Aos 79 anos, depois de ter abandonado um hábito de décadas na esperança de cruzar o Atlântico, Tânia Maria viu-se impedida pela própria fragilidade do corpo de estar presente num dos palcos mais luminosos do cinema mundial. A atriz brasileira, que descobriu a arte da representação apenas aos 72 anos, acompanhará a cerimónia dos Óscares do interior do Rio Grande do Norte, enquanto o filme 'O Agente Secreto' concorre em quatro categorias. Há, nesta ausência forçada, uma lição silenciosa sobre o tempo, a perseverança e os limites que a vida impõe mesmo às histórias mais improváveis.
Tânia Maria desiste de ir aos Óscares por problemas respiratórios
O Brasil precisa de gente para brilhar aqui também
Como é que uma atriz consegue deixar de fumar depois de 65 anos? Isso parece quase impossível.
Tânia Maria tinha um objetivo muito claro: estar presente nos Óscares. Isso foi o suficiente para quebrar um hábito de décadas. Ela própria disse que fumava três maços por dia. Mas a medicina não permitiu que o sacrifício tivesse o desfecho que ela esperava.
A doença pulmonar obstrutiva crónica é grave?
É uma condição que danifica progressivamente os pulmões e limita o fluxo de ar. Para alguém que viaja de avião, representa um risco real. Os médicos desaconselharam a viagem.
Mas ela começou a carreira muito tarde, aos 72 anos. Isto não é uma perda maior para ela?
Talvez fosse, se a carreira tivesse parado. Mas não parou. Ela tem vários projetos em curso, filmes que já foram rodados ou estão para estrear. A ausência em Los Angeles dói, mas a carreira continua.
Porque é que ela decidiu tornar pública a decisão de não ir?
Porque o filme concorre em quatro categorias e ela é parte daquilo. As pessoas esperavam vê-la lá. Ser honesto sobre o motivo — a saúde — é mais respeitoso do que simplesmente desaparecer.
E agora, o que muda para ela?
Continua a trabalhar. Continua a brilhar, como ela disse. Só que do Brasil.
Der Puls
- Tânia Maria parou de fumar após 65 anos com o hábito — três maços por dia — precisamente para conseguir viajar a Los Angeles e estar presente nos Óscares.
- A doença pulmonar obstrutiva crónica diagnosticada tornou a viagem de avião medicamente desaconselhada, desfazendo meses de preparação e esforço pessoal.
- A atriz anunciou a ausência em vídeo nas redes sociais, transformando a contrariedade numa declaração de solidariedade: 'O Brasil precisa de gente para brilhar aqui também.'
- O filme 'O Agente Secreto' concorre em quatro categorias dos Óscares, e a atenção internacional gerada pelo papel de Tânia Maria já lhe abriu portas em múltiplas produções.
- Com uma carreira em plena expansão — séries, longas e curtas-metragens confirmadas — a ausência em Los Angeles é uma contrariedade, não um ponto final.
Aos 79 anos, depois de ter abandonado um hábito de décadas na esperança de cruzar o Atlântico, Tânia Maria viu-se impedida pela própria fragilidade do corpo de estar presente num dos palcos mais luminosos do cinema mundial. A atriz brasileira, que descobriu a arte da representação apenas aos 72 anos, acompanhará a cerimónia dos Óscares do interior do Rio Grande do Norte, enquanto o filme 'O Agente Secreto' concorre em quatro categorias. Há, nesta ausência forçada, uma lição silenciosa sobre o tempo, a perseverança e os limites que a vida impõe mesmo às histórias mais improváveis.
Tânia Maria não estará em Los Angeles no dia 15 de março. A atriz brasileira de 79 anos, que interpreta Dona Sebastiana em 'O Agente Secreto', anunciou que acompanhará a cerimónia dos Óscares do Brasil, em Santo António da Cobra, no interior do Rio Grande do Norte. A decisão chegou depois de um esforço genuíno: ela tinha deixado de fumar este ano — algo que não fazia há 65 anos, durante os quais consumia três maços por dia — precisamente para conseguir viajar aos Estados Unidos.
Mas a doença pulmonar obstrutiva crónica que lhe foi diagnosticada tornou a viagem impossível. Os médicos desaconselharam a deslocação, e Tânia Maria aceitou o veredicto com a serenidade de quem já aprendeu a transformar os obstáculos em postura. Em vídeo publicado nas redes sociais, resumiu a situação com uma frase que diz muito sobre o seu carácter: 'O Brasil precisa de gente para brilhar aqui também.'
