Deputados buscam urgência para fundo de estabilização de combustíveis

Um mecanismo que absorve o choque quando os preços internacionais sobem
A proposta cria um fundo financiado por imposto sobre exportação de petróleo para subsidiar refinadores e importadores.

No momento em que a Petrobras anunciava mais um reajuste nos combustíveis, deputados federais movimentavam-se para criar um mecanismo que proteja o mercado interno das oscilações globais do petróleo. A proposta, liderada pelo deputado Antonio Brito, busca instituir um fundo de estabilização financiado por um imposto progressivo sobre exportações de petróleo bruto — uma tentativa de transformar a riqueza exportada em escudo contra a volatilidade doméstica. O esforço revive um caminho já tentado no Senado em março, desta vez com a urgência política que só um novo aumento de preços é capaz de provocar.

  • A Petrobras anunciou mais um aumento de combustíveis exatamente no dia em que deputados corriam para coletar as 171 assinaturas necessárias para forçar uma votação acelerada na Câmara.
  • O projeto propõe taxar a exportação de petróleo bruto em até 50% quando o barril superar US$ 70, usando essa receita para subsidiar refinadores e importadores e amortecer os preços na bomba.
  • A estratégia de urgência, se aprovada em plenário, permite ao projeto contornar as comissões temáticas — um atalho que pode transformar meses de tramitação em dias.
  • Uma proposta semelhante aprovada pelo Senado em março foi silenciosamente enterrada na Câmara, tornando este novo esforço tanto uma segunda chance quanto um sinal da pressão política crescente.
  • Setores como o transporte de cargas, representados pela frente parlamentar dos caminhoneiros, estão entre os principais motores políticos por trás da iniciativa.

No mesmo dia em que a Petrobras comunicava mais um reajuste nos preços dos combustíveis, deputados federais iniciavam uma corrida por assinaturas para acelerar a votação de um projeto de lei que criaria um fundo de estabilização de preços. A estratégia, coordenada pelo deputado Antonio Brito do PSD baiano, consiste em protocolar um requerimento de urgência que, com 171 assinaturas e aprovação do plenário, permitiria ao projeto ir diretamente ao plenário da Câmara, sem passar pelas comissões temáticas. O líder do PT, Reginaldo Lopes, já estava entre os apoiadores.

O projeto é de autoria do deputado Nereu Crispim, do PSD gaúcho, presidente da Frente Parlamentar dos Caminhoneiros. A proposta cria um fundo para reduzir as oscilações nos preços internos de derivados de petróleo, por meio de subsídios pagos a refinadores e importadores. O financiamento viria de um imposto progressivo sobre exportações de petróleo bruto: isento até US$ 40 por barril, 30% sobre o excedente até US$ 70, e 50% acima desse patamar. Os autores defendem ainda que a tributação incentivaria a construção de novas refinarias no país.

O texto reconhece que os preços internos são determinados por fatores externos — cotação internacional, câmbio e dinâmica global dos derivados — o que torna inviável para a Petrobras manter preços abaixo dos praticados pelos importadores sem comprometer sua sustentabilidade. Não é a primeira tentativa nessa direção: em março, o Senado havia aprovado proposta similar do senador Rogério Carvalho, financiada por dividendos da Petrobras e receitas do pré-sal, mas o projeto foi enterrado na Câmara. Agora, com a pressão dos novos reajustes, o tema retorna à agenda com renovada urgência política.

No mesmo dia em que a Petrobras comunicava mais um aumento nos preços dos combustíveis, deputados federais iniciavam uma coleta de assinaturas para acelerar a tramitação de um projeto de lei que promete criar um mecanismo de estabilização de preços. A estratégia é protocolar um requerimento de urgência que, se aprovado, permitiria ao projeto pular as comissões e ir direto ao plenário da Câmara.

A iniciativa é coordenada pelo deputado Antonio Brito, do PSD baiano, que lidera a bancada do partido na Casa. Para que o requerimento seja protocolado, são necessárias 171 assinaturas. Caso consiga esse número e obtenha aprovação em plenário, o projeto não precisará passar pelas comissões temáticas — um atalho que acelera significativamente a votação. O líder do PT, Reginaldo Lopes de Minas Gerais, já figura entre os que apoiam o pedido.

