Tim Cook se despede como CEO da Apple após 15 anos à frente da companhia

A cultura triunfa sobre tudo
Tim Cook reflete sobre o que tornou a Apple extraordinária em sua carta de despedida como CEO.
Mark

Por que essa transição importa agora, especificamente? Não é apenas um executivo deixando o cargo.

Mimi

Porque Cook liderou a Apple por quase 15 anos — praticamente uma geração inteira de produtos e decisões estratégicas. O valor da empresa multiplicou por mais de dez vezes sob ele. Isso não é rotina.

Luke

Mas precisamos ser claros: quanto desse crescimento foi Cook e quanto foi o mercado, a demanda por tecnologia, a herança de Jobs? A carta dele credita tudo aos funcionários, o que é generoso, mas não nos diz muito sobre o que ele realmente fez.

Mimi

Justo. Mas o fato é que ele manteve a Apple inovando — Apple Watch, AirPods, Vision Pro. Produtos que criaram categorias novas.

Luke

Verdade. Embora o iPhone continue sendo a maior parte da receita. Os novos produtos são importantes, mas não são o motor financeiro.

Mark

E quanto a Ternus? Sabemos o suficiente sobre ele para confiar que vai manter isso funcionando?

Mimi

Ele está na Apple desde 2001. Vinte e cinco anos dentro da empresa. Engenheiro de formação, trabalhou em hardware — a área que mais importa para a Apple.

Luke

Mas ele nunca foi CEO antes. Essa é uma mudança grande. A carta de Cook diz que Ternus é "brilhante" e "extraordinário", mas essas são palavras que você diz sobre alguém que está deixando o cargo. Não sabemos como ele vai lidar com pressão de mercado, com Wall Street, com decisões difíceis.

Mimi

Verdade. Mas a Apple escolheu alguém de dentro, alguém que conhece a cultura. Isso pode ser uma força.

Mark

Cook vai ficar como presidente do conselho. Isso é um amortecedor ou um sinal de que ele não confia totalmente em Ternus?

Luke

Provavelmente ambos. É comum em transições grandes. Mantém continuidade, oferece orientação, mas também deixa claro que há supervisão.

Mimi

E a carta de Cook é interessante porque ele não fala sobre números. Fala sobre cultura, sobre propósito. Isso diz algo sobre o que ele acha que importa na Apple.

Mark

Mas os números importam, não é? US$ 4 trilhões de valor de mercado.

Luke

Importam, mas não explicam por que as pessoas trabalham lá ou por que a empresa funciona. Cook parece estar dizendo que a cultura é o que sustenta os números, não o contrário.

  • Tim Cook liderou a Apple por quase 15 anos, desde agosto de 2011
  • Valor de mercado cresceu de US$ 350 bilhões para aproximadamente US$ 4 trilhões
  • John Ternus assume o cargo em 1º de setembro de 2026
  • Receita anual cresceu de US$ 108 bilhões (2011) para mais de US$ 416 bilhões (2025)
  • Cook permanece como presidente do conselho de administração

Cook liderou a Apple desde 2011, transformando seu valor de mercado de US$ 350 bilhões para aproximadamente US$ 4 trilhões. John Ternus, vice-presidente sênior de engenharia de hardware, assume o cargo em 1º de setembro, dias antes do lançamento do iPhone 18.

Tim Cook encerra seu mandato de quase 15 anos como CEO da Apple nesta segunda-feira, sendo sucedido por John Ternus. Cook permanecerá na empresa como presidente do conselho de administração.

Tim Cook escreveu seu último memorando como CEO da Apple na segunda-feira, 31 de agosto, encerrando quase 15 anos à frente de uma das empresas mais valiosas do mundo. "É um momento que sempre soube que chegaria um dia, e ainda assim é difícil acreditar que chegou", escreveu ele aos funcionários, em mensagem obtida pela Bloomberg. Cook assumiu o comando em agosto de 2011, logo após a morte de Steve Jobs em outubro daquele ano. Nesta terça-feira, 1º de setembro, John Ternus, atual vice-presidente sênior de engenharia de hardware, assume a presidência executiva — uma transição que ocorre dias antes do lançamento da nova geração do iPhone 18.

