Aos 60 anos, Sergio Zimerman — fundador da Petz e veterano de quatro décadas no varejo brasileiro — estreia como colunista para nomear o que considera as forças silenciosas que corroem o comércio: juros que aprofundam desigualdades, crédito que endivida sem orientar e apostas que desviam o dinheiro do consumo para o vazio. É a voz de quem já sobreviveu à hiperinflação e ao congelamento de preços, agora disposto a escrever não para agradar, mas para provocar reflexão.
Sergio Zimerman estreia como colunista e aponta juros e bets como pressões ao varejo
O rico fica muito mais rico e o pobre fica muito mais pobre
Por que um empresário de 60 anos, já estabelecido, decide começar a escrever coluna agora?
Zimerman passou por crises reais — falência, recomeço, fusões. Acho que ele sente que tem algo a dizer que vai além do seu próprio negócio. A onda de recuperações judiciais no varejo o preocupa.
Mas ele diz que quer ser independente e honesto intelectualmente. Como isso funciona quando você é presidente do conselho de um grande grupo? Não há conflito de interesse?
É uma pergunta justa. Ele diz que evita políticos específicos, mas fala de políticas públicas. A linha é tênue.
Ele aponta três problemas: juros, consignado, bets. Isso é diagnóstico ou é agenda?
É diagnóstico baseado em 42 anos vendo o varejo sofrer. Mas Luke tem razão — precisamos saber se essas críticas refletem pressões reais ou se são posições que beneficiam a Petz de alguma forma.
Exatamente. Juros altos prejudicam todo varejo, sim. Mas o consignado e as bets — essas são escolhas políticas que alguns setores querem reverter. Zimerman está certo que afetam o consumo, mas não sabemos se ele está falando como empresário preocupado ou como concorrente.
E quanto à tributação desigual que ele menciona?
Esse é um debate real no varejo. Produtos importados têm tratamento tributário diferente. Mas de novo — é uma crítica que beneficia empresas nacionais como a Petz.
O que não sabemos é se essas pressões que ele lista são as principais ou apenas as que mais afetam o seu setor específico. Uma onda de recuperações judiciais pode ter outras causas.
Então o que levamos daqui?
Um empresário experiente que quer participar do debate público. Mas o leitor precisa ler com olho crítico sobre quem se beneficia de cada uma dessas posições.
Der Puls
- O varejo brasileiro atravessa uma onda de recuperações judiciais sem precedentes, sintoma de pressões econômicas que se acumulam há anos sem resposta adequada.
- Juros elevados funcionam como uma bomba de transferência de riqueza: ampliam o patrimônio de quem já tem e aprofundam a vulnerabilidade de quem não tem.
- O crédito consignado oferecido sem educação financeira empurra trabalhadores para a inadimplência e, em seguida, para a informalidade — retirando-os do ciclo produtivo formal.
- As apostas online são tratadas como entretenimento, mas Zimerman as enquadra como questão de saúde pública: cada real apostado é um real que deixa de circular no consumo de produtos e serviços.
- Com independência declarada e sem candidatura a nada, o empresário assume a coluna como tribuna de honestidade intelectual — um espaço para dizer o que os números mostram, não o que o mercado quer ouvir.
Aos 60 anos, Sergio Zimerman — fundador da Petz e veterano de quatro décadas no varejo brasileiro — estreia como colunista para nomear o que considera as forças silenciosas que corroem o comércio: juros que aprofundam desigualdades, crédito que endivida sem orientar e apostas que desviam o dinheiro do consumo para o vazio. É a voz de quem já sobreviveu à hiperinflação e ao congelamento de preços, agora disposto a escrever não para agradar, mas para provocar reflexão.
Sergio Zimerman chegou aos 60 anos com um currículo construído de forma pouco convencional. Começou como palhaço Salsicha em festas infantis, abriu um buffet, passou por uma rede atacadista que faliu e, em 2002, recomeçou do zero com a Pet Center Marginal. A Petz abriu capital na Bolsa em 2020, e quando a fusão com a Cobasi foi aprovada no final de 2025, ele deixou o cargo de CEO para presidir o conselho do grupo. Formou-se em administração aos 34 anos, já com vasta experiência prática acumulada.
