiev. A mensagem de Bruxelas, Berlim, Paris e Londres era inequívoca: a Europa permaneceria ao lado da Ucrânia. O contraste com a posição americana era evidente e crescente.
Para tornar a tensão ainda mais concreta, uma reunião foi marcada em Washington para segunda-feira, reunindo Zelensky, Trump e uma delegação europeia de peso — Macron, Merz, Starmer, Meloni, o presidente finlandês Stubb e o secretário-geral da OTAN, Mark Rutte. O encontro se tornaria o teste real de se as posições dos dois lados do Atlântico ainda poderiam convergir.
O que Trump propõe vai além de concessões territoriais: pedir que a Ucrânia renuncie à OTAN é pedir que aceite uma esfera de influência russa e abra mão da arquitetura de segurança coletiva que a Europa construiu como resposta às próprias ações de Moscou. Para Trump, a lógica é simples — negocie agora e pague o preço. Para a Europa, esse preço pode ser alto demais.
No domingo passado, Donald Trump voltou às redes sociais para defender uma tese que vinha ganhando espaço em seus pronunciamentos: a Ucrânia deveria aceitar perder território para a Rússia se quisesse encerrar a guerra. Republicando uma mensagem em sua plataforma Truth Social, o presidente americano argumentou que quanto mais tempo o conflito se prolongasse, mais terra ucraniana seria perdida — portanto, ceder agora seria racional. Horas depois, Trump foi além. Seu colega ucraniano, Volodymyr Zelensky, poderia "acabar com a guerra quase imediatamente", escreveu, desde que aceitasse duas condições não negociáveis: abandonar qualquer esperança de recuperar a Crimeia (que Obama havia perdido doze anos antes, como Trump fez questão de lembrar) e, crucialmente, desistir de qualquer aspiração de ingressar na OTAN.
O timing da declaração não era casual. Dias antes, Trump havia se encontrado com Vladimir Putin no Alasca — um encontro que ambos os líderes celebraram publicamente, ainda que não tivesse resultado em um acordo de cessar-fogo concreto. A cúpula havia sido enquadrada como uma tentativa de resolver o conflito do Leste europeu, mas saiu sem avanços tangíveis. Ainda assim, Trump e Putin pareciam satisfeitos com o diálogo em si.
No mesmo domingo em que Trump fazia suas declarações, líderes europeus se reuniram online com Zelensky para reafirmar seu compromisso com a Ucrânia. A mensagem vinda de Bruxelas, Berlim, Paris e Londres era clara: a Europa continuaria ao lado de Kiev. Essa reafirmação de apoio, porém, contrastava nitidamente com a posição americana que emergia das redes sociais do presidente.
O contraste ficaria ainda mais evidente nos dias seguintes. Uma reunião em Washington foi marcada para segunda-feira, reunindo Zelensky, Trump e uma delegação europeia de peso: o chanceler alemão Friedrich Merz, o presidente francês Emmanuel Macron, o primeiro-ministro britânico Keir Starmer, a primeira-ministra italiana Giorgia Meloni, o presidente finlandês Alexander Stubb e o secretário-geral da OTAN, Mark Rutte. Era o encontro que poderia revelar se as posições americanas e europeias conseguiriam convergir ou se a divisão transatlântica sobre como encerrar a guerra se aprofundaria.
O que Trump estava propondo era, em essência, uma reconfiguração do mapa europeu e das alianças de segurança do continente. Pedir que Zelensky desistisse da OTAN não era apenas uma concessão territorial — era um pedido para que a Ucrânia aceitasse uma esfera de influência russa, renunciando à estrutura de segurança coletiva que a maioria dos países europeus considerava fundamental. Para a Europa, que havia expandido a OTAN justamente como resposta às ações russas, essa proposta representava um recuo estratégico de proporções significativas. Para Trump, parecia ser a solução mais direta: negocie agora, pague o preço territorial, e a guerra acaba.
Citazioni salienti
A Ucrânia deve estar disposta a perder algum território para a Rússia, caso contrário, quanto mais longa for a guerra, mais território perderá— Donald Trump, via Truth Social
Zelensky pode acabar com a guerra quase imediatamente se aceitar não recuperar a Crimeia e não entrar na OTAN— Donald Trump, em publicação posterior