Em São Bernardo do Campo, 380 profissionais de saúde se reuniram para aprender que o cuidado com uma criança começa muito antes de seu primeiro choro — começa, na verdade, antes mesmo da concepção. A capacitação promovida pela Secretaria de Saúde municipal parte de uma convicção antiga e renovada pela ciência: que os primeiros anos de vida, e os meses que os precedem, são o alicerce silencioso de toda uma existência. Ao investir na formação de quem trabalha na ponta do sistema público, a cidade aposta que conhecimento bem enraizado se transforma em cuidado mais humano e mais eficaz.
SBC capacita 380 profissionais sobre nutrição infantil desde a gestação
Comer muito não significa comer bem
Por que começar a falar de nutrição 100 dias antes da concepção? Isso não é muito cedo?
Não é cedo, é exatamente no tempo certo. O corpo da mãe é o primeiro ambiente do bebê. Se ela chega à gravidez desnutrida ou com deficiências de micronutrientes, o feto já começa em desvantagem. É como preparar o solo antes de plantar.
E qual é o maior desafio que os profissionais enfrentam quando tentam orientar as famílias?
Os mitos. As avós dizem que criança precisa comer bastante, que gordura é sinal de saúde. Os pais acreditam nisso porque cresceram ouvindo. O profissional precisa quebrar essas crenças com evidência, com paciência.
A enfermeira Elizabeth mencionou o planejamento familiar como momento estratégico. Por quê?
Porque é quando você consegue conversar com a mulher antes dela engravidar. Você pode orientar sobre alimentação, suplementação, hábitos. Depois que a gravidez começa, muita coisa já está decidida.
Qual é a diferença entre quantidade e qualidade de comida que a médica tentava explicar?
Quantidade é fácil de contar — quantas colheres, quantos gramas. Qualidade é mais complexa. Uma criança pode comer bastante arroz e feijão, mas se não tiver frutas, verduras, proteína variada, ela não está recebendo o que precisa para o cérebro crescer bem.
Por que a prefeitura investiu em capacitar 380 profissionais de uma vez?
Porque saúde pública é um sistema. Se apenas alguns profissionais sabem, a mensagem fica inconsistente. Uma mãe vai a uma consulta e ouve uma coisa, vai a outra e ouve outra. Quando todos estão alinhados, a orientação é coerente e as famílias confiam mais.
El Pulso
- Mitos geracionais sobre alimentação infantil persistem nas comunidades e chegam às consultas como verdades difíceis de desfazer.
- A crença de que comer muito equivale a comer bem ainda orienta práticas familiares que podem comprometer o desenvolvimento nutricional das crianças.
- Especialistas em nutrição infantil conduziram discussões científicas sobre suplementação pré-concepcional e introdução alimentar, armando os profissionais com argumentos baseados em evidências.
- Enfermeiras e médicos que atuam nas Unidades Básicas de Saúde passam a ter ferramentas para intervir desde o planejamento familiar até os cinco anos de idade.
- A Escola de Saúde de São Bernardo mantém encontros periódicos para que a atualização científica não seja um evento isolado, mas uma prática contínua do sistema municipal.
Em São Bernardo do Campo, 380 profissionais de saúde se reuniram para aprender que o cuidado com uma criança começa muito antes de seu primeiro choro — começa, na verdade, antes mesmo da concepção. A capacitação promovida pela Secretaria de Saúde municipal parte de uma convicção antiga e renovada pela ciência: que os primeiros anos de vida, e os meses que os precedem, são o alicerce silencioso de toda uma existência. Ao investir na formação de quem trabalha na ponta do sistema público, a cidade aposta que conhecimento bem enraizado se transforma em cuidado mais humano e mais eficaz.
São Bernardo do Campo reuniu 380 profissionais de saúde no Teatro Cacilda Becker para uma capacitação sobre um tema que costuma ser subestimado: o papel da nutrição no desenvolvimento infantil muito antes do nascimento. Organizado pela Secretaria de Saúde como parte do Programa de Educação Continuada e do Agosto Dourado, o encontro partiu da premissa de que o cuidado começa 120 dias antes da concepção e se estende até os cinco anos de idade.
Nutricionistas especializadas conduziram as discussões, oferecendo aos profissionais de nível superior subsídios científicos sobre suplementação e alimentação pré-concepcional. A médica Dra. Giselle Creres explicou que intervenções precoces na dieta dos pais afetam não apenas o corpo da criança, mas também seu desenvolvimento emocional e cognitivo. Ela foi direta ao desmontar um dos mitos mais persistentes nas comunidades: a quantidade de comida não reflete a retenção adequada de nutrientes. O que importa é qualidade e variedade.
