Steinbruch passa comando da CSN para Schvartsman após 24 anos como CEO

Parte da minha vida está aqui. São 33 anos.
Steinbruch reflete sobre deixar o comando operacional após três décadas liderando a CSN.
Mark

Por que Steinbruch decidiu sair agora, depois de 33 anos?

Mimi

Ele planejava isso há três anos, mas o timing é importante. A CSN enfrenta endividamento pesado e precisa de alguém com experiência em reestruturação. Steinbruch reconhece que sua saída operacional permite focar em estratégia enquanto Schvartsman executa.

Luke

Mas Steinbruch continua no conselho. Isso é realmente uma transição ou é mais uma mudança de título?

Mark

Qual é o risco real que Schvartsman enfrenta?

Mimi

Reduzir R$ 42 bilhões de dívida é tarefa monumental. A venda de cimentos é o primeiro passo, mas depois vem infraestrutura, energia e possivelmente a siderurgia. Cada venda é complexa.

Luke

E se o mercado não comprar esses ativos pelos preços esperados? O plano de desalavancar R$ 18 a R$ 20 bilhões depende de vendas bem-sucedidas.

Mark

Brumadinho vai ser um problema para Schvartsman na CSN?

Mimi

Steinbruch diz que não, que foi uma fatalidade e que a percepção do mercado sobre Schvartsman é boa. Mas é uma sombra que ele carrega.

Luke

Isso é atribuição de Steinbruch, não fato verificado. O mercado pode ter opinião diferente quando Schvartsman começar a tomar decisões difíceis na CSN.

Mark

A CSN vai virar uma empresa menor?

Mimi

Provavelmente. Steinbruch construiu uma holding diversificada em cimentos, siderurgia, metalurgia, energia, infraestrutura e logística. O novo plano é concentrar nas operações mais estratégicas.

Luke

Mas qual é a estratégia real? Vender ativos para pagar dívida é tática de curto prazo. Qual é o negócio que a CSN quer ser daqui a cinco anos?

  • A CSN acumula dívida de R$ 42 bilhões e alavancagem de 3,49 vezes o Ebitda, um peso que Steinbruch chama de 'absurdo e desnecessário' e que pressiona o caixa da empresa há anos.
  • As ações CSNA3 despencaram 31,6% em 2026 e 20% nos últimos 12 meses, sinalizando que o mercado perdeu a paciência com o ritmo de endividamento.
  • Schvartsman assume com missão cirúrgica: reduzir entre R$ 18 bilhões e R$ 20 bilhões da dívida por meio de desinvestimentos, começando pela venda da CSN Cimentos, segundo maior player do setor com 21% de participação.
  • O processo de venda da cimenteira já está em andamento há duas semanas e deve ser concluído até novembro, abrindo caminho para alienações em infraestrutura, energia e busca de parceiro estratégico para a siderurgia.
  • A sombra de Brumadinho — desastre ocorrido durante a passagem de Schvartsman pela Vale em 2019 — foi pesada por Steinbruch, que a descarta como obstáculo, apostando na percepção positiva que o mercado ainda mantém sobre o executivo.

Após 33 anos à frente da CSN — 24 deles como CEO —, Benjamin Steinbruch entrega o comando operacional a Fabio Schvartsman, num gesto que marca tanto uma passagem de bastão pessoal quanto uma virada estratégica para a siderúrgica. A empresa carrega R$ 42 bilhões em dívidas e ações que perderam quase um terço do valor em 2026, e a nova gestão chega com mandato claro: vender ativos, aliviar o caixa e reconcentrar a companhia no que é essencial. É o tipo de transição que revela, ao mesmo tempo, os limites de uma era e a urgência de uma reinvenção.

Benjamin Steinbruch encerrou nesta semana 24 anos como CEO da CSN, passando o comando operacional a Fabio Schvartsman a partir de 3 de setembro. Steinbruch, que lidera a empresa desde 1993, retorna à presidência do conselho de administração — papel que já ocupou entre 1995 e 2023. A transição, desenhada há cerca de três anos, só agora foi implementada.

O momento é de pressão real. A CSN carrega R$ 42 bilhões em dívidas e alavancagem de 3,49 vezes a relação entre dívida líquida e Ebitda. As ações CSNA3 acumulam queda de 31,6% em 2026, e o valor de mercado da companhia chegou a R$ 7,9 bilhões. Schvartsman chega com missão clara: reduzir a dívida entre R$ 18 bilhões e R$ 20 bilhões por meio de venda de ativos.

O primeiro movimento já está em curso. A CSN Cimentos, que se tornou o segundo maior player do setor com 21% de participação de mercado, está em processo de licitação iniciado há duas semanas. A expectativa é fechar o negócio até novembro. Na sequência, o plano prevê venda de participações em infraestrutura e energia, desinvestimento de unidades no exterior e busca de parceiro estratégico para a siderurgia.

