Títulos IPCA+ de prazo longo lideram recomendações com juros reais em 8%

Travar as taxas antes que a janela se feche
Com a Selic em queda, analistas recomendam capturar juros reais de 8% agora, em títulos IPCA+ de prazo longo.
Mark

Por que agora é o momento certo para travar essas taxas? A Selic já começou a cair.

Mimi

Exatamente por isso. Quando a Selic começa a descer, a janela para garantir as taxas mais altas tende a se fechar. Os juros reais estão em 8,14%, um nível que só tinha paralelo em 2008. Se você espera, essa taxa cai junto com a Selic.

Luke

Mas quanto tempo leva para isso acontecer? A recomendação assume que o investidor consegue suportar a volatilidade até o vencimento. Se ele precisar vender antes, pode perder dinheiro.

Mimi

Verdade. Por isso o foco é em títulos de prazo mais longo. Você está aceitando volatilidade no preço agora para capturar um retorno contratado lá na frente.

Mark

E por que os títulos IPCA+ dominam tanto as recomendações?

Mimi

Porque combinam duas coisas: taxa real elevada — próxima de 7% ao ano — e proteção contra inflação. Se a inflação subir, você ganha. Se cair, você já tem a taxa real travada.

Luke

Mas a inflação ainda está resistente, segundo o texto. Não há risco de que essas taxas reais caiam rapidamente se a inflação descer?

Mimi

Há, sim. Mas os analistas parecem estar apostando que a inflação segue elevada por um tempo. A incerteza fiscal também está segurando a curva longa.

Mark

E quanto aos títulos prefixados? Por que aparecem em menor peso?

Mimi

Porque há mais volatilidade na curva. Se você trava 14,80% em um CDB prefixado e a Selic cai para 10%, você fica bem. Mas se cair para 12%, você poderia ter ganho mais em um IPCA+.

Luke

Espera — o CDB do C6 oferece 14,80% com cobertura do FGC. Isso é seguro, mas é um banco pequeno. Qual é o risco real ali?

Mimi

O FGC cobre até 250 mil por CPF. Além disso, o JP Morgan é acionista minoritário, o que adiciona credibilidade. Mas sim, é um banco menor.

Mark

E os pós-fixados? Por que ainda recomenda-los se a Selic está caindo?

Mimi

Porque o carrego ainda é elevado — o PicPay paga 104,5% do CDI. Além disso, servem como colchão de liquidez. Se você precisar do dinheiro, não perde.

Luke

Mas se a Selic cair para 10%, aquele 104,5% do CDI vai render muito menos em termos absolutos. Não é melhor estar em IPCA+ agora?

Mimi

Depende do seu horizonte e da sua necessidade de liquidez. Se você pode esperar até 2035, sim. Se pode precisar do dinheiro em dois anos, talvez não.

  • A taxa de juro real da NTN-B 2035 saltou de 7,72% para 8,14% em apenas um mês, atingindo patamar só visto na crise de 2008 — a janela de oportunidade é estreita e os analistas sabem disso.
  • Debêntures de infraestrutura isentas de IR, como Ecovias Raposo Castelo (IPCA+ 8,15%) e Energisa (IPCA+ 7,55%), lideram as recomendações por combinar taxa elevada, prazo mais curto e proteção contra inflação.
  • A volatilidade de preço no curto prazo é o principal obstáculo: quem vender antes do vencimento pode perder parte do retorno contratado, exigindo disciplina e horizonte de investimento claro.
  • O mercado se organiza em três blocos — inflação, prefixados e pós-fixados —, com o bloco IPCA+ concentrando o maior consenso e os pós-fixados servindo como colchão de liquidez nas carteiras.

Em um ambiente de juros reais historicamente elevados — comparáveis apenas à crise de 2008 —, bancos e corretoras brasileiras convergem para uma orientação comum: ancorar o capital em títulos atrelados à inflação antes que as taxas recuem. A Selic em 14,25% e a NTN-B 2035 acima de 8% ao ano criam uma janela rara para investidores dispostos a suportar volatilidade de curto prazo em troca de retornos reais contratados. A escolha de hoje é, em essência, uma aposta na memória do dinheiro — travar o que o tempo tende a apagar.

A Selic recuou para 14,25% ao ano, mas o mercado de renda fixa ainda opera em território de juros historicamente elevados. Analistas dos principais bancos e corretoras chegam a um diagnóstico comum: é hora de travar as taxas antes que elas caiam mais. A NTN-B com vencimento em 2035 subiu de 7,72% para 8,14% entre maio e junho, pressionada por inflação resistente e incertezas fiscais — um patamar com paralelo apenas na crise de 2008.

