Após dois anos de guerra em Gaza, Donald Trump anunciou um acordo que prevê o desarmamento completo do Hamas e de todas as facções armadas do território, com a promessa de um novo governo palestino e supervisão internacional. O Hamas confirmou a existência do pacto, enquanto Israel mantém reservas sobre se a proposta atende integralmente suas exigências de desmilitarização total. O anúncio marca um momento de inflexão frágil — entre a esperança de uma paz arquitetada e a realidade de negociações ainda em curso, onde cada palavra do acordo carrega o peso de vidas e soberanias em disputa.
Trump anuncia acordo para desarmamento completo do Hamas em Gaza
O Comitê Nacional será a única entidade autorizada a reter armas em Gaza
Por que Trump chama isso de histórico se as negociações ainda estão em movimento e Israel diz que não atende suas exigências?
Porque para Trump, o fato de o Hamas ter concordado em princípio com o desarmamento completo é em si uma virada. Dois anos de guerra, e agora há um documento assinado. Mas você está certo — o detalhe importa. Israel quer garantias de que não há armas escondidas, que a desmilitarização é total. Trump está vendendo a vitória antes de saber se ela vai durar.
Quem realmente controla as armas depois que são entregues? Esse comitê do Conselho da Paz?
Tecnicamente, sim. O Comitê Nacional será a única entidade autorizada a reter armas em Gaza. Mas o Conselho da Paz é criação de Trump, não uma instituição internacional estabelecida. Então você tem uma estrutura nova, sem precedentes, tentando gerenciar um arsenal em um território que acaba de sair de uma guerra. É ambicioso. É também frágil.
Por que o Brasil recusou entrar?
Lula disse que só entra se os palestinos tiverem assento à mesa. Ele não quer ser parte de um conselho que negocia o futuro de Gaza sem os palestinos dentro da sala. É uma posição política clara — não legitimar um processo que exclua quem será mais afetado.
E se o Hamas não entregar todas as armas?
Aí o acordo desmorona. As forças israelenses não saem, a polícia palestina não assume, a força internacional fica presa em um território em tensão. É por isso que Israel está dizendo que a proposta ainda não é suficiente. Eles precisam de verificação, de transparência. Confiança não é moeda aqui.
Quando isso começa?
Nas próximas semanas, segundo os EUA. Mas há um detalhe: isso foi anunciado em julho de 2026, e o acordo original é de outubro de 2025. Já se passaram quase nove meses. A guerra com o Irã começou em fevereiro e desviou a atenção de Trump. Agora ele está tentando reativar o processo. A pergunta é se o momentum ainda existe.
The Pulse
- Trump declarou o acordo como histórico, mas Israel sinalizou que a proposta ainda não satisfaz plenamente suas exigências de desmilitarização completa de Gaza.
- O Hamas confirmou o pacto à AFP, porém fontes internas do grupo indicam que ainda negocia mudanças nos termos — revelando que o texto final está longe de ser definitivo.
- O processo será faseado: à medida que o Hamas entregar armas, as forças israelenses se retirarão gradualmente, enquanto uma força internacional e uma nova polícia palestina assumem o controle de segurança.
- A mediação contou com Egito, Catar e Turquia, e a implementação está prevista para as próximas semanas — mas a arquitetura política do pós-guerra, incluindo quem governará Gaza, permanece em aberto.
- O Conselho da Paz de Trump, criado em Davos e boicotado pelos principais aliados europeus dos EUA, emerge como o principal árbitro do processo — concentrando poder decisório em torno do presidente americano e gerando desconforto na comunidade internacional.
Após dois anos de guerra em Gaza, Donald Trump anunciou um acordo que prevê o desarmamento completo do Hamas e de todas as facções armadas do território, com a promessa de um novo governo palestino e supervisão internacional. O Hamas confirmou a existência do pacto, enquanto Israel mantém reservas sobre se a proposta atende integralmente suas exigências de desmilitarização total. O anúncio marca um momento de inflexão frágil — entre a esperança de uma paz arquitetada e a realidade de negociações ainda em curso, onde cada palavra do acordo carrega o peso de vidas e soberanias em disputa.
Donald Trump anunciou nesta quinta-feira um acordo que, segundo ele, garante o desarmamento completo do Hamas e de todas as facções armadas na Faixa de Gaza. O Hamas confirmou a existência do pacto à agência AFP e à BBC. Nas redes sociais, Trump descreveu o momento como um passo histórico rumo à paz, afirmando que Gaza será administrada por um novo governo palestino após o desarmamento.
