Em setembro de 2021, o advogado Marcos Tolentino prestou depoimento à CPI da Covid para esclarecer sua relação com o FIB Bank, instituição que garantiu a compra da vacina Covaxin pelo governo brasileiro. Sob juramento, negou ser sócio oculto da empresa e situou sua presença nessa teia de negócios como herança de antigas parcerias profissionais, não como participação ativa. O depoimento revelou, contudo, a dificuldade de separar vínculos formais de influências reais quando empresas, escritórios e histórias pessoais compartilham a mesma raiz.
Tolentino nega ser sócio do FIB Bank e minimiza encontros com Bolsonaro
Estava internado na UTI, intubado, enquanto tudo acontecia
Como um advogado que estava internado em UTI consegue manter empresas acionistas de um banco que garante negócios de vacinas?
Segundo Tolentino, ele não estava gerenciando nada naquele momento — estava entubado, lutando pela vida. As empresas continuavam existindo, mas ele não estava operando. A Pico do Juazeiro já era acionista do FIB Bank desde 2016, anos antes da negociação da Covaxin.
Mas ele admite que ainda tem interesse em empresas que compartilham origem com seu antigo sócio falecido. Isso não o conecta ao FIB Bank?
Tecnicamente, sim. Mas Tolentino distingue entre ter interesse em uma empresa e ser sócio dela. A Pico do Juazeiro é acionista do FIB Bank, não Tolentino diretamente. É uma camada de separação.
E quanto aos encontros com Bolsonaro? Ele conhece o presidente, conhece o filho dele, conhece o líder do governo na Câmara. Isso não é uma rede?
Tolentino chama tudo de casual. Eventos políticos, encontros meramente ocasionais. Ele nega amizade pessoal. A questão é se a CPI acreditou nessa caracterização ou viu algo mais estruturado por trás.
O que mais chama atenção no depoimento dele?
Que ele estava tão doente que não poderia ter feito nada — mas as empresas dele continuavam fazendo tudo. É uma defesa que funciona apenas se você acredita que ele estava realmente incapacitado e que suas empresas operavam completamente independentes dele.
E se não acreditarem?
Então você tem um advogado conectado a Bolsonaro, conectado a Barros, conectado a empresas que garantem negócios de vacinas, e ele está dizendo que tudo é coincidência e causalidade.
O Pulso
- A CPI pressionava Tolentino a explicar por que seu escritório, seu telefone e suas empresas apareciam entrelaçados com o FIB Bank — instituição no centro do escândalo da Covaxin.
- O advogado chegou acompanhado de médicos, ainda debilitado pela Covid-19, e usou sua internação na UTI do Sírio Libanês como álibi para o período mais crítico das negociações da vacina.
- A rede de empresas que ele descreveu — derivadas de uma antiga sociedade com Ederson Benetti e herdadas pelo filho Ricardo — criava uma geometria de conexões difícil de desfazer com simples negativas.
- Seus vínculos com Bolsonaro e com o líder governista Ricardo Barros foram minimizados como relações casuais e de respeito, mas a presença de Tolentino no depoimento de Barros à CPI havia alimentado suspeitas.
- Ao fim, o depoimento deixou a CPI diante de uma questão sem resposta clara: onde termina a prestação de serviços advocatícios e onde começa a participação nos negócios investigados.
Em setembro de 2021, o advogado Marcos Tolentino prestou depoimento à CPI da Covid para esclarecer sua relação com o FIB Bank, instituição que garantiu a compra da vacina Covaxin pelo governo brasileiro. Sob juramento, negou ser sócio oculto da empresa e situou sua presença nessa teia de negócios como herança de antigas parcerias profissionais, não como participação ativa. O depoimento revelou, contudo, a dificuldade de separar vínculos formais de influências reais quando empresas, escritórios e histórias pessoais compartilham a mesma raiz.
Marcos Tolentino compareceu à CPI da Covid em setembro de 2021 para responder sobre suas ligações com o FIB Bank, empresa que garantiu financeiramente a venda da vacina Covaxin ao Ministério da Saúde. Acompanhado por médicos — ainda se recuperando de sequelas graves da Covid-19 — o advogado negou categoricamente qualquer participação societária na instituição. "Não possuo qualquer participação na sociedade", declarou sob juramento.
Para explicar por que seu nome aparecia tão próximo ao FIB Bank, Tolentino remontou a uma antiga sociedade com Ederson Benetti, encerrada há mais de doze anos. Após a morte de Benetti, ele continuou prestando serviços jurídicos ao filho Ricardo e às empresas que este administrava. Uma delas, a Pico do Juazeiro, tornou-se acionista do FIB Bank em 2016. O fato de o escritório de Tolentino compartilhar endereço e telefone com essas empresas era, segundo ele, simples reflexo dessa relação profissional contínua.
