Pesquisa Datafolha mostra Lula com 39% e Flávio com 35% no primeiro turno, empatados tecnicamente no segundo com 46% e 44%. Ministro André Mendonça retirou sigilo de investigações entre quinta e sexta-feira, revelando ligações de Flávio com ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Aliados de Lula e Flávio minimizam impacto da crise do STF apesar de pesquisa acirrada
Nada pode ser mais grave que um candidato pedir 100 milhões a um banqueiro que quebrou um banco
Por que os dois lados acham que a pesquisa Datafolha ainda não capturou o que realmente está acontecendo?
Porque entre quinta e sexta-feira, o ministro Mendonça retirou o sigilo de investigações que mostram Flávio como interlocutor direto de Vorcaro na captação de dinheiro para o filme. Os dois lados acreditam que isso vai mexer com as intenções de voto, mas cada um espera que prejudique o outro.
Mas a pesquisa foi feita entre terça e quinta. O sigilo foi retirado entre quinta e sexta. Então tecnicamente a pesquisa não poderia ter capturado isso mesmo. A questão é: quanto tempo leva para um evento assim afetar as pesquisas? Dias? Semanas?
E quanto ao fato de Flávio estar formalmente investigado agora?
A campanha dele minimiza, dizendo que o caso "Dark Horse" já era conhecido. Mas nos bastidores admitem que seria melhor não estar na condição formal de investigado, porque isso vai ser explorado pelos adversários.
Aqui está o ponto frágil: Flávio está investigado, mas não houve operação de busca e apreensão. Não há provas públicas de crime. Então é um inquérito aberto, mas sem investigação ativa visível. Isso pode cortar dos dois lados.
Como Lula está tentando usar isso?
Associando Flávio a Vorcaro e aos prejuízos do Master. A campanha quer que as pessoas se lembrem que Vorcaro quebrou um banco e prejudicou milhares de brasileiros, e que Flávio pediu mais de 100 milhões a esse cara.
Mas um petista anônimo admite que Flávio se manteve competitivo mesmo depois que uma conversa em que ele pedia milhões a Vorcaro foi revelada. Então o efeito político dessa ligação já pode ter sido absorvido pelo eleitorado.
E quanto ao afastamento do diretor da PF? Isso prejudica Lula?
Os petistas temiam que prejudicasse. Mas Marco Aurélio de Carvalho, coordenador da campanha em São Paulo, acha que se afetar as pesquisas, vai pesar a favor de Lula, porque as pessoas associam o presidente ao diretor, que ele defendeu publicamente.
Isso é uma aposta. Não há como saber ainda. O que sabemos é que os petistas estavam assustados com essa possibilidade.
Flávio está realmente confiante?
Publicamente sim. A campanha dele fala em movimento de voto útil, em que eleitores do centro-direita migrem para ele no primeiro turno. Mas há uma contradição: se ele está tão confiante, por que minimiza o impacto de estar investigado?
Porque minimizar em público é estratégia. Nos bastidores é diferente. E há outra coisa: Flávio se recusa a prestar contas sobre o dinheiro de Vorcaro. Oferece apenas uma perícia privada da própria produtora. Isso é frágil.
Der Puls
- Pesquisa Datafolha: Lula 39%, Flávio 35% no primeiro turno; 46% a 44% no segundo turno
- Ministro André Mendonça retirou sigilo entre quinta e sexta-feira
- Flávio era interlocutor direto de Vorcaro na captação de dinheiro para o filme "Dark Horse"
- Flávio se recusa a apresentar contratos, planilhas de gastos ou informações sobre outros investidores do filme
Pesquisa Datafolha mostra Lula com 39% e Flávio com 35% no primeiro turno, empatados tecnicamente no segundo com 46% e 44%. Ministro André Mendonça retirou sigilo de investigações entre quinta e sexta-feira, revelando ligações de Flávio com ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Aliados de Lula e Flávio Bolsonaro avaliam que pesquisa Datafolha não refletiu completamente impactos da crise no STF e caso Master, com ambos os lados apostando em ganhos políticos das revelações.
A pesquisa Datafolha divulgada na sexta-feira mostrava Lula com 39% das intenções de voto no primeiro turno e Flávio Bolsonaro com 35%, uma diferença que permanecia dentro da margem de erro. No segundo turno, o empate era ainda mais evidente: 46% para o petista e 44% para o bolsonarista. Mas tanto os aliados do presidente quanto os do senador do PL acreditavam que esses números não capturavam ainda o peso real dos acontecimentos que explodiram nos dias anteriores — a crise interna do Supremo Tribunal Federal e as revelações sobre o financiamento do filme "Dark Horse" por Daniel Vorcaro, o ex-banqueiro que quebrou o Master.
