Netanyahu rejeita subserviência dos EUA e elogia Trump por isolar Hamas

Dois reféns israelitas, Arie Zalmanovich (85 anos) e Tamir Adar (38 anos), tiveram seus corpos devolvidos pelo Hamas após serem capturados em 7 de outubro de 2023.
Israel não é protectorado dos Estados Unidos. Israel é quem decidirá.
Netanyahu rejeita qualquer sugestão de subserviência americana antes de receber o vice-presidente Vance em Jerusalém.
Mark

Porque é que Netanyahu sentiu necessidade de afirmar que Israel não é um protectorado dos EUA logo antes de receber Vance?

Mimi

Porque há receios reais de que uma força internacional em Gaza pudesse limitar a capacidade de Israel de agir. Netanyahu estava a enviar um sinal: qualquer acordo que façamos, nós mantemos o controlo sobre a nossa segurança.

Mark

Mas os Estados Unidos não têm interesse em controlar Israel?

Mimi

Têm interesses, claro. Mas a forma como Vance o explicou sugere que Washington vê isto de forma diferente — não como controlo, mas como coordenação. Os EUA querem que Israel e os aliados árabes assumam a responsabilidade pela região.

Mark

E o Hamas? Como é que se encaixa nesta narrativa de parceria?

Mimi

Netanyahu diz que Israel o neutralizou militarmente. Vance diz que Trump o isolou diplomaticamente no mundo árabe. Ambos precisam que o Hamas seja visto como derrotado para que o acordo funcione.

Mark

Qual é o verdadeiro objetivo aqui?

Mimi

Ampliar os Acordos de Abraão. Gaza é a peça que falta. Se conseguirem um cessar-fogo duradouro e uma normalização com os árabes, conseguem reconfigurar toda a política do Médio Oriente.

Mark

E a força internacional? Vai realmente funcionar?

Mimi

Ainda está a ser conceptualizada. Tudo depende de quem a constitui, que poderes tem, e se Israel realmente aceita limitações. Por enquanto, ambos os lados estão a fazer discursos de confiança.

  • Netanyahu antecipou o encontro com uma declaração pública de autonomia soberana, recusando qualquer leitura de que Israel age sob tutela americana.
  • Vance tentou dissipar a tensão afirmando que os EUA não querem um Estado vassalo, mas um parceiro capaz de ampliar os Acordos de Abraão e estabilizar a região.
  • A força internacional para supervisionar a trégua em Gaza ainda não tem forma definida, dependendo de contributos de países como Turquia, Indonésia e nações árabes, incluindo o Egito.
  • Apesar do tom harmonioso da conferência de imprensa, as assimetrias de poder entre os dois aliados permanecem por resolver e moldarão os próximos passos das negociações.
  • O dia foi também marcado pelo luto: Israel confirmou a identidade de Arie Zalmanovich, 85 anos, e Tamir Adar, 38 anos, cujos corpos foram devolvidos pelo Hamas após dois anos de cativeiro.

Em Jerusalém, Benjamin Netanyahu e o vice-presidente americano J.D. Vance encontraram-se para negociar os contornos de uma força internacional que supervisionaria um eventual cessar-fogo em Gaza — mas antes de qualquer aperto de mão, Netanyahu fez questão de afirmar que Israel não é protectorado de ninguém. É um momento em que a linguagem da soberania e a linguagem da aliança coexistem com tensão velada, enquanto dois corpos de reféns regressam a casa como lembrança silenciosa do custo humano desta guerra.

Benjamin Netanyahu recebeu J.D. Vance em Jerusalém com uma mensagem deliberada: Israel não é vassalo de ninguém, nem mesmo dos Estados Unidos. A declaração foi emitida horas antes do encontro, num gesto de afirmação de soberania enquanto as duas partes negociavam os detalhes de uma força internacional para supervisionar o cessar-fogo com o Hamas em Gaza.

Vance havia preparado o terreno na véspera, dizendo que essa força ainda estava "a ser conceptualizada" e que os EUA não imporiam nada aos seus aliados. O papel americano seria coordenar contributos de países como Turquia, Indonésia e nações árabes. Na conferência de imprensa, Netanyahu rejeitou com humor a ideia de dependência mútua — "parvoíce", disse — e Vance foi direto: "Não queremos um Estado vassalo. Queremos um parceiro."

O tom público foi de harmonia. Netanyahu elogiou a "clareza" e "perspicácia" de Vance, descrevendo a aliança como capaz de "mudar o Médio Oriente e mudar o mundo". Vance reconheceu que desarmar o Hamas será "muito difícil", mas revelou conversas "muito positivas" com líderes árabes dispostos a desempenhar um papel construtivo. Enquadrou o acordo com Gaza como peça essencial para desbloquear os Acordos de Abraão.