Na ponta do sistema, enfermeiras como Elizabeth Salinas, da UBS Vila Marchi, reconhecem o valor dessa formação. Ela atua desde o planejamento familiar e agora se sente mais preparada para orientar mulheres antes mesmo da gestação, reforçar o aleitamento materno exclusivo até o sexto mês e acompanhar o desenvolvimento até os cinco anos. Para quem trabalha diariamente com famílias vulneráveis, estar atualizado não é um diferencial — é uma exigência.
A Escola de Saúde de São Bernardo segue promovendo encontros periódicos com o objetivo de manter a assistência pública alinhada às evidências científicas mais recentes, transformando cada consulta em uma oportunidade de mudar trajetórias de vida desde antes do nascimento.
São Bernardo do Campo reuniu 380 profissionais de saúde em uma capacitação dedicada a um tema que raramente recebe a atenção que merecia: como a nutrição molda o desenvolvimento de uma criança muito antes dela nascer. O encontro, realizado no Teatro Cacilda Becker e organizado pela Secretaria de Saúde municipal, partiu de uma premissa simples mas poderosa — que o cuidado começa cento e vinte dias antes da concepção e se estende até os cinco anos de idade.
A iniciativa fez parte do Programa de Educação Continuada da rede municipal e do Agosto Dourado, mês tradicionalmente dedicado ao incentivo do aleitamento materno. Nutricionistas especialistas em nutrição infantil conduziram as discussões, fornecendo aos servidores de nível superior subsídios científicos sobre suplementação e os cuidados alimentares que precedem a gravidez. A mensagem central era clara: profissionais bem informados conseguem oferecer melhor cuidado nas Unidades Básicas de Saúde.
Dra. Giselle Creres, médica de apoio do Departamento de Atenção Básica e Gestão do Cuidado, explicou por que essa atualização importa tanto. Segundo ela, intervenções precoces na dieta dos pais afetam a saúde da criança a longo prazo — não apenas no corpo, mas também no desenvolvimento emocional e cognitivo. "Desde antes da gravidez, é possível melhorar a alimentação e fazer suplementação quando indicada, pensando no desenvolvimento do feto", disse. "Ao longo da vida, começando pelo aleitamento e passando pela introdução alimentar, existem estratégias que vão impactar positivamente o desenvolvimento das crianças."
Um dos maiores obstáculos que os profissionais enfrentam nas comunidades é a persistência de mitos transmitidos de geração em geração. Muitas famílias acreditam que quanto mais a criança come, melhor ela se desenvolve. Creres foi direta ao desmentir essa noção: a quantidade de comida não reflete a retenção adequada de nutrientes. O que importa é a qualidade e a variedade. "Comer muito não significa comer bem", afirmou. "Os profissionais de saúde têm condições de orientar as famílias e contribuir para que todos tenham uma saúde adequada."
Enfermeiras como Elizabeth Salinas, que trabalha na UBS Vila Marchi, reconhecem o valor dessa formação contínua. Ela atua desde o planejamento familiar — um momento estratégico para consolidar hábitos que levem ao desenvolvimento saudável dos bebês. "Já podemos orientar as mulheres para escolhas mais seguras antes mesmo da gestação, reforçar a importância do aleitamento materno exclusivo até o sexto mês e acompanhar a trajetória até os cinco anos", disse. Para profissionais que trabalham na ponta do sistema, estar atualizado com as evidências científicas mais recentes não é um luxo — é uma necessidade.
A Escola de Saúde de São Bernardo segue promovendo encontros periódicos como parte de seu programa de qualificação contínua. O objetivo é manter a assistência pública municipal alinhada aos padrões científicos atuais, garantindo que cada consulta em uma unidade básica de saúde seja uma oportunidade de mudar trajetórias de vida desde antes do nascimento.
Citas Notables
Desde antes da gravidez, é possível melhorar a alimentação e fazer suplementação quando indicada, pensando no desenvolvimento do feto— Dra. Giselle Creres, médica de apoio do Departamento de Atenção Básica
Já podemos orientar as mulheres para escolhas mais seguras antes mesmo da gestação e acompanhar a trajetória até os cinco anos— Elizabeth Salinas, enfermeira da UBS Vila Marchi