Agora, Zimerman estreia como colunista mensal da Folha, escrevendo para o C-Level, plataforma de negócios e finanças do jornal. Em sua primeira coluna, identificou três pressões centrais sobre o varejo brasileiro. A primeira são os juros elevados, que funcionam, segundo ele, como um mecanismo de amplificação da desigualdade. A segunda é o crédito consignado concedido sem orientação financeira, que empurra trabalhadores para a inadimplência e depois para a informalidade. A terceira são as apostas online, que deveriam ser tratadas como questão de saúde pública: o dinheiro que vai para as bets deixa de circular no consumo — exatamente o que sustenta o varejo.
Zimerman também critica a tributação desigual entre produtos nacionais e importados e relaciona todos esses fatores à onda de recuperações judiciais que classifica como sem precedentes. É um diagnóstico forjado por quem viveu a hiperinflação e o congelamento de preços. Na coluna, pretende abordar políticas públicas e o funcionamento das instituições sem se prender a políticos específicos, defendendo que empresários têm responsabilidade de se posicionar sobre o que afeta a sociedade. "O pagador de imposto é o cidadão", resume. Fora dos negócios, vive em um sítio em Atibaia com cinco cachorros.
Sergio Zimerman, aos 60 anos, fundador da rede Petz e presidente do conselho do grupo Petz Cobasi, começou esta semana uma nova função: colunista mensal da Folha, escrevendo para o C-Level, plataforma de negócios e finanças do jornal. Sua estreia aconteceu na sexta-feira passada, com textos que prometem abordar economia, varejo e empreendedorismo a partir de uma perspectiva de quem passou quatro décadas dentro do comércio.
O trajeto de Zimerman até aqui não foi linear. Aos 18 anos, começou como animador de festas — trabalhava como o palhaço Salsicha — e depois abriu um buffet infantil. Passou por uma rede atacadista que faliu, e em 2002 recomeçou do zero com a Pet Center Marginal. A Petz abriu capital na Bolsa em 2020. Quando a fusão com a Cobasi foi aprovada em dezembro de 2025, ele deixou o cargo de CEO para presidir o conselho do grupo. Formado em administração pela Unip aos 34 anos — depois de já ter acumulado experiência prática no comércio — completou sua formação com MBA em varejo pela FIA-USP e cursos de extensão na Europa e nos Estados Unidos.
Na sua estreia como colunista, Zimerman identificou três pressões principais sobre o varejo brasileiro. A primeira são os juros elevados. Para ele, taxas nesse patamar funcionam como um mecanismo que amplifica desigualdade: o rico fica muito mais rico, enquanto o pobre fica muito mais pobre. A segunda é o crédito consignado oferecido sem orientação financeira adequada. Zimerman vê nesse cenário um risco real de que trabalhadores se tornem inadimplentes e recorram à informalidade. A terceira pressão vem das apostas online, que em sua avaliação deveriam ser tratadas como uma questão de saúde pública. O dinheiro destinado às bets, argumenta, deixa de circular no consumo de produtos e serviços — exatamente o que alimenta o varejo.
Ele também critica a tributação desigual entre produtos nacionais e importados. Zimerman relaciona todas essas questões a uma onda de recuperações judiciais no varejo que ele classifica como sem precedentes. É um diagnóstico que vem de alguém que já enfrentou crises econômicas severas: viveu a hiperinflação e o congelamento de preços, períodos que testaram a resistência de qualquer negócio.
Na coluna, Zimerman diz que pretende abordar políticas públicas e o funcionamento das instituições, embora evite tratar de políticos específicos. Considera que empresários têm responsabilidade de se posicionar sobre assuntos que afetam a sociedade. O sistema tributário será outro tema recorrente. Para ele, a discussão sobre impostos não pode ficar restrita aos empresários, porque os tributos sobre o consumo são repassados aos preços finais e afetam diretamente o cidadão. "O pagador de imposto é o cidadão", afirma.
Zimerman diz que adotará uma postura independente. Como não é candidato a nada, não quer produzir colunas que busquem agradar. Prefere, segundo suas palavras, ter a honestidade intelectual de escrever textos que levem as pessoas a refletir. Fora dos negócios, vive em um sítio em Atibaia com cinco cachorros: Sasha, um são-bernardo; Brigitte, um bernese; Frog, um yorkshire; e os vira-latas Grude e Pingo.
Bemerkenswerte Zitate
Um juro desse tamanho faz com que o rico fique muito mais rico e que o pobre fique muito mais pobre— Sergio Zimerman
O pagador de imposto é o cidadão— Sergio Zimerman