Scholz nega que armamento à Ucrânia cause escalada do conflito

A invasão russa matou mais de 3 mil civis segundo a ONU, deslocou mais de 14 milhões de pessoas e deixou cerca de 15 milhões necessitando assistência humanitária.
Não haverá diktat de paz, porque os ucranianos não o aceitarão
Scholz rejeita a ideia de que Putin possa impor uma solução pela força, argumentando que a Ucrânia resistirá.
Mark

Scholz está basicamente a dizer que armas não causam escalada. Mas como é que ele sabe que Putin não vai interpretar isso como provocação?

Mimi

Ele está a argumentar que a defesa ucraniana é precisamente o que força Putin a negociar. Se a Ucrânia não tiver meios para resistir, Putin impõe a sua vontade. Com armas, a Ucrânia pode dizer não.

Luke

Mas isso é uma aposta. Scholz está a assumir que Putin é racional e que vai recuar quando vir que não consegue vencer. A história mostra que líderes autoritários nem sempre fazem cálculos assim.

Mimi

Verdade. Mas qual era a alternativa? Deixar a Ucrânia desarmada? Isso também era uma aposta — uma aposta de que Putin respeitaria a neutralidade.

Mark

E quanto àquele ponto sobre a adesão à UE? Por que é que Scholz se preocupa com os Balcãs quando há 14 milhões de pessoas deslocadas?

Mimi

Porque está a tentar manter a integridade do processo europeu. Se a Ucrânia entra sem cumprir critérios, enfraquece a credibilidade da UE com outros candidatos.

Luke

Mas é um argumento de justiça processual num momento de guerra. Soa bem, mas é também uma forma de dizer que a Ucrânia tem de esperar.

Mark

Então Scholz está a fazer duas coisas ao mesmo tempo — apoiar a guerra com armas, mas travar a integração europeia?

Mimi

Sim. É uma posição de apoio condicional. Armas agora, mas integração europeia depois, quando as coisas estiverem mais claras.

Luke

O problema é que ninguém sabe quanto tempo vai demorar. Scholz está a falar como se houvesse um fim à vista, mas em maio de 2022 a guerra tinha apenas começado.

  • A Alemanha vivia uma tensão interna real: setores significativos do país temiam que o envio de armamento pudesse arrastar a Europa para uma conflagração mais ampla.
  • Scholz subiu à tribuna para desfazer esse argumento diretamente — na sua leitura, recusar armas à Ucrânia seria prolongar, não evitar, a violência.
  • O chanceler rejeitou qualquer 'diktat de paz' imposto por Putin, afirmando que os ucranianos não o aceitariam e que a Alemanha também não o reconheceria.
  • Ao mesmo tempo, Scholz fechou a porta a um processo acelerado de adesão da Ucrânia à UE, invocando equidade para com os seis países dos Balcãs ainda à espera.
  • Com mais de três mil civis mortos e 15 milhões a necessitar de ajuda humanitária, a posição alemã consolidava-se como parte de um consenso ocidental crescente — mas não isento de vozes discordantes em casa.

No 85.º dia de uma guerra que já deslocou mais de 14 milhões de pessoas, o chanceler alemão Olaf Scholz defendeu perante o parlamento em Berlim que fornecer armas à Ucrânia não aprofunda o conflito, mas antes cria as condições para o encerrar. Na sua visão, só quando Moscovo compreender que não pode impor a paz pela força é que negociações verdadeiras se tornarão possíveis — uma lógica que coloca a dissuasão ao serviço da paz, e não da guerra.

Numa quinta-feira de maio, Olaf Scholz respondeu no parlamento alemão à questão que dividia o país: armar a Ucrânia não estaria a alimentar a guerra? O chanceler foi direto — fornecer armas não é escalada, é a melhor forma de afastar o ataque russo e encurtar a violência. A Alemanha manteria o seu curso: armamento para Kiev, sanções contra Moscovo, apoio à resistência.

Para Scholz, o erro fundamental residia na cabeça de Putin. O presidente russo acreditava poder impor paz pela força e ditar termos que os ucranianos aceitariam. O chanceler usou a palavra alemã 'diktat' para rejeitar essa ideia com precisão histórica: não haveria imposição da vontade do mais forte. Só quando Moscovo entendesse que não conseguiria quebrar a defesa ucraniana é que estaria verdadeiramente pronto para negociar.

