Soja reage após mínima de 3 anos com alta semanal no Brasil

O movimento de baixa foi interrompido pela firme demanda
Análise do Cepea explicando a reversão dos preços da soja após três anos em mínimas.
Mark

Por que a soja havia caído tanto se a safra era recorde? Não deveria haver mais oferta, sim, mas recorde não significa necessariamente preço baixo.

Mimi

Recorde significa exatamente isso — muita oferta chegando ao mercado ao mesmo tempo. Quando todos colhem bem, todos vendem. E quando todos vendem, o preço cai. É simples assim. A soja havia tocado mínimas de três anos porque o mercado estava inundado.

Mark

E o que mudou em uma semana? A safra não desapareceu.

Mimi

Não, mas os produtores pararam de vender desesperadamente. Quando você vê que o preço tocou o fundo, você segura. Além disso, a Argentina estava com problemas — isso muda a dinâmica global. De repente, a soja brasileira fica mais valiosa.

Mark

Chicago subiu 1,5%. Isso é muito ou pouco?

Mimi

Em um mercado que havia caído tanto, é significativo. Não é explosivo, mas é o sinal de que a tendência virou. Os compradores internacionais começaram a se mover.

Mark

Mas os portos estão cheios. Como isso ajuda o produtor?

Mimi

Não ajuda muito, na verdade. Os prêmios seguem negativos. Você tem preço melhor em Chicago, mas pagar para colocar a soja no navio custa caro. É uma recuperação incompleta.

Mark

Então o produtor ainda está preso?

Mimi

Parcialmente. Melhorou em relação a semanas atrás, mas não o suficiente para eliminar a frustração. É um respiro, não uma solução.

  • Os preços da soja haviam tocado os níveis mais baixos em três anos, pressionando produtores que viram uma colheita recorde se transformar em fardo financeiro.
  • A recuperação de 1,7% no Indicador Esalq em Paranaguá e de 1,5% no contrato de maio em Chicago sinalizou uma reversão modesta, mas significativa, da tendência de queda.
  • Produtores brasileiros seguraram vendas, a Argentina caminhava para sua pior safra em 24 temporadas e compradores internacionais voltaram a demonstrar apetite — três forças que se somaram para sustentar a alta.
  • Apesar da recuperação, os portos brasileiros operavam no limite da capacidade, mantendo prêmios negativos ante futuros de Chicago e freando as negociações no mercado spot.

Após semanas pressionada por uma colheita recorde e mínimas históricas de três anos, a soja brasileira ensaiou uma recuperação na primeira semana de maio de 2023 — um sinal de que os mercados, como as estações, guardam em si a capacidade de virada. A confluência de fatores globais e locais, da crise produtiva argentina à retração dos próprios produtores brasileiros, lembrou que os preços das commodities são menos números do que narrativas vivas de escassez, confiança e espera.

A soja brasileira encontrou seu piso depois de semanas operando nos níveis mais baixos em três anos, coincidindo com a chegada de uma colheita recorde ao mercado. Na semana de 27 de abril a 4 de maio, os preços esboçaram uma recuperação firme o suficiente para interromper a queda que vinha pressionando os produtores.

O Indicador Esalq/BM&FBovespa em Paranaguá subiu 1,7%, fechando a 138,49 reais por saca, enquanto o Indicador Cepea/Esalq do Paraná avançou 1%, a 132,18 reais. O contrato de maio em Chicago subiu 1,5% no mesmo período, indicando que o movimento não era apenas doméstico.

Três fatores convergiram para a virada: produtores brasileiros começaram a segurar vendas, reduzindo a pressão de oferta; a demanda global deu sinais de fortalecimento; e os ganhos em Chicago reverberaram no mercado interno. A Argentina, que caminhava para sua menor colheita em 24 temporadas, tornava a soja brasileira ainda mais atrativa aos compradores internacionais.

A recuperação, porém, tinha limites claros. Os principais portos brasileiros operavam com capacidade restrita, mantendo prêmios negativos ante os futuros de Chicago e reduzindo o volume de negociações no mercado spot. O respiro nos preços era bem-vindo, mas os gargalos de infraestrutura deixavam claro que os obstáculos estruturais não desapareceriam tão cedo.

A soja brasileira encontrou seu piso. Depois de semanas operando nos níveis mais baixos em três anos — coincidindo com a chegada de uma colheita recorde aos mercados — os preços começaram a se recuperar na semana de 27 de abril a 4 de maio. Não foi um salto dramático, mas um movimento firme o suficiente para interromper a queda que vinha pressionando os produtores.

O Indicador Esalq/BM&FBovespa de soja em Paranaguá subiu 1,7% naquele período, fechando quinta-feira a 138,49 reais por saca de 60 quilos. Em paralelo, o Indicador Cepea/Esalq referente ao Paraná avançou 1%, chegando a 132,18 reais por saca. Esses ganhos podem parecer modestos, mas em um mercado que havia tocado mínimas de três anos, representavam um respiro. O contrato de maio em Chicago, que funciona como termômetro global para o preço da oleaginosa, subiu 1,5% no mesmo período, sinalizando que a recuperação não era apenas local.

Três fatores convergiram para essa mudança de direção, segundo análise do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada, vinculado à Esalq/USP. Primeiro, os próprios produtores brasileiros começaram a segurar suas vendas, reduzindo a pressão de oferta que havia mantido os preços deprimidos. Segundo, a demanda global mostrou sinais de fortalecimento — compradores internacionais estavam mais dispostos a negociar. Terceiro, os ganhos em Chicago reverberaram até o Brasil, puxando os preços domésticos para cima.

Mas havia mais na história. A Argentina, principal concorrente do Brasil na produção de soja, enfrentava problemas sérios de produtividade. O país sul-americano caminhava para colher sua menor produção em 24 temporadas, o que naturalmente tornava a soja brasileira mais atrativa no mercado internacional. Esse cenário de escassez relativa na região ajudava a sustentar o apetite dos compradores globais.

Na média das regiões acompanhadas pelo Cepea, porém, os preços pagos ao produtor no mercado de balcão permaneceram estáveis durante aquela semana. Isso sugeria que a recuperação estava acontecendo principalmente nas operações de maior volume, não necessariamente beneficiando todos os agricultores de forma uniforme.

Há, porém, um limite para essa recuperação. Os principais portos brasileiros operavam com capacidade limitada, criando um gargalo que mantinha os prêmios sobre os contratos futuros de Chicago em território negativo. Isso significa que, mesmo com preços subindo, havia custos adicionais associados à logística e à espera por espaço nos terminais. Essa restrição de infraestrutura estava reduzindo o volume de negociações no mercado spot nacional, deixando claro que a recuperação de preços, embora bem-vinda, ainda enfrentava obstáculos estruturais que não desapareceriam rapidamente.

O movimento de baixa foi interrompido pela firme demanda e pela retração de sojicultores no Brasil. Agentes nacionais estão atentos ao maior apetite do mercado global nesta temporada e à baixa produtividade de soja na Argentina
— Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea)
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