Tesouro dos EUA intervém para apoiar iene pela 1ª vez em 10 anos

Quando uma moeda cai tão rápido, começa a desestabilizar os mercados globais
A intervenção americana reflete preocupação com a queda acelerada do iene e seus efeitos sistêmicos.
Mark

Por que o Tesouro americano intervém agora, depois de dez anos sem fazer isso?

Mimi

O iene caiu para níveis que não se viam em quarenta anos. Quando uma moeda cai tão rápido, começa a desestabilizar não só o Japão, mas os mercados globais. Os especuladores estavam apostando contra o iene, e isso criou um ciclo de queda. Os EUA e o Japão decidiram que era hora de parar isso.

Mark

E por que vender euros para comprar ienes? Por que não comprar diretamente com dólares?

Mimi

Vender euros é uma forma de sinalizar sem parecer que os EUA estão simplesmente despejando dólares no mercado. É mais sutil, menos confrontacional. Mostra coordenação internacional — envolve o euro, que é europeu — e comunica que isso é uma ação pensada, não um pânico.

Mark

O bloco de notas de Bessent mencionava cinco a dez bilhões. Isso é muito dinheiro?

Mimi

Para uma intervenção cambial, é moderado. O Japão sozinho gastou quase 59 bilhões na quinta-feira. Mas o ponto não é o tamanho absoluto — é o sinal. Quando o Tesouro americano entra, os especuladores sabem que há mais poder atrás daquele movimento.

Mark

E essa linha FIMA que o Japão mencionou?

Mimi

É um colchão de segurança. Permite que o Japão pegue emprestado dólares do Federal Reserve sem vender seus títulos do Tesouro americano. Se o Japão precisar intervir novamente em grande escala, pode fazer isso sem desestabilizar seu próprio balanço patrimonial.

Mark

Então isso é apenas o começo?

Mimi

Provavelmente. O anúncio conjunto da próxima semana vai estabelecer as regras do jogo — quanto cada país está disposto a gastar, com que frequência, sob quais condições. Isso é sobre criar uma estrutura que os especuladores entendam e respeitem.

  • O iene havia despencado a quase 164 por dólar, seu nível mais fraco desde 1986, alimentando apostas especulativas que ameaçavam desestabilizar a economia japonesa.
  • O Japão já havia despejado cerca de US$ 59 bilhões em um único dia para conter a queda, sinalizando que a pressão sobre a moeda havia ultrapassado a capacidade de resposta unilateral de Tóquio.
  • Uma foto acidental do bloco de notas do secretário Scott Bessent expôs a magnitude da operação americana — entre US$ 5 e 10 bilhões em compras de ienes — antes de qualquer confirmação oficial.
  • Com a notícia da intervenção americana circulando, o iene reagiu de imediato, recuando de 158,9 para 157,6 por dólar em poucas horas, demonstrando a força do sinal político.
  • EUA e Japão devem anunciar uma política cambial conjunta na próxima semana, enquanto Tóquio sinaliza que pode acessar a linha de crédito FIMA do Federal Reserve para ampliar sua capacidade de intervenção sem vender títulos americanos.

Pela primeira vez em mais de uma década, o Tesouro dos Estados Unidos interveio diretamente no mercado cambial para sustentar o iene japonês, moeda que havia afundado a mínimas não vistas desde 1986. A operação, executada pelo Federal Reserve de Nova York através de grandes bancos de Wall Street, revela a profundidade da coordenação entre Washington e Tóquio diante de forças especulativas que ameaçam a estabilidade de uma das principais moedas do mundo. Neste gesto, ressoa a memória de 2011, quando as duas nações uniram esforços após a tragédia do tsunami — desta vez, o inimigo não é a natureza, mas a pressão implacável dos mercados.

Na sexta-feira, o Tesouro dos Estados Unidos entrou no mercado de câmbio para comprar ienes, marcando a primeira intervenção americana direta em apoio à moeda japonesa em mais de dez anos. A operação foi conduzida pelo Federal Reserve de Nova York, que vendeu euros por ienes através do Goldman Sachs e do Morgan Stanley. O valor exato não foi divulgado oficialmente.

O contexto era de deterioração acelerada: o dólar havia chegado a quase 164 ienes, patamar mais alto desde 1986, enquanto o Japão já havia gasto aproximadamente US$ 59 bilhões na quinta-feira tentando conter a queda sozinho. A reação ao anúncio foi imediata — o dólar recuou para cerca de 157,6 ienes no final da tarde, evidenciando o peso simbólico da participação americana.