Sobre o período em que a Covaxin foi negociada, Tolentino afirmou estar intubado na UTI do Hospital Sírio Libanês, impossibilitado de participar de qualquer intermediação ou do jantar que teria reunido representantes da Precisa Medicamentos com o então ministro Eduardo Pazuello.
Quanto a Jair Bolsonaro, reconheceu conhecê-lo desde a época de deputado, mas descreveu os encontros como "meramente casuais". Disse conhecer Flávio e Eduardo Bolsonaro por eventos políticos, negou conhecer Jair Renan e não mencionou Carlos Bolsonaro. Em relação ao deputado Ricardo Barros, admitiu amizade e pediu desculpas por tê-lo acompanhado em seu próprio depoimento à CPI, negando qualquer intenção de provocação.
A teia de empresas que Tolentino descreveu — algumas mantidas por ele, outras transferidas ao herdeiro de seu antigo sócio, todas com origem comum — permaneceu como o nó central do depoimento: uma estrutura que, mesmo sem provar participação direta, tornava difícil traçar onde terminava o advogado e onde começava o empresário investigado.
Marcos Tolentino compareceu à CPI da Covid em setembro de 2021 para responder perguntas sobre suas ligações com o FIB Bank, a empresa que forneceu a garantia financeira para a Precisa Medicamentos vender a vacina Covaxin ao Ministério da Saúde. O advogado e empresário, que se recuperava de sequelas graves da Covid-19 e foi acompanhado por médicos durante o depoimento, negou categoricamente ser sócio oculto da instituição financeira. "Não possuo qualquer participação na sociedade, não sou sócio da empresa", afirmou sob juramento.
A trajetória que Tolentino descreveu para explicar sua relação com o FIB Bank começava décadas antes. Ele havia sido sócio de Ederson Benetti em uma empresa chamada Benetti Prestadora de Serviços, baseada em Curitiba, mas se desligou há mais de doze anos. Após a morte de Benetti, Tolentino continuou prestando serviços advocatícios ao filho dele, Ricardo Benetti, e às empresas que Ricardo administrava. Uma dessas empresas, a Pico do Juazeiro, tornou-se acionista do FIB Bank em 2016. A proximidade entre o escritório de Tolentino e as empresas do grupo — compartilhando o mesmo prédio comercial, usando o mesmo número de telefone em cartões de visita — era, segundo ele, simples consequência dessa relação profissional contínua.
Quanto ao período crítico em que a Covaxin estava sendo negociada, Tolentino ofereceu uma explicação que o colocava fora da ação: estava internado na UTI do Hospital Sírio Libanês em estado grave, intubado e lutando contra a Covid-19. Portanto, afirmou, não poderia ter participado de intermediações de negócios da Precisa Medicamentos nem de um jantar que teria reunido representantes da empresa com o então ministro da Saúde Eduardo Pazuello.
Sobre seus contatos com o presidente Jair Bolsonaro, Tolentino reconheceu conhecê-lo desde a época em que Bolsonaro era deputado federal, mas insistiu que não havia amizade pessoal entre eles. Os encontros que tiveram foram, em sua descrição, "meramente casuais" — citou como exemplo um evento sobre o marco regulatório das televisões. Ele também afirmou conhecer os filhos do presidente, o senador Flávio Bolsonaro e Eduardo Bolsonaro, através de "eventos políticos e sociais", mas negou conhecer Jair Renan Bolsonaro. Notavelmente, não mencionou o vereador Carlos Bolsonaro em sua explicação.
Em relação ao deputado Ricardo Barros, líder do governo na Câmara, Tolentino disse que o conhecia há muitos anos e que mantinha com ele apenas uma relação de amizade e respeito. Pediu desculpas por ter acompanhado Barros durante seu próprio depoimento à CPI em agosto, esclarecendo que não se tratava de provocação.
A estrutura que Tolentino descreveu — empresas que "derivaram" de sua antiga sociedade com Benetti, algumas mantidas por ele, outras transferidas ao filho de seu antigo sócio — criava uma rede complexa de negócios. Mesmo após se desligar formalmente da Benetti Prestadora de Serviços mais de uma década antes, Tolentino permanecia conectado a várias entidades que compartilhavam origem comum. Essa teia de empresas, segundo seu relato, explicava por que a Pico do Juazeiro — que ele ainda tinha interesse — havia se tornado acionista do FIB Bank, a mesma instituição que garantiu a transação da vacina indiana que se tornaria central nas investigações da pandemia.
Citações Notáveis
Não possuo qualquer participação na sociedade, não sou sócio da empresa— Marcos Tolentino, em depoimento à CPI
Estive com o presidente em alguns encontros, meramente casuais— Marcos Tolentino, sobre encontros com Bolsonaro