Em um sábado de outubro, Donald Trump voltou seus ataques a Volodmir Zelenski, sugerindo que a Ucrânia precisava de nova liderança — um dia após selar um acordo com Vladimir Putin para importar diesel russo. O gesto revela uma reconfiguração profunda das alianças americanas: a crise energética doméstica, agravada por uma guerra no Irã, tornou-se pretexto para redirecionar culpas e pressionar um aliado a ceder terreno. Na grande narrativa das democracias liberais, o episódio levanta uma questão incômoda sobre até onde vai a lealdade quando os preços do combustível sobem antes de uma eleição.
Trump culpa Zelenski por diesel caro e pede novo presidente ucraniano
Ele quer criar problemas para nossos agricultores com o diesel
Por que Trump está culpando Zelenski pelos preços do diesel nos EUA? Isso faz sentido economicamente?
Trump está tentando redirecionar a culpa. A guerra que os EUA lideravam no Irã elevou os preços globais de energia, mas ele quer que os americanos culpem a Ucrânia. O acordo com Putin para importar diesel russo é sua resposta política — mostra ação antes das eleições de meio de mandato.
Mas precisamos ser claros: a ligação entre os ataques ucranianos à infraestrutura energética russa e os preços do diesel americano é tênue. Trump está fazendo uma conexão política, não uma análise econômica.
E quanto aos números que Trump citou? Ele disse que mais de um milhão de pessoas foram perdidas na guerra.
Esses números são inflacionados. Estimativas independentes apontam que cerca de 20% do território ucraniano está sob controle russo, não 30%. Autoridades britânicas estimam meio milhão de soldados russos mortos, mas não há números confiáveis recentes sobre mortos ucranianos.
É importante notar que Trump não forneceu fontes para seus números. Ele está usando cifras altas para justificar sua posição de que a guerra é inútil e que Zelenski deveria ser substituído.
Zelenski pode realmente ser substituído? É uma decisão ucraniana ou Trump está tentando impor isso?
Tecnicamente, é decisão dos ucranianos. Mas Trump está usando sua influência como presidente americano para pressionar por uma mudança de liderança. É uma intervenção direta nos assuntos internos de um aliado.
E vale lembrar que Trump vinha pressionando Zelenski há semanas para cessar os ataques à infraestrutura energética russa. Essa sugestão de substituição é o próximo passo dessa pressão — é uma escalada.
Il Polso
- Trump fechou acordo com Putin para importar diesel russo e, no dia seguinte, culpou publicamente Zelenski pelos altos preços dos combustíveis nos EUA — uma inversão que deixou aliados europeus em alerta.
- A pressão sobre Kiev não é nova: há semanas Trump exigia que a Ucrânia parasse de atacar a infraestrutura energética russa, peça central da estratégia de guerra ucraniana.
- Pesquisa da AP-NORC mostrava que os americanos responsabilizavam Trump pelo aumento dos preços — motivando a tentativa de redirecionar a narrativa para Zelenski e Kiev.
- Trump reescreveu a história do conflito com números contestados: afirmou que 30% do território ucraniano foi perdido e que mais de um milhão de pessoas morreram, enquanto estimativas independentes apontam cifras significativamente menores.
- A sugestão de que Zelenski deveria ser substituído ultrapassou o limite da pressão diplomática e entrou no campo da intervenção direta nos assuntos internos de um país aliado, feita de forma pública e sem qualquer mediação.
Em um sábado de outubro, Donald Trump voltou seus ataques a Volodmir Zelenski, sugerindo que a Ucrânia precisava de nova liderança — um dia após selar um acordo com Vladimir Putin para importar diesel russo. O gesto revela uma reconfiguração profunda das alianças americanas: a crise energética doméstica, agravada por uma guerra no Irã, tornou-se pretexto para redirecionar culpas e pressionar um aliado a ceder terreno. Na grande narrativa das democracias liberais, o episódio levanta uma questão incômoda sobre até onde vai a lealdade quando os preços do combustível sobem antes de uma eleição.
Donald Trump passou o sábado, 10 de outubro, atacando Volodmir Zelenski e sugerindo que a Ucrânia precisava de um novo presidente. Na véspera, havia fechado um acordo com Vladimir Putin para importar diesel russo — apresentado como solução para a crise de energia antes das eleições de meio de mandato americanas.