No mesmo discurso, Scholz abordou outro ponto de fricção — a possibilidade de a Ucrânia aderir rapidamente à União Europeia, saltando etapas. O chanceler recusou atalhos, invocando justiça para com os seis países dos Balcãs ocidentais ainda à espera do mesmo processo.

Era o 85.º dia de uma guerra iniciada a 24 de fevereiro. Mais de três mil civis tinham sido mortos segundo a ONU — número que a própria organização suspeitava estar muito aquém da realidade. Mais de 14 milhões de pessoas tinham fugido das suas casas, numa crise de refugiados sem precedentes na Europa desde 1945. Cerca de 15 milhões necessitavam de assistência humanitária. Ao defender o armamento ucraniano, Scholz falava não apenas pela Alemanha, mas a favor de uma posição que se tornava cada vez mais consensual entre os aliados ocidentais.

Olaf Scholz subiu à tribuna do parlamento alemão numa quinta-feira de maio para responder a uma pergunta que ecoava nos corredores de Berlim: será que armar a Ucrânia não estaria apenas a aprofundar a guerra? O chanceler foi direto. Não, disse. Fornecer armas não é escalada — é o oposto. É a melhor forma de afastar o ataque russo e, com isso, encurtar a violência.

A posição de Scholz refletia uma tensão real dentro da Alemanha. Havia setores do país que temiam que o envio de armamento pudesse transformar um conflito regional numa conflagração europeia mais ampla. Mas o chanceler rejeitou essa lógica. Na sua visão, a Ucrânia precisava de meios para se defender, e essa defesa era precisamente o que poderia forçar Moscovo a negociar.

Para Scholz, o erro fundamental estava na cabeça de Vladimir Putin. O presidente russo estava enganado ao acreditar que conseguiria impor paz pela força, que poderia ditar termos aos ucranianos e estes os aceitariam. "Não haverá diktat de paz", disse o chanceler, usando a palavra alemã que evoca precisamente a imposição de vontade pelo mais forte. "Os ucranianos não o aceitarão e nós também não."

A mensagem era clara: só quando Putin compreendesse que não conseguiria quebrar a defesa ucraniana é que estaria verdadeiramente preparado para negociar. Até lá, a Alemanha manteria o seu curso — armas para a Ucrânia, sanções contra a Rússia, apoio à resistência.

No mesmo discurso, Scholz tocou noutro ponto de fricção: a possibilidade de a Ucrânia aderir rapidamente à União Europeia, saltando etapas do processo habitual. O chanceler disse que não havia atalhos aceitáveis. A razão que invocou foi de justiça: seis países dos Balcãs ocidentais estavam ainda à espera, e não seria correto deixá-los para trás em favor de um novo membro, por mais urgente que fosse a sua situação.

A guerra que Scholz estava a discutir tinha começado em 24 de fevereiro. Quando falou, no 85.º dia do conflito, mais de três mil civis tinham sido mortos segundo as Nações Unidas — um número que a própria ONU suspeitava estar muito aquém da realidade. Mais de 14 milhões de pessoas tinham fugido das suas casas: oito milhões deslocadas dentro da Ucrânia, 6,3 milhões que atravessaram fronteiras para países vizinhos. Era a pior crise de refugiados na Europa desde 1945.

Acerca de 15 milhões de ucranianos necessitavam de assistência humanitária. A invasão tinha sido condenada pela maioria da comunidade internacional, que respondeu com o envio de armas e o aperto de sanções económicas e políticas contra Moscovo. Scholz, ao defender o armamento ucraniano, estava a falar não apenas pela Alemanha, mas a favor de uma posição que se tornava cada vez mais consensual entre os aliados ocidentais — mesmo que em casa houvesse quem duvidasse.

Armar a Ucrânia foi uma contribuição para afastar o ataque russo e, assim, acabar com a violência o mais rapidamente possível
— Olaf Scholz, chanceler alemão
Só quando Putin entender que não pode quebrar a defesa da Ucrânia estará preparado para negociar a paz a sério
— Olaf Scholz
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