A história de Tânia Maria é, em si mesma, improvável. Entrou no cinema aos 72 anos como figurante em 'Bacurau', de Kleber Mendonça Filho, enquanto trabalhava como artesã. O papel de Dona Sebastiana em 'O Agente Secreto' — protagonizado por Wagner Moura e também realizado por Mendonça Filho — foi o seu grande salto. O filme concorre aos Óscares em quatro categorias: Melhor Filme, Melhor Ator, Melhor Casting e Melhor Filme Internacional. Publicações como The Hollywood Reporter e Variety escreveram sobre ela, e chegou a especular-se sobre uma nomeação para Melhor Atriz Secundária.
A ausência em Los Angeles não trava o impulso. Tânia Maria participou em 'Seu Cavalcanti' em 2024, integra a série 'Delegado' que estreia este ano, e tem presença confirmada em várias outras produções, incluindo a longa-metragem 'Yellow Cake', exibida no Festival de Roterdão. A carreira que começou tarde não dá sinais de abrandar — apenas continua, desta vez a brilhar a partir do Brasil.
Tânia Maria não vai estar em Los Angeles no dia 15 de março. A atriz brasileira de 79 anos, que dá vida a Dona Sebastiana no filme "O Agente Secreto", anunciou na quinta-feira que acompanhará a cerimónia dos Óscares do Brasil, onde mora, em Santo António da Cobra, no interior de Rio Grande do Norte. A decisão veio depois de meses de preparação — ela tinha deixado de fumar este ano, algo que não fazia há 65 anos, precisamente para conseguir viajar até aos Estados Unidos e estar presente no evento.
Mas a doença pulmonar obstrutiva crónica que lhe foi diagnosticada tornou a viagem impossível. A condição limita o fluxo de ar nos pulmões e causa danos progressivos, criando um risco acrescido para quem viaja de avião. Tânia Maria procurou ajuda médica e os médicos desaconselharam a deslocação. Num vídeo publicado nas redes sociais, ela explicou a ausência com uma frase que resume bem a sua atitude: "O Brasil precisa de gente para brilhar aqui também. Vamos torcer aqui no Brasil. Eu fico para brilhar com vocês."
O esforço para deixar de fumar tinha sido real e público. Em janeiro, numa entrevista ao programa Fantástico, Tânia Maria falou sobre a mudança com uma certa graça: durante 65 anos fumou três maços por dia, mas agora estava disponível para novos trabalhos sem cigarro. "Posso botar o cigarro no dedo, mas fumar não", disse na altura. Era um sinal de que estava séria em relação à viagem, que representaria um momento de consagração internacional para uma carreira que começou tarde.
Tânia Maria entrou no mundo do cinema aos 72 anos, em 2019, como figurante em "Bacurau", um filme do realizador Kleber Mendonça Filho. Nessa altura, trabalhava como artesã. O papel de Dona Sebastiana em "O Agente Secreto" foi o seu grande salto — um papel de relevo num filme que concorre aos Óscares em quatro categorias: Melhor Filme, Melhor Ator, Melhor Casting e Melhor Filme Internacional. O filme é protagonizado por Wagner Moura e também realizado por Mendonça Filho.
A sua participação chamou atenção internacional. Publicações como The Hollywood Reporter e Variety escreveram sobre ela, e houve especulação sobre uma possível nomeação para Melhor Atriz Secundária — algo que não se concretizou. Ainda assim, o reconhecimento abriu portas. Desde então, participou em "Seu Cavalcanti" em 2024, está na série "Delegado" que estreia este ano, e tem presença confirmada em várias outras produções: a longa-metragem "Yellow Cake", que estreou no Festival Internacional de Cinema de Roterdão este ano, a curta "O Dilema das Rosas", e os filmes "Almeidinha" e "Adoção".
A carreira de Tânia Maria, portanto, não perde ritmo. A ausência em Los Angeles é uma contrariedade, mas não um ponto final. Ela continuará a trabalhar, a brilhar, como disse — só que do Brasil, onde começou tudo.
Bemerkenswerte Zitate
O Brasil precisa de gente para brilhar aqui também. Vamos torcer aqui no Brasil. Eu fico para brilhar com vocês.— Tânia Maria, em vídeo publicado nas redes sociais
Antes eu fumava três maços por dia. Se quiser contratar Tânia Maria agora, é sem cigarro.— Tânia Maria, em entrevista ao Fantástico em janeiro