No Brasil, o primeiro trimestre de 2026 inscreveu-se na história como o mais letal para mulheres desde que o país começou a monitorar feminicídios, em 2015. Entre janeiro e março, 399 vidas foram interrompidas — uma a cada cinco horas e vinte e cinco minutos —, num crescimento de 7,5% em relação ao mesmo período do ano anterior. O dado não é uma anomalia: é a continuação de uma curva ascendente que transforma a violência de gênero em crise estrutural, não em episódio isolado.
Brasil registra um feminicídio a cada 5 horas e 25 minutos no 1º trimestre
A cada cinco horas e vinte e cinco minutos, uma mulher é morta
Como é possível que os números piorem a cada ano, mesmo com mais visibilidade sobre o tema?
Porque visibilidade não é o mesmo que mudança estrutural. Estamos falando de violência que acontece dentro de casas, em relacionamentos, em dinâmicas de poder que não mudam só porque as pessoas sabem que existem.
Mas São Paulo tem 86 casos enquanto o Amapá tem sete. Por que o crescimento percentual do Amapá é mais preocupante?
Porque sugere que a violência está se espalhando para lugares onde antes era menos visível ou menos registrada. Um crescimento de 250% significa que algo mudou rapidamente naquele estado — seja na violência em si, seja na capacidade de registrá-la.
Os números de 2025 já eram recordes. Como 2026 consegue ser pior logo no primeiro trimestre?
Porque não houve intervenção que revertesse a tendência. Os recordes de 2025 não geraram políticas suficientemente fortes para mudar o curso. Estamos vendo a inércia de um problema que continua crescendo.
Se apenas dois estados não registraram casos, isso significa que o feminicídio é realmente um problema nacional?
Sim. Significa que em 26 de 27 unidades federativas, mulheres foram mortas por razões de gênero no mesmo trimestre. Não é um problema localizado. É sistêmico.
The Pulse
- O Brasil registrou 399 feminicídios no primeiro trimestre de 2026, o pior resultado desde o início do monitoramento há uma década.
- A aceleração é consistente: 2026 já supera os picos trimestrais de 2022 e 2024, sinalizando uma tendência de escalada, não uma flutuação passageira.
- São Paulo lidera em números absolutos com 86 vítimas, mas o Amapá alerta com crescimento de 250% — de 2 para 7 casos em um ano.
- Mulheres ocupam as ruas em protestos, como o da Avenida Paulista, exigindo respostas que os dados indicam ainda não terem chegado.
- Se o ritmo atual se mantiver, 2026 pode encerrar o ano como o mais mortal para mulheres em toda a série histórica do país.
No Brasil, o primeiro trimestre de 2026 inscreveu-se na história como o mais letal para mulheres desde que o país começou a monitorar feminicídios, em 2015. Entre janeiro e março, 399 vidas foram interrompidas — uma a cada cinco horas e vinte e cinco minutos —, num crescimento de 7,5% em relação ao mesmo período do ano anterior. O dado não é uma anomalia: é a continuação de uma curva ascendente que transforma a violência de gênero em crise estrutural, não em episódio isolado.
A cada cinco horas e vinte e cinco minutos, uma mulher é morta no Brasil. Entre janeiro e março de 2026, 399 feminicídios foram registrados pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública — o pior primeiro trimestre desde que o monitoramento começou, em 2015, quando o mesmo período contabilizou 125 vítimas.
O crescimento não é acidental. Em 2022, o trimestre inicial deixou 372 mortas; em 2024, foram 384. Este ano ultrapassou ambos. Comparado ao primeiro trimestre de 2025, o aumento é de 7,55% — uma aceleração que aponta para uma tendência estrutural. Janeiro foi o mês mais letal, com 142 mortes; fevereiro recuou para 123; março voltou a subir, com 134 casos.
Geograficamente, São Paulo concentra 86 vítimas, seguido por Minas Gerais (42), Paraná (33), Bahia (25) e Rio Grande do Sul (24). Acre e Roraima foram os únicos estados sem registros no período. Mas os números absolutos escondem dinâmicas locais preocupantes: o Amapá registrou crescimento de 250% em relação ao mesmo trimestre de 2025, passando de 2 para 7 casos.
Enquanto os dados são divulgados, mulheres continuam organizando protestos nas ruas exigindo ação efetiva. O que os números revelam é que as políticas em vigor não conseguiram frear a morte. Se o ritmo do primeiro trimestre se mantiver ao longo do ano, 2026 pode se tornar o período mais mortal para mulheres em toda a história do monitoramento brasileiro.
A cada cinco horas e vinte e cinco minutos, uma mulher é morta no Brasil. Esse é o ritmo de morte que marca o primeiro trimestre de 2026, segundo dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública. Entre janeiro e março, 399 mulheres foram vítimas de feminicídio — um número que não apenas quebra recordes, mas o faz de forma consistente e crescente.
Para entender o peso dessa cifra, é preciso olhar para trás. Uma década atrás, em 2015, o primeiro trimestre registrou 125 vítimas. Hoje são 399. O crescimento não é linear nem acidental. Em 2022, o trimestre inicial deixou 372 mortas. Em 2024, foram 384. Este ano já ultrapassou ambos. Comparado apenas ao primeiro trimestre de 2025, o aumento é de 7,55% — uma aceleração que sugere uma tendência, não uma flutuação.
O ano passado, 2025, fechou com 1.470 feminicídios registrados em todo o país, superando o recorde anterior de 1.464 em 2024. Os números vêm do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública, alimentado por dados dos estados, Distrito Federal, Polícia Federal e Polícia Rodoviária Federal. São números que refletem o que as delegacias registram, o que significa que a realidade pode ser ainda mais grave.
Janeiro foi o mês mais letal do trimestre, com 142 mortes. Fevereiro recuou ligeiramente para 123 casos. Março voltou a subir, chegando a 134. A variação mensal não apaga o padrão: a violência contra mulheres no Brasil não diminui, apenas flutua dentro de um patamar alto e crescente.
Geograficamente, São Paulo concentra a maior quantidade absoluta de casos: 86 vítimas nos três primeiros meses. Minas Gerais vem em seguida com 42, seguida por Paraná (33), Bahia (25) e Rio Grande do Sul (24). Apenas dois estados não registraram nenhum feminicídio no período: Acre e Roraima. Mas o número bruto não conta toda a história. O Amapá, com apenas sete casos, registrou um crescimento de 250% em relação ao mesmo trimestre de 2025, quando havia dois casos. Isso significa que em alguns lugares, a violência está acelerando de forma particularmente aguda.
Esses dados chegam em um momento em que mulheres continuam organizando protestos nas ruas — como o que reuniu manifestantes na Avenida Paulista — exigindo ação. O que os números mostram é que as políticas até agora não conseguiram frear a morte. O primeiro trimestre de 2026 é oficialmente o mais letal para mulheres desde que o monitoramento começou em 2015. Se o ritmo se mantiver, 2026 pode se tornar o ano mais mortal da década.
Notable Quotes
O ano de 2026 é o mais letal para as mulheres no recorte do primeiro trimestre, considerando o monitoramento realizado desde 2015— Ministério da Justiça e Segurança Pública