A escolha de Schvartsman foi resultado de consulta ao mercado. O executivo acumula 22 anos no Grupo Ultra, passagem como CEO da Klabin — período em que a empresa dobrou sua capacidade produtiva — e assento no conselho da Vibra Energia desde 2022. Sua gestão na Vale, entre 2017 e 2019, foi marcada pelo rompimento da barragem de Brumadinho, tragédia com 272 mortes. Steinbruch reconhece o peso do episódio, mas afirma que não compromete a trajetória do novo CEO.

Para Steinbruch, deixar o dia a dia operacional é também uma transição pessoal. 'Parte da minha vida está aqui', admite. Ele planeja manter papel estratégico no conselho e oferecer suporte próximo a Schvartsman enquanto a empresa navega por um dos momentos mais delicados de sua história recente.

Benjamin Steinbruch entregou nesta semana o comando operacional da CSN após 24 anos como CEO, marcando o fim de uma das gestões mais longas da indústria brasileira. A partir de quinta-feira, 3 de setembro, Fabio Schvartsman, que dirigiu a Vale entre 2017 e 2019, assume a cadeira de presidente executivo. Steinbruch, que lidera a empresa desde 1993 e foi chairman entre 1995 e 2023, retorna à presidência do conselho de administração.

A transição ocorre em momento crítico para a siderúrgica. A CSN carrega uma dívida de R$ 42 bilhões e uma alavancagem de 3,49 vezes a relação entre dívida líquida e Ebitda. Schvartsman chega com missão clara: desalavancar a companhia de forma significativa, reduzindo o peso dos juros que Steinbruch descreve como "absurdo e desnecessário". O plano prevê reduzir a dívida entre R$ 18 bilhões e R$ 20 bilhões através de vendas de ativos.

O primeiro movimento já está em andamento. A CSN Cimentos, que se tornou o segundo maior player do mercado com 21% de participação de mercado, está em processo de venda. Steinbruch informou que o processo de licitação começou há duas semanas e a expectativa é finalizar o negócio até novembro, após cerca de 45 dias para discussão e formalização das propostas recebidas. A venda deste ativo deve trazer alívio significativo ao caixa da companhia.

Para Steinbruch, deixar o dia a dia operacional representa um momento de transição pessoal. Ele reconhece que 33 anos de liderança direta criaram uma identificação forte entre sua imagem e a da empresa. "Parte da minha vida está aqui", afirma. Ainda assim, ele planeja manter papel estratégico e de relacionamento no conselho, oferecendo proximidade e apoio a Schvartsman durante a transição. O processo de mudança de comando foi desenhado há cerca de três anos, mas só agora foi implementado.

A escolha de Schvartsman não foi casual. Steinbruch consultou o mercado sobre candidatos adequados ao cargo e o nome do executivo ganhou força. Schvartsman acumula experiência em grandes corporações: passou 22 anos no Grupo Ultra, onde chegou a CFO; foi CEO da Klabin entre 2011 e 2017, período em que a empresa dobrou sua capacidade de produção; e desde 2022 integra o conselho da Vibra Energia. Na Vale, enfrentou a crise do rompimento da barragem de Brumadinho em janeiro de 2019, desastre que resultou em 272 mortes.

Esse episódio em Brumadinho foi preocupação para Steinbruch, mas ele descarta que afete o trabalho do novo CEO. "A carreira do Fábio é diferenciada. Aconteceu uma fatalidade durante o período em que ele era CEO e que realmente marcou", reconhece. Steinbruch acredita que Schvartsman demonstrará que o desastre não foi questão pessoal e que a percepção do mercado sobre o executivo permanece positiva.

O plano de reestruturação vai além da venda de cimentos. Steinbruch indica que a próxima etapa envolve venda de participações minoritárias em infraestrutura e energia, desinvestimento de unidades independentes no exterior, e busca de parceiro estratégico para a siderurgia, visando avançar em inovação e tecnologia. O objetivo é concentrar a companhia nas operações consideradas mais estratégicas enquanto equilibra as contas.

A transição ocorre em contexto de pressão nos mercados. As ações CSNA3 acumulam desvalorização de 31,6% em 2026 e queda de 20% em 12 meses. A CSN possui valor de mercado de R$ 7,9 bilhões. Para Schvartsman, o desafio imediato é demonstrar que consegue executar o plano de desalavancagem enquanto mantém a operação competitiva em um cenário macroeconômico difícil.

O Fábio vem com a missão de desalavancar a CSN, dentro do que for possível, para que a gente consiga ter uma redução da dívida de forma significativa, para continuar nosso trabalho, e não pagando essa carga de juros absurda e desnecessária
— Benjamin Steinbruch
Comecei a procurar pessoas. É difícil procurar quem pudesse me substituir pela particularidade da empresa e pela minha particularidade, em acompanhar a empresa há tanto tempo. Achamos o Fábio, que me pareceu a pessoa adequada
— Benjamin Steinbruch
Quer a matéria completa? Leia o original em neofeed.com.br ↗
Fale Conosco FAQ