No final de novembro de 2020, a Administração Trump preparava-se para inscrever dois gigantes da economia chinesa — a fabricante de chips SMIC e a petrolífera CNOOC — numa lista negra que proibia investidores norte-americanos de negociar com empresas consideradas ligadas ao Exército chinês. A medida, mais do que uma sanção comercial, era um sinal de que a rivalidade entre Washington e Pequim havia ultrapassado o domínio das tarifas e se instalara no coração da tecnologia e da energia. Com a transição presidencial a semanas de distância, o legado desta escalada prometia sobreviver a qualquer mu
Trump adiciona maior produtora de chips chinesa à lista negra dos EUA
Capital norte-americano a modernizar equipamentos militares chineses
Porque é que Trump escolheu estas duas empresas em particular? Há algo que as une?
Ambas são críticas para a capacidade militar e tecnológica da China. A SMIC produz os chips que alimentam tudo, desde telemóveis até sistemas de defesa. A CNOOC fornece a energia que o país precisa. Cortando o acesso a capital e fornecedores norte-americanos, Trump estava a tentar travar a modernização militar chinesa na sua origem.
Mas a SMIC nega qualquer ligação com o Exército. Como é que o Departamento de Defesa chegou à conclusão oposta? A Reuters cita fontes anónimas e documentos, mas não sabemos qual é a base da classificação.
A SMIC depende realmente de fornecedores norte-americanos?
Sim, bastante. É por isso que a medida é tão eficaz. Mesmo que a empresa tente contornar as sanções, vai ter dificuldade em obter os materiais que precisa para produzir chips.
Embora seja verdade que a empresa depende de fornecedores norte-americanos, o impacte real ainda era incerto quando a notícia foi publicada. Ninguém sabia ao certo o que aconteceria.
E a CNOOC? Porque é que uma petrolífera foi incluída?
Porque a energia é poder. Se conseguires controlar o acesso de um país à energia, controlas a sua capacidade de agir. E a CNOOC é estatal, o que significa que qualquer restrição é uma restrição ao próprio Estado chinês.
Verdade, mas a CNOOC não comentou a notícia. Não sabemos como a empresa via a situação ou se tinha planos para contornar as sanções.
Isto vai piorar as relações entre os EUA e a China?
Já estavam más. Havia guerra comercial, acusações sobre Hong Kong, sobre a pandemia. Isto foi apenas mais um passo numa escalada que já estava em curso.
E Biden? Vai manter estas sanções quando tomar posse?
Ninguém sabia ao certo. Esperava-se uma reorientação da política externa, mas a tensão entre Washington e Pequim parecia estar para ficar, independentemente de quem estivesse na Casa Branca.
Der Puls
- A inclusão da SMIC e da CNOOC na lista negra do Pentágono representava uma das investidas mais agressivas de Washington contra a cadeia industrial chinesa, atingindo simultaneamente o setor de semicondutores e o energético.
- Os mercados reagiram de imediato: as ações da SMIC caíram 2,7% e as da CNOOC desabaram 13,9%, revelando a vulnerabilidade das empresas chinesas à pressão regulatória norte-americana.
- A SMIC, já fragilizada por restrições impostas em setembro aos seus fornecedores, negou qualquer ligação militar e afirmou manter diálogo construtivo com Washington — mas as palavras não travaram a queda bolsista.
- Pequim respondeu com contenção diplomática, pedindo que os EUA não criassem mais obstáculos à cooperação, enquanto a lista negra continuava a crescer e novas empresas aguardavam o mesmo destino.
- Com Joe Biden a tomar posse em janeiro de 2021, poucos acreditavam numa inversão de rumo: a competição tecnológica e militar entre as duas potências estava estruturalmente instalada, independentemente de quem ocupasse a Casa Branca.
No final de novembro de 2020, a Administração Trump preparava-se para inscrever dois gigantes da economia chinesa — a fabricante de chips SMIC e a petrolífera CNOOC — numa lista negra que proibia investidores norte-americanos de negociar com empresas consideradas ligadas ao Exército chinês. A medida, mais do que uma sanção comercial, era um sinal de que a rivalidade entre Washington e Pequim havia ultrapassado o domínio das tarifas e se instalara no coração da tecnologia e da energia. Com a transição presidencial a semanas de distância, o legado desta escalada prometia sobreviver a qualquer mudança de governo.
No final de novembro de 2020, a Reuters revelou que a Administração Trump se preparava para adicionar a SMIC e a CNOOC à lista negra do Departamento de Defesa dos EUA, classificando-as como empresas com ligações ao Exército chinês. A medida decorria de uma ordem executiva assinada por Trump que proibia cidadãos e investidores norte-americanos de negociar com qualquer entidade nessa lista, com o argumento de que o Partido Comunista Chinês explorava capital estrangeiro para modernizar as suas capacidades militares.
