Semana repleta: Galp, banca dos EUA, Netflix e audições de Warsh no Congresso

A inflação sobe e desce, mas ninguém sabe se é tendência ou alívio
A taxa anual nos EUA atingiu 4,2% em maio, o nível mais elevado desde abril de 2023, impulsionada pelo choque energético.
Mark

Porque é que esta semana em particular merece tanta atenção?

Mimi

Porque convergem três calendários diferentes. Temos as contas corporativas — a Netflix e depois as sete magníficas — que vão dizer-nos como a tecnologia está realmente a funcionar. Temos a inflação, que ainda está acima do que os bancos centrais querem. E temos o novo presidente da Fed a explicar-se no Congresso pela primeira vez.

Mark

A inflação parece estar a desacelerar. Isso é bom?

Mimi

Depende. Em maio subiu para 4,2%, o nível mais alto em mais de um ano, principalmente por causa da energia. Mas em junho espera-se que caia para 3,9%. O problema é que ninguém sabe se isto é uma tendência ou apenas um alívio temporário.

Mark

E o que muda com Kevin Warsh no Congresso?

Mimi

Warsh é novo no cargo — começou em maio. O Congresso quer ouvir como ele vê a economia, se vai manter as taxas de juro altas ou começar a baixá-las. É a primeira vez que ele faz este balanço semestral obrigatório.

Mark

A Netflix e as outras tecnológicas — porque é que importam tanto?

Mimi

Porque são as empresas mais valiosas do mundo e o seu desempenho diz muito sobre se a economia está realmente em risco ou se o mercado está apenas nervoso. Se a Netflix e a Tesla tiverem bons números, o mercado respira.

Mark

E os minerais críticos que a AIE vai divulgar?

Mimi

Isso é geopolítica disfarçada de economia. Terras raras, lítio, cobalto — tudo isto é essencial para a transição energética e para a tecnologia. Quem controla estes minerais controla o futuro.

Mark

Então esta semana é realmente um teste ao estado da economia global?

Mimi

Exatamente. Inflação, tecnologia, energia, estabilidade financeira — está tudo aqui. É uma semana que diz muito sobre para onde vamos.

  • A inflação norte-americana, que acelerou três meses consecutivos até 4,2% em maio impulsionada pelo choque energético do conflito com o Irão, deverá recuar para 3,9% em junho — um alívio aguardado com contenção.
  • Kevin Warsh, novo presidente da Reserva Federal, enfrenta o Congresso pela primeira vez no seu balanço semestral obrigatório, num momento em que a política monetária americana está sob escrutínio intenso.
  • JPMorgan, Citigroup, Wells Fargo, Goldman Sachs e Bank of America abrem a temporada de resultados do setor financeiro, oferecendo o primeiro retrato trimestral da saúde dos grandes bancos americanos.
  • A Netflix inaugura o ciclo de reporte das grandes tecnológicas, antecipando semanas de revelações que incluirão Tesla, Alphabet, Microsoft, Meta, Apple, Amazon e Nvidia — o coração pulsante da economia digital global.
  • Em Portugal e na Europa, dados de habitação, balança de pagamentos, inflação final da Zona Euro e o outlook da AIE para minerais críticos completam um calendário que testa a resiliência das economias ocidentais.

Numa semana em que os mercados globais aguardam sinais sobre inflação, lucros e política monetária, o calendário económico convoca tanto as grandes corporações como os bancos centrais a prestarem contas. Da Galp aos gigantes financeiros de Wall Street, da Netflix às energias renováveis europeias, o mundo dos negócios revela o seu estado de saúde num momento em que os choques geopolíticos ainda ecoam nos preços da energia. É o ritmo próprio do capitalismo moderno: transparência periódica como forma de calibrar a confiança coletiva.

A semana abre com a Galp Energia a divulgar os dados operacionais preliminares do segundo trimestre e do primeiro semestre, com as contas finais previstas para 27 de julho. A EDP e a EDPR já reportaram os seus números semestrais, revelando uma produção de eletricidade praticamente estável e um crescimento de 2% no segmento renovável — um sinal de continuidade numa transição energética que avança a ritmo moderado.

Nos Estados Unidos, Kevin Warsh, que assumiu a presidência da Reserva Federal em maio, comparece no Congresso para o balanço semestral obrigatório da política monetária, primeiro na Câmara dos Representantes e depois no Senado. Em paralelo, os grandes bancos americanos — JPMorgan, Citigroup, Wells Fargo, Goldman Sachs e Bank of America — iniciam a divulgação dos seus resultados trimestrais, seguidos por Morgan Stanley e BlackRock.

A inflação permanece no centro das atenções. Nos EUA, a taxa anual atingiu 4,2% em maio, o valor mais alto desde abril de 2023, com os custos da energia a dispararem 23,5% na sequência do conflito com o Irão. Para junho, o mercado antecipa uma desaceleração para 3,9%. Na Zona Euro, o Eurostat confirma os números finais de junho, que já apontavam para o primeiro alívio inflacionista desde o início da guerra, com a energia, os serviços e os alimentos a exercerem menor pressão.

