Em um momento de profunda turbulência institucional, o presidente Lula convocou o STF a investigar seus próprios ministros sem distinção de cargo ou lealdade, sinalizando que a crise do Banco Master transcende disputas internas e toca a legitimidade da mais alta corte do país. A fala ocorre enquanto ministros se acusam mutuamente, impedimentos se multiplicam e um julgamento decisivo permanece suspenso — retrato de uma instituição que precisa, antes de julgar o Brasil, julgar a si mesma.
Lula cobra investigação rigorosa de ministros do STF sem distinção no escândalo Master
Não há absolutamente ninguém que possa fugir do julgamento
O que exatamente Lula está pedindo ao STF nessa entrevista?
Ele está pedindo uma investigação rigorosa e sem exceções sobre todos os ministros envolvidos no escândalo do Banco Master. Não quer que ninguém fique de fora por causa de cargo ou posição.
Mas Lula tem poder para forçar isso? O STF é independente.
Não, ele não tem poder direto. O que ele faz é exercer pressão política pública, dizendo que a credibilidade da Corte está em jogo.
E quanto aos ministros que se declararam impedidos — Toffoli e Kassio? Lula está questionando se esses impedimentos são legítimos?
Exatamente. Ele pergunta por que eles não votaram, sugerindo que talvez haja algo a esconder.
Mas o impedimento de Kassio foi declarado horas depois que mensagens mostraram a ligação do filho dele com Vorcaro. Isso não justificaria o impedimento?
Justificaria, mas Lula está sugerindo que o timing é suspeito — que talvez tenha sido uma forma de se afastar do julgamento.
Qual é a situação atual do julgamento sobre Moraes?
Foi suspenso. O placar estava 4 contra 3, contrário a analisar em conjunto as condutas de Moraes e Mendonça. Flávio Dino pediu vista, o que significa que ele ainda vai votar.
Então o resultado ainda está aberto?
Completamente. Dino pode mudar tudo quando votar.
E Mendonça — por que Lula o critica especificamente?
Porque Mendonça era o relator do caso e, segundo Lula, guardava informações como "segredo de Estado", soltando apenas o que lhe interessava. Depois pediu a investigação de Moraes, e Moraes revidou pedindo a investigação dele.
Le Pouls
- O conflito entre Moraes e Mendonça saiu das câmaras reservadas e explodiu em público, com acusações cruzadas de abuso de autoridade e improbidade que paralisam o funcionamento normal do Tribunal.
- O julgamento sobre a investigação de Moraes foi suspenso com placar de 4 a 3, após pedido de vista de Dino, enquanto Toffoli e Kassio se declararam impedidos — deixando o desfecho em aberto e a crise sem resolução.
- Lula questiona abertamente por que ministros se abstiveram de votar e acusa Mendonça de usar informações sigilosas de forma seletiva, elevando a pressão política sobre uma corte já fragilizada.
- Fachin, como presidente do STF, tenta conter os danos: retirou Moraes da relatoria do inquérito das fake news e anulou a decisão de Mendonça sobre a Polícia Federal, mas o equilíbrio permanece frágil.
- A credibilidade do STF está em jogo — e Lula afirma que nenhum ministro pode escapar de apuração quando há suspeitas, exigindo que a corte máxima seja exemplo, não exceção.
Em um momento de profunda turbulência institucional, o presidente Lula convocou o STF a investigar seus próprios ministros sem distinção de cargo ou lealdade, sinalizando que a crise do Banco Master transcende disputas internas e toca a legitimidade da mais alta corte do país. A fala ocorre enquanto ministros se acusam mutuamente, impedimentos se multiplicam e um julgamento decisivo permanece suspenso — retrato de uma instituição que precisa, antes de julgar o Brasil, julgar a si mesma.
O presidente Lula concedeu entrevista à Record na terça-feira, 15 de setembro, e fez uma declaração direta sobre a crise no Supremo Tribunal Federal: todos os ministros envolvidos no escândalo do Banco Master precisam ser investigados, sem exceção. A fala ocorre em um dos momentos mais tensos da história recente do STF, com conflitos entre ministros se tornando públicos e ameaçando a credibilidade da instituição.
Lula afirmou que Edson Fachin, presidente do STF, tem em mãos todas as ferramentas para revelar o que aconteceu na Corte. Criticou André Mendonça por tratar informações como 'segredo de Estado' e divulgar apenas o que lhe convinha. Questionou também os impedimentos declarados por Dias Toffoli e Kassio Nunes Marques, perguntando diretamente quem teria recebido dinheiro. Para o presidente, nenhum brasileiro — independentemente do cargo — pode escapar de julgamento quando há suspeitas ou acusações.
A crise teve origem na divulgação de mensagens entre o banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes, além da revelação de que Moraes editou um contrato ligado ao escritório de sua esposa com o Banco Master. Mendonça pediu investigação contra Moraes; Moraes revidou usando o inquérito das fake news para acusar Mendonça de abuso de autoridade e improbidade. O conflito escalou quando Mendonça ordenou o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal — decisão anulada no dia seguinte por Flávio Dino.
