Presidente Lula afirmou que ministros culpados devem ser responsabilizados, citando nominalmente Alexandre de Moraes em conexão com investigações do Banco Master. A crise no STF envolve conversas entre ministro Moraes e fundador do banco, com contratos milionários com escritório de sua esposa e possível direcionamento de investigações.
Se Alexandre de Moraes for culpado, ele tem que pagar, diz Lula
Se for culpado, tem que pagar. Todo mundo tem que estar à disposição de cumprir a Constituição.
Por que Lula decidiu falar nominalmente sobre Moraes agora, depois de semanas evitando fazer isso?
Ele estava tentando não inflamar ainda mais a crise, mas com o julgamento marcado para 15 de setembro e a eleição se aproximando, ficou claro que o silêncio não ia resolver nada. E há também a questão política: Flávio Bolsonaro está envolvido no caso Master, então Lula pode conectar a crise judiciária ao seu adversário.
Mas a gente precisa ser cuidadoso aqui. Lula está falando em princípios gerais — "se for culpado, tem que pagar" — mas ninguém foi condenado de nada ainda. Moraes ainda não foi nem formalmente investigado pelo plenário. Lula está antecipando um resultado que ainda não existe.
E quanto ao relatório da PF que começou tudo isso? O que exatamente ele mostrou?
Conversas entre Vorcaro e Moraes, contratos milionários com o escritório da esposa de Moraes, e discussões sobre investigações do banco. Mas o procurador-geral contestou imediatamente, dizendo que Mendonça tinha atropelado as investigações.
Exatamente. Há versões conflitantes sobre como o relatório foi produzido. Mendonça depois disse que havia ilegalidades na forma como foi feito. Então temos um documento que é central para tudo isso, mas que está sob disputa sobre sua própria validade.
E Fachin conseguiu colocar ordem nisso?
Ele tentou. Retirou Moraes da relatoria das fake news, manteve o diretor da PF no cargo, e marcou o julgamento para 15 de setembro. Mas a Corte está rachada — Mendonça, Moraes, Flávio Dino todos tomaram decisões diferentes sobre a mesma questão.
E isso é preocupante porque mostra que não há consenso nem sobre como processar a crise, quanto mais sobre o mérito. Fachin está tentando impor ordem, mas a legitimidade dessa ordem depende de como o plenário vai receber tudo isso em 15 de setembro.
O Pulso
- Lula afirmou que Alexandre de Moraes deve ser responsabilizado se culpado na crise do Banco Master
- Crise começou em 1º de setembro com relatório da PF revelando conversas entre Moraes e fundador do banco
- Contratos milionários identificados com escritório de advocacia da esposa de Moraes
- STF julgará pedido de investigação contra Moraes em 15 de setembro
- Pesquisa mostra Flávio Bolsonaro com 47% e Lula com 45% em eventual segundo turno
Presidente Lula afirmou que ministros culpados devem ser responsabilizados, citando nominalmente Alexandre de Moraes em conexão com investigações do Banco Master. A crise no STF envolve conversas entre ministro Moraes e fundador do banco, com contratos milionários com escritório de sua esposa e possível direcionamento de investigações.
Lula declarou que se Alexandre de Moraes for culpado na crise envolvendo o Banco Master, ele deve pagar, reafirmando que todos devem cumprir a Constituição. O STF julgará pedido de investigação contra Moraes em 15 de setembro.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva rompeu o silêncio cauteloso que mantinha sobre a crise no Supremo Tribunal Federal e falou, pela primeira vez, nominalmente sobre Alexandre de Moraes. Em entrevista ao SBT Brasil na noite de quinta-feira, 10 de setembro, Lula declarou que se o ministro for culpado nas investigações envolvendo o Banco Master, ele terá que responder por isso. "Se Alexandre de Moraes for culpado, ele tem que pagar", afirmou, ampliando a declaração para um princípio mais amplo: "Se o Mendonça é culpado, tem que pagar. Se o Fachin é culpado, tem que pagar. Todo mundo tem que estar à disposição de cumprir a nossa Constituição, a lei acima de tudo e a verdade soberana."
