Cinco dicas de filmes e séries para celebrar o Dia do Irmão

Eleger o filho menos pior é também escolher qual defeito mais se parece com o seu
Reflexão sobre Succession, série que transforma a disputa entre irmãos em um espelho para o espectador.
Mark

Por que a Folha escolheu especificamente essas cinco produções para o Dia do Irmão?

Mimi

A ideia era oferecer opções que explorassem a relação entre irmãos de formas diferentes — desde séries que colocam irmãos no centro da trama, como Transparent e Succession, até filmes dirigidos por irmãos, como os Dardenne, e produções que usam gêmeos como tema central, como Adaptação.

Luke

Mas nem todas as cinco realmente falam sobre irmãos, certo? Dois Dias, uma Noite não tem irmãos como personagens principais.

Mimi

Verdade. Esse é um filme dos irmãos Dardenne, então entra na categoria de produções dirigidas por irmãos. A seleção mistura essas duas abordagens.

Mark

E por que o documentário do Oasis é mencionado como alternativa?

Mimi

Porque estreia em 10 de setembro, logo após o Dia do Irmão, e oferece um exemplo real de reconciliação entre irmãos — os Gallagher tiveram um histórico de conflitos, mas conseguiram fazer a turnê acontecer.

Luke

Mas o documentário não é exatamente uma ficção que você assiste com seu irmão no sofá. É um filme sobre irmãos, não para assistir com irmãos necessariamente.

Mimi

Justo. É mais uma sugestão para quem já tiver visto tudo da lista ou não se interessar pelas opções.

Mark

Qual dessas séries ou filmes você recomendaria para alguém que quer algo mais leve?

Mimi

Adaptação é a mais divertida, mesmo que não seja exatamente leve. Tem humor e criatividade, diferente das outras que são mais densas.

Luke

Mas a newsletter não diz se essas produções estão todas disponíveis agora ou se algumas saem em breve das plataformas.

Mimi

Boa observação. Transparent, Succession e Adaptação parecem estar disponíveis. Dois Dias, uma Noite está para aluguel. Pai Mãe Irmã Irmão está na Mubi e Prime Video.

Mark

E se alguém não tiver paciência para Jarmusch?

Mimi

Então provavelmente Succession ou Transparent são as melhores apostas — são mais envolventes e menos exigentes em termos de ritmo.

  • O Dia do Irmão chega como convite raro: sentar ao lado de quem divide sua história e deixar que uma tela fale o que as palavras não conseguem.
  • As cinco produções selecionadas não poupam o espectador — disfunção familiar, capitalismo cruel, bloqueio criativo e silêncios de décadas compõem um cardápio exigente.
  • A tensão entre amar e ressentir quem cresceu na mesma casa atravessa cada obra, forçando o público a reconhecer seus próprios defeitos nos personagens que mais detesta.
  • A seleção navega entre plataformas acessíveis e salas de cinema, oferecendo desde maratonas de fim de semana até uma única noite de 95 minutos com Marion Cotillard.
  • O documentário do Oasis, previsto para 10 de setembro, surge como epílogo esperançoso: se Liam e Noel conseguiram, talvez haja jeito para qualquer relação fraterna.

A cada setembro, o calendário nos lembra que os laços fraternos merecem atenção — não apenas celebração, mas contemplação. A newsletter Maratonar, da Folha, aproveita o Dia do Irmão, em 5 de setembro, para reunir cinco produções audiovisuais que exploram o que significa crescer ao lado de alguém e, ainda assim, tornar-se um estranho para ele. Da tragédia grega corporativa de Succession ao silêncio eloquente de Jim Jarmusch, cada obra interroga, à sua maneira, por que as pessoas mais próximas de nós são frequentemente as que menos conseguimos compreender.

O fim de semana de 5 de setembro traz consigo o Dia do Irmão, e a newsletter Maratonar, da Folha, transforma a data em pretexto para uma seleção de cinco produções que investigam o que une — e separa — quem cresceu sob o mesmo teto.

Transparent, no Prime Video, parte da revelação de um pai trans para construir um retrato de três irmãos incapazes de escapar de sua própria disfunção. Jeffrey Tambor brilha, mas são Ali, Josh e Sarah que sustentam a narrativa com humor ácido e desconforto genuíno. Dois Dias, uma Noite, dos irmãos Dardenne, pesa mais: Marion Cotillard percorre um fim de semana inteiro tentando salvar seu emprego, enquanto o filme recusa o maniqueísmo e mostra pessoas apenas pragmáticas diante de contas a pagar.

Succession, na HBO Max, transforma a disputa por um império de mídia em tragédia grega moderna. Kendall, Shiv, Roman e Connor não buscam apenas herança — buscam o amor de um pai que parece incapaz de amar. Ninguém sai ileso, e o espectador se vê escolhendo qual defeito dos Roy mais se parece com o seu. Adaptação, de Spike Jonze, oferece alívio cômico: Nicolas Cage encarna gêmeos opostos, e o roteiro de Charlie Kaufman dobra sobre si mesmo até virar exatamente o clichê que seu protagonista desprezava.

