Após dois anos de guerra e destruição massiva em Gaza, Donald Trump anunciou um acordo para o desarmamento completo do Hamas e demais facções armadas no território palestino, mediado por Egito, Catar e Turquia. O processo, concebido em fases progressivas, prevê a retirada gradual das forças israelenses e a transferência da segurança a uma força internacional e a uma nova polícia palestina. Ainda que Trump celebre o anúncio como um marco histórico, vozes israelenses e sinais do próprio Hamas indicam que o caminho entre a declaração e a paz efetiva permanece incerto e repleto de exigências não r
Trump anuncia acordo histórico para desarmamento completo do Hamas em Gaza
Israel exige o desarmamento completo, incluindo retirada de armas
Como um acordo assim consegue funcionar quando as duas partes têm interpretações tão diferentes do que significa desarmamento completo?
Essa é exatamente a questão que paira sobre tudo isso. Trump diz que há um acordo, mas Israel diz que a proposta não atende suas exigências, e o Hamas está pedindo mudanças. É como se cada lado estivesse falando de um acordo diferente.
E o Conselho da Paz que Trump criou — por que nenhum aliado europeu entrou?
Porque muitos veem aquilo como Trump tentando contornar a ONU e centralizar o poder em suas mãos. Lula recusou justamente porque queria garantir que os palestinos tivessem voz. Não é um conselho que inspira confiança universal.
O que mudou entre janeiro, quando o conselho foi criado, e agora?
A guerra com o Irã. Em fevereiro, EUA e Israel atacaram o Irã, e isso consumiu toda a atenção. O Conselho da Paz saiu de cena. Agora Trump está tentando recuperar o protagonismo anunciando esse acordo.
Mas as imagens mostram destruição massiva. Como se reconstrói Gaza com essas cicatrizes?
Essa é a parte que o acordo não resolve. Ele fala em desarmamento, em novo governo, em força internacional. Mas não fala em como você reconstrói casas, hospitais, vidas. A destruição é real e está ali nas fotos.
Então esse acordo é real ou é mais um anúncio?
Provavelmente é ambos. Há negociações de verdade acontecendo. Mas enquanto Israel diz que não está satisfeito e o Hamas pede mudanças, chamar de acordo fechado é um pouco otimista demais.
The Pulse
- Trump proclamou nas redes sociais um acordo histórico de desarmamento total do Hamas, elevando as expectativas globais sobre o fim do conflito em Gaza.
- Israel contesta: um porta-voz político afirmou à AFP que a proposta atual ainda não atende plenamente as exigências israelenses de desmilitarização completa do território.
- O Hamas, por sua vez, sinalizou avanços em direção ao acordo, mas também busca modificações nos termos apresentados, mantendo a negociação em aberto.
- O Conselho da Paz criado por Trump — que concentra poder decisório em suas mãos e é visto como alternativa à ONU — perdeu protagonismo após a guerra com o Irã iniciada em fevereiro.
- Ao fundo, escombros em Deir al-Balah e danos a uma mesquita em Gaza lembram que qualquer acordo precisa enfrentar a realidade de uma população deslocada e uma infraestrutura devastada.
Após dois anos de guerra e destruição massiva em Gaza, Donald Trump anunciou um acordo para o desarmamento completo do Hamas e demais facções armadas no território palestino, mediado por Egito, Catar e Turquia. O processo, concebido em fases progressivas, prevê a retirada gradual das forças israelenses e a transferência da segurança a uma força internacional e a uma nova polícia palestina. Ainda que Trump celebre o anúncio como um marco histórico, vozes israelenses e sinais do próprio Hamas indicam que o caminho entre a declaração e a paz efetiva permanece incerto e repleto de exigências não resolvidas.
Donald Trump anunciou nesta quinta-feira um acordo que, segundo ele, representa um passo histórico para o desarmamento completo do Hamas e de todas as facções armadas na Faixa de Gaza. A notícia foi divulgada pelo presidente americano pelas redes sociais, descrevendo o pacto como um avanço decisivo rumo à paz após dois anos de guerra.
O acordo, mediado com participação ativa do Egito, Catar e Turquia, prevê um processo faseado: conforme o Hamas e outros grupos entregam suas armas, as forças israelenses se retiram gradualmente. Uma força internacional de estabilização e uma nova polícia palestina assumiriam então a segurança de Gaza, enquanto um novo governo palestino administraria o território.