O executivo deixa a empresa em posição de força histórica. Quando Cook chegou à Apple, o valor de mercado girava em torno de US$ 350 bilhões. Hoje, a companhia vale aproximadamente US$ 4 trilhões. A receita anual cresceu de US$ 108 bilhões no ano fiscal de 2011 para mais de US$ 416 bilhões em 2025. Sob sua liderança, a Apple lançou produtos que definiram categorias inteiras — o Apple Watch, os AirPods, o Apple Vision Pro — e expandiu seus ecossistemas de iPhone, iPad e Mac enquanto consolidava serviços como iCloud, Apple Music, Apple TV+ e Apple Pay. Nenhum desses números, porém, é o que Cook escolheu destacar em sua despedida.

Em vez disso, o executivo atribuiu todo o sucesso aos funcionários e à cultura da empresa. "A verdade é que, independentemente do que se diga sobre o meu sucesso, sei que tudo se deve a vocês", escreveu. "Este lugar é a prova de que a cultura triunfa sobre tudo." Cook enfatizou que o propósito compartilhado de criar produtos capazes de melhorar a vida das pessoas foi o motor dos resultados históricos. "Juntos, criamos algo muito maior do que qualquer um de nós poderia ter imaginado ou conquistado sozinho. Esse é o segredo do nosso sucesso."

Cook não está deixando a Apple completamente. Ele permanecerá na empresa como presidente do conselho de administração, uma posição que o mantém vinculado à companhia enquanto se afasta da operação diária. Em sua carta, expressou confiança plena em seu sucessor. "Não poderia estar mais entusiasmado com a liderança do John", afirmou, descrevendo Ternus como alguém que "tem a mente de um engenheiro, a alma de um inovador e o coração para liderar com integridade e honra".

John Ternus ingressou na Apple em 2001, inicialmente na equipe de design de produtos. Formado em Engenharia Mecânica pela Universidade da Pensilvânia, ele trabalhou anteriormente na Virtual Research Systems antes de se juntar à companhia. Ao longo de duas décadas e meia, Ternus ascendeu através da engenharia de hardware, assumindo posições de liderança crescente até integrar a equipe executiva em 2021 como vice-presidente sênior da divisão. Cook o descreveu como um visionário cujas contribuições à Apple ao longo de 25 anos são "numerosas demais para serem contadas".

A trajetória de Cook na Apple começou bem antes de sua promoção a CEO. Ele ingressou na companhia em 1998, após 12 anos na IBM e uma passagem pela Compaq. Inicialmente vice-presidente de operações, tornou-se diretor de operações em 2005. Quando Steve Jobs anunciou sua licença médica em janeiro de 2011, pediu explicitamente a Cook para assumir as responsabilidades do dia a dia. "Tenho grande confiança de que Tim e o resto da equipe de gerenciamento executivo vão fazer um ótimo trabalho de execução dos planos emocionantes que temos em vigor para 2011", escreveu Jobs naquela época.

Na despedida, Cook refletiu sobre o privilégio de ter liderado a empresa. "Sentirei falta deste trabalho de maneiras que mal consigo imaginar, mesmo estando completamente em paz com a minha decisão", escreveu. "Sentirei falta de liderar vocês e de estar ao lado de vocês em cada etapa da jornada." Ele encerrou sua mensagem com um compromisso: "Com tudo o que tenho e tudo o que sou, estarei sempre com vocês." A transição marca o fim de um dos ciclos mais longos da história da Apple, com a empresa agora nas mãos de um engenheiro que cresceu dentro de suas fileiras durante a era Cook.

É um momento que sempre soube que chegaria um dia, e ainda assim é difícil acreditar que chegou
— Tim Cook, em memorando aos funcionários
A verdade é que, independentemente do que se diga sobre o meu sucesso, sei que tudo se deve a vocês
— Tim Cook, em despedida como CEO
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