Em 2025, os títulos do Tesouro Direto protagonizaram uma das performances mais expressivas da renda fixa brasileira recente, com o Tesouro Renda+ 2065 acumulando 27% de ganho líquido em onze meses. Esse movimento não nasceu do acaso, mas de uma revisão profunda nas expectativas inflacionárias — a projeção para o IPCA caiu de 5,5% para 4,43% ao longo do ano, alimentando a crença de que a Selic seguirá em trajetória descendente. Como sempre acontece nos mercados, o que hoje parece vitória pode amanhã revelar sua outra face: o mesmo título que ganhou 27% em 2025 havia perdido 52% em 2024, lembran
Títulos do Tesouro Direto rendem até 27% em 2025; especialista alerta para riscos
Ganhos excepcionais dependem de queda contínua da inflação
Por que exatamente esses títulos renderam tanto em 2025? Parece quase irreal.
Não é irreal, mas é específico do momento. A inflação caiu mais do que se esperava, então o mercado começou a acreditar que a Selic ia cair. Quando isso acontece, os preços dos títulos prefixados e indexados à inflação sobem.
Mas espera — esses ganhos são ganhos de preço, não de cupom, certo? Se alguém tivesse vendido em novembro em vez de dezembro, os números seriam diferentes?
Exatamente. E é por isso que o aviso é importante. Esses títulos só são seguros se você espera até o vencimento.
E se a inflação não continuar caindo? O que acontece em 2026?
Se o mercado passar a acreditar que a inflação vai ficar acima de 4,2%, os preços desses títulos podem cair bastante. O Renda+ 2065 caiu 52% em 2024.
Então estamos falando de um cenário onde alguém que comprou no topo em 2025 poderia estar com perdas significativas em 2026 se vender antes do vencimento?
Sim. É por isso que não recomendo investir pensando apenas nas chances de altas excepcionais.
Quem deveria estar comprando esses títulos agora?
Quem tem horizonte de longo prazo e está disposto a manter até o vencimento, não importa o que aconteça no meio do caminho.
E o Tesouro Selic? Esse é mais seguro?
Muito mais. Rende 10,6% em 2025, sem as variações bruscas. É ideal para quem quer dormir tranquilo.
El Pulso
- O Tesouro Renda+ 2065 acumulou 27% de ganho líquido em 2025, liderando uma corrida de valorização que surpreendeu até investidores veteranos.
- A queda na projeção da inflação — de 5,5% para 4,43% — foi o gatilho que reescreveu o valor desses papéis no mercado ao longo do ano.
- A volatilidade é o lado sombrio desse desempenho: o mesmo título que brilha em 2025 havia despencado 52% em 2024, expondo quem vendeu antes do vencimento.
- A dúvida que paira sobre 2026 é se a inflação continuará cedendo ou se surpreenderá para cima, o que pode reverter rapidamente os ganhos acumulados.
- Para investidores sem horizonte de longo prazo, o Tesouro Selic permanece o porto seguro — previsível, sem as oscilações bruscas dos títulos prefixados e indexados.
Em 2025, os títulos do Tesouro Direto protagonizaram uma das performances mais expressivas da renda fixa brasileira recente, com o Tesouro Renda+ 2065 acumulando 27% de ganho líquido em onze meses. Esse movimento não nasceu do acaso, mas de uma revisão profunda nas expectativas inflacionárias — a projeção para o IPCA caiu de 5,5% para 4,43% ao longo do ano, alimentando a crença de que a Selic seguirá em trajetória descendente. Como sempre acontece nos mercados, o que hoje parece vitória pode amanhã revelar sua outra face: o mesmo título que ganhou 27% em 2025 havia perdido 52% em 2024, lembrando que rentabilidade excepcional e risco caminham lado a lado.
Os títulos do Tesouro Direto viveram um ano fora do comum em 2025. O Tesouro Renda+ Aposentadoria Extra 2065 liderou o ranking com 27% de retorno líquido nos primeiros onze meses, seguido pelo Tesouro Prefixado 2031, com 21,4%, e pelo Tesouro IPCA+ 2045, com 13,4%. Mesmo o mais conservador entre eles, o Tesouro Selic, acumulou 10,6% no período — números que refletem uma dinâmica que poucos investidores compreendem por completo.
A explicação está nas expectativas sobre a Selic. Títulos prefixados e indexados à inflação sobem de preço quando o mercado passa a acreditar que os juros vão cair. Em 2025, a inflação desacelerou de forma consistente: a projeção para o IPCA, que era de 5,5% em fevereiro, recuou para 4,43%. Essa revisão foi o combustível que empurrou os preços desses papéis para cima ao longo do ano.
Dentro da família Renda+, o 2065 foi o grande destaque, mas o 2030 também rendeu 11,1%. Entre os Prefixados, o espectro variou do 2031 com 21,4% ao 2026 com 11,1%. Os títulos Educa+ completaram o quadro, com retornos entre 8,8% e 12,6%. Todos os números já descontam o Imposto de Renda.
