Trump ameaça aniquilar Irã e volta a usar força militar na América Latina em discurso na ONU

Aniquilar a República Islâmica ou permitir sua reconstrução
Trump apresentou uma escolha binária sobre o Irã, deixando pouca margem para diplomacia convencional.
Mark

Por que Trump dedicou tanto tempo do discurso ao Irã especificamente? Não havia outros temas na agenda da ONU?

Mimi

A questão nuclear iraniana é uma obsessão para Trump. Ele vê o Irã como a maior ameaça aos interesses americanos no Oriente Médio, e a formulação dele — acordo ou aniquilação — deixa claro que ele vê poucas opções intermediárias.

Luke

Mas vale notar que a ameaça de "aniquilação" foi feita em um discurso, não em uma ação. É retórica forte, mas precisamos ser cuidadosos em não confundir palavras com política implementada.

Mark

E quanto à América Latina? Por que ele trouxe Maduro e Cuba para o mesmo discurso?

Mimi

Para Trump, há um padrão: ele vê ameaças ao hemisfério ocidental — cartéis, regimes comunistas, instabilidade — como problemas que justificam intervenção militar americana. Maduro preso é uma vitória que ele quer celebrar.

Luke

Embora seja importante dizer que a captura de Maduro em janeiro não foi uma operação militar americana direta. O contexto de como isso aconteceu não fica claro no discurso.

Mark

E a inteligência artificial? Por que isso apareceu no mesmo discurso sobre guerra?

Mimi

Porque para Trump, é tudo parte da mesma visão: América primeiro, sem restrições externas. Ele quer que a IA americana cresça sem regulação global, assim como quer liberdade de ação militar.

Luke

O contraste com Guterres é real, mas também é importante notar que Guterres estava saindo — ele tinha menos a perder ao criticar. Trump está entrando em seu segundo mandato com poder político real.

Mark

A aprovação dele em 32% é baixa. Isso enfraquece essas ameaças?

Mimi

Politicamente, sim, pode. Mas em termos de capacidade militar, os EUA continuam sendo a potência dominante. A aprovação doméstica e a capacidade de ação são coisas diferentes.

Luke

E precisamos lembrar que estamos a seis semanas das eleições ao Congresso. Esse discurso é também campanha — dirigido aos eleitores americanos tanto quanto à comunidade internacional.

  • Trump usou quarenta minutos na tribuna da ONU para lançar ameaças diretas ao Irã, ao Venezuela, a Cuba e aos cartéis latino-americanos — transformando um fórum de paz em palco de ultimatos.
  • Diante do representante iraniano, o presidente apresentou uma escolha brutal: acordo ou aniquilação rápida da República Islâmica, sem espaço para interpretação diplomática.
  • A delegação cubana abandonou a assembleia em protesto quando Trump declarou buscar uma 'mudança fundamental' na ilha e descreveu o regime como um Estado 'completamente fracassado'.
  • O contraste com Guterres foi simbólico e agudo: o secretário-geral recebeu ovação de pé ao defender cooperação global e regulação da inteligência artificial — a delegação americana permaneceu sentada.
  • Trump rejeitou qualquer controle internacional sobre a inteligência artificial, posicionando os EUA em rota de colisão com o consenso multilateral que Guterres passou uma década tentando construir.

Diante das nações reunidas em Nova York, Donald Trump transformou o palco do diálogo diplomático em tribuna de ultimatos, ameaçando aniquilar o Irã e reservando para si o direito de usar força militar na América Latina. Com aprovação em queda e eleições se aproximando, o presidente americano escolheu a linguagem da coerção onde a tradição pede a da negociação — enquanto o secretário-geral da ONU, em seu último discurso, pedia cooperação e foi aplaudido de pé por quase todos, exceto pela delegação americana.

Na terça-feira, a Assembleia Geral da ONU deveria ser um espaço de diálogo. Donald Trump o converteu em quarenta minutos de ameaças. Com aprovação em 32% — o pior índice de seu mandato — e eleições ao Congresso a seis semanas, o presidente americano dedicou a maior parte do discurso ao Irã, acusando Teerã de financiar terrorismo e planejar ataques contra aliados e tropas americanas no Oriente Médio.

A retórica foi além do habitual. Com o representante iraniano presente na sala, Trump apresentou um ultimato binário: ou o Irã fechava um acordo e se reconstruía, ou seria aniquilado rapidamente. Pouca margem para interpretação.

A América Latina também ocupou papel central. Trump celebrou a prisão de Nicolás Maduro — hoje detido em Nova York — e afirmou, diante da presidente interina venezuelana Delcy Rodríguez, que os EUA usariam poderio militar para proteger seus interesses no Hemisfério Ocidental. Classificou cartéis de drogas como organizações terroristas estrangeiras e apontou o México como epicentro da violência. Cuba foi outro alvo: quando Trump prometeu buscar uma 'mudança fundamental' na ilha, a delegação cubana se retirou da assembleia.