A Netflix abre o calendário das grandes tecnológicas com os resultados do segundo trimestre, antecipando um ciclo que nas semanas seguintes incluirá Tesla, Alphabet, Microsoft, Meta, Apple, Amazon e Nvidia. A Agência Internacional de Energia divulga também o seu outlook para os minerais críticos globais, tema de crescente relevância geopolítica, especialmente as terras raras e os 34 elementos classificados como matérias-primas críticas pela União Europeia.

Em Portugal, o INE e o Banco de Portugal publicam dados sobre habitação, construção, estatísticas vitais, emissões de títulos e balança de pagamentos. Internacionalmente, chegam o PIB do segundo trimestre da China, os dados industriais de junho, o PIB britânico de maio e as vendas a retalho norte-americanas — um mosaico de indicadores que, juntos, esboçam o contorno da economia mundial a meio do ano.

A semana que se aproxima traz um calendário denso de revelações corporativas e económicas que vai ocupar os mercados de ambos os lados do Atlântico. Começa com a Galp Energia a divulgar os seus dados operacionais preliminares do segundo trimestre e do primeiro semestre do ano, com as contas finais a chegarem duas semanas depois, a 27 de julho, sob a liderança de Maria João Carioca e João Diogo Silva. Paralelamente, a EDP e a sua filial de energias renováveis já reportaram os seus números do primeiro semestre, mostrando uma produção de eletricidade praticamente estabilizada entre janeiro e junho, enquanto o segmento renovável cresceu 2%. A EDPR apresenta as suas contas a 29 de julho, seguida pela EDP no dia 30.

Nos Estados Unidos, o novo presidente da Reserva Federal, Kevin Warsh, comparece no Congresso para o balanço semestral obrigatório da política monetária do banco central. Warsh, que assumiu o cargo em maio, vai apresentar-se perante o comité de serviços financeiros da Câmara dos Representantes numa terça-feira e no dia seguinte falará ao comité bancário do Senado. Em paralelo, o setor financeiro norte-americano inicia a divulgação dos seus resultados trimestrais, com JPMorgan, Citigroup, Wells Fargo, Goldman Sachs e Bank of America a abrirem o calendário, seguidos por Morgan Stanley e BlackRock no dia seguinte.

A inflação continua a ser um ponto focal. Nos EUA, a taxa anual subiu para 4,2% em maio, o nível mais elevado desde abril de 2023, face aos 3,8% de abril. Este aumento reflete a terceira aceleração mensal consecutiva, com os custos da energia a saltarem 23,5% em relação aos 17,9% de abril, impulsionados pelo choque energético desencadeado pelo conflito com o Irão. Para junho, o mercado espera uma desaceleração para 3,9%. Na Zona Euro, o Eurostat divulga os números finais da inflação de junho, que a estimativa rápida já havia mostrado como o primeiro alívio desde o início da guerra no Irão, com a energia a exercer menor pressão e os serviços e alimentos a abrandarem também.

A Netflix abre o calendário de reporte das grandes tecnológicas norte-americanas com os seus resultados do segundo trimestre fiscal. A semana seguinte traz o pontapé de saída das sete magníficas, com a Tesla a apresentar contas a 22 de julho, seguida pela Alphabet a 23 de julho, Microsoft e Meta no dia 24, Apple e Amazon a 30 de julho, e a Nvidia a encerrar o ciclo a 26 de agosto. Além dos resultados corporativos, a Agência Internacional de Energia divulga o seu outlook para os minerais críticos globais, um tema de crescente importância geopolítica e económica, particularmente as terras raras e os 34 elementos classificados como matérias-primas críticas pela União Europeia.

Noutros desenvolvimentos, o secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, preside a uma reunião do Conselho de Supervisão da Estabilidade Financeira para debater riscos geopolíticos, inteligência artificial e estabilidade financeira. Do lado europeu, Fábio Panetta, membro do Conselho do Banco Central Europeu, discursa na reunião anual da Associação Bancária Italiana em Roma. A OPEP publica o seu relatório mensal com previsões para a procura de petróleo, enquanto a Administração de Informação em Energia dos EUA divulga os níveis dos inventários de crude, destilados e gasolina da semana anterior.

Em Portugal, o INE divulga as estatísticas de preços da habitação ao nível local do primeiro trimestre, os dados de junho das estatísticas vitais e as estatísticas da construção e habitação de 2025. O Banco de Portugal apresenta a Revista de Estudos Económicos, as estatísticas sobre emissões de títulos de junho e os números da balança de pagamentos de maio. Internacionalmente, Itália reporta inflação e balança comercial de junho, o Reino Unido divulga PIB, balança comercial e produção industrial de maio, enquanto a China apresenta o PIB do segundo trimestre e a produção industrial de junho. Nos EUA, chegam os dados das vendas a retalho de junho e dos pedidos iniciais de subsídio de desemprego da semana terminada a 11 de julho.

A terceira aceleração mensal consecutiva da inflação global, com os custos da energia a registarem um aumento de 23,5%
— Dados de inflação dos EUA
O primeiro alívio desde o início da guerra no Irão, com a menor pressão na energia a dar o maior contributo para a desaceleração
— Estimativa rápida do Eurostat para inflação da Zona Euro em junho
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