Sexo é mais polêmico que violência, diz Raphael Montes sobre thriller erótico

Sexo é mais polêmico que violência porque toca em liberdade
Montes explica por que seu novo thriller erótico é mais provocador que seus romances anteriores repletos de assassinatos.
Mark

Por que Montes acha que sexo é mais polêmico que violência na literatura?

Mimi

Porque violência pode ser enquadrada como gênero — suspense, thriller, horror. Sexo toca diretamente em liberdade individual e poder, temas que a sociedade ainda processa com desconforto.

Luke

Mas isso é uma observação dele, não necessariamente um fato verificável. Diferentes públicos reagem de formas diferentes. Alguns leitores podem achar a violência muito mais perturbadora.

Mark

Como ele estrutura a narrativa em "A Estranha na Cama"?

Mimi

Através de múltiplas versões dos eventos, revelações graduais. É a mesma técnica que usou em "Suicidas", onde o enredo se monta a partir de depoimentos colhidos depois.

Luke

A fonte não detalha exatamente como essas versões se contradizem ou se complementam. Sabemos que a técnica existe, mas não sabemos como funciona especificamente neste livro.

Mark

Qual é a trama central?

Mimi

Um casal maduro, Laura e Diego, abre o relacionamento quando o desejo entre eles esfria. Convidam a jovem Vivian para um ménage à trois. A noite vira tragédia, e o leitor descobre que nada era o que parecia — começando pelo fato de que Vivian nem se chama assim.

Luke

Isso é o que a sinopse revela. Não sabemos se há mais reviravoltas ou se essa é a grande surpresa.

Mark

Por que ele evitou a vulgaridade?

Mimi

Montes diz que o problema não é ter sexo na narrativa. É ter sexo que não serve para nada, que não tem dramaturgia. Ele quer que cada cena erótica avance a trama.

Luke

Novamente, é a perspectiva dele. Críticos podem discordar sobre se ele realmente conseguiu isso.

Mark

Qual é o alcance comercial de Montes agora?

Mimi

Ele virou uma indústria. Tem livros sendo traduzidos nos EUA, adaptações na Netflix, novelas, e agora está sendo destaque em uma Bienal do Livro com cerca de dez encontros para autógrafos.

Luke

Os números de vendas específicos não estão no texto. Sabemos que cinco dos livros mais vendidos da Companhia das Letras na última Bienal carioca eram dele, mas não temos dados sobre vendas totais ou comparações com outros autores.

Mark

A adaptação para Netflix já está pronta?

Mimi

As filmagens já foram concluídas. Paolla Oliveira, Emílio Dantas, Bella Campos, Vera Fischer e Paulo Betti estão no elenco. Esmir Filho dirigiu. Estreia em 2027.

Luke

Tudo isso é confirmado. O que não sabemos é como a adaptação se diferencia do livro ou se mantém a estrutura de múltiplas versões.

  • Montes provoca ao afirmar que escrever sobre sexo é mais perturbador do que escrever sobre assassinatos e canibalismo — e a reação dos leitores parece confirmar sua tese.
  • O novo romance mergulha em relacionamentos abertos, identidades fluidas e práticas eróticas extremas, desafiando os limites do que o mercado editorial brasileiro costuma publicar com respaldo de grande editora.
  • A adaptação cinematográfica já foi filmada com elenco de peso — Paolla Oliveira, Emílio Dantas e Bella Campos — consolidando a estratégia de lançar livro e filme quase simultaneamente.
  • A tradução de 'Jantar Secreto' nos Estados Unidos pela Macmillan e a aquisição dos direitos de 'A Estranha na Cama' pelo mesmo editor sinalizam que Montes está se tornando um nome do thriller internacional.
  • A Bienal do Livro de São Paulo, palco do lançamento, reflete ela própria uma virada em direção ao público adulto — e Montes é um de seus maiores atrativos desta edição.