A SMIC era o alvo mais vulnerável. A maior produtora de chips da China dependia fortemente de fornecedores norte-americanos, e já tinha sido alvo de restrições em setembro, quando Washington começou a exigir licenças especiais a quem quisesse continuar a abastecê-la. A empresa respondeu à notícia negando qualquer ligação militar e afirmando que os seus produtos se destinavam exclusivamente a fins civis — mas o mercado não esperou por explicações. As suas ações caíram 2,7%. As da CNOOC, que não comentou a situação, perderam 13,9%.
O contexto era de tensão acumulada: a guerra comercial entre Washington e Pequim aprofundara-se ao longo de anos, agravada por disputas em torno de Hong Kong, da pandemia de covid-19 e da corrida tecnológica global. O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês pediu, em tom contido, que os EUA não criassem mais obstáculos à cooperação bilateral — uma declaração que traduzia frustração sem abrir conflito.
O timing era carregado de significado. Biden tomaria posse a 20 de janeiro de 2021, e embora se esperasse uma reorientação da política externa norte-americana, havia consenso de que a rivalidade com Pequim não abrandaria. A lista negra continuaria a crescer, as empresas chinesas continuariam a ser o campo de batalha, e a transição de poder em Washington não alteraria a trajectória estrutural de uma competição que se tornara sistémica.
A Administração Trump estava a preparar um golpe contra dois dos maiores nomes da economia chinesa. A Semiconductor Manufacturing International Corporation, conhecida como SMIC, a maior produtora de chips da China, e a China National Offshore Oil Corporation, a CNOOC, uma petrolífera estatal, seriam ambas adicionadas à lista negra do Departamento de Defesa dos EUA — classificadas como empresas com ligações ou controladas pelo Exército chinês. A notícia, avançada pela Reuters no final de Novembro de 2020, citando três fontes anónimas e documentos internos, representava uma escalada significativa na pressão que Washington vinha exercendo sobre Pequim.
Trump tinha assinado pouco antes uma ordem executiva que proibia os norte-americanos de investirem ou negociarem com qualquer empresa nesta lista negra. A justificação era clara: o Partido Comunista Chinês estava a "explorar o capital dos Estados Unidos para obter recursos e modernizar os seus equipamentos militares", uma ameaça que Trump considerava pôr em causa a segurança nacional. A SMIC já tinha sido alvo de restrições em Setembro, quando as autoridades norte-americanas começaram a exigir licenças aos fornecedores que quisessem trabalhar com a empresa chinesa — uma medida que fazia parte de uma estratégia mais ampla de pressão sobre a Huawei e sobre a cadeia de abastecimento tecnológica chinesa.
O problema para a SMIC era estrutural. A empresa dependia fortemente de fornecedores norte-americanos para produzir os seus materiais, o que significava que uma inclusão formal na lista negra poderia ter consequências devastadoras. Quando a notícia foi divulgada, a SMIC respondeu com uma declaração à Reuters, afirmando que mantinha um diálogo "construtivo" com o Governo norte-americano e negando categoricamente qualquer ligação com o Exército chinês. Os seus produtos e serviços, insistiu a empresa, destinavam-se apenas a fins comerciais e civis. Mas as palavras não conseguiram travar o mercado. As acções da SMIC caíram 2,7% assim que a notícia foi tornada pública. As da CNOOC, que não comentou a situação, desabaram 13,9%.
Embora não houvesse ainda uma data definida para que as sanções entrassem em vigor, a Reuters reportava que o número de empresas a integrar a lista negra deveria continuar a aumentar nos meses seguintes. Pequim respondeu através do porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Hua Chunying, que expressou a esperança de que os Estados Unidos não criassem mais obstáculos à cooperação entre os dois países. Era uma declaração diplomática, mas o tom revelava a frustração. Washington e Pequim estavam já envolvidos numa guerra comercial que se tinha vindo a aprofundar, e as acusações trocadas eram constantes — sobre Hong Kong, onde uma lei de segurança nacional tinha sido imposta em Junho, e sobre a pandemia de covid-19, que Trump culpava a China por ter originado.
O timing da medida era particularmente significativo. Joe Biden, o Presidente eleito, tomaria posse a 20 de Janeiro de 2021, apenas três semanas depois da notícia. Esperava-se que a sua Administração reorientasse a política externa norte-americana, mas havia pouca esperança de que a tensão entre Washington e Pequim diminuísse. Mesmo com uma Administração democrata no horizonte, a trajectória estava traçada: a competição tecnológica e militar entre as duas potências continuaria a intensificar-se, e as empresas chinesas continuariam a ser o campo de batalha.
Bemerkenswerte Zitate
O Partido Comunista Chinês está a explorar o capital dos Estados Unidos para obter recursos e modernizar os seus equipamentos militares— Donald Trump, na ordem executiva que proibiu investimentos em empresas da lista negra
A SMIC continua o diálogo construtivo com o Governo norte-americano e nega qualquer ligação com o Exército chinês, garantindo que os seus produtos destinam-se apenas a fins comerciais e civis— SMIC, em declarações à Reuters