Carlos Chagas Filho foi um precursor ao estabelecer a biofísica como campo de estudo
No cruzamento entre a memória científica e o reconhecimento institucional, o Senado brasileiro examina uma proposta que transformaria 12 de setembro em Dia Nacional do Biofísico — data escolhida em homenagem a Carlos Chagas Filho, médico e pesquisador que ajudou a fundar a ciência experimental moderna no Brasil. O projeto, apresentado pelo senador Marcos Pontes, não celebra apenas um indivíduo, mas convida o país a reconhecer uma disciplina que silenciosamente sustenta desde diagnósticos hospitalares até a agricultura de precisão. É o gesto legislativo de inscrever na memória coletiva aquilo que a ciência, por sua natureza discreta, raramente reivindica para si mesma.
- O Senado analisa transformar 12 de setembro em data oficial da biofísica, ancorando o reconhecimento na figura de Carlos Chagas Filho, nascido nesse dia em 1910.
- A proposta tensiona a invisibilidade histórica das ciências de base no Brasil, onde contribuições fundamentais raramente ganham celebração pública.
- Marcos Pontes argumenta que a biofísica não é abstração acadêmica — ela está presente na ressonância magnética, no desenvolvimento de fármacos e nos sensores que monitoram lavouras.
- O projeto aguarda parecer do relator Fernando Dueire na Comissão de Ciência e Tecnologia, etapa decisiva para sua continuidade legislativa.
- A homenagem a Chagas Filho evoca também a Sociedade Brasileira de Biofísica, fundada em 1936 e considerada a mais antiga do mundo em sua área — um patrimônio científico pouco conhecido do grande público.
O Senado Federal examina o Projeto de Lei nº 138 de 2024, apresentado pelo senador Marcos Pontes (PL-SP), que propõe instituir 12 de setembro como Dia Nacional do Biofísico. A data homenageia Carlos Chagas Filho, cientista nascido naquele dia em 1910 e falecido em 2000, cuja trajetória moldou profundamente a ciência brasileira.
Na justificativa do projeto, Pontes destaca que a biofísica é disciplina central para avanços em medicina, farmacologia e biotecnologia. Tecnologias como ressonância magnética, cristalografia de raios-X e espectroscopia — hoje rotineiras em hospitais e laboratórios — têm raízes nessa ciência. Na agricultura, ela viabilizou sensores remotos capazes de monitorar umidade do solo, nutrientes e pragas com precisão inédita.
A escolha de Chagas Filho como símbolo da data não é apenas pessoal. Ele fundou o Instituto de Biofísica da UFRJ e revitalizou a Sociedade Brasileira de Biofísica, criada em 1936 e considerada a mais antiga do mundo em sua área. Filho do sanitarista Carlos Chagas, conduziu pesquisas notáveis sobre o sistema neuromuscular do peixe-elétrico e contribuiu para a compreensão das doenças neuromusculares. Sua atuação na Unesco e em organizações internacionais projetou a ciência brasileira além das fronteiras nacionais.
O projeto aguarda agora o parecer do relator Fernando Dueire (MDB-PE) na Comissão de Ciência e Tecnologia, presidida por Carlos Viana (Podemos-MG), para prosseguir em sua tramitação.
O Senado Federal analisa um projeto de lei que transformaria 12 de setembro em Dia Nacional do Biofísico. A data não foi escolhida ao acaso: é o aniversário de nascimento de Carlos Chagas Filho, cientista que viveu entre 1910 e 2000 e deixou marca profunda na história da ciência brasileira. O Projeto de Lei nº 138 de 2024, apresentado pelo senador Marcos Pontes (PL-SP), aguarda parecer do relator Fernando Dueire (MDB-PE) na Comissão de Ciência e Tecnologia, presidida por Carlos Viana (Podemos-MG).
Na justificativa do projeto, Pontes argumenta que a biofísica tem sido essencial para o progresso da medicina, farmacologia e biotecnologia. Ele cita exemplos concretos de como a disciplina moldou tecnologias que hoje são rotineiras nos hospitais e laboratórios: a ressonância magnética, a cristalografia de raios-X e a espectroscopia funcionam como ferramentas cruciais para diagnósticos médicos, para o desenvolvimento de novos fármacos e para a preservação ambiental. Na agricultura, a biofísica abriu caminho para sensores remotos capazes de monitorar plantações com precisão, analisando umidade do solo, níveis de nutrientes e presença de pragas.
Carlos Chagas Filho merecia a homenagem, segundo o senador, não apenas por sua trajetória pessoal, mas pelo que representou institucionalmente. Ele fundou o Instituto de Biofísica na Universidade Federal do Rio de Janeiro e revitalizou a Sociedade Brasileira de Biofísica, criada em 1936 e considerada a mais antiga do mundo em sua área. Filho do médico sanitarista e infectologista Carlos Chagas, ele próprio era médico, professor e ensaísta que conduziu pesquisas notáveis sobre o sistema neuromuscular do peixe-elétrico, contribuindo para a compreensão das doenças neuromusculares e consolidando práticas de ciência experimental no Brasil.
Mas a importância de Chagas Filho transcendeu as fronteiras nacionais. Ele atuou ativamente na Unesco e em outras organizações internacionais, promovendo diálogo científico entre o Brasil e o mundo. Sua vida e obra representam um momento em que a ciência brasileira buscava se estabelecer como força intelectual global, não apenas consumidora de conhecimento produzido em outros países. O projeto aguarda agora a análise da comissão para prosseguir em sua tramitação legislativa.
Citações Notáveis
As pesquisas biofísicas têm sido o motor por trás de avanços notáveis, como a ressonância magnética, a cristalografia de raios-X e a espectroscopia— Senador Marcos Pontes, na justificativa do projeto
Carlos Chagas Filho foi um precursor ao estabelecer a biofísica como campo de estudo em nosso país— Senador Marcos Pontes
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Por que escolher justamente 12 de setembro para homenagear a biofísica? Parece uma data muito específica.
É a data de nascimento de Carlos Chagas Filho. O projeto não é apenas sobre criar um dia comemorativo — é sobre reconhecer um homem que praticamente inventou a biofísica como campo de estudo no Brasil.
E qual era a situação da biofísica antes dele?
Praticamente inexistente como disciplina organizada. Chagas Filho fundou o instituto, revitalizou a sociedade científica. Ele criou a infraestrutura para que outros pudessem fazer ciência nessa área.
O projeto menciona tecnologias como ressonância magnética. Chagas Filho inventou isso?
Não. Mas a biofísica como campo forneceu os fundamentos teóricos e práticos que permitiram o desenvolvimento e aperfeiçoamento dessas tecnologias. É mais sobre reconhecer a disciplina do que o homem isoladamente.
E por que isso importa agora, em 2024, mais de 20 anos após sua morte?
Porque a biofísica continua sendo fundamental. Sensores agrícolas, diagnósticos médicos, biotecnologia — tudo passa por biofísica. O projeto é uma forma de dizer que essa área merece visibilidade e reconhecimento institucional.
Qual é o próximo passo?
O relator precisa dar seu parecer na Comissão de Ciência e Tecnologia. Se aprovado lá, segue para votação no plenário do Senado.