Dezessete anos após o ataque que ceifou 13 vidas na base de Fort Hood, o governo dos Estados Unidos prepara uma execução que transcende o ato punitivo em si: ao anunciar a transmissão pública do fuzilamento de Nidal Hasan, marcado para 3 de dezembro, o secretário de Defesa Pete Hegseth convoca a sociedade a testemunhar as consequências do terror — um gesto que, ao mesmo tempo, desafia regulamentos militares centenários e reacende o debate sobre os limites entre justiça e espetáculo.
Secretário de Defesa dos EUA promete transmitir execução de Nidal Hasan ao vivo
As pessoas precisam entender que existem consequências graves
Por que o secretário de Defesa insistiria em tornar uma execução pública? Qual é o objetivo real aqui?
Hegseth argumenta que é sobre consequências — que as pessoas precisam ver que atos de violência extrema têm custos finais. Há uma lógica de dissuasão nela, embora seja uma lógica que remonta séculos.
Mas precisamos ser claros: não sabemos se essa transmissão ao vivo vai realmente acontecer. Um funcionário do Pentágono disse que "será transmitida", mas o Exército não respondeu aos detalhes. Isso é uma promessa ou um plano?
E quanto aos regulamentos militares? Eles simplesmente não se aplicam aqui?
Os regulamentos existem e são bastante específicos sobre quem pode assistir. Mas há uma brecha: o marechal-preboste geral pode dispensar certos dispositivos se não violarem lei superior.
Exatamente — e essa é a questão aberta. Ninguém confirmou se essa dispensa será concedida ou se a transmissão ao vivo violaria a lei federal. Estamos em território desconhecido.
Hasan foi condenado há mais de uma década. Por que agora?
A mudança de administração trouxe uma abordagem diferente. Hegseth recomendou o pelotão de fuzilamento, Trump aprovou, e agora está acontecendo.
Verdade, mas também vale notar que Hasan estava na morte por injeção letal antes disso. Essa é uma mudança significativa de método, e a justificativa pública é principalmente simbólica — sobre mentalidade de vitória, sobre demonstração.
Qual é o precedente aqui? Isso já aconteceu antes?
Não nos últimos 80 anos. A última execução por pelotão de fuzilamento do Exército foi durante a Segunda Guerra Mundial. Isso torna o momento historicamente incomum.
E historicamente incomum geralmente significa legalmente contestável. Não sabemos se haverá desafios constitucionais ou se a transmissão ao vivo será bloqueada por tribunais.
Le Pouls
- A execução de Nidal Hasan, condenado por matar 13 soldados em 2009, foi marcada para 3 de dezembro — exatamente no mesmo horário em que o ataque ocorreu.
- Pete Hegseth prometeu que o fuzilamento será transmitido ao vivo para o público, argumentando que as pessoas precisam ver as consequências de atos terroristas.
- Seria a primeira execução por pelotão de fuzilamento do Exército americano desde a Segunda Guerra Mundial, sinalizando uma ruptura deliberada com décadas de prática institucional.
- O Regulamento 190-55 do Exército restringe quem pode presenciar execuções militares e proíbe a presença de menores, colocando a transmissão aberta em rota de colisão com as normas vigentes.
- O Pentágono redirecionou perguntas ao Exército, que permanece em silêncio sobre os detalhes operacionais da transmissão — deixando a legalidade do plano em aberto.
Dezessete anos após o ataque que ceifou 13 vidas na base de Fort Hood, o governo dos Estados Unidos prepara uma execução que transcende o ato punitivo em si: ao anunciar a transmissão pública do fuzilamento de Nidal Hasan, marcado para 3 de dezembro, o secretário de Defesa Pete Hegseth convoca a sociedade a testemunhar as consequências do terror — um gesto que, ao mesmo tempo, desafia regulamentos militares centenários e reacende o debate sobre os limites entre justiça e espetáculo.
Pete Hegseth, secretário de Defesa dos Estados Unidos, anunciou que a execução de Nidal Hasan será transmitida ao vivo para o público. Hasan foi condenado por matar 13 pessoas em um ataque a tiros na base de Fort Hood em 2009, e sua morte está marcada para 3 de dezembro, à mesma hora em que o crime foi cometido.
Em entrevista a bordo do USS Abraham Lincoln, Hegseth justificou a decisão: "As pessoas precisam entender que existem consequências graves para esse tipo de coisa." Um funcionário do Pentágono confirmou que a execução "será transmitida ao vivo", sem detalhar como isso ocorreria na prática.
