Papa Francisco: ambos os lados em Gaza são irresponsáveis na guerra

O Papa refere contacto diário com Gaza e questiona quantas pessoas ainda vão morrer, indicando impacto humanitário significativo do conflito.
Aquele que tem coragem de erguer a bandeira branca é mais forte
O Papa redefine a negociação como um ato de força moral, não de fraqueza, ao falar sobre conflitos internacionais.
Mark

O Papa recusa culpar apenas um lado em Gaza. Como é que essa posição se sustenta quando há diferenças claras entre um Estado e um movimento armado?

Mimi

Ele não está a negar as diferenças — até as nomeia. Mas está a dizer que ambos fazem escolhas que causam sofrimento. A irresponsabilidade não é exclusiva de quem tem um exército.

Mark

E quanto à Ucrânia? Parece estar a pedir a Kiev que se renda.

Mimi

Não é rendição que ele pede. É coragem para reconhecer quando a guerra não está a funcionar e para explorar a possibilidade de negociar. Há uma diferença entre render-se e escolher a vida.

Mark

Mas se um lado está claramente a invadir e o outro a defender-se, não há assimetria moral?

Mimi

Talvez. Mas o Papa está a olhar para o custo humano, não para a pureza das posições. Vê pessoas a morrerem e pergunta-se se a guerra é realmente o caminho.

Mark

Ele mantém contacto diário com Gaza. Isso muda a forma como fala?

Mimi

Muda tudo. Não é abstração teórica. É gente real, sofrimento real, morte real. Isso torna a sua voz mais pesada, mais urgente.

Mark

A Turquia como mediadora — é realista?

Mimi

Talvez não seja a solução perfeita, mas é um sinal de que ele acredita que há ainda espaço para diplomacia, mesmo quando tudo parece perdido.

  • O Papa recusou apontar culpa exclusiva a qualquer lado em Gaza, declarando que tanto Israel como o Hamas são 'irresponsáveis' — uma posição que desafia narrativas dominantes sobre o conflito.
  • A distinção entre guerra militar convencional de Israel e a 'guerra de guerrilha' do Hamas revela a complexidade com que o Vaticano lê o conflito, sem absolver nenhum dos atores.
  • O contacto diário do pontífice com Gaza confere urgência pessoal às suas palavras — por detrás da teologia há uma voz que escuta, em tempo real, o peso do sofrimento humano.
  • Para a Ucrânia, o Papa inverteu a lógica da rendição: negociar não é capitular, é um ato de coragem política que exige mais força do que continuar a guerra.
  • Francisco apontou a Turquia e outras potências como mediadores disponíveis, insistindo que as negociações devem começar antes que a situação se deteriore para além do ponto de retorno.

Diante de dois conflitos que consomem vidas em escala crescente, o Papa Francisco recusou a tentação da narrativa simples: em Gaza, tanto o Hamas quanto Israel carregam, aos seus olhos, o peso da irresponsabilidade. Falando à rádio e televisão suíça, o pontífice — que mantém contacto diário com o terreno em Gaza — estendeu o mesmo apelo à Ucrânia, onde a coragem de negociar, disse, não é sinal de fraqueza, mas de força moral. No horizonte da sua mensagem está uma pergunta que atravessa séculos de conflito humano: quantas mortes são necessárias antes que o diálogo se torne inevitável?

O Papa Francisco olhou para Gaza e recusou a simplicidade de culpar apenas um lado. Numa entrevista à rádio e televisão suíça, cujos primeiros trechos foram divulgados no sábado, o pontífice afirmou que tanto Israel como o Hamas são irresponsáveis — uma formulação deliberada, nascida de um contacto que ele próprio descreveu como diário com a realidade no terreno.

O Papa distinguiu as formas de combate: Israel conduz uma guerra militar convencional; o Hamas pratica o que chamou de 'guerra de guerrilha'. Mas a distinção não serviu para absolver nenhum dos lados. Ambos, na sua leitura, escolhem a guerra quando poderiam escolher outra coisa.

A conversa alargou-se à Ucrânia, invadida pela Rússia há dois anos. Ali, o apelo papal não foi de acusação, mas de coragem política. Negociar, disse Francisco, exige força — não é um sinal de fraqueza nem de capitulação. Reconheceu a vergonha que muitos associam à ideia de sentar à mesa quando se está a perder, mas colocou uma pergunta mais urgente: quantas pessoas ainda precisam de morrer antes de se escolher o diálogo?

O pontífice insistiu que as negociações devem começar enquanto ainda há tempo, antes que a situação se deteriore para além do ponto de retorno. Apontou a Turquia como exemplo de país disposto a mediar, e sublinhou que outros também estão disponíveis. A entrevista completa será divulgada a 20 de março, mas estes fragmentos já revelam uma posição que vê na negociação não uma derrota, mas um ato de força moral.

O Papa Francisco olha para a guerra em Gaza e vê irresponsabilidade nos dois lados. Numa entrevista à rádio e televisão suíça, cujos trechos foram divulgados no sábado, o pontífice recusou-se a apontar o dedo apenas a um dos beligerantes. Mantém contacto diário com Gaza, disse, e essa proximidade com o sofrimento no terreno informou a sua perspetiva: a guerra é travada por dois atores, não por um.

O Papa distinguiu entre as formas de combate. Israel conduz uma guerra militar convencional. O Hamas, por seu lado, não é um exército no sentido tradicional — é um movimento que pratica o que o Papa chamou de "guerra de guerrilha". Ambas as abordagens, na sua leitura, revelam irresponsabilidade. "Os irresponsáveis são os dois que fazem a guerra", afirmou, numa formulação que recusa a simplicidade de culpar apenas um lado.

Mas Gaza não foi o único conflito que ocupou a mente do Papa nesta conversa. Voltou-se também para a Ucrânia, invadida pela Rússia há dois anos. Ali, o seu apelo foi diferente: não acusação, mas um chamado à coragem política. Negociar, disse, exige força, não fraqueza. Quando uma parte vê que está a ser derrotada, que as estratégias não funcionam, o caminho honroso é sentar-se à mesa. Há vergonha nisso, reconheceu — a sensação de que erguer a bandeira branca é capitulação. Mas a pergunta que o Papa colocou foi mais urgente: quantas pessoas ainda precisam de morrer antes de se escolher o diálogo?

O pontífice insistiu que as negociações devem começar enquanto há ainda tempo, enquanto a situação não se deteriorou para além do ponto de retorno. Apontou exemplos de países dispostos a mediar — a Turquia avançou, disse, e outros também estão disponíveis. A mensagem foi clara: não tenham vergonha de negociar antes que tudo piore. A entrevista completa será divulgada no dia 20, mas estes fragmentos já revelam uma posição papal que rejeita tanto a inocência de um lado como a culpa exclusiva do outro, e que vê na negociação não uma derrota, mas um ato de força moral.

Os irresponsáveis são os dois que fazem a guerra
— Papa Francisco
Aquele que tem a corança de erguer a bandeira branca, de negociar, é mais forte
— Papa Francisco
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