Raphael Montes, escritor brasileiro conhecido por explorar a violência como ferramenta narrativa, lança 'A Estranha na Cama', seu primeiro thriller erótico, argumentando que o sexo perturba a sociedade de maneiras que a brutalidade jamais conseguiu. O romance, que será adaptado pela Netflix com estreia prevista para 2027, chega à Bienal do Livro de São Paulo como símbolo de uma carreira que transcende fronteiras — literárias, culturais e geográficas. Há nessa trajetória uma questão mais ampla sobre o que a ficção tem permissão de tocar e por quê.

Raphael Montes construiu sua reputação literária sobre assassinatos grotescos, pactos suicidas e rituais de canibalismo. Seus leitores sabem o que esperar — a violência como ferramenta narrativa, o horror como porta de entrada para questões mais profundas sobre poder e desejo. Agora, com 'A Estranha na Cama', o autor ousa explorar ingredientes que, à primeira vista, parecem menos perturbadores: orgasmos intensos, corpos amarrados, dispositivos de choque elétrico. E ainda assim insiste que este é seu trabalho mais provocador.

'Sexo é mais polêmico que violência', resume Montes. 'Falar de liberdade sexual, de desejo, de tesão, incomoda mais.' A observação toca em algo real: a violência pode ser enquadrada como suspense ou thriller; o sexo, porém, toca diretamente em questões de liberdade individual que permanecem culturalmente sensíveis. O romance acompanha Laura e Diego, um casal maduro cujo desejo esfriou, que convida a jovem Vivian para um ménage à trois. A noite se desvia para o trágico — e conforme o leitor avança, descobre que nada era o que parecia, começando pelo nome da convidada.

Montes constrói a narrativa através de múltiplas versões dos eventos e defende o uso do vocabulário explícito com clareza: o problema não é o sexo na ficção, mas o sexo sem dramaturgia, sem função narrativa — o mesmo critério que aplica à violência. O livro explora casais de sexualidades fluidas, aplicativos de paquera e práticas como a asfixia erótica, que desempenha papel determinante na trama.

O lançamento acontece na Bienal do Livro de São Paulo, onde Montes fará cerca de dez encontros com leitores. As filmagens da adaptação já foram concluídas — Paolla Oliveira, Emílio Dantas e Bella Campos no elenco, direção de Esmir Filho, produção Netflix com estreia prevista para 2027. Enquanto isso, 'Jantar Secreto' acaba de ser traduzido nos Estados Unidos pela Celadon Books, braço da Macmillan, e o mesmo editor já adquiriu os direitos de 'A Estranha na Cama'. Montes não é mais apenas um fenômeno editorial brasileiro — está se tornando um nome do thriller internacional.

Raphael Montes construiu sua reputação literária em territórios extremos: assassinatos grotescos, pactos suicidas, rituais de canibalismo. Seus leitores sabem o que esperar quando abrem um de seus livros — a violência como ferramenta narrativa, o horror como porta de entrada para questões mais profundas sobre poder e desejo. Agora, com "A Estranha na Cama", seu novo romance ousa explorar ingredientes que, à primeira vista, parecem menos perturbadores: orgasmos intensos, corpos nus amarrados, dispositivos que enviam pequenos choques elétricos. E no entanto, o autor insiste que este é seu trabalho mais provocador.

É quase uma contradição que o livro seja apresentado como sua primeira obra explicitamente voltada para o público adulto. Seus romances anteriores nunca foram infantis — a questão não é de maturidade etária, mas de tema. "Sexo é mais polêmico que violência", resume Montes. "Falar de liberdade sexual, de desejo, de tesão, incomoda mais." A observação toca em algo real sobre como a sociedade processa ficção: a violência, por mais brutal, pode ser enquadrada como suspense, como thriller, como gênero. O sexo, porém, toca diretamente em questões de liberdade individual e poder que permanecem culturalmente sensíveis. Montes reconhece que o livro alcançará um público mais maduro, mas também aponta para uma geração jovem investigando suas próprias sexualidades.