Nesse cenário, os títulos atrelados à inflação de prazo longo emergem como escolha consensual. A estratégia é capturar taxas reais próximas de 7% ao ano acrescidas do IPCA, aceitando a oscilação de preço no caminho até o vencimento. A debênture da Ecovias Raposo Castelo lidera a lista: IPCA+ 8,15%, isenta de IR e com fiança da Ecorodovias — o que equivale a IPCA+ 10,23% em um papel tributado. A Energisa entra pela previsibilidade de receita regulada (IPCA+ 7,55%), e a Sabesp oferece IPCA+ 7,05% sustentada pelo potencial de destravamento com a privatização. A Equatorial Goiás é a única recomendada por duas casas ao mesmo tempo — BB e BTG.

Para quem prefere evitar risco de crédito, a XP indica a NTN-B Principal 2035, título público com IPCA+ 7,39% e risco soberano. O BB diversifica com Klabin, maior produtora de papel de embalagem do Brasil, saindo do setor de energia.

Os prefixados aparecem com peso menor, mas com taxas atrativas para horizontes mais longos. O CDB do Banco C6 paga 14,80% com cobertura do FGC, e a debênture da Coelba rende 13,50% isenta — equivalente a 15,17% em papel tributado. Já os pós-fixados seguem como colchão de liquidez: o Tesouro Selic 2029 é indicado pela XP para quem precisa de flexibilidade, enquanto o CDB do PicPay paga 104,5% do CDI. O BTG reforça o bloco com CRAs do agronegócio das companhias 3tentos e SLC Agrícola. A XP inova ao incluir pela primeira vez fundos de crédito na carteira, como alternativa para investidores com menor patrimônio para diversificar.

A Selic caiu para 14,25% ao ano no mês passado, mas o mercado de renda fixa ainda respira em um ambiente de juros historicamente elevados. Os analistas dos principais bancos e corretoras convergem em um diagnóstico claro: é hora de travar as taxas antes que elas desçam mais. A taxa de juro real, medida pela NTN-B com vencimento em 2035, subiu de 7,72% no final de maio para 8,14% em junho, pressionada pela inflação que segue resistente e pelas incertezas fiscais que mantêm a curva longa elevada. Esse patamar de juro real só tinha paralelo na crise de 2008.

Nesse cenário, os títulos atrelados à inflação de prazo mais longo emergem como a escolha consensual. A estratégia é simples: capturar taxas reais próximas de 7% ao ano acrescidas do IPCA, aceitando a volatilidade do preço no caminho até o vencimento em troca do retorno contratado. O bloco de inflação concentra o maior número de recomendações e as teses mais robustas entre as casas.

A debênture da Ecovios Raposo Castelo lidera a lista. O papel oferece IPCA mais 8,15% e conta com a fiança da Ecorodovias Concessões, um setor de rodovias que analistas descrevem como resiliente e com histórico sólido de geração de caixa. Por ser incentivada, é isenta de Imposto de Renda, o que equivale a IPCA mais 10,23% em um título tributado. A Energisa entra pela previsibilidade: paga IPCA mais 7,55% com receita regulada e reajuste anual pela inflação. A Sabesp oferece IPCA mais 7,05%, sustentada pela posição de maior companhia de saneamento do país e pelo potencial de destravamento de valor com a privatização. A Equatorial Goiás é o único emissor recomendado por duas casas simultaneamente — BB e BTG — apoiado na fiança da holding Equatorial Energia e no processo de recuperação da distribuidora.

Para quem prefere evitar risco de crédito, a XP mantém a NTN-B Principal 2035, título público que paga IPCA mais 7,39% com risco soberano. O rendimento fica concentrado no vencimento, sem cupons semestrais. O BB inclui a Klabin na carteira, diversificando para fora do setor de energia com a maior produtora de papel de embalagem do Brasil.

Os títulos prefixados aparecem em menor peso nas recomendações. As casas pedem cautela diante da volatilidade da curva, mas reconhecem taxas atrativas para quem tem horizonte mais longo. O CDB do Banco C6 paga 14,80% e conta com cobertura do FGC, além da presença do JP Morgan como acionista minoritário. A debênture da Coelba, com fiança da Neoenergia, rende 13,50% na modalidade prefixada e isenta, equivalente a 15,17% em um papel tributado.

Os títulos pós-fixados seguem como colchão nas carteiras. Mesmo com a Selic em queda, o carrego permanece elevado. O Tesouro Selic 2029 é indicado pela XP para liquidez, acompanhando a taxa básica com pouca variação. O CDB do PicPay paga 104,5% do CDI, adicionando um prêmio sobre o pós-fixado bancário e contando com FGC, apoiado no controlador J&F. O BTG reforça o bloco de crédito privado com dois CRAs do agronegócio atrelados ao CDI, das companhias 3tentos e SLC Agrícola. A XP inclui pela primeira vez fundos de crédito na carteira — Selection RF Light, SulAmérica Crédito Ativo, JGP Corporate e Riza Statheros — como alternativa para quem tem menos patrimônio para diversificar.

Os juros reais estão em patamar historicamente elevado, com paralelo apenas na crise de 2008
— Análise de mercado
A estratégia é aproveitar taxas reais próximas de 7% ao ano acrescidas do IPCA, aceitando volatilidade para capturar o retorno contratado ao vencimento
— Consenso dos analistas
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