Pai Mãe Irmã Irmão, de Jim Jarmusch, fecha a lista em três contos sobre famílias que não sabem se comunicar. Tom Waits, Adam Driver, Cate Blanchett e Charlotte Rampling habitam silêncios que dizem mais do que qualquer diálogo. O ritmo é lento e exige paciência — mas esse silêncio é, talvez, o retrato mais honesto de irmãos que se tornaram estranhos.

Para quem preferir esperar, o documentário sobre a última turnê do Oasis estreia em 10 de setembro. Que Liam e Noel tenham chegado ao fim sem se desentender é, por si só, uma mensagem: por pior que seja a relação com um irmão, a vida costuma encontrar um jeito.

O sábado de 5 de setembro chega com uma oportunidade: chamar seu irmão ou irmã para beber algo e assistir a um filme ou série durante o fim de semana. É exatamente para esse momento que a newsletter Maratonar, da Folha, preparou uma seleção de cinco produções que exploram as dinâmicas entre irmãos — algumas focadas diretamente nessa relação, outras dirigidas por duplas de irmãos que deixaram sua marca no cinema.

Transparent, disponível no Prime Video em quatro temporadas, começa com um pai revelando aos três filhos que é uma mulher trans. Mas o coração da série não está apenas nessa transformação. A trama se constrói em torno de como Ali, Josh e Sarah lidam com essa mudança e com a própria disfunção familiar. Jeffrey Tambor entrega uma performance brilhante como Maura Pfefferman, mas são os irmãos que carregam a narrativa. O elenco é o grande trunfo da série, que alterna entre humor ácido e momentos que tocam sem cair no sentimentalismo. Mesmo quando tenta ser leve, há algo que incomoda e força o espectador a pensar sobre como encaramos nossas famílias, os fracassos de cada um e aquela insatisfação constante com quem somos.

Dois Dias, uma Noite, dos irmãos Dardenne, é uma escolha mais pesada. Disponível para aluguel em várias plataformas, o filme de 95 minutos conta a história de Sandra, uma operária que retorna de licença por depressão e descobre que seus colegas votaram a favor de sua demissão em troca de um bônus de mil euros cada. O patrão oferece um acordo: ela tem um fim de semana para convencer os outros a mudar de voto. Marion Cotillard, indicada ao Oscar pelo papel, praticamente carrega o filme sozinha em sua jornada de porta em porta. Embora o pano de fundo seja uma crítica ao capitalismo, a obra evita o maniqueísmo fácil. Sua força está em mostrar pessoas complexas, frequentemente apenas pragmáticas diante de um cotidiano periférico repleto de contas a pagar.

Succession, na HBO Max com quatro temporadas, oferece um tipo diferente de conflito entre irmãos. A série não permite que o espectador escolha um personagem favorito — na verdade, ninguém consegue decidir qual dos filhos Roy é o mais odiável. Kendall, Shiv, Roman e Connor disputam a herança de um império de mídia, mas o que realmente buscam é a atenção de Logan, seu pai, que parece não amar ninguém. A série funciona como uma tragédia grega moderna, onde grana, trauma e falta de terapia destroem uma família. Eleger o filho menos pior é também escolher qual defeito mais se parece com o seu.

Adaptação, de Spike Jonze, oferece um respiro após tanta desgraceira. Nicolas Cage interpreta irmãos gêmeos: um é um roteirista em crise tentando adaptar um livro sobre orquídeas para o cinema, enquanto o outro é seu irmão fictício, medíocre mas confiante, que escreve um thriller raso em poucas semanas e faz mais sucesso. O roteiro acompanha essa divisão — a primeira metade é uma reflexão sincera sobre bloqueio criativo e angústia de escrever, enquanto a segunda vira exatamente aquilo que o irmão em crise abominava: reviravoltas e clichês hollywoodianos. Charlie Kaufman, o roteirista real, baseou o protagonista em si mesmo, tornando o filme inventivo e digno de ser visto.

Pai Mãe Irmã Irmão, de Jim Jarmusch, vencedor do Leão de Ouro em Veneza, divide-se em três contos sobre famílias que não sabem ou não conseguem se comunicar. Em um, dois irmãos visitam o pai fechado em seu próprio mundo desde a morte da esposa. Em outro, irmãs bem diferentes encontram uma mãe rígida. No terceiro, dois gêmeos se reencontram na antiga casa da família em Paris, remexendo o que ficou por dizer. O elenco reúne Tom Waits, Adam Driver, Charlotte Rampling e Cate Blanchett, passeando pelo ritmo arrastado e silêncio característicos de Jarmusch. Esse silêncio espelha bem as relações de pessoas que cresceram na mesma casa e ainda assim se tornaram estranhos. A crítica elogiou, mas o público reagiu de forma mais dividida — é preciso ter paciência.

Se nenhuma dessas opções atrair, há ainda uma saída: esperar até 10 de setembro, quando estreia no cinema um documentário sobre a última turnê do Oasis. Muitos apostavam que os shows não aconteceriam, já que a chance de os irmãos Gallagher se desentenderem novamente era grande. No final, tudo correu bem. Foi a prova de que, por pior que seja a relação com seu irmão, irmã ou irmãos, tudo na vida tem jeito.

Por pior que seja a relação com seu irmão, irmã ou irmãos, tudo na vida tem jeito
— Newsletter Maratonar, conclusão sobre reconciliação dos irmãos Gallagher
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