Santos é condenado a pagar R$ 18,6 milhões ao Cuiabá por dívida de transferência

Sentença não paga salário
O Cuiabá recebe a condenação do Santos, mas ressalta que a decisão judicial não resolve o problema financeiro imediato do clube.
Mark

Por que essa condenação do Santos ao Cuiabá importa agora? Parece um problema entre dois clubes.

Mimi

Importa porque revela como o futebol brasileiro funciona financeiramente. O Cuiabá está disputando a Série B com o caixa comprometido por dívidas de outros clubes — mais de R$ 40 milhões no total. Isso afeta diretamente o desempenho em campo.

Luke

Mas a condenação saiu. O Santos foi condenado. Isso não resolve?

Mimi

Não, porque o Santos pode recorrer. E o Cuiabá já viu isso antes: o Santos foi condenado pela FIFA em outros casos e só pagou depois de receber transfer ban, meses depois da sentença.

Mark

Então a condenação é só um papel?

Mimi

É um passo, mas não é garantia. O Cuiabá tentou resolver isso com um acordo de cinco parcelas. O Santos pagou uma e parou.

Luke

Espera — o Cuiabá renegociou e abriu mão de parte do que tinha a receber, e mesmo assim o Santos não cumpriu?

Mimi

Exatamente. Por isso o clube está frustrado. Não é só a dívida. É o padrão: clubes devedores continuam contratando enquanto quem paga em dia financia quem não paga.

Mark

E os outros clubes que devem ao Cuiabá?

Luke

O Corinthians conseguiu um plano de 24 parcelas até 2031, sem juros. O Sport deve R$ 6 milhões. O Grêmio aguarda julgamento. São várias situações diferentes.

Mimi

Mas o ponto é o mesmo: o Cuiabá está esperando há quase dois anos por esse dinheiro. A sentença não muda isso amanhã.

Mark

O que o Cuiabá quer agora?

Mimi

Pagamento imediato. E que as decisões sejam executadas com a mesma rapidez com que a FIFA cobra os mesmos devedores.

  • Santos condenado a pagar R$ 18.616.377,46 ao Cuiabá
  • Dívida pela compra do zagueiro Joaquim em fevereiro de 2023 e revenda ao Tigres do México em 2024
  • Cuiabá renegociou em cinco parcelas; Santos pagou apenas uma
  • Processo na CNRD durou dezesseis meses, iniciado em maio de 2025
  • Créditos totais do Cuiabá contra clubes brasileiros ultrapassam R$ 40 milhões

Santos foi condenado a pagar R$ 18.616.377,46 ao Cuiabá pela compra do zagueiro Joaquim e participação na revenda ao Tigres do México. O Cuiabá renegociou a dívida em cinco parcelas, mas Santos pagou apenas a primeira, levando o caso à CNRD em maio de 2025.

A CNRD da CBF condenou o Santos a pagar R$ 18,6 milhões ao Cuiabá por dívida referente à compra do zagueiro Joaquim em 2023 e participação na revenda. O clube paulista já havia descumprido acordo de parcelamento.

A Câmara Nacional de Resolução de Disputas da CBF condenou o Santos a pagar R$ 18.616.377,46 ao Cuiabá em decisão proferida no final de setembro. A dívida remonta à compra do zagueiro Joaquim em fevereiro de 2023 e inclui a participação do clube mato-grossense nos lucros da revenda do atleta ao Tigres, do México, operação realizada em 2024. O que começou como uma transação entre dois clubes brasileiros transformou-se em um litígio de quase dois anos, revelando fraturas profundas na forma como o futebol doméstico lida com obrigações financeiras.

O Cuiabá havia tentado resolver o impasse através de um acordo. Diante da dificuldade em receber, o clube renegociou a dívida e aceitou recebê-la em cinco parcelas, abrindo mão de parte relevante do que tinha a receber. O Santos, porém, cumpriu apenas o primeiro pagamento. Quando ficou claro que o acordo não seria honrado, o Cuiabá acionou a CNRD em maio de 2025. A sentença levou dezesseis meses para sair.

A reação do Cuiabá à condenação foi marcada por frustração contida. Em nota oficial, o clube afirmou receber a decisão "com respeito, mas não com alívio", ressaltando que uma sentença não coloca dinheiro nas contas bancárias nem paga os salários dos funcionários. O que o Cuiabá esperava era o pagamento imediato. Mas o clube já conhecia o cenário: o Santos ainda pode recorrer ao Conselho de Arbitragem da CBF, abrindo mais um capítulo processual que pode estender a cobrança indefinidamente.

O histórico recente alimenta essa preocupação. O Cuiabá citou casos anteriores envolvendo o próprio Santos com outros credores. Quando cobrado pela FIFA pelo Arouca e pelo Mônaco, o Santos só efetuou os pagamentos após receber uma proibição de registrar novos jogadores — e isso aconteceu meses depois de já estar condenado. Durante esse período, o clube continuou contratando. O padrão sugere que sentenças, por si só, não garantem o cumprimento.

O problema do Cuiabá não é isolado. O clube está envolvido em disputas financeiras com vários times brasileiros. O Corinthians deve pela venda do volante Raniele e conseguiu incluir sua dívida em um plano de 24 parcelas trimestrais que se estende até 2031, com correção apenas pela inflação e sem juros — condições extremamente favoráveis ao devedor. O Sport deve cerca de R$ 6 milhões pela venda do lateral Matheus Alexandre. O Grêmio aguarda julgamento sobre a inclusão de aproximadamente R$ 900 mil em um plano coletivo. Somados, os créditos do Cuiabá contra clubes brasileiros ultrapassam R$ 40 milhões.

Essa situação financeira afeta diretamente o desempenho do Cuiabá na temporada. O clube disputa a reta final do Campeonato Brasileiro da Série B com o caixa severamente comprometido. Está em décimo lugar com 43 pontos, quatro abaixo da zona de classificação para o playoff. Em sua nota, o Cuiabá deixou claro que essa situação não resulta de má gestão interna, mas de contratos que outros clubes assinaram e não cumprem. Enquanto isso, os devedores continuam no mercado, contratando jogadores e ampliando suas folhas salariais. No futebol brasileiro contemporâneo, quem paga em dia acaba financiando quem não paga.

O Cuiabá reafirmou sua confiança nas instituições do futebol, mas deixou registrado que não aceitará em silêncio o uso de recursos processuais com o objetivo de adiar indefinidamente o pagamento de uma dívida que vence há quase dois anos. A questão agora é se a condenação da CNRD será suficiente para quebrar esse ciclo ou se o Santos seguirá o padrão de recorrer, atrasar e continuar operando normalmente enquanto o credor fica à espera.

Sentença não paga salário. O que o clube espera agora é o pagamento imediato.
— Cuiabá Esporte Clube, em nota oficial
No futebol brasileiro de hoje, quem paga em dia financia quem não paga.
— Cuiabá Esporte Clube, em nota oficial
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