O processo foi desenhado em etapas: conforme o Hamas entrega suas armas, as forças israelenses se retiram gradualmente do território. Uma força internacional de estabilização e uma nova polícia palestina assumirão a segurança da região. A implementação está prevista para as próximas semanas, em coordenação com Israel. Washington também busca uma alternativa tecnocrática tanto ao Hamas quanto à Autoridade Palestina. A entrega das armas será supervisionada por um comitê estabelecido pelo Conselho da Paz criado por Trump — o único órgão autorizado a controlar armamentos em Gaza, segundo a declaração do Hamas.
Apesar do anúncio, as negociações permanecem em movimento. Uma fonte do Hamas indicou à AFP que o grupo ainda negocia mudanças na proposta. Do lado israelense, uma fonte política afirmou que a proposta ainda não atende plenamente às exigências do país, que exige o desarmamento completo e a desmilitarização total de Gaza como condição prévia para qualquer processo.
Trump vincula o acordo a um plano de paz assinado em outubro de 2025, que encerrou dois anos de guerra em Gaza. O Conselho da Paz — lançado em Davos em janeiro, com Trump como presidente vitalício — foi criado para supervisionar a reconstrução palestina, mas é visto por parte da comunidade internacional como uma tentativa de reduzir o protagonismo da ONU. A adesão ao conselho foi limitada: nenhum grande aliado europeu aderiu, e o Brasil recusou o convite, condicionando sua participação à inclusão dos palestinos. O conselho perdeu espaço na agenda de Trump após o ataque conjunto de EUA e Israel ao Irã em fevereiro, que abriu uma nova frente de conflito ainda em curso.
Donald Trump anunciou nesta quinta-feira um acordo que, segundo ele, garante o desarmamento completo do Hamas e de todas as facções armadas na Faixa de Gaza. O Hamas confirmou a existência do pacto, conforme informações da agência AFP e da BBC. Em publicações nas redes sociais, Trump descreveu o acordo como um passo histórico em direção à paz, afirmando que após o desarmamento, Gaza será administrada por um novo governo palestino.
O processo funcionará em etapas. Conforme o Hamas entregar suas armas, as forças israelenses sairão gradualmente do território. Simultaneamente, uma força internacional de estabilização e uma nova polícia palestina assumirão a responsabilidade pela segurança da região. Autoridades americanas informaram que a implementação começará nas próximas semanas, em coordenação com Israel. Eles também indicaram estar em busca de uma alternativa tecnocrática tanto ao Hamas quanto à Autoridade Palestina, que governa parcialmente a Cisjordânia.
Um representante do Hamas afirmou à AFP que a entrega das armas será supervisionada por um comitê que governará o território. Esse órgão será estabelecido pelo Conselho da Paz, criado por Trump. Segundo a declaração, o Comitê Nacional será a única entidade autorizada a reter, armazenar ou controlar armamentos em Gaza. A mediação do acordo contou com a participação do Egito, Catar e Turquia. Trump vinculou o tratado a um plano de paz assinado em outubro de 2025, que encerrou a guerra em Gaza após dois anos de conflito.
Apesar do anúncio, as negociações continuam em movimento. A AFP havia revelado anteriormente que o Hamas avançava em direção a um acordo que inclui o desmantelamento completo, embora uma fonte do grupo tenha indicado estar negociando mudanças na proposta. Do lado israelense, uma fonte política afirmou à AFP que a proposta ainda não atende plenamente às exigências de Israel. A posição israelense é clara: exige o desarmamento completo do Hamas, incluindo a retirada de armas de Gaza e a desmilitarização total da Faixa como condição prévia para qualquer processo.
Trump atribui o acordo a uma vitória do Conselho da Paz, um grupo de líderes de países convidados pelo presidente republicano e lançado em Davos em janeiro. O conselho foi criado pelo governo Trump para supervisionar a paz em Gaza e reconstruir o território palestino, sendo visto por parte da comunidade internacional como uma tentativa de reduzir o protagonismo da ONU. O grupo, que se reuniu pela primeira vez em fevereiro, tem Trump como presidente vitalício e concentra nele amplo poder de decisão.
A adesão internacional ao conselho, porém, foi limitada. Nenhum dos principais países europeus aliados dos EUA aderiu à iniciativa. O Brasil foi convidado, mas o presidente Luiz Inácio Lula da Silva recusou a participação, condicionando a entrada do país à inclusão dos palestinos. O Conselho da Paz perdeu protagonismo na agenda de Trump após o ataque conjunto de EUA e Israel ao Irã em 28 de fevereiro, que deu início a uma guerra que persiste até o presente.
Notable Quotes
Israel exige o desarmamento completo do Hamas, incluindo a retirada de armas de Gaza e a plena desmilitarização da Faixa como condição prévia para qualquer processo— Fonte política israelense à AFP
O Comitê Nacional será a única entidade autorizada a reter, armazenar ou controlar armas em Gaza— Autoridade do Hamas à AFP