O crescimento econômico não é garantido; precisamos defendê-lo ativamente
A Academia Real das Ciências da Suécia reconheceu, nesta semana, três economistas — Joel Mokyr, Philippe Aghion e Peter Howitt — pelo trabalho de uma vida dedicado a decifrar por que algumas sociedades prosperam enquanto outras estacionam. Ao mapear os mecanismos da inovação, da destruição criativa e da abertura cultural ao novo, eles revelaram que a prosperidade dos últimos dois séculos não foi acidente, mas resultado de forças que precisam ser ativamente preservadas. O prêmio é, em si, um alerta: o crescimento que tirou bilhões da pobreza pode se desfazer se as condições que o tornaram possível forem negligenciadas.
- O Nobel de Economia 2025 foi dividido entre três pesquisadores cujas obras, juntas, explicam o maior salto de bem-estar da história humana — e os riscos de revertê-lo.
- A tensão central do trabalho premiado é que a inovação, motor do progresso, também destrói: empresas, empregos e modelos inteiros de negócio são varridos pelo avanço tecnológico.
- Mokyr recebe metade do prêmio por revelar os mecanismos culturais e tecnológicos do crescimento sustentado; Aghion e Howitt dividem a outra metade pelo modelo matemático da destruição criativa.
- O comitê do prêmio alertou que o crescimento econômico não é uma força natural inevitável — ele exige que sociedades protejam ativamente os ambientes onde a inovação pode florescer.
- O trabalho dos três aponta que, quando conflitos econômicos não são tratados de forma construtiva, a inovação se concentra em poucos e a estagnação se torna o destino coletivo.
A Academia Real das Ciências da Suécia anunciou na segunda-feira o Prêmio Nobel de Economia de 2025, concedido a Joel Mokyr, Philippe Aghion e Peter Howitt pelo estudo dos mecanismos que tornam o crescimento econômico sustentado possível. O prêmio de 11 milhões de coroas suecas — cerca de 6,4 milhões de reais — foi dividido de forma a refletir a natureza complementar das contribuições: Mokyr fica com metade, enquanto Aghion e Howitt dividem a outra entre si.
Mokyr, holandês de nascimento e doutor por Yale, leciona na Universidade Northwestern em Illinois. Seu trabalho identificou os mecanismos concretos que permitem o crescimento impulsionado pela tecnologia, com ênfase especial em algo que a Academia considera fundamental: a disposição de uma sociedade para abraçar novas ideias. Esse componente cultural do progresso, segundo a instituição, permaneceu mal compreendido mesmo durante a Revolução Industrial.
Aghion, francês formado em Harvard e professor na London School of Economics, e Howitt, canadense doutor pela Northwestern e hoje na Brown University, construíram juntos um modelo matemático para a chamada destruição criativa — o processo pelo qual inovações substituem produtos e modelos de negócio menos eficientes. A conclusão é ao mesmo tempo esperançosa e severa: o progresso cria, mas também destrói, penalizando aqueles que não conseguem acompanhar seu ritmo.
John Hassler, presidente do Comitê do prêmio, sintetizou a mensagem central dos três laureados: o crescimento econômico não é garantido. Para evitar a estagnação, as sociedades precisam defender ativamente os mecanismos da destruição criativa — mantendo vivo o processo de inovação mesmo quando ele gera perturbação e conflito.
A Academia Real das Ciências da Suécia anunciou na segunda-feira que o Prêmio Nobel de Economia de 2025 seria dividido entre três pesquisadores: Joel Mokyr, Philippe Aghion e Peter Howitt. O reconhecimento veio pela contribuição deles em explicar como a inovação funciona como motor do crescimento econômico sustentado — aquele que, nos últimos dois séculos, tirou bilhões de pessoas da pobreza e construiu a base da prosperidade moderna.
O prêmio totaliza 11 milhões de coroas suecas, aproximadamente 6,4 milhões de reais. Mokyr fica com metade dessa quantia. Aghion e Howitt dividem a outra metade entre si. A divisão reflete a natureza complementar de suas contribuições: enquanto Mokyr focou em um aspecto do problema, a dupla franco-canadense abordou outro.
Mokyr, nascido na Holanda e doutor pela Universidade de Yale, trabalha como professor na Universidade Northwestern em Illinois. Seu trabalho identificou os mecanismos concretos que permitem o crescimento econômico sustentado impulsionado pela tecnologia. Ele também ressaltou algo que a Academia Sueca considera fundamental: a importância de uma sociedade estar aberta a novas ideias e mudanças. Esse aspecto cultural do progresso, segundo a instituição, não era bem compreendido nem durante a Revolução Industrial.
Aghion é francês, doutor por Harvard e professor na London School of Economics and Political Science, no Reino Unido. Howitt é canadense, doutor pela Northwestern University e atualmente professor na Brown University. Juntos, eles criaram um modelo matemático para explicar o que chamam de destruição criativa — o processo pelo qual inovações e novas tecnologias substituem produtos e modelos de negócios menos eficientes. Sua conclusão é simultaneamente otimista e sombria: esse processo é criativo, sim, mas também destrutivo, pois prejudica aqueles que não conseguem acompanhar o ritmo do progresso.
A Academia explicou o raciocínio por trás do prêmio com clareza: o crescimento econômico sustentado é um fenômeno recente na história humana, e compreender seus mecanismos é essencial. As pesquisas dos laureados mostram que conflitos econômicos precisam ser tratados de forma construtiva; caso contrário, a inovação fica confinada a algumas empresas e grupos de interesse específicos. John Hassler, presidente do Comitê do prêmio em ciências econômicas, resumiu a mensagem central do trabalho dos três: o crescimento econômico não é garantido. Para evitar a estagnação, as sociedades precisam defender ativamente os mecanismos subjacentes à destruição criativa — ou seja, manter vivo o processo de inovação mesmo quando ele causa perturbação.
Notable Quotes
A inovação fornece o ímpeto para mais progressos, e o crescimento econômico não é garantido — devemos defender os mecanismos subjacentes à destruição criativa para evitar a estagnação— Academia Real das Ciências da Suécia e John Hassler, presidente do Comitê do prêmio
The Hearth Conversation Another angle on the story
Por que esses três economistas em particular? O que os diferencia?
Mokyr olhou para a história e perguntou: como a tecnologia realmente impulsiona o crescimento? Aghion e Howitt pegaram essa pergunta e a formalizaram matematicamente. Juntos, eles cobrem tanto a intuição quanto o modelo.
Esse conceito de destruição criativa — parece contraditório chamar algo de criativo e destrutivo ao mesmo tempo.
Não é contraditório, é a realidade. Quando um carro elétrico substitui um motor a combustão, há inovação, progresso. Mas o mecânico que só sabe consertar motores a gasolina fica para trás. Os três economistas estão dizendo que precisamos reconhecer ambos os lados.
E qual é a implicação política disso?
A Academia foi bem clara: se você deixa a inovação acontecer de forma desordenada, ela beneficia alguns e prejudica outros. Conflitos econômicos surgem. A solução não é bloquear a inovação, mas gerenciá-la de forma que seja construtiva para a sociedade como um todo.
Então o prêmio é um aviso?
É mais que um aviso. É um reconhecimento de que o crescimento econômico que conhecemos nos últimos 200 anos não é automático. Ele depende de escolhas que fazemos sobre como lidar com a mudança tecnológica.