O autor já experimentou com múltiplos gêneros — o whodunit brutal de "Suicidas", o noir de "Uma Mulher no Escuro", o suspense doméstico de "Uma Família Feliz". O thriller erótico, porém, é um de seus favoritos, aquele espaço onde o arrepio vem tanto do medo quanto da atração, onde a sedução entre quatro paredes revela dinâmicas de poder que podem desembocar em tragédia. "A Estranha na Cama" segue essa lógica: um casal maduro, Laura e Diego, abre seu relacionamento quando o desejo entre eles esfria. Convidam a jovem Vivian para um ménage à trois. A noite, porém, se desvia para o trágico. E conforme o leitor avança, descobre que nada daquilo era o que parecia — começando pelo fato de que Vivian nem se chama assim.

Montes constrói a narrativa através de múltiplas versões dos eventos, técnica que já havia usado em "Suicidas", onde o enredo se monta a partir de depoimentos colhidos posteriormente pelas autoridades. Desta vez, o texto está repleto de vocabulário explícito, mas o autor diz ter evitado a vulgaridade gratuita de obras como "Cinquenta Tons de Cinza". Ele oferece uma defesa clara de seu próprio trabalho: "O que as pessoas não gostam é do sexo gratuito, assim como não gostam da violência gratuita. O problema não está em ter o sexo. Está em ter sexo que não serve para nada, que não tem dramaturgia."

O livro explora cenários contemporâneos — casais de sexualidades fluidas, aplicativos de paquera, técnicas para intensificar o prazer. A asfixia erótica, prática que retarda e amplifica o orgasmo, desempenha papel determinante na trama. Uma leitora fiel de Montes, ao saber da sinopse, comentou que agora o autor tinha finalmente mexido com o tema que mais lhe dava pavor: o relacionamento aberto.

"A Estranha na Cama" será lançado na Bienal do Livro de São Paulo, que começa nesta sexta-feira e vai até o domingo 13 de setembro — seu primeiro inédito a ser apresentado no evento. Na última edição da Bienal no Rio de Janeiro, cinco dos livros mais vendidos da Companhia das Letras eram de Montes. Ele fará cerca de dez encontros com leitores para autógrafos ao longo do evento.

Mas o livro é apenas parte de uma estratégia maior. As filmagens da adaptação cinematográfica já foram concluídas, com Paolla Oliveira e Emílio Dantas no papel do casal mais velho, Bella Campos como Vivian, e Vera Fischer e Paulo Betti completando o elenco. Esmir Filho, diretor de "Homem com H", dirigiu o filme, que será produzido pela Netflix em parceria com a Fábrica e a Casa Montes, empresa fundada pelo próprio Montes. O lançamento está previsto para 2027. Essa simultaneidade entre livro e filme já havia sido testada com "Uma Família Feliz", e Montes se tornou uma figura central do audiovisual brasileiro — tanto adaptando sua própria obra, como em "Bom Dia, Verônica" ao lado de Ilana Casoy, quanto criando tramas originais como a novela "Beleza Fatal".

Seu alcance agora ultrapassa as fronteiras brasileiras. "Jantar Secreto", seu best-seller, acaba de ser traduzido nos Estados Unidos pela Celadon Books, braço da prestigiosa Macmillan. Foi o primeiro livro estrangeiro que o editor Ryan Doherty decidiu traduzir na casa. "O livro flui como um thriller internacional. Adoro sua brasilidade, mas ele poderia ser ambientado em Nova York e seria igualmente interessante", diz Doherty, que já comprou também os direitos para publicar "A Estranha na Cama". A Bienal de São Paulo, por sua vez, também se inclina cada vez mais para um público adulto, fazendo uma seleção mais cuidadosa de eventos noturnos para leitores que chegam depois do trabalho. Montes é um de seus grandes destaques nesta edição.

Sexo é mais polêmico que violência. Falar de liberdade sexual, de desejo, de tesão, incomoda mais
— Raphael Montes
O que as pessoas não gostam é do sexo gratuito, assim como não gostam da violência gratuita. O problema não está em ter o sexo. Está em ter sexo que não serve para nada, que não tem dramaturgia
— Raphael Montes
Contact Us FAQ