Seca extrema na Europa atinge níveis recorde visíveis do Espaço

A seca afeta milhões de europeus através de crises energéticas, perturbações no transporte de mercadorias, cancelamento de serviços turísticos e ameaças aos ecossistemas fluviais.
Os extremos hidrológicos agora são apenas a ponta do icebergue
Cientista alerta que a seca recorde nos rios europeus será ultrapassada repetidamente no futuro se as emissões não forem reduzidas.
Mark

Como é que uma seca num rio pode ser visível do espaço?

Mimi

As imagens de satélite mostram a mudança na cor e na forma dos rios. Quando o Danúbio ou o Reno têm água normal, ocupam uma faixa larga e contínua. Agora, são fios finos de água rodeados por margens expostas e areia branca. Essa mudança de padrão é tão dramática que os satélites conseguem capturá-la.

Mark

Porque é que a Hungria está tão preocupada com a central nuclear?

Mimi

Porque Paks gera quase metade da eletricidade do país. Sem água suficiente para arrefecer os reatores, a central não consegue funcionar. Se encerrar completamente, o país enfrenta um apagão em pleno verão, quando as pessoas precisam de ar condicionado.

Mark

Os navios comerciais podem simplesmente esperar que a água suba?

Mimi

Não. As cadeias de abastecimento não esperam. Se um navio não consegue transportar carvão ou alimentos porque o rio está muito baixo, as empresas mudam para comboios e camiões, que são muito mais caros. Isso aumenta o preço de tudo.

Mark

Isto é temporário ou é o novo normal?

Mimi

Os cientistas dizem que é apenas o começo. Com o aquecimento contínuo, estes extremos vão repetir-se e piorar. O que estamos a ver agora em 2026 pode parecer normal em 2035.

Mark

O que pode ser feito?

Mimi

A resposta curta é reduzir emissões de gases com efeito de estufa rapidamente. A resposta longa é que isso exige mudanças em toda a sociedade — energia, transportes, indústria. Sem isso, os rios europeus vão continuar a encolher.

  • O Danúbio caiu para dez centímetros em Budapeste, um recorde absoluto que forçou a principal central nuclear da Hungria a operar quase em colapso, com apenas um reator ativo.
  • Na Roménia, a situação é tão crítica que as forças navais recorreram a explosivos para tentar redirecionar água do rio para o reator nuclear de Cernavodă — uma medida de emergência sem precedentes.
  • No Reno, os navios comerciais navegam com cargas reduzidas em até oitenta por cento, paralisando cadeias de abastecimento industriais e obrigando empresas químicas a recorrer a transportes alternativos.
  • O turismo fluvial entrou em colapso parcial, um navio de cruzeiro encalhou na Bulgária, e os leitos expostos revelaram, de forma irónica, tesouros históricos como ossos de mamute e um navio de guerra nazi.
  • Cientistas alertam que estes recordes serão ultrapassados repetidamente no futuro, e que apenas uma redução urgente e estrutural das emissões de gases com efeito de estufa pode travar a espiral.

A Europa, o continente que aquece mais rapidamente no planeta, confronta-se este verão com uma seca de proporções históricas que redesenha, à vista de satélites, a geografia dos seus grandes rios. O Danúbio e o Reno atingiram mínimos sem precedentes, expondo não apenas leitos de areia e rochas submersas, mas também a fragilidade das infraestruturas energéticas e das cadeias de abastecimento que deles dependem. O que se passa nos rios europeus não é uma anomalia isolada, mas um sinal legível de uma transformação climática que os cientistas advertem ser apenas o prelúdio de extremos ainda mais severos.

A Europa aquece mais depressa do que qualquer outro continente, e esse aquecimento tornou-se agora visível do espaço. Imagens de satélite mostram rios históricos reduzidos a fios de água, com margens expostas e bancos de areia que deveriam estar submersos. O calor implacável e a ausência de chuva transformaram alguns dos cursos de água mais vitais do continente em focos de crise simultânea.

O Danúbio, que atravessa dez países desde a Alemanha até ao Mar Negro, atingiu apenas dez centímetros em Budapeste — quebrando o recorde anterior de 2018 — enquanto uma nova onda de calor ameaçava fazer descer os níveis ainda mais. A consequência mais imediata foi energética: a central nuclear de Paks, que fornece quase metade da eletricidade húngara e depende do rio para arrefecimento, ficou reduzida a dez por cento da capacidade. O governo apelou a reduções voluntárias de consumo, e o risco de encerramento total paira sobre o país.

A Roménia respondeu com medidas de emergência drásticas: as forças navais usaram explosivos para abrir passagem entre rochas e redirecionar água para o reator de Cernavodă, enquanto se planeia afundar barcaças carregadas de pedras para construir um dique temporário.

No Reno, a situação não é menos grave. A escassez de neve alpina no inverno, somada a cinco ondas de calor, fez o rio aproximar-se dos seus mínimos históricos de 2018. Os navios comerciais navegam com cargas reduzidas em até oitenta por cento, perturbando cadeias de abastecimento e inflacionando custos de transporte. A empresa química Lanxess confirmou restrições severas ao transporte fluvial e a necessidade de recorrer a alternativas ferroviárias e rodoviárias.