O método escolhido — pelotão de fuzilamento — foi recomendado pelo próprio Hegseth e aprovado pelo presidente Donald Trump. Seria a primeira execução desse tipo realizada pelo Exército americano desde a Segunda Guerra Mundial. Hegseth evocou a "mentalidade de vencer" que, segundo ele, caracterizava as forças armadas naquele período.
O ataque de Hasan aconteceu quando ele abriu fogo contra soldados que aguardavam exames médicos antes de serem enviados ao Afeganistão. Durante o julgamento em 2013, ele afirmou ter agido contra o que chamou de "uma guerra ilegal". Foi condenado por 13 homicídios premeditados e 32 tentativas de homicídio.
A transmissão pública, porém, pode enfrentar barreiras legais. O Regulamento 190-55 do Exército restringe quem pode presenciar execuções militares e proíbe a presença de menores. Uma transmissão aberta potencialmente violaria essas normas — embora o marechal-preboste geral tenha autoridade para dispensar dispositivos do regulamento, desde que não contrarie leis superiores. O Exército não respondeu às perguntas da CNN sobre o assunto.
Pete Hegseth, secretário de Defesa dos Estados Unidos, anunciou esta semana que a execução de Nidal Hasan será transmitida ao vivo para o público. Hasan foi condenado por matar 13 pessoas em um ataque a tiros na base militar de Fort Hood em 2009, e sua execução está marcada para 3 de dezembro, às 14h, horário local.
Em entrevista ao podcaster Jack Posobiec a bordo do USS Abraham Lincoln, Hegseth explicou o raciocínio por trás da decisão de tornar a execução pública. "Vamos garantir que as pessoas possam assistir, que seja pública, porque as pessoas precisam entender que existem consequências graves para esse tipo de coisa", disse o secretário. Um funcionário do Pentágono confirmou posteriormente que a execução "será transmitida ao vivo", embora não tenha fornecido detalhes adicionais sobre como a transmissão funcionaria.
Hegseth detalhou ainda mais os planos durante a entrevista, afirmando que a execução ocorreria em uma quinta-feira à uma da tarde — a mesma hora em que Hasan cometeu o crime — e que seria realizada por um pelotão de fuzilamento composto por soldados armados. O Pentágono anunciou na segunda-feira que Hasan seria executado por pelotão de fuzilamento, uma medida recomendada por Hegseth e aprovada pelo presidente Donald Trump. Adam Telle, secretário interino do Exército, formalizou a data e a hora da execução.
O ataque de Hasan em Fort Hood ocorreu quando ele abriu fogo contra tropas que estavam no centro de processamento médico da base para realizar exames antes da mobilização para o Afeganistão. Durante seu julgamento em 2013, Hasan disse a um conselho de 13 oficiais que tinha como alvo soldados que seriam enviados para o que chamou de "uma guerra ilegal". Ele foi condenado por 13 acusações de homicídio premeditado e 32 acusações de tentativa de homicídio. Após disparar contra as tropas no centro de processamento, Hasan perseguiu soldados pela porta dos fundos enquanto fugiam, foi confrontado pela polícia, trocou tiros com os policiais e acabou sendo atingido.
A execução por pelotão de fuzilamento seria a primeira do tipo realizada pelo Exército dos EUA desde a Segunda Guerra Mundial. Hegseth expressou admiração pela "mentalidade que tínhamos na Segunda Guerra Mundial: a de vencer. A de entender que, quando o inimigo ataca, você mantém sua posição".
No entanto, a transmissão pública ao vivo da execução pode enfrentar obstáculos legais. O Regulamento 190-55 do Exército especifica quais pessoas têm permissão para presenciar uma execução militar e proíbe que menores de idade assistam à aplicação da pena. Uma transmissão aberta ao público potencialmente violaria essas restrições. Ainda assim, o marechal-preboste geral do Exército — um general que supervisiona a aplicação da lei militar — tem autorização para dispensar o cumprimento de dispositivos do regulamento, desde que tal dispensa não viole a lei ou uma norma hierarquicamente superior e vinculante.
O Pentágono encaminhou perguntas sobre como a execução seria divulgada ao Exército, que não respondeu aos questionamentos da CNN até o momento da publicação desta reportagem.
Citations marquantes
Vamos garantir que as pessoas possam assistir, que seja pública, porque as pessoas precisam entender que existem consequências graves para esse tipo de coisa— Pete Hegseth, secretário de Defesa dos EUA
Aprecio a mentalidade que tínhamos na Segunda Guerra Mundial: a de vencer. A de entender que, quando o inimigo ataca, você mantém sua posição— Pete Hegseth