O contraste com António Guterres foi o momento mais revelador da sessão. Em seu último discurso como secretário-geral, Guterres alertou para os riscos da inteligência artificial fora de controle e defendeu cooperação global. Ao terminar, recebeu uma ovação de pé de quase todas as delegações — a americana permaneceu sentada. Trump, por sua vez, rejeitou qualquer regulação internacional da IA, comparando seu potencial à revolução industrial e recusando-se a 'coibir algo tão transformador'. A assembleia encerrou o dia dividida entre dois mundos que mal conseguem se ouvir.

Na terça-feira, enquanto a Assembleia Geral da ONU abria suas portas para o que deveria ser um espaço de diálogo diplomático, Donald Trump transformou seu discurso de quase quarenta minutos em uma sequência de ameaças militares. Com seis semanas faltando para as eleições ao Congresso americano e sua aprovação em queda livre — 32%, o índice mais baixo de seu mandato — o presidente americano direcionou a maior parte de seu tempo de fala para o Irã, acusando o governo iraniano de financiar grupos terroristas e planejar ataques contra aliados dos EUA e tropas americanas no Oriente Médio.

Trump reafirmou sua posição de que nunca permitirá que Teerã desenvolva armas nucleares. Mas foi além da retórica convencional. Diante do representante iraniano presente na assembleia, o presidente apresentou uma escolha binária que soava mais como ultimato: ou ele fecharia um acordo que permitisse ao Irã se reconstruir e se tornar um dos maiores países do Oriente Médio, ou ele aniquilaria a República Islâmica rapidamente, impedindo que voltasse a matar e destruir. A formulação deixava pouca margem para interpretação sobre suas intenções.

A América Latina também ocupou espaço central no discurso. Trump celebrou a captura de Nicolás Maduro em janeiro — o ditador venezuelano agora está preso em Nova York — e afirmou diante da presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, que os Estados Unidos não permitiriam mais que ameaças aos americanos se instalassem em qualquer lugar do Hemisfério Ocidental. O presidente foi além, declarando que usaria o poderio militar americano, caso necessário, para garantir os interesses nacionais vitais dos EUA na região. Desde seu retorno à Casa Branca, Trump classificou os cartéis de drogas das Américas como organizações terroristas estrangeiras, defendeu ataques contra embarcações de traficantes no Caribe e comparou esses grupos aos terroristas do Estado Islâmico. Apontou o México como epicentro da violência, mas não mencionou o Brasil.

Cuba também foi alvo de suas ameaças. Quando Trump afirmou que os Estados Unidos buscam uma mudança fundamental na ilha, a delegação cubana se retirou da assembleia. O presidente informou que seu secretário de Estado, Marco Rubio — filho de dissidentes cubanos — está negociando com o governo comunista. Reforçou que está aplicando a maior pressão que o regime já sofreu, descrevendo Cuba como um Estado completamente fracassado que está desmoronando e vai cair.

Em contraste marcante, o secretário-geral da ONU, António Guterres, que deixará o comando das Nações Unidas em 2026 após uma década no cargo, usou seu último discurso para a Assembleia Geral para alertar sobre riscos opostos. Guterres falou sobre a transferência de poder dos governos para um punhado de empresas privadas, das pessoas para as máquinas, com a inteligência artificial saindo do controle. Defendeu a cooperação global no setor para que os países adotem os mesmos padrões de segurança. Quando terminou, foi aplaudido de pé por quase todas as delegações — a americana permaneceu sentada.

Sobre inteligência artificial, Trump adotou posição radicalmente oposta. Rejeitou a ideia de criar um sistema global para controlar o setor, dizendo que os EUA encorajariam a tecnologia sem restringi-la. Comparou o potencial da IA à revolução industrial ou até à internet, argumentando que não coibiria o crescimento de algo tão transformador. A divergência entre os dois líderes — um saindo de cena após defender cooperação e regulação, outro entrando em seu segundo mandato com ameaças militares e rejeição a controles globais — marcou o tom de uma assembleia dividida.

Vou firmar um acordo com o Irã que lhe permita se reconstruir e criar um país muito mais grandioso do que jamais foi, ou devo aniquilar a República Islâmica e fazer isso rapidamente?
— Donald Trump, na Assembleia Geral da ONU
Nossas ações na Venezuela são uma prova de que os EUA não permitirão mais que ameaças aos americanos se instalem em qualquer lugar do Hemisfério Ocidental
— Donald Trump, dirigindo-se à presidente interina da Venezuela
Estamos testemunhando uma transferência de poder dos governos para um punhado de empresas privadas, das pessoas para as máquinas, com a inteligência artificial saindo do controle
— António Guterres, secretário-geral da ONU
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