Os efeitos estendem-se ao turismo, com cruzeiros cancelados ou alterados, e até à arqueologia involuntária: os leitos expostos revelaram ossos de mamute no norte da Bulgária e um navio de guerra nazi na Sérvia. O Pó e o Loire registam igualmente níveis excecionalmente baixos.

O professor Richard Allan, da Universidade de Reading, é direto: os extremos hidrológicos que se vivem agora são apenas o início. Sem uma redução rápida e transversal das emissões de gases com efeito de estufa, e sem políticas de longo prazo em substituição de medidas paliativas, o futuro dos rios europeus — e de tudo o que deles depende — será progressivamente mais frágil.

A Europa aquece mais depressa do que qualquer outro continente do planeta, e esse aquecimento está agora visível até do espaço. Imagens de satélite mostram rios que serpenteiavam por paisagens verdejantes reduzidos a fios de água, com margens expostas e bancos de areia que normalmente permaneceriam submersos. O calor implacável e a falta de chuva transformaram alguns dos cursos de água mais vitais do continente em crises que afetam milhões de pessoas.

O Danúbio, segundo rio mais longo da Europa, que atravessa dez países desde a Alemanha até ao Mar Negro, atingiu níveis sem precedentes. Em Budapeste, a água caiu para apenas dez centímetros na segunda-feira, quebrando o recorde anterior de trinta e três centímetros estabelecido em 2018. A cidade preparava-se para temperaturas acima dos trinta e sete graus Celsius enquanto outra onda de calor assolava a Europa Central e Oriental, aumentando os receios de que os níveis pudessem descer ainda mais. Esta redução dramática do rio desencadeou uma crise energética na Hungria. A central nuclear de Paks, responsável por quase metade da eletricidade do país e dependente da água do Danúbio para arrefecimento, foi forçada a operar a apenas dez por cento da capacidade depois de todos os seus reatores, exceto um, terem sido encerrados. Há receios reais de que a central seja forçada a encerrar completamente se os níveis continuarem a descer. O primeiro-ministro Péter Magyar agradeceu às famílias e à indústria pelas reduções voluntárias no consumo de energia durante as horas de ponta noturnas.

A Roménia enfrenta desafios igualmente graves. Na segunda-feira, as forças navais do país utilizaram explosivos para abrir caminho através de rochas, tentando redirecionar água do Danúbio para o único reator em funcionamento da central nuclear de Cernavodă. A agência estatal de gestão de recursos hídricos planeia afundar duas barcaças cheias de pedras num braço do rio para construir um dique temporário e desviar mais água para a central.

O Reno, que nasce nos Alpes suíços e flui para norte até desaguar no Mar do Norte, está igualmente em níveis criticamente baixos. A baixa precipitação de neve nos Alpes durante o inverno, combinada com a falta de chuva e cinco ondas de calor distintas, provocou a descida dos níveis do rio. Em Kaub, perto de Koblenz, no oeste da Alemanha, o nível de água estava nos vinte e três centímetros, praticamente igualando o recorde anterior de vinte e três vírgula seis centímetros de 2018. Os navios comerciais foram forçados a reduzir as suas cargas em até oitenta por cento para evitar encalhar, interrompendo cadeias de abastecimento e aumentando significativamente os custos de transporte. A empresa química Lanxess confirmou que os embarques por barcaça estavam severamente restringidos e que estava a recorrer ao transporte ferroviário e rodoviário sempre que possível.

Os impactos estendem-se muito além da energia e do transporte. O turismo fluvial sofreu perturbações, com alguns cruzeiros a cancelar ou alterar serviços. Um navio de cruzeiro encalhou num banco de areia no Danúbio, na Bulgária, na semana anterior. Simultaneamente, a redução do volume dos rios revelou artefactos históricos: os restos mortais do que se acredita ser um mamute ancestral foram descobertos no norte da Bulgária, e um navio de guerra nazi afundado foi encontrado na Sérvia.

Outros rios europeus também sofrem. O Pó, em Itália, e o Loire, em França, apresentam níveis excepcionalmente baixos em alguns troços. Os cientistas alertam que estes níveis recorde de baixa serão provavelmente ultrapassados repetidamente no futuro. Richard Allan, professor de climatologia na Universidade de Reading, afirmou que com o aquecimento climático contínuo, os extremos hidrológicos que se vivem agora serão apenas o início de uma tendência muito mais grave. Gerir os recursos hídricos tornar-se-á cada vez mais desafiante. A única forma de limitar estes extremos, segundo Allan, é reduzir rapidamente as emissões de gases com efeito de estufa em todos os setores da sociedade e apoiar políticas de longo prazo em vez de medidas paliativas de curto prazo.

Com o aquecimento climático contínuo, os extremos hidrológicos que estamos a viver agora serão apenas a ponta do icebergue
— Richard Allan, professor de climatologia na Universidade de Reading
Os embarques por barcaça estão severamente restringidos e as embarcações estão a operar com cargas significativamente reduzidas
— Porta-voz da empresa química Lanxess
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