Por mais de um século, líderes americanos reconheceram a Groenlândia como uma peça estratégica no tabuleiro geopolítico do Ártico — mas nenhum havia conseguido formalizar essa ambição em papel assinado. Agora, após meses de tensão que chegaram a evocar o espectro do uso da força, Donald Trump anunciou um acordo com a Dinamarca que concede aos Estados Unidos controle permanente sobre a segurança do território, bloqueando a presença militar russa e chinesa sem que Washington precise desembolsar nada em troca. O que começou como uma crise diplomática entre aliados da Otan encaminha-se para ser se
Trump anuncia acordo de controle permanente sobre segurança da Groenlândia
Controle permanente sobre a segurança, sem prazo de expiração
Por que Trump insistiu tanto em controlar a Groenlândia? Qual era a ameaça real?
A preocupação dele era geopolítica — Rússia e China poderiam usar o Ártico como rota estratégica e instalar bases lá. A Groenlândia fica numa posição-chave. Mas a forma como ele levantou a questão, falando até em usar força, criou uma crise diplomática.
Espera — o acordo de 1951, atualizado em 2004, já permitia aos EUA aumentar tropas lá. Então qual é exatamente a novidade legal? Trump diz que é "permanente" e "sem custo", mas não deu detalhes.
Parece que a novidade é o direito de veto americano sobre investimentos estrangeiros sensíveis e presença militar. Antes, era mais sobre tropas americanas. Agora é sobre bloquear os outros.
E por que a Dinamarca e a Groenlândia celebram? Eles não perderam soberania?
Tecnicamente, a Groenlândia continua autônoma e a Dinamarca continua sendo a potência soberana. Mas eles veem isso como melhor do que a alternativa — Trump falando em tomar o território à força.
Mas ele realmente teria feito isso? Ou era blefe? Porque se era blefe, então eles negociaram sob pressão de algo que talvez não fosse real.
Ninguém sabe ao certo. O que sabemos é que a tensão diminuiu depois que a Otan lançou uma nova missão de segurança no Ártico. Parece que houve concessões dos dois lados.
Então o acordo será assinado na ONU na próxima semana. Isso é simbólico ou tem peso legal?
Provavelmente ambos. A ONU é um palco, mas um acordo formal entre nações tem peso. O timing também importa — Trump quer mostrar uma vitória diplomática.
Uma coisa que me intriga: Trump diz que não custará nada aos EUA, mas ele vai construir três novas bases militares. Construir bases custa dinheiro. Quem paga?
Boa pergunta. O comunicado dele não deixa claro. Pode ser que os EUA paguem pela construção, ou que haja algum arranjo financeiro que não foi divulgado.
E a população da Groenlândia, com 57 mil pessoas — como eles se sentem com bases militares americanas sendo construídas lá?
O chefe de governo local, Jens-Frederik Nielsen, disse que o acordo "fortalece" a segurança. Mas é uma população pequena, e nem todos podem ter sido consultados. Isso pode gerar tensões internas depois.
The Pulse
- Meses de alarme entre aliados da Otan, provocados pelas declarações de Trump sobre a necessidade de 'controlar' a Groenlândia — inclusive sem descartar o uso da força —, criaram uma das crises diplomáticas mais incomuns da história recente da aliança atlântica.
- O acordo concede aos EUA direito de veto sobre qualquer presença militar estrangeira ou investimento estratégico na Groenlândia, indo além do tratado de defesa de 1951 e de sua atualização de 2004.
- Washington planeja construir três novas bases militares no sul da ilha, somando-se à base de Pituffik já existente no norte, e Trump prometeu iniciar imediatamente uma 'grande presença militar' no território.
- Dinamarca e Groenlândia, que antes reagiram com dureza às pressões americanas, passaram a celebrar o pacto como fortalecimento da segurança regional e alinhamento com a Otan no Ártico.
- O acordo será assinado na Assembleia-Geral da ONU na próxima semana, transformando uma crise em um arranjo que Trump descreveu como de 'vida infinita' — sem prazo de expiração e sem custo para os Estados Unidos.
Por mais de um século, líderes americanos reconheceram a Groenlândia como uma peça estratégica no tabuleiro geopolítico do Ártico — mas nenhum havia conseguido formalizar essa ambição em papel assinado. Agora, após meses de tensão que chegaram a evocar o espectro do uso da força, Donald Trump anunciou um acordo com a Dinamarca que concede aos Estados Unidos controle permanente sobre a segurança do território, bloqueando a presença militar russa e chinesa sem que Washington precise desembolsar nada em troca. O que começou como uma crise diplomática entre aliados da Otan encaminha-se para ser selado na Assembleia-Geral da ONU, apresentado por todas as partes como uma vitória — um desfecho que diz muito sobre como o poder se negocia na era das grandes rivalidades.