O projeto em questão é de autoria do deputado Nereu Crispim, do PSD gaúcho, que preside a Frente Parlamentar Mista em Defesa dos Caminhoneiros Autônomos e Celetistas. A proposta estabelece um fundo de estabilização para derivados de petróleo com o objetivo de reduzir oscilações nos preços internos. O mecanismo funcionaria por meio de subsídios econômicos pagos a refinadores e importadores de combustível.

O financiamento viria de um imposto sobre a exportação de petróleo bruto com alíquotas progressivas. Barris cotados até US$ 40 ficariam isentos do tributo. Acima desse patamar, incidiria uma alíquota de 30% sobre a diferença. Para o petróleo cotado a partir de US$ 70 o barril, o imposto subiria para 50%. Os autores argumentam que essa tributação funcionaria como incentivo para a construção de novas refinarias no país, garantindo autossuficiência em derivados e criando uma reserva para estabilizar os preços domésticos.

O texto reconhece que os preços dos combustíveis no mercado interno são determinados por fatores externos — a cotação internacional do petróleo, a taxa de câmbio e a dinâmica global dos derivados. Segundo a proposta, essa realidade torna impossível que a Petrobras mantenha preços abaixo dos praticados pelas empresas importadoras, conhecidas como traders, sem que isso comprometa sua lucratividade e sustentabilidade operacional.

Esse não é o primeiro esforço legislativo nessa direção. Em março, o Senado havia aprovado um projeto similar que criava uma conta de estabilização para combustíveis, de autoria do senador Rogério Carvalho do PT sergipano. Aquela proposta autorizava o governo federal a aportar recursos para amortecer o impacto de aumentos sucessivos nos preços da bomba. O financiamento viria dos dividendos da Petrobras pagos à União — especificamente a parcela arrecadada além do previsto no Orçamento — além das receitas do pré-sal e outras fontes relacionadas ao petróleo. O projeto, porém, não avançou na Câmara e foi efetivamente enterrado.

Agora, com a nova ofensiva dos deputados, o tema volta à agenda legislativa em um momento de pressão crescente sobre os preços dos combustíveis. A estratégia de urgência reflete a urgência política que o assunto ganhou, especialmente entre parlamentares ligados a setores sensíveis à volatilidade dos preços, como o transporte de cargas.

A incidência de imposto de exportação sobre o petróleo bruto é uma maneira racional de se incentivar a construção de refinarias no País, garantir a autossuficiência em derivados e constituir uma reserva monetária para reduzir e estabilizar o preço dos derivados no mercado interno
— Texto do projeto de lei
The Hearth Conversation Another angle on the story
Inventor

Por que os deputados acham que um fundo de estabilização funcionaria quando a Petrobras já opera no mercado?

Model

Porque o fundo não depende apenas da Petrobras. Ele criaria um mecanismo de subsídio direto aos refinadores e importadores quando os preços internacionais sobem muito. É uma forma de o Estado absorver parte do choque.

Inventor

E de onde sairia o dinheiro? Esse imposto sobre exportação de petróleo não afetaria a receita do governo?

Model

Afetaria, sim. Mas a lógica é que você arrecada mais quando o preço do barril está alto — justamente quando você precisa estabilizar os preços internos. É um mecanismo contracíclico.

Inventor

Então por que o projeto anterior, aprovado no Senado, não saiu do papel?

Model

Porque na Câmara há resistências diferentes. O projeto anterior dependia de dividendos da Petrobras e receitas do pré-sal — fontes que geram debate sobre privatização e concessões. Este novo tenta ser mais direto: um imposto sobre exportação.

Inventor

Mas isso não desestimularia a produção de petróleo no Brasil?

Model

Teoricamente, sim. Mas o projeto argumenta que o imposto seria progressivo e só incidiria sobre valores altos. Além disso, a ideia é que o incentivo para construir refinarias compensaria a desincentivo à exportação.

Inventor

E os caminhoneiros? Por que Nereu Crispim, que representa esse setor, está liderando isso?

Model

Porque os caminhoneiros são os mais afetados pela volatilidade dos preços. Quando o combustível sobe, seus custos explodem e eles não conseguem repassar tudo para os clientes. Um fundo de estabilização seria um alívio direto para esse setor.

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