Taxas futuras de juros caem com explicações de Cajado sobre arcabouço fiscal

As explicações de Cajado ajudaram a reduzir o prêmio de risco
Relator do arcabouço fiscal desmentiu notícias sobre liberação de 80 bilhões em despesas para 2024.
Mark

Por que as explicações de Cajado tiveram tanto peso? As pessoas realmente acreditaram que ele tinha liberado 80 bilhões?

Mimi

A imprensa havia publicado essa avaliação, então estava circulando entre os investidores como risco real. Quando Cajado saiu com uma nota técnica desmentindo, reduziu a incerteza sobre o tamanho do rombo fiscal.

Luke

Mas ele apenas explicou os cálculos. Não temos confirmação independente de que sua análise está correta ou de que a imprensa estava errada. É uma disputa de interpretação.

Mimi

Verdade, mas para o mercado o que importa é a percepção. Se o relator consegue convencer que não há liberação de 80 bilhões, o prêmio de risco cai.

Mark

E por que a curva brasileira caiu enquanto os Treasuries subiam? Isso não deveria acontecer junto?

Luke

Normalmente sim, mas o Brasil estava respondendo a um fator doméstico específico — o arcabouço fiscal — enquanto os EUA respondiam a negociações sobre dívida e inflação. São dinâmicas diferentes.

Mimi

Exatamente. O mercado brasileiro estava precificando risco fiscal. Quando Cajado reduziu esse risco, a curva virou. Nos EUA, o foco era outro.

Mark

Então o Banco Central mantém juros altos por enquanto?

Mimi

Tudo indica que sim. O IPCA segue elevado e o BC está em postura dura, como disseram os operadores.

Luke

Mas isso pode mudar se a inflação ceder. Ainda é cedo para saber qual será o próximo movimento.

  • A imprensa havia publicado que o relatório de Cajado permitiria ao governo ampliar despesas em cerca de 80 bilhões de reais em 2024, gerando tensão imediata nos contratos de juros longos.
  • Durante quase toda a sessão, a curva brasileira acompanhou a alta dos Treasuries americanos, pressionada pelo risco fiscal doméstico e pelo ambiente externo adverso.
  • Perto do fechamento, Cajado divulgou nota detalhando os cálculos técnicos de seu substitutivo e afirmando categoricamente que não havia acréscimo de despesas além do já proposto pelo governo.
  • O esclarecimento reverteu as taxas longas: o DI para janeiro de 2027 recuou de 11,313% para 11,28%, enquanto os contratos de 2025 e 2026 também fecharam abaixo dos ajustes anteriores.
  • A curva brasileira descolou do cenário externo, onde Treasuries de cinco e dez anos seguiam em alta, respondendo não a Nova York, mas ao que foi dito em Brasília.

Nos mercados financeiros, a palavra de um relator pode valer mais do que a maré global. Na quinta-feira, enquanto os rendimentos dos títulos americanos subiam impulsionados por negociações sobre o teto da dívida dos EUA e pela persistência da inflação, a curva de juros brasileira seguiu caminho oposto — não por força própria, mas pela voz do deputado Cláudio Cajado, que desmentiu interpretações de que seu relatório sobre o arcabouço fiscal abriria espaço para 80 bilhões de reais em gastos adicionais em 2024. O esclarecimento reduziu o prêmio de risco embutido nos contratos longos, lembrando que, nos mercados, a percepção muitas vezes precede — e às vezes supera — a realidade.

A sessão de quinta-feira nos mercados de juros futuros começou dentro do esperado: taxas curtas cedendo, taxas longas em alta, acompanhando o movimento dos títulos americanos. O ambiente externo justificava a pressão — Biden e o republicano Kevin McCarthy haviam declarado determinação em negociar o limite da dívida americana de 31,4 trilhões de dólares, o que reduzia o risco de calote, mas a inflação persistente nos EUA mantinha viva a expectativa de juros altos por mais tempo. Philip Jefferson, diretor do Fed indicado a vice-presidente, alertou que o progresso no combate à inflação podia estar desacelerando.

No Brasil, porém, a dinâmica mudou perto do fechamento. O deputado Cláudio Cajado, relator do novo arcabouço fiscal, divulgou uma nota desmentindo avaliações que circulavam na imprensa: seu relatório não abriria espaço para o governo ampliar despesas em 80 bilhões de reais em 2024. Cajado detalhou os cálculos técnicos utilizados e afirmou que seu substitutivo não acrescentava nenhum valor além do já proposto pelo governo.