A fala marca uma mudança de tom do presidente. Desde o início da crise institucional que eclodiu no Supremo, Lula havia evitado nomear os ministros envolvidos, preferindo fazer apelos genéricos por transparência. Já havia pedido a abertura de todos os sigilos do caso Master e publicado mensagens nas redes sociais alertando para uma "crise institucional que tomou conta do Poder Judiciário", mas sem apontar pessoas. Agora, com a eleição se aproximando, o presidente conecta a crise judiciária ao seu principal adversário político.
A crise no STF começou em 1º de setembro, quando o ministro André Mendonça divulgou um relatório da Polícia Federal revelando conversas entre Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, e Alexandre de Moraes. O documento identificava contratos milionários com o escritório de advocacia da esposa de Moraes, Viviane Barci de Moraes, além de trocas de mensagens sobre investigações envolvendo fraudes no banco. Mendonça pediu que o presidente do STF, Luiz Fux, levasse o caso ao plenário. No mesmo dia, o procurador-geral Paulo Gonet contestou o relatório, afirmando que Mendonça havia atropelado as investigações. Moraes contra-atacou em 3 de setembro, apresentando um pedido para investigar Mendonça por abuso de autoridade, citando um "relatório de inteligência" que alegava que o colega teria direcionado investigações da PF contra adversários políticos.
O caos processual que se seguiu refletiu as divisões internas da Corte. Na sexta-feira, 4 de setembro, Fachin unificou os pedidos em uma petição sob sua condução. Dias depois, em 8 de setembro, Mendonça identificou ilegalidades na produção do relatório de inteligência mencionado por Moraes e afastou cautelarmente o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. A Advocacia Geral da União recorreu da decisão. Na manhã de quarta-feira, 9 de setembro, em articulação com o Palácio do Planalto, o ministro Flávio Dino reverteu a decisão de Mendonça e reintegrou Rodrigues na corporação.
Fachin então tomou uma série de decisões para tentar restaurar a ordem. Revogou as duas decisões sobre o afastamento de Andrei Rodrigues, mantendo o chefe da PF no cargo. Retirou Alexandre de Moraes da relatoria do inquérito das fake news. E marcou para 15 de setembro o julgamento do pedido de Mendonça para investigar Moraes. "Quando notícias e fatos aventados possam lançar dúvida sobre a higidez de seu funcionamento, é dever e de interesse de todos e de cada um dos membros deste Tribunal esclarecer o que se passou e, no limite, imputar responsabilidades", declarou Fachin.
No contexto eleitoral, Lula aproveitou a entrevista para vincular a crise do Banco Master ao seu principal adversário. Sem citar nominalmente Flávio Bolsonaro, senador pelo PL do Rio de Janeiro, o presidente afirmou que "tem gente que está até os dentes comprometido com o Banco Master". Flávio havia pedido dinheiro a Vorcaro para financiar a cinebiografia sobre Jair Bolsonaro, intitulada "Dark Horse". "O Banco Master foi criado no governo passado. Tem gente que sabe de todo o processo de corrupção que envolve muita gente", disse Lula, pedindo que a Polícia Federal esclareça os fatos e tenha liberdade para investigar.
Uma pesquisa do PoderData/Aya divulgada no mesmo dia mostra o cenário eleitoral tenso. Em um eventual segundo turno entre Lula e Flávio, o senador aparece numericamente à frente com 47% das intenções de voto, contra 45% do presidente. Com margem de erro de dois pontos percentuais, há empate técnico. O julgamento de 15 de setembro no STF sobre a investigação de Moraes ocorre em momento crítico para a campanha de reeleição de Lula, com a crise institucional servindo simultaneamente como ferramenta política e como questão genuína de responsabilização no Poder Judiciário.
Citações Notáveis
Se Alexandre de Moraes for culpado, ele tem que pagar. Se o Mendonça é culpado, tem que pagar. Se o Fachin é culpado, tem que pagar. Todo mundo tem que estar à disposição de cumprir a nossa Constituição, a lei acima de tudo e a verdade soberana.— Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em entrevista ao SBT Brasil
Quando notícias e fatos aventados possam lançar dúvida sobre a higidez de seu funcionamento, é dever e de interesse de todos e de cada um dos membros deste Tribunal esclarecer o que se passou e, no limite, imputar responsabilidades.— Ministro Luiz Fux (presidente do STF), justificando as decisões sobre a crise