O aviso, porém, é incontornável. O mesmo Tesouro Renda+ 2065 que ganhou 27% em 2025 havia caído 52% em 2024. Essa volatilidade não é um defeito — é a natureza do instrumento. Quem precisar vender antes do vencimento pode encontrar um resultado radicalmente diferente do esperado.
O que acontecerá em 2026 depende de como a inflação se comportará. Se o IPCA continuar cedendo além do projetado, esses títulos podem brilhar novamente. Se as expectativas se inverterem, as perdas podem ser expressivas. O risco real não está no Tesouro Direto em si, mas em investir nele com a mentalidade errada — buscando ganhos de curto prazo em instrumentos pensados para o longo prazo.
Os títulos do Tesouro Direto tiveram um ano extraordinário em 2025, com ganhos que surpreendem até investidores experientes. O campeão indiscutível foi o Tesouro Renda+ Aposentadoria Extra 2065, que acumulou um retorno líquido de 27% nos onze primeiros meses do ano. Esse desempenho não é isolado: o Tesouro Prefixado com vencimento em 2031 subiu 21,4%, enquanto o Tesouro IPCA+ com vencimento em 2045 rendeu 13,4%. Até mesmo títulos mais conservadores, como o Tesouro Selic, acumularam 10,6% de rentabilidade líquida no mesmo período. Esses números refletem uma dinâmica específica do mercado de renda fixa que poucos investidores compreendem completamente.
A razão por trás desses ganhos excepcionais está ligada às expectativas sobre a taxa básica de juros, a Selic. Os títulos prefixados e aqueles indexados à inflação têm uma característica peculiar: seus preços sobem quando o mercado passa a acreditar que a Selic vai cair, e caem quando as expectativas apontam para altas de juros. Em 2025, com a inflação desacelerando de forma consistente, os investidores começaram a projetar uma redução da taxa básica para os próximos meses. Em fevereiro, analistas consultados pelo Banco Central estimavam uma inflação de 5,5% para 2025. Agora, essa projeção caiu para 4,43%. Essa revisão para baixo das expectativas inflacionárias foi o combustível que impulsionou os preços desses títulos para cima.
Dentro da categoria Renda+, que oferece oito títulos com datas de vencimento diferentes, o 2065 foi o grande vencedor, mas não o único. O Renda+ 2030, com prazo bem mais curto, rendeu 11,1%. Entre os títulos Prefixados, o espectro de retornos também variou bastante: enquanto o 2031 ganhou 21,4%, o 2026 ficou com 11,1%. Os títulos Educa+ também tiveram destaque, com o Educa+ 2043 rendendo 12,6% e o Educa+ 2026 rendendo 8,8%. Todos esses números já descontam o Imposto de Renda, portanto refletem o que o investidor realmente leva para casa.
Mas há um aviso importante que acompanha esses números impressionantes. Os títulos do Tesouro Direto só são realmente seguros para quem consegue esperar até a data de vencimento. Se alguém precisar vender antes desse prazo, o resultado pode ser radicalmente diferente. O mesmo Tesouro Renda+ 2065 que ganhou 27% em 2025 despencou 52% em 2024. Essa volatilidade não é um defeito do investimento; é sua natureza. Quando as expectativas sobre a Selic mudam, os preços desses títulos podem sofrer quedas consideráveis.
A questão que paira sobre 2026 é se essa festa de ganhos vai continuar. Tudo depende de como a inflação se comportará e de como o mercado vai revisar suas expectativas. Se a inflação continuar caindo mais rápido do que se projeta atualmente — digamos, chegando a 3,5% em vez dos 4,17% esperados para 2026 — então os mesmos títulos que brilharam em 2025 podem brilhar novamente. Mas se o mercado passar a acreditar que a inflação vai ficar acima de 4,2%, esses papéis podem sofrer quedas de preços significativas.
O risco real não está em investir no Tesouro Direto, mas em investir nele com a mentalidade errada. Alguém que coloca dinheiro nesses títulos esperando repetir os ganhos de 27% em 2026, e que planeja vender em alguns meses se as coisas não saírem como esperado, está se expondo a um risco que não compreende. Esses títulos funcionam melhor como parte de uma estratégia de longo prazo, onde o investidor está disposto a manter a posição até o vencimento, independentemente de flutuações de preço no meio do caminho. Para quem não quer correr esses riscos e precisa de liquidez, o Tesouro Selic permanece a opção mais conservadora, oferecendo retornos previsíveis sem as variações bruscas dos demais.
Citas Notables
Esses títulos só são realmente seguros para quem pode aguardar até a data de vencimento. Se for vender antes, você pode tanto ter um ganho excepcional, como o de 2025, quanto ter uma perda considerável.— Análise de especialista em investimentos