Trump vinculou o anúncio ao plano de paz assinado em outubro de 2025 e ao Conselho da Paz, grupo de líderes internacionais que ele criou e preside vitaliciamente, lançado em Davos em janeiro. A iniciativa, porém, não contou com a adesão dos principais aliados europeus dos EUA. O Brasil foi convidado, mas o presidente Lula recusou, exigindo que os palestinos participassem das negociações.
Apesar do tom triunfal, os obstáculos são concretos. Fontes do Hamas indicaram que o grupo busca modificações na proposta, enquanto um porta-voz israelense afirmou à AFP que os termos atuais ainda não satisfazem as exigências de Israel — que demanda desarmamento total e desmilitarização completa como condições prévias. O Conselho da Paz, por sua vez, perdeu visibilidade na agenda de Trump após o ataque conjunto dos EUA e Israel ao Irã em fevereiro, que desencadeou uma guerra ainda em curso.
As imagens que acompanham o anúncio contam outra história: escombros de casas destruídas em Deir al-Balah e os danos de um ataque aéreo a uma mesquita em Gaza registram o pano de fundo humano sobre o qual essas negociações tentam, ainda que precariamente, se erguer.
Donald Trump anunciou nesta quinta-feira um acordo que, segundo ele, representa um passo histórico para o desarmamento completo do Hamas e de todas as facções armadas na Faixa de Gaza. O presidente americano divulgou a notícia pelas redes sociais, descrevendo o pacto como um avanço decisivo rumo à paz na região após dois anos de guerra.
O acordo foi mediado com participação ativa do Egito, Catar e Turquia. Conforme a proposta, o processo será executado em fases: à medida que o Hamas e outros grupos entreguem suas armas, as forças militares israelenses se retirarão gradualmente do território palestino. Uma força internacional de estabilização e uma nova polícia palestina assumirão então a responsabilidade pela segurança de Gaza, enquanto um novo governo palestino administrará a região.
Trump vinculou o acordo ao plano de paz assinado em outubro de 2025, que encerrou formalmente o conflito armado. O presidente atribui a conquista ao chamado Conselho da Paz, um grupo de líderes internacionais que ele criou e preside vitaliciamente. O conselho foi lançado em Davos em janeiro deste ano com o objetivo de supervisionar a paz em Gaza e coordenar a reconstrução do território palestino. Porém, nenhum dos principais aliados europeus dos Estados Unidos aderiu à iniciativa. O Brasil foi convidado, mas o presidente Luiz Inácio Lula recusou a participação, exigindo que os palestinos fossem incluídos nas negociações.
Apesar do anúncio de Trump, as negociações ainda enfrentam obstáculos significativos. Fontes do Hamas indicaram que o grupo avançava em direção a um acordo que incluísse o desmantelamento completo de suas estruturas, mas também sinalizaram que buscava modificações na proposta apresentada. Do lado israelense, um porta-voz político afirmou à agência AFP que a proposta atual ainda não satisfaz plenamente as exigências de Israel, que demanda o desarmamento total do Hamas, a retirada de todas as armas de Gaza e a desmilitarização completa do território como condições prévias para qualquer processo de paz.
O Conselho da Paz, que se reuniu pela primeira vez em fevereiro, concentra amplo poder de decisão nas mãos de Trump. A estrutura é vista por parte da comunidade internacional como uma tentativa de contornar o papel da Organização das Nações Unidas. O conselho perdeu visibilidade na agenda de Trump após o ataque conjunto de Estados Unidos e Israel ao Irã em 28 de fevereiro, que desencadeou uma guerra que persiste até o presente.
As imagens que acompanham o anúncio mostram a realidade do conflito: escombros de casas destruídas em Deir al-Balah, no centro de Gaza, e os danos causados por um ataque aéreo israelense a uma mesquita na Cidade de Gaza em 28 de julho. A destruição massiva da infraestrutura civil e o deslocamento de populações palestinas marcam o pano de fundo dessas negociações.
Notable Quotes
Israel exige o desarmamento completo do Hamas, incluindo a retirada de armas de Gaza e a plena desmilitarização da Faixa como condição prévia para qualquer processo— Fonte política israelense