O presidente republicano vinha pressionando Zelenski há semanas para que a Ucrânia cessasse os ataques à infraestrutura energética russa. Agora, dava um passo além: culpava Kiev pelos altos preços dos combustíveis nos EUA, ignorando que uma guerra americana no Irã havia elevado os preços globais de energia. "Ele quer criar problemas para o mundo", disse Trump sobre Zelenski, antes de partir para um comício no Tennessee.
A estratégia tinha motivação clara. Uma pesquisa da AP-NORC, publicada dias antes, mostrava que os americanos desaprovavam a gestão de Trump em relação ao Irã e o responsabilizavam pelo encarecimento dos combustíveis. Redirecionar a culpa para Kiev era uma resposta política a esse desgaste.
Trump também revisou a história da guerra com números que não resistem ao escrutínio: afirmou que Zelenski "perdeu 30% do seu país" e que mais de um milhão de pessoas morreram no conflito. Estimativas independentes indicam que cerca de 20% do território ucraniano está sob controle russo, e as cifras de baixas são significativamente menores do que as citadas pelo presidente americano.
Ao sugerir publicamente que Zelenski deveria ser substituído, Trump foi além da pressão diplomática — foi uma intervenção direta nos assuntos internos de um aliado, sem mediação e sem diplomacia, enquanto usava o acordo com Putin como moeda de troca política doméstica.
Donald Trump passou o sábado, 10 de outubro, atacando Volodmir Zelenski e sugerindo que a Ucrânia precisa de um novo presidente. O americano, que havia fechado um acordo com Vladimir Putin na véspera para importar diesel russo, culpou o líder ucraniano pelos altos preços dos combustíveis nos Estados Unidos e pelo prolongamento da guerra.
O acordo comercial com Putin foi apresentado por Trump como solução para a crise de energia antes das eleições de meio de mandato americanas. Mas o presidente republicano vinha pressionando Zelenski há semanas para que cessasse os ataques à infraestrutura energética russa — uma estratégia ucraniana central na guerra. Agora, Trump tentava vincular a crise de combustíveis doméstica à Ucrânia, em vez de atribuí-la à guerra que os EUA lideravam no Irã, que havia elevado os preços globais de energia. "Ele quer criar problemas para o mundo. Ele quer criar problemas para nossos agricultores, nossos pecuaristas, com o diesel", disse Trump antes de partir para um comício no Tennessee.
Uma pesquisa do Centro de Pesquisa de Assuntos Públicos da Associated Press-NORC, publicada em 1º de outubro, mostrava que os americanos desaprovavam a forma como Trump havia lidado com o Irã e o culpavam pelo aumento dos preços — um resultado que parecia motivar sua estratégia de redirecionar a culpa para Kiev.
Trump também reescreveu a história da guerra. Afirmou que, se fosse presidente em 2022, o conflito nunca teria começado, descrevendo-o como resultado de "incompetência". Citou números que não resistem ao escrutínio: disse que Zelenski "perdeu 30% do seu país" e que "mais de um milhão de pessoas foram perdidas no conflito, com mais de 2 milhões de mortos". Estimativas independentes apontam que cerca de 20% do território ucraniano está sob controle russo — um número significativamente menor. Autoridades de defesa britânicas estimaram recentemente que cerca de meio milhão de soldados russos foram mortos; não existem estimativas recentes confiáveis sobre o número de ucranianos mortos. Trump não forneceu fontes para seus números mais altos.
A pressão sobre Zelenski refletia uma mudança na postura americana. Trump estava tentando usar o acordo com Putin como moeda de troca política doméstica, enquanto pressionava a Ucrânia a aceitar termos que favoreceriam a Rússia. A sugestão de que Zelenski deveria ser substituído era um passo além da pressão diplomática — era uma intervenção direta nos assuntos internos de um aliado, feita publicamente e sem diplomacia.
Citazioni salienti
Ele quer criar problemas para o mundo. Ele quer criar problemas para nossos agricultores, nossos pecuaristas, com o diesel— Donald Trump
Acho que está na hora de a Ucrânia ter um novo presidente— Donald Trump