Na tarde de uma sexta-feira comum, três oficiais da Polícia Militar de Minas Gerais partiram de Belo Horizonte em um voo de rotina e não voltaram. A queda da aeronave Beechcraft Super King Air 300 próximo a Santana do Paraíso levou consigo um piloto veterano de cinco mil horas de voo, uma tenente que havia quebrado barreiras históricas dentro da corporação e uma terceira oficial em plena trajetória de serviço. O que resta, além do luto institucional e das famílias enlutadas, é a pergunta que toda tragédia aérea deixa suspensa no ar — e que o Cenipa agora tentará responder.
Três policiais militares morrem em queda de avião da PM no Vale do Aço
Perdemos três asas indomáveis, pessoas que faziam um trabalho importantíssimo
Por que essa história importa além da tragédia imediata?
Porque representa a perda de expertise operacional concentrada. Silvestre era o instrutor mais capacitado da corporação — mais de cinco mil horas de voo. Quando você perde alguém assim, perde conhecimento que leva anos para reconstruir.
Mas a gente não sabe ainda por que o avião caiu. Pode ter sido falha mecânica, erro de pilotagem, condições climáticas. Tudo que temos é que decolou e não chegou.
E a tenente Gabriela — ela era importante por ser mulher piloto, ou por ser boa piloto?
Os dois. Ela foi a primeira mulher habilitada a pilotar asa fixa na PMMG. Isso quebrou uma barreira institucional. Mas ela também tinha 300 horas de voo e estava retornando de licença-maternidade, tentando equilibrar carreira e família.
Temos que ser cuidadosos aqui. Não sabemos se o gênero dela teve qualquer relação com o acidente. Ela era uma pilota experiente. Ponto.
Três mortes em um dia — dois acidentes aéreos em Belo Horizonte. Isso é coincidência?
Não sabemos. O monomotor que caiu perto da Estação São Gabriel também decolou da Pampulha, mas em horários diferentes e com destinos diferentes. Pode ser coincidência, pode haver um fator comum que ainda não foi identificado.
A fonte não conecta os dois acidentes. Temos que resistir à tentação de tecer uma narrativa que a reportagem não sustenta.
Il Polso
- Uma aeronave da PM mineira desapareceu dos radares em plena tarde, e a coluna de fumaça preta que se ergueu sobre o Vale do Aço anunciou o pior antes mesmo de qualquer confirmação oficial.
- Três vidas foram interrompidas em questão de minutos: um instrutor veterano, uma pioneira histórica que havia acabado de retornar da licença-maternidade e uma terceira tenente em serviço ativo.
- A tenente Gabriela, primeira mulher da PMMG habilitada a pilotar aeronaves de asa fixa, e o tenente-coronel Silvestre, o piloto mais experiente da corporação, representavam o núcleo de excelência do esquadrão — e ambos estavam a bordo.
- O acidente ocorreu em um dia já marcado por outra queda aérea em Belo Horizonte, criando uma sombra dupla sobre a aviação mineira naquela sexta-feira.
- O Cenipa foi acionado para investigar as causas, mas as circunstâncias exatas da queda permanecem, por ora, sem resposta.
Na tarde de uma sexta-feira comum, três oficiais da Polícia Militar de Minas Gerais partiram de Belo Horizonte em um voo de rotina e não voltaram. A queda da aeronave Beechcraft Super King Air 300 próximo a Santana do Paraíso levou consigo um piloto veterano de cinco mil horas de voo, uma tenente que havia quebrado barreiras históricas dentro da corporação e uma terceira oficial em plena trajetória de serviço. O que resta, além do luto institucional e das famílias enlutadas, é a pergunta que toda tragédia aérea deixa suspensa no ar — e que o Cenipa agora tentará responder.
Na tarde de 9 de outubro, um avião da Polícia Militar de Minas Gerais decolou do Aeroporto da Pampulha em Belo Horizonte para um voo de recheque de rotina. Pouco depois das 16h20, o Corpo de Bombeiros foi acionado: a Beechcraft Super King Air 300 havia caído próximo ao Aeroporto Regional do Vale do Aço, em Santana do Paraíso. Vídeos feitos por moradores da região registraram uma densa coluna de fumaça preta subindo do local do impacto. Os três ocupantes da aeronave não sobreviveram.
O tenente-coronel Luis Fernando Silvestre, de 49 anos, era o piloto mais experiente da corporação — mais de cinco mil horas de voo, comandante do esquadrão de aviões do Comave e o principal instrutor da PM. Deixou esposa e três filhos. Ao seu lado estava a tenente Gabriela Emília Soares Resende, de 35 anos, que em 2023 havia se tornado a primeira mulher da PMMG habilitada a pilotar aeronaves de asa fixa. Ela havia retornado recentemente de licença-maternidade e deixou um marido e dois filhos pequenos. A tenente Alice dos Santos Almeida, de 34 anos, completava a tripulação.