Entre a noite de quinta e a sexta-feira, o ministro André Mendonça retirou o sigilo de grande parte das investigações. Documentos que vieram à tona mostravam que Flávio havia sido interlocutor direto de Vorcaro na captação de recursos para o filme, enquanto seu irmão Eduardo atuava como gestor do projeto. A campanha de Flávio se recusava a detalhar como o dinheiro havia sido gasto, oferecendo apenas uma perícia privada realizada pela própria produtora, sem apresentar contratos, planilhas de gastos ou informações sobre outros investidores. Quando questionado sobre o assunto em Manaus, Flávio descartou a questão como requentada, sugerindo que era uma cortina de fumaça levantada no momento em que suas pesquisas começavam a se aproximar das de Lula.
Os bolsonaristas viam razão para otimismo. Apesar de Flávio estar formalmente investigado no STF pelo repasse milionário, a campanha minimizava o impacto, argumentando que o caso "Dark Horse" já era conhecido e que dificilmente surgiria algo novo. Nos bastidores, porém, admitiam que seria preferível que o senador não estivesse na condição formal de investigado. A estratégia era apostar que o desgaste dos ministros do Supremo — especialmente a disputa entre Alexandre de Moraes e Flávio Dino contra Mendonça — prejudicaria Lula. Um integrante da campanha de Flávio afirmava que o eleitor estava triste com o noticiário político e enxergava no senador uma oportunidade de mudança generalizada. Havia também esperança de um movimento de voto útil antes do primeiro turno, com eleitores do centro-direita migrando para Flávio na tentativa de ultrapassar Lula.
Os petistas, por sua vez, temiam que a pesquisa registrasse variações negativas após o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, vendo naquela decisão uma ameaça de interferência de Mendonça nas eleições. Mas a abertura do sigilo oferecia uma oportunidade que a campanha de Lula pretendia explorar ao máximo. Éden Valadares, secretário de Comunicação do PT, argumentava que a revelação deveria gerar efeito nas intenções de voto porque desmascara a hipocrisia entre a realidade dos fatos e o que era dito na propaganda eleitoral. O próprio presidente Lula havia pedido a abertura do sigilo em entrevista ao SBT, e seu perfil nas redes sociais publicou uma mensagem de campanha: "Abertura total do sigilo. Quem não deve não teme".
A linha de ataque petista se concentrava em associar Flávio a Vorcaro e aos prejuízos causados pelo colapso do Master a milhares de brasileiros. Guilherme Boulos, ministro da Secretaria-Geral, cobrou que Flávio prestasse contas sobre os gastos com o filme. José Guimarães, responsável pela articulação política do governo, questionou para onde havia ido o dinheiro que teria sido desviado. Marco Aurélio de Carvalho, coordenador da campanha de Lula em São Paulo, afirmou que nada poderia ser mais grave que um candidato a presidente pedir mais de 100 milhões de reais a um banqueiro que havia quebrado uma instituição financeira. Ele descartava a possibilidade de fatos ainda mais graves emergirem, considerando improvável que tivessem mais peso do que o que já era conhecido.
Mas havia divisão entre os petistas sobre o real impacto da derrubada de sigilo. Alguns alertavam para o risco de comemorar a abertura de um inquérito sem investigações concretas. Se nenhuma prova contundente contra Flávio fosse apresentada, o resultado poderia pesar a favor de sua candidatura. Um petista anônimo lembrava que o senador havia se mantido competitivo mesmo após a revelação de uma conversa em que pedia milhões a Vorcaro, sugerindo que a relação entre ambos já havia produzido seus efeitos políticos. Havia também ceticismo quanto à disposição real de Mendonça de investigar Flávio — nenhuma operação de busca e apreensão havia sido realizada contra o senador.
O deputado Evair de Melo, do PP-ES, afirmava que Flávio ficaria ainda maior quando todos os documentos relacionados ao Master fossem divulgados, porque não tinha o que temer. "Transparência é nossa bandeira", declarou. Mas essa confiança pública contrastava com as preocupações admitidas nos bastidores. Ambas as campanhas apostavam que os próximos dias trariam desdobramentos que ampliariam o impacto da crise judiciária sobre o eleitorado — cada lado esperando que o efeito fosse favorável a seu candidato.
Bemerkenswerte Zitate
Esse é um tipo de revelação que deve gerar efeito nas intenções de voto, pois desmascara a hipocrisia entre a realidade concreta dos fatos e o que era dito na propaganda e discurso eleitoral— Éden Valadares, secretário de Comunicação do PT
É preciso saber o que aconteceu nos bastidores, para onde foi o dinheiro e se houve qualquer contrapartida ou desvio— José Guimarães, ministro de Relações Institucionais