Enquanto negociadores se reúnem no Egito para revisar um plano de 20 pontos, Donald Trump declarou na segunda-feira que o Hamas está cedendo em questões que considera cruciais para encerrar quase dois anos de guerra em Gaza. A mediação conduzida por Estados Unidos, Catar e Egito busca uma troca de reféns israelenses por prisioneiros palestinos, mas pontos fundamentais — como o desarmamento do Hamas e a retirada das forças israelenses — permanecem sem consenso. Por trás dos comunicados de otimismo, dezenas de milhares de mortos e um território destruído lembram que a distância entre uma estrutu
Trump diz que Hamas está cedendo em negociações de troca de reféns com Israel
Existe uma estrutura para que tudo isso possa acabar
Por que Trump está tão confiante agora, quando essas negociações fracassaram tantas vezes antes?
Porque há uma estrutura — um plano específico de 20 pontos que todos os lados, pelo menos publicamente, dizem aceitar. Não é acordo ainda, mas é mais do que havia antes.
Mas o Hamas ainda rejeita desarmamento e participação na governança. Como isso é cedência?
É cedência em questões táticas — talvez em como os reféns serão trocados, em cronogramas, em detalhes logísticos. Não é cedência nos princípios que o Hamas considera existenciais.
E Netanyahu? Ele realmente quer esse acordo?
Ele está preso entre dois fogos. Seus aliados de extrema direita o ameaçam. Seus próprios cidadãos querem os reféns de volta. E Trump está pressionando. Ele está tentando vender isso como vitória militar, não como concessão.
Qual é o risco real aqui?
Que as negociações desabem nos detalhes — sobre quais prisioneiros são libertados, sobre onde exatamente as tropas israelenses se retiram. E que, enquanto isso, as pessoas em Gaza continuam morrendo.
Então essa "estrutura" que Rubio mencionou — ela realmente muda algo?
Muda o fato de que há algo a negociar agora, não apenas posições fixas. Mas estrutura não é acordo. Estrutura é apenas o começo.
The Pulse
- Trump saiu da Sala Oval para anunciar avanços, mas os combates em Gaza continuaram naquele mesmo dia, com equipes de emergência impedidas de alcançar os mortos em zonas de conflito.
- O plano americano de 20 pontos propõe a libertação de cerca de 20 reféns vivos e restos mortais de outros 25 em troca de centenas de prisioneiros palestinos, mas os dois lados ainda discutem quem exatamente será incluído nas listas.
- Hamas rejeita desarmamento e qualquer exclusão de seu papel na governança de Gaza — exatamente as condições que Israel considera inegociáveis.
- Netanyahu enfrenta uma coalizão de extrema direita que ameaça dissolver o governo caso ele aceite um acordo, enquanto a população israelense e a pressão internacional empurram na direção oposta.
- Rubio reconheceu que a guerra não acabou, mas afirmou que pela primeira vez existe uma estrutura concreta que pode levar ao fim do conflito.
Enquanto negociadores se reúnem no Egito para revisar um plano de 20 pontos, Donald Trump declarou na segunda-feira que o Hamas está cedendo em questões que considera cruciais para encerrar quase dois anos de guerra em Gaza. A mediação conduzida por Estados Unidos, Catar e Egito busca uma troca de reféns israelenses por prisioneiros palestinos, mas pontos fundamentais — como o desarmamento do Hamas e a retirada das forças israelenses — permanecem sem consenso. Por trás dos comunicados de otimismo, dezenas de milhares de mortos e um território destruído lembram que a distância entre uma estrutura de paz e a paz em si ainda é vasta.
Donald Trump deixou a Sala Oval na segunda-feira para declarar que o Hamas estava cedendo em pontos que ele considerava essenciais. As negociações indiretas haviam começado naquele dia no Egito, mediadas por Estados Unidos, Catar e Egito, e o presidente americano expressava otimismo genuíno após apresentar um plano de 20 pontos na semana anterior. "Acho que vamos chegar a um acordo", disse ele, reconhecendo os fracassos anteriores, mas insistindo que desta vez seria diferente.
O plano propunha uma troca detalhada: os cerca de 20 reféns israelenses ainda vivos em Gaza, além dos restos mortais de outros 25, seriam libertados em troca de 250 prisioneiros palestinos cumprindo penas perpétuas e 1.700 detidos durante a guerra. Marco Rubio afirmou que o Hamas havia concordado com o acordo de libertação de reféns. Karoline Leavitt chamou as conversas técnicas em andamento de "conquista incrível".
Mas os pontos de atrito permaneciam. O Hamas se opunha ao desarmamento e à exclusão de qualquer papel na governança de Gaza — condições que Israel considerava fundamentais. Havia também divergências sobre quais prisioneiros palestinos seriam incluídos e sobre as linhas de retirada das forças israelenses, que o Hamas poderia tentar renegociar.
Netanyahu navegava entre pressões opostas: membros de sua coalizão de extrema direita ameaçavam dissolver o governo caso ele aceitasse um acordo, enquanto grande parte da sociedade israelense e a comunidade internacional pressionavam pelo fim do conflito e pela libertação dos reféns.