O coronel Flávio Santiago, diretor de comunicação da PM, traduziu o luto da instituição em palavras precisas: "Perdemos três asas indomáveis, pessoas que faziam um trabalho importantíssimo." A corporação declarou luto oficial pelos três oficiais.
O acidente aconteceu em um dia já marcado por outra tragédia aérea: horas antes, um monomotor que também havia decolado da Pampulha caiu próximo à Estação São Gabriel, em Belo Horizonte, e seu piloto morreu. O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) foi acionado para apurar as causas da queda no Vale do Aço, mas as circunstâncias exatas que levaram ao acidente permanecem sob investigação.
Na tarde de sexta-feira, 9 de outubro, um avião da Polícia Militar de Minas Gerais desapareceu dos radares perto de Santana do Paraíso, no Vale do Aço. Três oficiais morreram na queda: o tenente-coronel Luis Fernando Silvestre, que pilotava a aeronave, e as tenentes Alice dos Santos Almeida e Gabriela Emília Soares Resende. A Beechcraft Super King Air 300, prefixo PP-EJO, havia decolado do Aeroporto da Pampulha em Belo Horizonte por volta das 15h15 para um voo de recheque de rotina. O Corpo de Bombeiros foi acionado pouco depois das 16h20, quando a aeronave já estava no chão, próximo ao Aeroporto Regional do Vale do Aço. Vídeos gravados por pessoas na região mostram uma coluna densa de fumaça preta subindo do local do impacto.
Silvestre era o piloto mais experiente da corporação. Com mais de cinco mil horas de voo registradas, ele comandava o esquadrão de aviões do Comando de Aviação do Estado e era o instrutor mais capacitado da PM. Natural de Belo Horizonte, tinha 49 anos e deixou uma esposa e três filhos. Sua morte representa uma perda significativa para a instituição — um profissional que havia dedicado mais de duas décadas à corporação.
A tenente Gabriela Emília Soares Resende tinha um histórico que a tornava singular dentro da Polícia Militar. Em 2023, ela se tornou a primeira mulher da PMMG habilitada a pilotar aeronaves de asa fixa, quebrando uma barreira na instituição. Ingressou na corporação em 2017 e foi declarada oficial em 2019, atuando como comandante de setor em batalhões de Belo Horizonte antes de chegar ao Comave. Com aproximadamente 300 horas de voo, ela havia retornado recentemente de licença-maternidade. Aos 35 anos, deixou um marido e dois filhos pequenos.
Alice dos Santos Almeida, também natural de Belo Horizonte, tinha 34 anos e acumulava cerca de 300 horas de voo. Pouco se sabe sobre sua trajetória além desses dados básicos, mas sua morte completa o quadro de três vidas interrompidas em questão de minutos.
O coronel Flávio Santiago, diretor de comunicação organizacional da PM, expressou o luto da corporação em termos que revelam a profundidade do impacto. "Perdemos três asas indomáveis, pessoas que faziam um trabalho importantíssimo", disse ele, descrevendo os pilotos como combatentes que representavam o melhor da instituição. A Polícia Militar declarou-se em luto oficial pelos três oficiais.
O acidente ocorreu em um dia marcado por tragédias aéreas na região. Horas antes, um monomotor de pequeno porte que também havia decolado da Pampulha caiu próximo à Estação São Gabriel, na zona nordeste de Belo Horizonte, pegando fogo. O piloto, único ocupante da aeronave, morreu carbonizado. A aeronave colidiu contra uma estrutura do galpão do Metrô BH e atingiu a fiação elétrica do pátio de manutenção, mas ninguém que estava no local foi ferido.
A investigação das causas do acidente do Vale do Aço já está em andamento. O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), vinculado à Força Aérea Brasileira, foi acionado para apurar o que levou à queda. Segundo a FAB, investigadores qualificados aplicarão técnicas específicas para coleta de dados, preservação de elementos e verificação dos danos à aeronave. A Polícia Civil também está envolvida, com o corpo do piloto encaminhado ao Instituto Médico Legal de Belo Horizonte. As circunstâncias exatas que levaram ao acidente permanecem sob investigação.
Citazioni salienti
A corporação está em luto. Perdemos três asas indomáveis, pessoas que faziam um trabalho importantíssimo— Coronel Flávio Santiago, diretor de comunicação organizacional da PM