O impacto foi imediato. As taxas longas, que estavam em alta, reverteram o movimento. O estrategista-chefe do Banco Mizuho, Luciano Rostagno, explicou que as declarações de Cajado ajudaram a reduzir o prêmio de risco embutido nos contratos. O DI para janeiro de 2025 fechou em 11,71%, ante 11,766%; o de 2026 recuou para 11,215%, ante 11,271%. Felipe Garcia, do C6 Bank, havia observado antes da reviravolta que a curva vinha passando por um aplanamento, com o Banco Central mantendo postura dura e o IPCA elevado pressionando os juros curtos. A quinta-feira representou uma pequena — mas significativa — interrupção desse movimento, conduzida não pelo mercado global, mas por uma nota técnica enviada de Brasília.

A sessão de quinta-feira nos mercados de juros futuros brasileiros começou com um padrão que parecia previsível: as taxas curtas cediam enquanto as longas ganhavam força, acompanhando o movimento dos títulos americanos. Mas perto do fechamento, uma reviravolta. O relator do novo arcabouço fiscal, deputado Cláudio Cajado, do PP da Bahia, divulgou uma nota à imprensa desmentindo avaliações que circulavam sobre seu relatório. A imprensa havia publicado que seu texto abriria espaço para o governo ampliar despesas em aproximadamente 80 bilhões de reais em 2024. Cajado respondeu detalhando os cálculos e ajustes técnicos que havia utilizado, afirmando categoricamente que seu substitutivo não estava acrescentando nenhum valor além do que o governo já havia proposto.

Essas explicações tiveram impacto imediato na ponta longa da curva, que até então estava em alta. O movimento refletiu uma redução no prêmio de risco que os investidores estavam embutindo nos contratos. Luciano Rostagno, estrategista-chefe do Banco Mizuho, resumiu o efeito: as declarações de Cajado, ao tentar desfazer o ruído em torno da liberação de 80 bilhões que supostamente seu relatório permitiria, estavam ajudando a reduzir esse prêmio. No fechamento, a taxa do DI para janeiro de 2024 estava em 13,32%, ligeiramente abaixo dos 13,328% do ajuste anterior. Para janeiro de 2025, a taxa caiu para 11,71%, ante 11,766%. Os contratos mais longos também recuaram: janeiro de 2026 fechou em 11,215%, ante 11,271%, e janeiro de 2027 em 11,28%, ante 11,313%.

O que tornou esse movimento notável foi sua desconexão com o cenário internacional. Enquanto a curva brasileira fechava em queda, os rendimentos dos Treasuries americanos subiam. Nos EUA, o contexto era de alívio sobre a dívida federal. O presidente Joe Biden e o líder republicano Kevin McCarthy haviam declarado determinação em chegar a um acordo e iniciaram negociações diretas sobre o limite de dívida de 31,4 trilhões de dólares. Os investidores interpretaram isso como redução da probabilidade de calote americano. Simultaneamente, porém, persistia a percepção de que a inflação norte-americana seguia elevada, reduzindo as chances de corte de juros pelo Federal Reserve no curto prazo. Philip Jefferson, diretor do Fed indicado a vice-presidente, afirmou que o progresso no combate à inflação pode estar desacelerando, mas alertou que era cedo para avaliar o impacto total dos aumentos de juros já aprovados.

Esse viés de alta na curva americana se refletiu no Brasil durante quase toda a sessão, até o momento em que os comentários de Cajado mudaram a dinâmica. Felipe Garcia, chefe da mesa de operações do C6 Bank, havia observado antes dessa reviravolta que a curva estava passando por um aplanamento nos últimos dias, com o Banco Central mantendo postura mais dura e o IPCA elevado pressionando os juros curtos para cima enquanto os longos fechavam. A quinta-feira representava uma pequena reversão desse movimento. No fechamento, o Treasury de dez anos, referência global para decisões de investimento, subia 7,20 pontos-base, chegando a 3,6534%. O Treasury de cinco anos subia 10,30 pontos-base, a 3,6948%. A curva brasileira, porém, seguiu seu próprio caminho, respondendo não ao que acontecia em Nova York, mas ao que o relator do arcabouço fiscal havia dito em Brasília.

As declarações do Cajado, tentando desfazer o ruído da liberação de 80 bilhões que o relatório supostamente está fazendo, está ajudando a reduzir o prêmio
— Luciano Rostagno, estrategista-chefe do Banco Mizuho
Seu substitutivo não está acrescentando nenhum valor ao que foi proposto pelo governo
— Cláudio Cajado, relator do arcabouço fiscal
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