Do outro lado, o Hamas enfrentava a realidade de quase dois anos de guerra devastadora. Dezenas de milhares de palestinos foram mortos, incluindo milhares de crianças. Grande parte de Gaza havia sido destruída. A população vivia deslocamentos repetidos e privação extrema. Trump havia deixado claro que, sem acordo, Israel teria sinal verde para continuar.
Os combates não cessaram naquele dia. O exército israelense afirmou ter lançado ataques contra militantes, e equipes de emergência relataram não conseguir alcançar alguns dos mortos. Rubio resumiu o momento com cautela: "O que nos dá esperança é que pelo menos agora existe uma estrutura para que tudo isso possa acabar".
Donald Trump saiu da Sala Oval na segunda-feira para dizer aos repórteres que o Hamas estava cedendo. Não em tudo, mas em questões que ele considerava muito importantes — as negociações indiretas que começaram naquele dia no Egito, mediadas pelos Estados Unidos, Catar e Egito, finalmente pareciam estar avançando depois de anos de fracassos.
O presidente americano havia apresentado um plano de 20 pontos na semana anterior e agora expressava otimismo genuíno. "Acho que vamos chegar a um acordo", disse ele, reconhecendo que "eles estejam tentando há anos e anos" mas insistindo que desta vez seria diferente. Quando questionado se havia imposto condições — como o desarmamento do Hamas — Trump foi claro: tinha limites. Se certas questões não fossem atendidas, o acordo não aconteceria. Mas por enquanto, as coisas estavam indo bem.
No Egito, as equipes estavam revisando listas. Israel acreditava que cerca de 20 reféns ainda estavam vivos em Gaza, além de restos mortais de outros 25 que precisavam ser recuperados. O plano de Trump propunha uma troca: esses reféns israelenses seriam libertados em troca de 250 prisioneiros palestinos cumprindo penas perpétuas e 1.700 moradores de Gaza presos por Israel durante a guerra. Para cada refém cujos restos mortais fossem libertados, Israel também libertaria os restos mortais de 15 palestinos. Karoline Leavitt, secretária de imprensa da Casa Branca, descreveu as conversas técnicas em andamento como uma "conquista incrível". Marco Rubio, secretário de Estado, havia dito à Fox News que o Hamas concordara com o acordo de libertação de reféns.
Mas os detalhes permaneciam contestados. O plano previa que os reféns fossem libertados em até 72 horas após a concordância de Israel, algo que especialistas consideravam logisticamente difícil. Os dois lados ainda não haviam chegado a um acordo sobre quais prisioneiros palestinos seriam libertados. E havia questões maiores em jogo: o Hamas se opunha ao desarmamento e à exclusão de qualquer papel na governança de Gaza — ambas exigências que Israel considerava fundamentais. Na sexta-feira anterior, o Hamas havia afirmado estar disposto a libertar os reféns, mas não havia abordado esses pontos principais do plano americano.
Havia também incerteza sobre a retirada das forças israelenses. Trump havia afirmado nas redes sociais que Israel já concordara com uma linha de retirada inicial para a primeira fase do acordo. Mas o Hamas sinalizava que poderia se opor a alguns elementos — em negociações anteriores, havia concordado com uma zona-tampão perto da fronteira, enquanto o plano de Trump deixaria as forças israelenses mais profundamente posicionadas em Gaza.
Netanyahu, sob pressão de múltiplos lados, tentava apresentar o plano como uma vitória. Membros de sua coalizão de extrema direita há muito se opunham a qualquer acordo e ameaçavam dissolver o governo se ele concordasse. Ao mesmo tempo, muitos israelenses queriam um acordo sobre os reféns e o fim do conflito. A comunidade internacional, incluindo Trump, também pressionava.
O Hamas enfrentava pressões próprias. Muitos palestinos em Gaza viam a proposta de Trump como sua melhor esperança após quase dois anos de privação extrema. Grande parte do território havia sido destruída. Dezenas de milhares de palestinos foram mortos, incluindo milhares de crianças. A população enfrentava deslocamentos repetidos. Trump havia deixado claro que Israel teria sinal verde para destruir o Hamas se o grupo não chegasse a um acordo.
Trump havia exigido nas redes sociais que Israel parasse de bombardear Gaza para permitir que as negociações avançassem. O exército israelense instruiu suas forças a se concentrarem na defesa, restringindo operações militares. Mas os combates em terra continuaram na segunda-feira — o exército israelense afirmou ter lançado vários ataques contra o que descrevia como militantes ameaçando tropas. Equipes de emergência em Gaza disseram que não conseguiram alcançar alguns dos mortos porque estavam em zonas de combate.
Rubio admitiu que a guerra ainda não havia terminado e que havia trabalho a ser feito. Mas disse algo que capturava o momento: "O que nos dá esperança aqui é que pelo menos agora existe uma estrutura para que tudo isso possa acabar". Leavitt se recusou a dar um prazo para as discussões, mas disse que o governo estava trabalhando arduamente para fazer as coisas avançarem o mais rápido possível.
Notable Quotes
Acho que vamos chegar a um acordo, tenho quase certeza— Donald Trump
O que nos dá esperança aqui é que pelo menos agora existe uma estrutura para que tudo isso possa acabar— Marco Rubio, secretário de Estado dos EUA