A visita decorreu sob o peso do luto. Israel confirmou nesse dia a identidade de dois reféns cujos corpos foram devolvidos pelo Hamas: Arie Zalmanovich, de 85 anos, e Tamir Adar, de 38, capturados no Kibbutz Nir Oz a 7 de outubro de 2023. O que emerge do encontro é uma parceria que ambos os lados procuram apresentar como equilibrada — mas a força internacional para Gaza continua sem forma definida, e muito dependerá de como será constituída e que poderes terá.

Benjamin Netanyahu recebeu o vice-presidente americano J.D. Vance em Jerusalém numa quarta-feira de outubro com uma mensagem clara antes mesmo de se sentarem à mesa: Israel não é vassalo de ninguém, nem mesmo dos Estados Unidos. A declaração saiu do gabinete do primeiro-ministro horas antes do encontro, um gesto deliberado de afirmação de soberania num momento em que Washington e Tel Aviv negociam os detalhes de uma força internacional destinada a supervisionar o cessar-fogo com o Hamas em Gaza.

O pano de fundo desta visita é delicado. Os acordos desenhados pela Casa Branca preveem a constituição de uma força internacional para monitorizar a trégua, e Netanyahu sentia necessidade de tranquilizar quem temia que tal mecanismo pudesse limitar a capacidade de Israel de se defender. "Israel é quem decidirá sobre a sua segurança", disse, de forma inequívoca. Vance, por seu lado, já havia preparado o terreno na véspera, afirmando que a força internacional ainda estava "a ser conceptualizada" e que os Estados Unidos não imporiam nada aos seus "amigos israelitas". O papel americano seria o de coordenar contributos de países como Turquia, Indonésia e nações árabes, incluindo o Egito.

Na conferência de imprensa que se seguiu ao encontro, Netanyahu voltou à carga quando questionado sobre a relação bilateral. Com um toque de humor, rejeitou o que chamou de "parvoíce" — a ideia de que ora Israel controla os Estados Unidos, ora o contrário. "Nós tomamos as decisões pela segurança de Israel, mas tomamos decisões comuns para a região que, na minha opinião, podem servir a ambos", explicou. Vance, por sua vez, foi claro: "Não queremos um Estado vassalo, e não é isso que Israel é. Os Estados Unidos querem um parceiro."

O tom do encontro foi de harmonia, pelo menos na sua apresentação pública. Netanyahu elogiou Vance pela sua "clareza", "perspicácia" e "solidariedade", descrevendo a relação entre os dois países como "uma aliança sem precedentes" que poderia "mudar o Médio Oriente e mudar o mundo". O primeiro-ministro israelita atribuiu a ação militar em Gaza ao facto de Israel ter "colocado uma faca na garganta do Hamas", mas reconheceu que Donald Trump e a sua equipa foram "brilhantes" ao conseguir "isolar o Hamas no mundo árabe e muçulmano".

Vance reconheceu que desarmar o Hamas será "uma tarefa muito difícil", mas manteve um tom otimista. Revelou que nas últimas 24 horas havia tido conversas "muito positivas" tanto com o governo israelita como com "amigos no mundo árabe, que estão a dar um passo à frente e a voluntariar-se para desempenhar um papel muito positivo". O vice-presidente enquadrou este processo como parte de uma estratégia mais ampla: ampliar os Acordos de Abraão, os acordos de normalização entre Israel e Estados árabes. "Este acordo com Gaza é uma peça fundamental para desbloquear os Acordos de Abraão", afirmou.

A visita ocorreu num contexto de luto para Israel. O gabinete de Netanyahu confirmou nessa quarta-feira a identidade de dois reféns cujos corpos foram devolvidos pelo Hamas na véspera: Arie Zalmanovich, de 85 anos, e Tamir Adar, de 38 anos, ambos capturados no Kibbutz Nir Oz a 7 de outubro de 2023. A devolução dos seus corpos marca mais um capítulo na longa negociação sobre reféns e prisioneiros que tem marcado as conversações sobre o cessar-fogo.

O que emerge deste encontro é uma dinâmica de parceria que ambos os lados procuram enquadrar como equilibrada, apesar das assimetrias óbvias. Netanyahu insiste na autonomia de Israel, enquanto Vance procura apresentar os Estados Unidos não como impositor de vontade, mas como coordenador de uma arquitetura regional mais ampla. A força internacional para Gaza continua ainda em fase de conceptualização, e muito dependerá de como essa força será constituída e que poderes terá. Por enquanto, ambos os lados parecem satisfeitos com a narrativa de parceria entre iguais.

Não somos um protectorado dos Estados Unidos. Israel é quem decidirá sobre a sua segurança.
— Benjamin Netanyahu
Não queremos um Estado vassalo, e não é isso que Israel é. Os Estados Unidos querem um parceiro.
— J.D. Vance
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