Fachin tentou conter os danos: retirou Moraes da relatoria do inquérito das fake news, anulou a decisão de Mendonça sobre a PF e marcou para a mesma terça-feira o julgamento sobre a investigação contra Moraes. A sessão, porém, foi suspensa após pedido de vista de Dino, com o placar em 4 votos contra 3 a favor de investigar as condutas de Moraes e Mendonça em conjunto. O desfecho permanece em aberto, e a pressão — de dentro e de fora do Tribunal — não dá sinais de arrefecer.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva concedeu entrevista à Record na terça-feira, 15 de setembro, e usou a oportunidade para fazer uma declaração contundente sobre a crise que envolve o Supremo Tribunal Federal: não há trégua para os ministros da Corte. Segundo Lula, todos os envolvidos no escândalo do Banco Master precisam ser investigados sem distinção, independentemente de cargo ou posição. A fala do presidente ocorre em meio a um dos momentos mais tensos da história institucional recente do STF, quando conflitos entre ministros explodem em público e ameaçam a credibilidade da instituição.
Lula afirmou que o presidente do STF, Edson Fachin, possui todas as ferramentas necessárias para desvendar o envolvimento de ministros na trama do Banco Master. "O Fachin tem a faca e o queijo na mão para abrir tudo e saber quem fez o quê na Suprema Corte", disse o presidente, referindo-se ao fato de que o sigilo já foi quebrado e a Corte dispõe de todas as informações. O presidente questionou especificamente a conduta do ministro André Mendonça, acusando-o de guardar informações como "segredo de Estado" e divulgando apenas aquilo que lhe interessava pessoalmente. Lula também levantou dúvidas sobre os impedimentos declarados pelos ministros Dias Toffoli e Kassio Nunes Marques: "Por que o Toffoli não votou? Por que o Kassio não votou? Quem é que levou dinheiro?"
O presidente conectou o escândalo a uma questão maior de credibilidade institucional. Segundo Lula, o Brasil enfrenta uma crise de confiança no STF, e a Corte precisa responder a isso com uma apuração rigorosa sobre a conduta de seus ministros. "Ninguém do STF pode ficar sob suspeita, é preciso apurar e quem cometeu erro que pague", declarou. Lula enfatizou que nenhum brasileiro, independentemente de sua posição social, pode fugir de julgamentos quando há suspeitas ou acusações contra ele. "Não há absolutamente ninguém que possa fugir do julgamento quando tem suspeita ou acusações contra", afirmou, argumentando que a instância máxima da Justiça brasileira precisa ser exemplo para a sociedade.
O contexto que motivou as declarações de Lula é grave. No mesmo dia da entrevista, o STF iniciou o julgamento sobre uma possível investigação contra o ministro Alexandre de Moraes. A sessão foi suspensa após um pedido de vista do ministro Flávio Dino, com o placar em 4 votos contra 3 a favor de um pedido para analisar em conjunto as condutas de Moraes e Mendonça. Os ministros Nunes Marques e Dias Toffoli se declararam impedidos de votar. Nunes Marques justificou seu impedimento citando sua posição como presidente do Tribunal Superior Eleitoral, argumentando que o julgamento poderia impactar o cenário político eleitoral. Toffoli alegou "suspeição de foro íntimo" e informou que vem se manifestando pela suspeição em todos os julgamentos do caso desde que deixou a relatoria.
A crise institucional no STF intensificou-se nas últimas semanas. Tudo começou com a divulgação de mensagens entre o banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes, revelando uma ligação entre eles. A investigação também mostrou que Moraes editou um contrato firmado entre o escritório de sua esposa, Viviane Barci de Moraes, e o Banco Master. Após vazamentos de trechos da apuração, Mendonça pediu que Moraes fosse investigado. Moraes reagiu utilizando o inquérito das fake news, do qual é relator, para acusar Mendonça de abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade, pedindo que ele também fosse investigado.
O conflito escalou quando Mendonça ordenou o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. Um dia depois, o ministro Flávio Dino anulou essa decisão, devolvendo o cargo a Andrei e contradizendo publicamente seu colega de Supremo. Em resposta a essa crise deflagrada, Edson Fachin, presidente do Tribunal, retirou Alexandre de Moraes da relatoria do inquérito das fake news e anulou a decisão de Mendonça sobre o diretor da PF. Fachin marcou para terça-feira, 15 de setembro, a análise do pedido de investigação contra Moraes — a mesma sessão que foi suspensa.
Lula também criticou o papel de Vorcaro na trama, afirmando que o banqueiro cooptou instâncias do Poder Judiciário e da classe política. O presidente declarou que é necessário "colocar o Brasil a nu" para que a sociedade compreenda toda a extensão do envolvimento. As declarações de Lula refletem a pressão política sobre o STF para que a instituição resolva internamente a crise de credibilidade que a envolve. O julgamento suspenso sobre Moraes permanece em aberto, com o placar dividido e a necessidade de voto de Flávio Dino para definir os próximos passos.
Citations marquantes
O Fachin tem a faca e o queijo na mão para abrir tudo e saber quem fez o quê na Suprema Corte— Presidente Lula
Não tem trégua, é preciso investigar todos, sem distinção— Presidente Lula