Saque-aniversário terá "amplo debate", diz Luiz Marinho

quando o cidadão precisar dele, não tem
Marinho descreveu o risco de trabalhadores encontrarem contas vazias em caso de desemprego após anos de saques anuais.
Mark

Por que Marinho recuou tão rapidamente? Ele disse algo que não deveria ter dito?

Mimi

Provavelmente. Ele falou como se a decisão já estivesse tomada, quando na verdade o governo ainda estava formando sua posição. Quando você afeta 28,6 milhões de pessoas, não é sábio anunciar mudanças sem consultar quem será afetado.

Luke

Mas ele realmente recuou, ou apenas mudou a linguagem? Ele ainda acha que o saque-aniversário é um problema. Ele só reconheceu que não pode simplesmente eliminá-lo.

Mimi

Exato. A preocupação dele com a poupança dos trabalhadores em caso de desemprego é real e válida. O saque-aniversário esvazia as contas. Mas a solução não é necessariamente acabar com o programa.

Mark

Então o que pode sair desse "amplo debate"?

Luke

Ninguém sabe. Pode ser uma reformulação — limitar a frequência de saques, aumentar o limite de retenção obrigatória, algo assim. Ou pode ser que o debate simplesmente adie a decisão.

Mimi

O que importa é que agora há espaço para as centrais sindicais e o Conselho Curador terem voz. Antes, parecia que Marinho já tinha decidido.

Mark

E os 28,6 milhões de usuários? Eles sabem que isso está sendo debatido?

Luke

Provavelmente não. A maioria das pessoas não acompanha declarações de ministros no Twitter. Mas quando uma decisão vier, eles vão sentir.

  • Em dois dias, o ministro Marinho passou de 'vamos acabar com o saque-aniversário' a 'vamos debater amplamente' — uma virada que expõe a pressão política sobre qualquer mudança que afete 28,6 milhões de trabalhadores.
  • O saque-aniversário movimenta em média R$ 12 bilhões por ano, tornando qualquer alteração uma decisão de impacto econômico imediato e visível para dezenas de milhões de famílias.
  • Marinho havia chamado o governo Bolsonaro de 'irresponsável e criminoso' por liberar saques anuais, argumentando que o dinheiro não estará disponível quando o trabalhador for demitido — mas a linguagem foi suavizada no dia seguinte.
  • O governo agora aposta em um processo de consulta com o Conselho Curador do FGTS e sindicatos antes de qualquer decisão, deixando em aberto se o programa será extinto, reformulado ou mantido.

Quando um governo herda políticas que tocam diretamente no bolso de quase 30 milhões de trabalhadores, a prudência costuma temperar a convicção. O ministro do Trabalho Luiz Marinho, que dois dias antes havia anunciado o fim do saque-aniversário do FGTS, recuou publicamente e sinalizou que a decisão passará por debate amplo com o Conselho Curador e as centrais sindicais. O episódio revela a tensão permanente entre a crítica ao legado do governo anterior e a responsabilidade de governar para quem já depende daquilo que se pretende mudar.

Na quarta-feira, 4 de janeiro de 2023, o ministro do Trabalho Luiz Marinho concedeu entrevista ao jornal O Globo e foi categórico: o governo Lula pretendia eliminar o saque-aniversário do FGTS, benefício que permite aos trabalhadores retirar até metade do saldo disponível em suas contas do fundo. Marinho criticou duramente a decisão do governo Bolsonaro de liberar saques anuais, argumentando que o FGTS existe para dois fins históricos — financiar habitação e servir de reserva para momentos de desemprego. Ao permitir retiradas regulares, disse, o governo anterior esvaziou o fundo de seu propósito. Usou palavras fortes: chamou a política anterior de 'irresponsável e criminosa'.

No dia seguinte, pelo Twitter, o mesmo ministro anunciou que o tema seria 'objeto de amplo debate' com o Conselho Curador do FGTS e as centrais sindicais. O recuo foi rápido e significativo. A nova declaração falava em 'preocupação com a proteção dos trabalhadores em caso de demissão e com a preservação da sua poupança' — uma formulação deliberadamente aberta, que não comprometia o governo com a extinção do programa.

A razão para a cautela é concreta: 28,6 milhões de trabalhadores utilizam o saque-aniversário, movimentando cerca de R$ 12 bilhões por ano. Eliminar o benefício significaria reação política imediata de uma parcela enorme da base que o governo Lula pretende representar. O episódio deixa claro que a questão não se resolve com uma declaração — e que a solução, qualquer que seja, ainda depende de uma conversa que está apenas começando.

Luiz Marinho, ministro do Trabalho do governo Lula, recuou de uma declaração feita dois dias antes. Na quarta-feira, 4 de janeiro de 2023, ele havia dito em entrevista que a administração pretendia eliminar o saque-aniversário do FGTS — o benefício que permite aos trabalhadores retirar até 50% do saldo disponível em suas contas do fundo de garantia. Na quinta-feira seguinte, pelo Twitter, Marinho anunciou que o tema seria "objeto de amplo debate" junto ao Conselho Curador do FGTS e às centrais sindicais, sinalizando uma postura menos definitiva.

O recuo importa porque o saque-aniversário é um programa de alcance massivo. Segundo a Caixa Econômica Federal, 28,6 milhões de trabalhadores utilizam a modalidade. Em média, sacam R$ 12 bilhões por ano do fundo. Qualquer mudança na política afetaria dezenas de milhões de pessoas e bilhões em fluxo de caixa anual.

Na entrevista ao jornal O Globo de quarta-feira, Marinho havia criticado duramente a decisão do governo Bolsonaro de liberar saques anuais. Ele argumentou que o FGTS possui dois objetivos históricos: funcionar como fundo de investimento para habitação e servir como poupança do trabalhador para momentos de desemprego. Ao permitir saques em cada aniversário, disse, o governo anterior desviou o fundo de seus propósitos. Marinho foi direto: quando o trabalhador precisar do FGTS em caso de demissão, o dinheiro não estará lá porque foi sacado ao longo dos anos.

A linguagem que usou foi contundente. Referiu-se ao governo anterior como "irresponsável e criminoso" por ter estimulado saques anuais. Mas a declaração de quinta-feira suavizou o tom. Marinho afirmou que a "preocupação" do governo Lula era "com a proteção dos trabalhadores e trabalhadoras em caso de demissão e com a preservação da sua poupança" — uma formulação que deixa em aberto se a solução seria eliminar o saque-aniversário ou reformulá-lo.

O recuo sugere que a questão é mais complexa do que uma simples reversão de política. O saque-aniversário beneficia diretamente dezenas de milhões de pessoas que o utilizam regularmente. Eliminar o programa geraria reação política imediata. Ao mesmo tempo, o governo tem preocupações legítimas sobre o esgotamento das contas do FGTS em caso de desemprego. A solução, segundo Marinho, virá de um processo de debate que envolva não apenas a burocracia federal, mas também as organizações sindicais que representam os trabalhadores. O resultado dessa conversa ainda está em aberto.

Quando se estimula sacar em todos os aniversários, quando o cidadão precisar dele, não tem
— Luiz Marinho, ministro do Trabalho
A preocupação do governo é com a proteção dos trabalhadores em caso de demissão e com a preservação da sua poupança
— Luiz Marinho, em comunicado pelo Twitter
Möchten Sie die ganze Geschichte? Das Original lesen bei Poder360 ↗
Kontakt FAQ