Queda de 23% nas exportações de carne bovina em agosto comparado ao mesmo mês do ano anterior, impulsionada pela redução drástica de compras da China. China completou sua cota sem taxa extra de 55% e União Europeia anunciou restrições, causando antecipações de compras em junho que não se repetiram em agosto.
Sem China, exportação de carne bovina cai 23% em agosto
A China comprou 16,1 mil toneladas em agosto ante 158 mil em junho
Por que junho foi tão diferente de agosto? Parece que houve um pico artificial.
Exatamente. Em junho, os importadores sabiam que prazos estavam vencendo — a cota chinesa sem a sobretaxa de 55% estava se esgotando, e a Europa anunciava restrições. Então anteciparam compras.
Mas isso é especulação sobre intenção, certo? O que sabemos é que o volume foi maior em junho. A razão é atribuída aos importadores, não confirmada por eles.
Verdade. O que é confirmado é que em agosto a China comprou muito menos — 16,1 mil toneladas contra 158 mil em junho. Isso é fato.
E os outros mercados não conseguiram compensar?
Compensaram em parte. EUA e Europa aumentaram, mas não o suficiente. O Brasil perdeu 92 mil toneladas de carne bovina de junho para agosto.
Importante notar: a China ainda é o maior cliente, mas agora enfrenta uma taxa de 67%. Isso é uma mudança estrutural, não temporária.
Então o setor de proteínas animais como um todo está crescendo, mas a carne bovina especificamente está sob pressão?
Sim. Frango e suína estão em alta. Frango porque a China voltou a comprar após o surto de gripe aviária. Suína porque outros mercados asiáticos compensam a redução chinesa.
Mas vale lembrar: a China importou o mesmo volume total de carne em 2026 que em 2025 — 1,3 milhão de toneladas. O que mudou foi o mix de produtos, não o volume agregado.
E como fica daqui para frente?
Desafiador. As barreiras continuam em vigor até pelo menos janeiro, no caso da China. A Europa pode manter as restrições por mais tempo ainda.
O que não sabemos é se essas barreiras são permanentes ou se há negociações em andamento. O texto não menciona isso.
The Pulse
- Exportações de carne bovina caíram 23% em agosto (225 mil toneladas) comparado a agosto de 2025
- China importou apenas 16,1 mil toneladas em agosto, ante 158 mil em junho
- Setor de proteínas animais cresceu 11% de janeiro a agosto, atingindo US$ 23 bilhões
- China enfrenta taxa de 67% sobre carne bovina; União Europeia mantém barreiras
Queda de 23% nas exportações de carne bovina em agosto comparado ao mesmo mês do ano anterior, impulsionada pela redução drástica de compras da China. China completou sua cota sem taxa extra de 55% e União Europeia anunciou restrições, causando antecipações de compras em junho que não se repetiram em agosto.
Exportações de carne bovina brasileira recuaram 23% em agosto para 225 mil toneladas, principalmente pela redução de compras chinesas. China importou apenas 16,1 mil toneladas ante 158 mil em junho.
Em agosto, o Brasil exportou 225 mil toneladas de carne bovina — um recuo de 23% frente ao mesmo mês de 2025. A queda é ainda mais acentuada quando comparada a junho, quando o país havia despachado 317 mil toneladas, o recorde do ano. Naquela época, o mercado estava aquecido por um fenômeno específico: compradores antecipavam pedidos antes que prazos e restrições comerciais entrassem em vigor.
Essas antecipações tinham razão de ser. A China estava completando sua cota de importação de carne bovina brasileira sem a sobretaxa de 55%, e a União Europeia havia anunciado que imporia restrições às compras de proteína animal brasileira a partir de setembro. Diante desse calendário apertado, importadores se movimentaram mais cedo. Mas quando agosto chegou, o impulso desapareceu. A China, principal cliente, recebeu apenas 16,1 mil toneladas — uma queda vertiginosa ante as 158 mil de junho.
O mercado americano e o europeu compensaram parte da perda, mas não o suficiente para manter o ritmo. Os Estados Unidos, livres das pesadas tarifas que enfrentavam no ano anterior, importaram 35 mil toneladas em agosto, acima das 26 mil de junho. A Europa, sabendo que o embargo entraria em vigor naquele mês, acelerou as compras para 23,3 mil toneladas — bem acima das 12,5 mil de julho. Ainda assim, a soma não recuperou o volume perdido na Ásia.
Apesar do recuo na carne bovina, o setor de proteínas animais como um todo mantém trajetória ascendente. De janeiro a agosto de 2026, o Brasil colocou 7 milhões de toneladas de carne bovina, frango e suína no mercado externo — 11% a mais do que no mesmo período de 2025. Em valores, o resultado é ainda mais impressionante: US$ 23 bilhões, um aumento de 20% em relação ao ano anterior.
A China importou 1,3 milhão de toneladas de carne brasileira até agosto — o mesmo volume de 2025, mas com uma composição diferente. As compras de carne bovina e suína caíram, enquanto as de frango subiram. Essa mudança reflete a recuperação do mercado de frango chinês, que havia sido praticamente fechado durante boa parte de 2025 por causa de um surto de gripe aviária. Com a volta da China e da Europa, as exportações brasileiras de frango já atingem 4 milhões de toneladas neste ano, gerando US$ 7,6 bilhões em receitas.
A carne suína também cresceu. O Brasil já exportou 1 milhão de toneladas, com receitas de US$ 2,43 bilhões. Filipinas e Japão lideram as compras, com 184 mil e 127 mil toneladas respectivamente. A China, que uma vez foi o maior importador — comprando 391 mil toneladas de janeiro a agosto de 2021 — agora adquire apenas 89 mil toneladas. A razão é estrutural: após a peste suína, os chineses reconstruíram sua produção e agora têm oferta superior à demanda interna, reduzindo as importações. Mesmo assim, o Brasil ampliou as vendas para toda a Ásia, que comprou 680 mil toneladas até agosto, 10% a mais do que em 2025.
O cenário que se desenha para os últimos meses de 2026 é bem mais restritivo. A carne bovina destinada à China agora enfrenta uma taxa de 67%, e a União Europeia mantém suas barreiras. No caso chinês, uma nova cota sem a sobretaxa de 55% só volta em janeiro. Na Europa, o período de restrição será mais longo. O Brasil, que vinha em ritmo acelerado de produção e exportação, terá de se adaptar a um mercado significativamente mais fechado.
Notable Quotes
As antecipações ocorreram porque a cota chinesa para a carne bovina brasileira sem a taxa extra de 55% já estava sendo completada, e a União Europeia anunciava restrições às importações de proteína animal brasileira a partir de setembro.— Dados da Secretaria de Comércio Exterior