Um detalhe inusitado revelou a escala da operação: uma fotografia da Reuters captou o bloco de notas do secretário do Tesouro, Scott Bessent, com a anotação 'Comprar ienes japoneses de US$ 5 a 10 bilhões'. Ainda na sexta-feira, o Tesouro havia alertado bancos para que se preparassem para possíveis intervenções futuras.

A coordenação entre os dois países parece avançar rapidamente. Segundo a agência Kyodo, uma política conjunta pode ser anunciada já na próxima semana, com o objetivo explícito de desestimular apostas especulativas contra o iene — a primeira ação coordenada de grande porte desde 2011. O Japão também sinalizou que pode recorrer à linha de crédito FIMA do Federal Reserve, criada durante a pandemia, para ampliar sua liquidez em dólares sem precisar vender títulos americanos. Os mercados aguardam os próximos passos com atenção redobrada.

Na sexta-feira, o Tesouro dos Estados Unidos entrou no mercado de câmbio para comprar ienes, marcando a primeira vez em mais de uma década que Washington intervinha diretamente para apoiar a moeda japonesa. A operação foi executada pelo Federal Reserve de Nova York, que vendeu euros em troca de ienes por intermédio do Goldman Sachs e do Morgan Stanley, segundo informações do Financial Times baseadas em pessoas familiarizadas com a transação. O valor específico da compra não foi divulgado.

O iene vinha sofrendo uma desvalorização severa, aproximando-se de mínimas de quarenta anos. O dólar havia chegado a quase 164 ienes — seu patamar mais elevado desde 1986 — antes da intervenção americana. A ação dos EUA ocorreu em contexto de pressão contínua sobre a moeda japonesa, com o Japão já tendo despendido aproximadamente 58,97 bilhões de dólares na quinta-feira para tentar conter a queda. Quando a notícia da possível intervenção americana circulou, o iene reagiu imediatamente: o dólar caiu para cerca de 157,6 ienes no final da tarde, comparado aos 158,9 ienes registrados horas antes.

Um detalhe revelador emergiu de uma foto tirada pela Reuters do bloco de notas do secretário do Tesouro, Scott Bessent, durante uma reunião de gabinete em Camp David, Maryland. O documento mostrava a anotação "Comprar ienes japoneses (JPY) de US$5 a 10 bilhões" na lista de tarefas, sinalizando a magnitude da operação que estava sendo considerada. Ainda na sexta-feira, o Tesouro havia comunicado a vários bancos que poderia intervir no mercado de ienes e que eles deveriam estar preparados para futuras ações.

A coordenação entre Washington e Tóquio parece estar se aprofundando. Segundo a agência de notícias Kyodo, os EUA e o Japão podem divulgar uma política conjunta já na próxima semana para lidar com a desvalorização do iene. O objetivo declarado é servir como um aviso contra apostas especulativas que têm pressionado a moeda japonesa, buscando estabilizar os mercados. Esta seria a primeira ação coordenada de grande envergadura desde 2011, quando Washington apoiou o iene após o terremoto e tsunami que devastaram o Japão.

O Japão, por sua vez, sinalizou que possui ferramentas adicionais à sua disposição. Através de uma publicação na rede social X, o Ministério das Finanças afirmou que as autoridades monetárias japonesas têm "uma ampla gama de ferramentas para atender às necessidades de liquidez do mercado". O comunicado mencionou especificamente a possibilidade de acessar a Linha de Recompra permanente do Federal Reserve destinada a Autoridades Monetárias Estrangeiras e Internacionais, conhecida como FIMA. Esta linha de crédito, introduzida em 2020 durante a pandemia de Covid-19, permite que o Japão aumente sua liquidez em dólares sem necessidade de vender títulos do Tesouro dos EUA, aliviando potencialmente as pressões de financiamento sobre Tóquio para futuras intervenções.

O Tesouro dos EUA, o Federal Reserve de Nova York e o Morgan Stanley não responderam imediatamente aos pedidos de comentários. O Goldman Sachs se recusou a comentar. A falta de confirmação oficial não impediu que os mercados reagissem à notícia, demonstrando a sensibilidade dos operadores a sinais de coordenação entre as duas maiores economias do mundo. O que vem a seguir dependerá do anúncio conjunto esperado para a próxima semana e de como os mercados interpretarão os limites e o alcance das futuras intervenções.

Continuamos preparados para utilizar as ferramentas disponíveis, conforme necessário, para apoiar o funcionamento ordenado do mercado
— Ministério das Finanças do Japão
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