Donald Trump anunciou na sexta-feira, 18 de setembro, um acordo com a Dinamarca que concede aos Estados Unidos controle permanente sobre a segurança da Groenlândia. O pacto impede que Rússia e China instalem bases militares ou realizem investimentos estratégicos no território ártico sem aprovação expressa de Washington — encerrando meses de tensão que haviam alarmado aliados da Otan e a União Europeia.
A crise teve início quando Trump insistiu publicamente que os EUA precisavam controlar a Groenlândia por razões geopolíticas, chegando a não descartar o uso da força para isso. A perspectiva perturbou profundamente Copenhague e Bruxelas. Em janeiro, em Davos, Trump já havia firmado um entendimento vago com o secretário-geral da Otan, Mark Rutte. Agora, tanto a primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, quanto o chefe de governo da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, celebram o novo pacto como uma vitória diplomática e um reforço à segurança regional.
O acordo vai além dos tratados de defesa anteriores — de 1951 e 2004 —, concedendo aos americanos direito de veto sobre qualquer presença militar estrangeira ou investimento sensível no território. Os EUA pretendem construir três novas bases militares no sul da ilha, além da base de Pituffik, já existente no norte. Trump afirmou que o pacto não custará nada aos Estados Unidos, não tem prazo de expiração e representa um feito histórico que presidentes americanos tentaram alcançar por mais de um século.
O acordo será formalmente assinado durante a Assembleia-Geral da ONU na próxima semana — transformando o que nasceu como uma crise diplomática em um arranjo que todas as partes apresentam como benéfico para a segurança do Ártico e para o alinhamento com a Otan.
Donald Trump anunciou na sexta-feira, 18 de setembro, que fechou um acordo com a Dinamarca que concede aos Estados Unidos o que chamou de "controle permanente" sobre a segurança da Groenlândia. O pacto impediria a Rússia e a China de instalar bases militares ou fazer investimentos estratégicos no território autônomo do Ártico, controlado por Copenhague, sem aprovação expressa dos americanos.
O anúncio encerra meses de tensão que começaram quando Trump insistiu publicamente que Washington precisava controlar a Groenlândia por razões geopolíticas. Suas declarações alarmaram a Dinamarca, aliada da Otan, e provocaram reações duras da aliança atlântica. Em janeiro, durante o fórum econômico de Davos, Trump já havia fechado um acordo com o secretário-geral da Otan, Mark Rutte, cujos termos permaneceram vagos. Agora, tanto Copenhague quanto o governo local de Nuuk celebram o novo pacto como uma vitória diplomática. A primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, saudou "a perspectiva de um bom acordo para a Groenlândia, o reino da Dinamarca e os Estados Unidos", afirmando que seria "bom para a Otan e a Europa". O chefe de governo da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, ressaltou que o acordo "fortalece" a segurança no território.
Trump não forneceu detalhes completos sobre o acordo, deixando em aberto se ele se relaciona com as negociações anteriores com Rutte. Segundo vários veículos de imprensa, os Estados Unidos pretendem abrir três novas bases militares no sul da Groenlândia, além da base de Pituffik, que já possuem no norte. Um acordo de defesa de 1951, atualizado em 2004, já permitia a Washington aumentar o envio de tropas e instalações militares na ilha, desde que informasse previamente a Dinamarca e a Groenlândia. O novo pacto aparentemente vai além, concedendo aos americanos direito de veto sobre qualquer presença militar estrangeira ou investimento sensível no território.
No auge da crise, Trump não descartou publicamente o uso da força para tomar o território, que abriga uma população de 57 mil habitantes. Essa possibilidade preocupou profundamente a União Europeia e a Otan. Desde então, a tensão diminuiu, e a aliança atlântica lançou uma nova missão para reforçar a segurança no Ártico, aparentemente numa tentativa de apaziguar as demandas americanas. Trump afirmou que o acordo não custará nada aos Estados Unidos e que representa uma solução "de vida infinita", sem prazo de expiração. Ele também anunciou que Washington começará imediatamente a construir uma "grande presença militar" na Groenlândia, trabalhando com o povo local no desenvolvimento e construção das instalações.
O presidente descreveu o pacto como um feito histórico, observando que presidentes americanos reconheceram a importância estratégica da Groenlândia por mais de 100 anos, mas nenhum havia conseguido formalizar um acordo desse tipo. Tanto a Dinamarca quanto a Groenlândia disseram que o acordo será assinado durante a Assembleia-Geral da ONU na próxima semana, transformando o que começou como uma crise diplomática em um arranjo que ambas as partes apresentam como benéfico para a segurança regional e para o alinhamento com a Otan no Ártico.
Notable Quotes
A partir de agora, nenhum adversário dos Estados Unidos poderá ter uma base na Groenlândia, presença militar na Groenlândia ou realizar investimentos sensíveis na Groenlândia sem a nossa aprovação expressa por escrito— Donald Trump
Isso seria bom para a Otan e a Europa— Mette Frederiksen, primeira-ministra da Dinamarca